Basquete

Nuggets demitem Michael Malone e encerram era de Calvin Booth antes dos playoffs

Michael Malone - Foto: Instagram
Foto: Michael Malone - Foto: Instagram

A decisão dos Denver Nuggets de demitir o técnico Michael Malone e anunciar que não renovarão o contrato do gerente geral Calvin Booth pegou o mundo da NBA de surpresa. Com apenas três jogos restantes na temporada regular, o time, que ostenta um recorde de 47 vitórias e 32 derrotas, atravessa um momento turbulento, marcado por quatro derrotas consecutivas. A mudança drástica ocorre em um contexto delicado, com a equipe correndo o risco de cair para o play-in, uma posição incômoda para um elenco que conquistou o título em 2023 e ainda conta com o três vezes MVP Nikola Jokic.

O anúncio foi feito nesta terça-feira, 8 de abril, e coloca David Adelman, assistente principal de Malone há oito temporadas, como técnico interino até o fim do campeonato. A saída de Malone, que comandou os Nuggets por uma década e acumulou 471 vitórias contra 327 derrotas, encerra um ciclo vitorioso, mas também reflete tensões internas que vinham se acumulando desde a conquista do título. Josh Kroenke, vice-presidente da Kroenke Sports and Entertainment, justificou a decisão como um passo necessário para manter o time competitivo na busca por mais um troféu em 2025.

Enquanto isso, a não renovação de Booth, que assumiu como GM em 2020 e foi peça-chave na montagem do elenco campeão, sinaliza uma reformulação profunda na gestão. A temporada atual expôs fragilidades, como a saída de veteranos importantes em anos anteriores e a aposta em jovens como Christian Braun e Peyton Watson, que ainda não conseguiram preencher lacunas cruciais. Jokic, apesar de sua genialidade em quadra, agora terá de se adaptar a um novo comando técnico após dez anos sob a tutela de Malone.

Choque na NBA com demissões inesperadas

A notícia da demissão de Michael Malone reverberou como um terremoto na liga. Após quase dez anos à frente dos Nuggets, o treinador deixa um legado impressionante, sendo o técnico com mais vitórias na história da franquia. Sua saída se junta a uma tendência curiosa: quatro dos últimos seis técnicos campeões da NBA já não estão mais nos times que os consagraram. Nick Nurse, ex-Raptors, Frank Vogel, ex-Lakers, e Mike Budenholzer, ex-Bucks, também viram seus ciclos encerrados após títulos, evidenciando a pressão por resultados imediatos na liga.

David Adelman, que assume o comando interino, traz consigo uma bagagem sólida. Filho do renomado técnico Rick Adelman, ele já era cotado para cargos de treinador principal, tendo sido entrevistado pelo Los Angeles Lakers e pelo Cleveland Cavaliers na última offseason. Sua experiência ao lado de Malone por oito anos pode oferecer uma transição menos abrupta, mas a tarefa não será fácil. Os Nuggets enfrentam um calendário final desafiador, com adversários diretos na briga por posições no Oeste, e a ausência de Jamal Murray, lesionado há cinco jogos, só aumenta a pressão.

Para os jogadores, o impacto emocional é evidente. Nikola Jokic, conhecido por sua postura tranquila, demonstrou raros sinais de frustração nas últimas partidas, especialmente no banco de reservas. A química entre ele e Malone era um dos pilares do sucesso da equipe, e a mudança repentina pode abalar o moral de um grupo que já vinha oscilando desde o All-Star break, com um desempenho de 11 vitórias e 13 derrotas.

Tensões internas expõem crise nos Nuggets

Nos bastidores, o clima entre Malone e Booth já não era dos melhores há algum tempo. Desde a conquista do título em 2023, uma espécie de “guerra fria” se instalou entre os dois, agravada por divergências estratégicas. A saída de veteranos como Kentavious Caldwell-Pope e Bruce Brown, que assinaram contratos mais lucrativos em outros times, enfraqueceu o elenco, enquanto a aposta em jovens como Braun e Watson dividiu opiniões. Malone, por vezes, parecia relutante em abraçar completamente essa nova direção, o que gerou atritos com a gestão.

Booth, promovido a GM após a saída de Tim Connelly para o Minnesota Timberwolves, teve um início promissor, culminando no título de 2022-23. No entanto, suas escolhas recentes no draft e no mercado de trocas não renderam o esperado. Christian Braun se consolidou como titular, mas outros nomes, como DaRon Holmes II, adquirido no draft de 2024 e fora da temporada por uma lesão no tendão de Aquiles, ainda não entregaram resultados. Essas decisões pesaram na avaliação de Kroenke, que optou por não estender o contrato de Booth, encerrando sua passagem após três anos.

