Milhares de fiéis lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano, para prestar as últimas homenagens ao papa Francisco, cujo velório público na Basílica de São Pedro começou na quarta-feira, 23 de abril, e se estende até sexta-feira, 25. O pontífice, falecido na segunda-feira, 21, aos 88 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de insuficiência cardíaca, deixou um legado marcado por reformas e uma postura de simplicidade. A cerimônia, que segue rituais tradicionais adaptados pelo próprio Francisco, atraiu cerca de 60 mil pessoas até o segundo dia, segundo estimativas do Vaticano. A procissão que levou o caixão da Casa Santa Marta à basílica, onde o papa residia, foi marcada por cânticos, orações e forte comoção.
O velório, aberto ao público às 6h de quarta-feira, no horário de Brasília, registrou filas que se estenderam por horas, com fiéis de diversas partes do mundo aguardando para se despedir do primeiro papa latino-americano. A Basílica de São Pedro, um dos maiores símbolos do catolicismo, tornou-se o epicentro das homenagens, com o caixão de madeira simples, escolhido por Francisco, exposto diante do Altar da Confissão. A decisão do pontífice de simplificar os rituais fúnebres, abolindo tradições como o uso de três caixões e o catafalco, reflete sua visão de uma Igreja mais humilde e próxima dos fiéis.
A cerimônia de sepultamento, marcada para sábado, 26, na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, será um momento histórico, já que Francisco será o primeiro papa em mais de um século a ser enterrado fora do Vaticano. O local escolhido, conhecido por abrigar a imagem de Maria Salus Populi Romani, era um dos favoritos do pontífice para orações. Enquanto o mundo acompanha os ritos fúnebres, líderes globais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, confirmaram presença no funeral, que promete reunir milhares de pessoas na Praça de São Pedro.
- Procissão inicial: O caixão foi levado da Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro em uma procissão solene, com a participação de cardeais, bispos e guardas suíços.
- Homenagens iniciais: Antes do velório público, autoridades como o presidente italiano Sergio Mattarella e o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, visitaram o caixão na Casa Santa Marta.
- Rituais simplificados: Francisco aboliu práticas como o uso do catafalco e optou por um caixão de madeira com revestimento de zinco, reforçando sua visão de simplicidade.
Contexto da morte do papa Francisco
A morte de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, pegou o mundo de surpresa, embora sua saúde já estivesse fragilizada. No início de 2025, o pontífice passou 37 dias internado devido a uma pneumonia dupla, que comprometeu gravemente sua condição respiratória. Apesar de ter retornado ao Vaticano e aparecido publicamente no Domingo de Páscoa, 20 de abril, em uma cadeira de rodas, sua saúde deteriorou rapidamente. Na madrugada de segunda-feira, 21, ele sofreu um AVC seguido de um colapso cardiocirculatório irreversível, falecendo às 2h35, no horário de Brasília, em sua residência na Casa Santa Marta.
O anúncio oficial veio horas depois, feito pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Igreja Católica, que presidiu o rito de certificação de morte. A notícia reverberou globalmente, com mensagens de pesar de líderes religiosos, políticos e fiéis. Francisco, que assumiu o papado em 2013 após a renúncia de Bento XVI, foi o primeiro pontífice latino-americano e jesuíta, conhecido por sua defesa dos pobres, do meio ambiente e por promover reformas na Igreja Católica. Seu pontificado, que durou quase 12 anos, foi marcado por gestos de humildade, como a recusa em morar no Palácio Apostólico e a escolha de viver na Casa Santa Marta.
Rituais fúnebres e sua simbologia
Os ritos fúnebres do papa Francisco seguem o livro Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, atualizado pelo próprio pontífice em novembro de 2024 para simplificar as cerimônias. A decisão de abolir tradições como o uso de três caixões – de cipreste, chumbo e carvalho – e o catafalco, uma plataforma elevada usada em funerais papais, reflete a visão de Francisco de que o papa deve ser visto como um pastor, não como um governante. O caixão, de madeira com revestimento de zinco, foi preparado na Casa Santa Marta após a certificação de morte, com o pontífice vestido com uma batina branca, casula vermelha, pálio e mitra branca, segurando um rosário.