A defesa, um dos pontos fortes do time campeão, também regrediu significativamente. Os Nuggets estão permitindo 117,1 pontos por jogo, uma das piores marcas da NBA nesta temporada. Esse deslize defensivo, aliado à falta de consistência ofensiva sem Murray, expôs vulnerabilidades que Malone não conseguiu contornar, mesmo com Jokic brilhando individualmente.

Declaração oficial reflete urgência por mudanças

Josh Kroenke não mediu palavras ao explicar a decisão. Em comunicado oficial, ele destacou que a medida, embora difícil, foi cuidadosamente avaliada e visa dar ao time a melhor chance de brigar pelo título em 2025. A menção a “padrões de nível de campeonato” reforça a expectativa de que os Nuggets não estão dispostos a aceitar uma temporada mediana, mesmo após um ano de glória recente. A saída de Malone, segundo Kroenke, é um reconhecimento de seu papel na construção de uma base sólida, mas também uma admissão de que ajustes são necessários para manter a competitividade.

Sobre Booth, Kroenke elogiou sua contribuição na montagem do elenco campeão e seu conhecimento do jogo, mas deixou claro que o futuro da franquia seguirá um novo rumo. A gratidão expressa pelos oito anos de Booth na organização, incluindo sua passagem como jogador e executivo, não amenizou a sensação de que a gestão busca uma reformulação completa para evitar um declínio prolongado.

A escolha de Adelman como interino sugere uma tentativa de continuidade em curto prazo, mas o foco já está na offseason. A busca por um novo técnico e um GM permanente será crucial para definir os próximos passos de uma equipe que ainda tem Jokic como peça central, mas precisa resolver questões estruturais urgentes.

Principais momentos da era Malone nos Nuggets

A passagem de Michael Malone pelos Nuggets foi marcada por altos e baixos, mas deixou um impacto indelével na franquia. Aqui estão alguns dos destaques de seus dez anos no comando:

  • Primeira temporada (2015-16): Malone assumiu um time em reconstrução e começou a moldar a cultura que levaria ao sucesso anos depois.
  • Ascensão de Jokic: Sob seu comando, Nikola Jokic evoluiu de um novato promissor para um dos melhores jogadores da liga, conquistando três MVPs.
  • Título de 2023: A consagração veio com o primeiro campeonato da história dos Nuggets, derrotando o Miami Heat nas finais.
  • Seis playoffs consecutivos: Malone levou o time à pós-temporada em seis temporadas seguidas, um feito inédito na franquia.
  • Recorde de vitórias: Com 471 triunfos, ele se tornou o técnico mais vitorioso da história do time.

Desafios à frente para David Adelman

Assumir o comando dos Nuggets em um momento tão delicado não será tarefa simples para David Adelman. Com apenas três jogos pela frente na temporada regular, ele terá pouco tempo para implementar mudanças significativas. O primeiro desafio será estabilizar o time emocionalmente após a saída de Malone, um líder carismático que tinha forte conexão com os jogadores.

Outro ponto crítico é a ausência de Jamal Murray, cujo retorno ainda é incerto. Sem o armador, a responsabilidade recai ainda mais sobre Jokic, que tem carregado o time nas costas. Adelman precisará encontrar formas de maximizar os jovens do elenco, como Braun e Watson, enquanto ajusta a defesa, que se tornou um calcanhar de Aquiles. A média de 117,1 pontos cedidos por jogo é um número alarmante para uma equipe com aspirações de título.

Por fim, a posição na tabela do Oeste está em jogo. Os Nuggets ocupam atualmente o quarto lugar, mas estão a apenas meio jogo de vantagem sobre um grupo de equipes emboladas entre a quinta e a oitava posições. Uma queda para o play-in seria um golpe duro, especialmente após a temporada de 2023, quando o time dominou a conferência.

Jokic enfrenta novo capítulo sem Malone

Para Nikola Jokic, a demissão de Malone marca o fim de uma era. Desde sua chegada à NBA em 2015, o sérvio só conheceu um técnico, com quem desenvolveu uma relação de confiança mútua. Juntos, eles transformaram os Nuggets de um time coadjuvante em uma potência, culminando no título de 2023. Agora, aos 30 anos e no auge de sua carreira, Jokic terá de se adaptar a uma nova voz no comando, começando por Adelman.

Apesar das dificuldades do time, Jokic segue como um dos favoritos ao prêmio de MVP nesta temporada. Suas médias impressionantes – frequentemente próximas de um triplo-duplo – mostram que ele continua sendo o coração dos Nuggets. No entanto, a falta de apoio consistente, agravada pela lesão de Murray e pela saída de peças importantes nos últimos anos, coloca um peso extra sobre seus ombros.

A transição para um novo técnico interino pode trazer desafios táticos. Malone era conhecido por esquemas que maximizavam o talento de Jokic, permitindo que ele atuasse como um verdadeiro “quarterback” em quadra. Adelman, que trabalhou ao seu lado por anos, deve manter essa filosofia em curto prazo, mas o futuro dependerá de como o próximo treinador permanente enxergará o uso do astro.