Na Basílica de São Pedro, o caixão foi colocado diretamente no chão, sem elevação, para enfatizar a humildade. A procissão que marcou a transferência do corpo, na manhã de quarta-feira, foi acompanhada por cânticos do coral da Capela Sistina e pela guarda suíça, que escoltou o caixão pelas ruas do Vaticano. O cardeal Kevin Farrell liderou o rito, que incluiu momentos de oração e silêncio. A cerimônia, transmitida ao vivo, emocionou fiéis ao redor do mundo, com relatos de longas filas e espera de até quatro horas para acessar a basílica.
- Certificação de morte: Realizada na Casa Santa Marta, com o cardeal Farrell chamando o papa pelo nome de batismo três vezes antes de oficializar o falecimento.
- Procissão solene: O trajeto passou pela Praça Santa Marta, Praça dos Protomártires Romanos e Arco dos Sinos, culminando na entrada pela porta central da Basílica de São Pedro.
- Homenagens iniciais: Bispos, freiras e autoridades do Vaticano foram os primeiros a prestar homenagens antes da abertura ao público.
- Simplicidade nos ritos: A ausência de elementos como o catafalco e os três caixões foi uma decisão pessoal de Francisco, aprovada em 2024.
Velório público atrai multidão global
O velório público, iniciado às 6h de quarta-feira, no horário de Brasília, transformou a Praça de São Pedro em um ponto de peregrinação. Até a manhã de quinta-feira, 24, cerca de 48.600 fiéis haviam passado pela Basílica de São Pedro, segundo o Vaticano. A grande afluência obrigou as autoridades a estenderem o horário de visitação no primeiro dia, com o fechamento ocorrendo às 20h50, quase duas horas após o previsto. Fiéis de diversas nacionalidades, incluindo brasileiros, argentinos e italianos, enfrentaram filas que se estendiam por quilômetros, muitas vezes sob chuva fina, para prestar suas homenagens.
A Basílica de São Pedro, reaberta às 2h de quinta-feira, no horário de Brasília, continuou a receber um fluxo intenso de visitantes. A organização incluiu barreiras metálicas, distribuição de água e reforço na segurança, com a polícia italiana monitorando as entradas. A presença de freiras, padres e leigos emocionados marcou o ambiente, com momentos de silêncio e oração predominando no interior da basílica. Uma freira, identificada como Geneviève Jeanningros, quebrou o protocolo ao se aproximar do caixão em um gesto de despedida, emocionando os presentes.
Detalhes do fechamento do caixão
O fechamento do caixão, marcado para sexta-feira, 25, às 15h, no horário de Brasília, será um dos momentos mais simbólicos dos ritos fúnebres. A cerimônia, presidida pelo cardeal Kevin Farrell, seguirá protocolos detalhados no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis. O mestre de cerimônias litúrgicas, Diego Ravelli, iniciará o rito lendo uma ata oficial, assinada por autoridades presentes. Religiosos entoarão rezas em latim, alternadas com momentos de silêncio, enquanto Ravelli estenderá um véu de seda branca sobre o rosto do papa, aspergindo o corpo com água benta.
No caixão, serão depositados uma bolsa com moedas e medalhas cunhadas durante o pontificado de Francisco e um tubo contendo a ata oficial, selada pelo Escritório das Celebrações Litúrgicas. A tampa de zinco, gravada com uma cruz, o brasão do pontífice e uma placa com seu nome, será fechada e selada com marcas do cardeal camerlengo, da Prefeitura da Casa Pontifícia, do Escritório das Celebrações Litúrgicas e do Capítulo Vaticano. A tampa de madeira, também com a cruz e o brasão, será fechada em seguida, marcando o fim do velório público.
- Véu de seda branca: Símbolo de respeito, cobre o rosto do papa antes do fechamento do caixão.
- Bolsa de moedas: Contém moedas e medalhas do pontificado, representando os anos de governo de Francisco.
- Selos oficiais: Garantem a integridade do caixão, com marcas de instituições vaticanas.
- Rezas em latim: Reforçam a tradição litúrgica, com trechos entoados pelo mestre de cerimônias.
Funeral e sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore
O funeral do papa Francisco, marcado para sábado, 26, às 5h, no horário de Brasília, será realizado no átrio da Basílica de São Pedro, com a Missa das Exéquias presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. A cerimônia, aberta ao público, espera atrair cerca de 200 mil pessoas, incluindo líderes mundiais como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Donald Trump, Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky. A homilia, que refletirá sobre a vida e o legado de Francisco, será um momento central, seguindo a tradição de discursos feitos por cardeais próximos ao pontífice falecido.
Após a missa, o caixão será levado em procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde ocorrerá o sepultamento. O trajeto, ainda em discussão pela Congregação dos Cardeais, pode ser feito de forma discreta ou em uma procissão pública, dependendo da decisão final. Na basílica, Diego Ravelli conduzirá novas rezas em latim, e o caixão será aspergido com água benta antes de ser depositado na tumba. O notário do Capítulo Liberiano redigirá um documento oficial, assinado por autoridades, atestando a sepultura. O túmulo, localizado na Capela Paulina, ficará acessível para visitas e orações.
Cronograma dos ritos fúnebres
Os ritos fúnebres do papa Francisco seguem um calendário rigoroso, estabelecido pelo Vaticano para garantir a dignidade e a tradição das cerimônias. Abaixo, os principais eventos:
- 21 de abril: Morte do papa Francisco às 2h35, no horário de Brasília, seguida da certificação de morte na Casa Santa Marta.
- 22 de abril: Homenagens privadas na Casa Santa Marta, com visitas de autoridades como o presidente italiano e o prefeito de Roma.
- 23 a 25 de abril: Velório público na Basílica de São Pedro, das 6h às 19h (horário de Brasília), com cerca de 60 mil fiéis até o segundo dia.
- 25 de abril: Fechamento do caixão às 15h, com rezas em latim e deposição de moedas e documentos.
- 26 de abril: Funeral às 5h, seguido de procissão e sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore.
- 27 de abril: Missa em sufrágio ao papa na Basílica de São Pedro, às 5h30, no horário de Brasília.
- 27 de abril a 4 de maio: Período de luto oficial de nove dias, conhecido como Novendiali, com missas diárias.
Legado de Francisco e impacto global
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936, marcou a história como o primeiro papa latino-americano e jesuíta. Seu pontificado, iniciado em 13 de março de 2013, foi caracterizado por gestos de proximidade com os fiéis, como a escolha de viver na Casa Santa Marta em vez do Palácio Apostólico. Francisco defendeu causas como a justiça social, a proteção ambiental e o diálogo inter-religioso, ganhando admiradores e enfrentando resistências dentro da Igreja por suas posições progressistas.
Entre suas reformas, destacam-se a reestruturação financeira do Vaticano, a abertura para discussões sobre temas como o celibato clerical e a inclusão de mulheres em cargos eclesiásticos, além da promoção de sínodos para ouvir a base da Igreja. Sua encíclica Laudato Si’, publicada em 2015, tornou-se um marco na defesa do meio ambiente, enquanto sua postura em favor dos pobres e marginalizados reforçou a imagem de uma Igreja voltada para os mais vulneráveis.
A morte de Francisco gerou comoção global, com mensagens de pesar de líderes religiosos, como o patriarca ortodoxo Bartolomeu I, e políticos, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres. Em Roma, a presença de fiéis de diferentes continentes reflete o impacto do pontífice, que, mesmo em meio a controvérsias, foi visto como uma figura de união. A escolha de ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, onde rezava antes e depois de viagens internacionais, reforça sua devoção à Virgem Maria e sua ligação pessoal com o local.
Preparativos para o conclave
Com o fim dos ritos fúnebres, a Igreja Católica se prepara para o conclave, que escolherá o 267º papa. Pelas regras do Vaticano, a votação deve ocorrer entre 15 e 20 dias após a morte do pontífice, com início previsto entre 6 e 11 de maio. O processo, realizado na Capela Sistina, reunirá cerca de 120 cardeais eleitores, incluindo brasileiros como Dom Odilo Scherer e Dom Leonardo Steiner. Não há um favorito claro, mas nomes como o filipino Luis Antonio Tagle e o italiano Pietro Parolin aparecem em especulações.
O conclave, cujo nome deriva do latim cum clave (com chave), simboliza o isolamento dos cardeais durante a votação. O processo pode durar dias, com até quatro escrutínios diários, até que um candidato alcance dois terços dos votos. A fumaça branca, sinal da eleição de um novo papa, será aguardada com expectativa por fiéis ao redor do mundo. Enquanto isso, o Vaticano manterá o período de luto oficial, conhecido como Novendiali, com missas diárias em memória de Francisco.
Homenagens continuam na Basílica de São Pedro
O segundo dia de velório, na quinta-feira, 24, foi marcado por cenas de emoção na Basílica de São Pedro. Fiéis, muitos carregando rosários e fotos do papa, formaram filas que se estendiam até a Via della Conciliazione. A presença de peregrinos de países como Argentina, México e Filipinas destacou o alcance global do pontificado de Francisco. A guarda suíça, responsável pela segurança do caixão, manteve a ordem, enquanto voluntários distribuíam água para os visitantes.