Impacto imediato na tabela do Oeste

Com a temporada regular chegando ao fim, a mudança no comando técnico dos Nuggets pode ter reflexos diretos na classificação da Conferência Oeste. O time enfrenta um calendário complicado nos últimos três jogos, com adversários que também lutam por posições. Uma vitória ou derrota pode fazer a diferença entre garantir uma vaga direta nos playoffs ou cair para o temido play-in, onde a margem de erro é mínima.

Atualmente, os Nuggets estão a meio jogo de vantagem sobre equipes como Golden State Warriors, Minnesota Timberwolves e Los Angeles Clippers, todas com recordes próximos. O Houston Rockets, terceiro colocado, também está ao alcance, mas a recente sequência negativa de Denver torna essa escalada mais difícil. A pressão está em Adelman para encontrar soluções rápidas e evitar um desfecho decepcionante.

Os playoffs de 2025 ainda são uma possibilidade real, especialmente com Jokic em quadra. No entanto, o sucesso dependerá de ajustes defensivos e da recuperação de Murray. Caso o armador retorne a tempo, o time pode ganhar um fôlego extra, mas o tempo é curto, e a incerteza ronda Denver neste momento crucial.

Legado de Malone e Booth em Denver

Michael Malone chegou aos Nuggets em 2015, quando a franquia vivia um de seus piores momentos. Com paciência e visão, ele transformou o time em um contender, aproveitando o talento bruto de Jokic e construindo uma identidade sólida. Foram dez anos de altos e baixos, mas o ápice veio em 2023, com o primeiro título da história da equipe. Seu recorde de 471-327 reflete uma era de estabilidade e sucesso, algo raro para uma organização que historicamente lutava para se firmar entre os grandes.

Calvin Booth, por sua vez, entrou em cena em 2020 e rapidamente deixou sua marca. Sua primeira temporada como GM terminou em glória, com escolhas certeiras que complementaram o núcleo formado por Jokic, Murray e Aaron Gordon. No entanto, os anos seguintes mostraram falhas na gestão de elenco, com perdas significativas e apostas que não vingaram. Ainda assim, sua passagem será lembrada como parte integrante da conquista de 2023.

Ambos saem com reconhecimento da organização. Kroenke fez questão de destacar a gratidão pelos serviços prestados, mas a decisão de encerrar seus ciclos reflete a urgência por renovação em um momento de instabilidade. O futuro dos Nuggets agora depende de como a franquia reconstruirá sua liderança fora de quadra.

O que esperar dos últimos jogos da temporada

Os três jogos finais da temporada regular serão um teste de fogo para David Adelman e os Nuggets. Enfrentar adversários diretos na briga pelo posicionamento no Oeste exige foco e ajustes rápidos, algo que o técnico interino terá de coordenar em meio à turbulência interna. A torcida, que se acostumou a ver o time no topo, espera uma reação imediata para evitar um desfecho frustrante.

Aqui está o calendário dos jogos restantes:

  • Primeiro jogo: um confronto contra um rival direto pela quarta posição, que pode definir o destino do time.
  • Segundo jogo: uma partida contra uma equipe em ascensão no Oeste, testando a capacidade de Adelman de ajustar a defesa.
  • Terceiro jogo: o fechamento da temporada regular, com potencial para selar a vaga direta nos playoffs ou empurrar os Nuggets para o play-in.

A presença de Jokic continua sendo o maior trunfo, mas o sucesso dependerá de como o elenco se unirá sob o novo comando. A lesão de Murray segue como um ponto de interrogação, e sua ausência prolongada pode comprometer as chances de uma reviravolta.

Perspectivas para os playoffs de 2025

Mesmo com as mudanças abruptas, os Nuggets ainda têm condições de chegar aos playoffs. O talento de Jokic, combinado com a experiência de jogadores como Aaron Gordon, mantém o time como uma ameaça em potencial. No entanto, a queda na tabela pode levar a confrontos mais difíceis logo na primeira rodada, especialmente contra equipes como Oklahoma City Thunder ou Houston Rockets, que vivem grande fase.

A defesa, que já foi um diferencial na campanha do título, precisa ser recalibrada. Permitir 117,1 pontos por jogo é um número incompatível com pretensões de campeonato, e Adelman terá de priorizar esse aspecto nos treinos. A volta de Murray, se confirmada, pode aliviar a pressão ofensiva sobre Jokic e trazer equilíbrio ao ataque.

Para os torcedores, o sentimento é de incerteza misturado com esperança. A conquista de 2023 ainda está fresca na memória, e a presença de um dos melhores jogadores do mundo mantém viva a possibilidade de mais um título. A transição para uma nova liderança, porém, será o primeiro passo para determinar se os Nuggets podem se recuperar a tempo de brilhar na pós-temporada.