A organização do velório incluiu medidas para acomodar o grande público, como o aumento da frequência de ônibus para o Vaticano e a instalação de telões na Praça de São Pedro para transmitir a cerimônia. A polícia italiana reforçou a segurança, com inspeções de bolsas e monitoramento constante. Apesar do clima de luto, relatos de fiéis destacaram a sensação de gratidão pelo legado de Francisco, com muitos citando suas mensagens de paz e inclusão.
- Filas extensas: A espera para entrar na basílica chegou a quatro horas, com fiéis enfrentando chuva e frio.
- Presença global: Peregrinos de mais de 50 países, incluindo América Latina e Ásia, marcaram presença no velório.
- Segurança reforçada: A polícia italiana mobilizou centenas de agentes para garantir a ordem na Praça de São Pedro.
- Telões e transmissão: A cerimônia foi exibida ao vivo, permitindo que fiéis fora da basílica acompanhassem os ritos.
Simbolismo da Basílica de Santa Maria Maggiore
A escolha da Basílica de Santa Maria Maggiore como local de sepultamento reflete a espiritualidade de Francisco. Construída no século V, a basílica é um dos quatro principais templos de Roma e abriga a imagem de Maria Salus Populi Romani, à qual o papa era profundamente devoto. Francisco visitava o local antes e depois de suas viagens internacionais, rezando diante do ícone mariano. A decisão de ser sepultado ali, em vez das grutas vaticanas, onde repousam cerca de 90 papas, rompe com uma tradição secular e reforça sua identidade como um pontífice que valorizava a simplicidade e a proximidade com os fiéis.
O túmulo, na Capela Paulina, será um ponto de peregrinação, acessível ao público para orações. A cerimônia de sepultamento, marcada para sábado, incluirá o canto do Salve Regina em latim, entoado pelos presentes, e a deposição final do caixão, aspergido com água benta. O documento oficial, redigido pelo notário do Capítulo Liberiano, atestará a conclusão do rito, assinado por autoridades como o cardeal Kevin Farrell e Diego Ravelli.
Impacto na Igreja Católica e no Brasil
No Brasil, a morte de Francisco gerou comoção, especialmente entre comunidades católicas e movimentos sociais que viam no papa um defensor dos pobres e do meio ambiente. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota de pesar, destacando o compromisso do pontífice com a justiça social e a evangelização. Comunidades indígenas e ribeirinhas, que receberam atenção especial de Francisco durante o Sínodo da Amazônia, em 2019, organizaram missas em sua memória.
A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no funeral reforça a relevância de Francisco para o país. Durante seu pontificado, o papa visitou o Brasil em 2013, para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, atraindo milhões de jovens. Sua mensagem de uma Igreja “em saída”, voltada para as periferias, ressoou em projetos sociais e pastorais no Brasil, que enfrenta desafios como a perda de fiéis para igrejas evangélicas e a polarização política.
Expectativas para o futuro da Igreja
A morte de Francisco abre um período de transição para a Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. O conclave, que definirá o próximo papa, será um momento de reflexão sobre o futuro da instituição, que enfrenta questões como a secularização, a crise de vocações sacerdotais e a necessidade de diálogo com outras religiões. A influência de Francisco, com sua ênfase na sinodalidade e na escuta da base, deve moldar as discussões entre os cardeais.
Enquanto o Vaticano se prepara para o funeral e o conclave, fiéis continuam a chegar a Roma, muitos carregando bandeiras de seus países e mensagens de gratidão. A imagem do caixão simples, adornado apenas com uma cruz e o brasão do pontífice, resume o legado de Francisco: um líder que buscou aproximar a Igreja dos mais humildes, mesmo em meio a desafios e controvérsias.
- Conclave em maio: A votação para o novo papa deve começar entre 6 e 11 de maio, com cerca de 120 cardeais eleitores.
- Legado de reformas: Francisco promoveu mudanças financeiras e pastorais, mas enfrentou resistências de setores conservadores.
- Impacto global: Líderes de diferentes religiões e nações reconheceram a contribuição de Francisco para a paz e o diálogo.
- ** Devoção mariana**: A escolha da Basílica de Santa Maria Maggiore reflete a espiritualidade do papa, centrada na Virgem Maria.
