Brasil celebra hegemonia no Sul-Americano de Atletismo 2025 com 52 medalhas

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Matheus Lima Foto: Matheus Lima - Foto: Instagram

A delegação brasileira de atletismo encerrou o último domingo, 27 de abril, com uma performance histórica no 54º Campeonato Sul-Americano de Atletismo, realizado no Estádio Justo Ernesto Román, em Mar del Plata, Argentina. Com um total de 52 medalhas, sendo 20 de ouro, 19 de prata e 13 de bronze, o Brasil consolidou sua supremacia continental, superando Colômbia e Chile na classificação geral. A competição, que reuniu os principais atletas da América do Sul, foi marcada por recordes, atuações memoráveis e a confirmação de índices para o Mundial de Tóquio, programado para setembro de 2025.

A campanha brasileira refletiu a força de uma delegação composta por 88 atletas, mesclando veteranos e jovens promessas. Nomes como Felipe Bardi, que venceu os 100 metros rasos com o tempo de 9,99 segundos, e Viviane Lyra, recordista do campeonato nos 20 km da marcha atlética, foram alguns dos protagonistas. Além das conquistas individuais, o Brasil dominou os revezamentos, garantindo ouros nos 4x100m feminino, 4x400m masculino e 4x400m misto, reforçando a tradição do país em provas coletivas.

O desempenho em Mar del Plata também serviu como preparação para eventos internacionais de peso. A competição sul-americana foi uma oportunidade crucial para os atletas acumularem pontos no ranking mundial da World Athletics, essencial para a classificação ao Mundial de Tóquio e aos Jogos Pan-Americanos Júnior, que ocorrerão em Assunção, Paraguai, em agosto.

Destaques dourados do Brasil em Mar del Plata

A lista de campeões brasileiros no Sul-Americano 2025 é extensa e reflete a versatilidade da equipe. Felipe Bardi, do SESI-SP, foi um dos grandes nomes ao conquistar o ouro nos 100 metros rasos com a marca de 9,99 segundos, confirmando seu índice para o Mundial de Tóquio. No feminino, Vitória Rosa, do Pinheiros-SP, brilhou na mesma prova, cruzando a linha de chegada em 11,21 segundos, um tempo que reforça sua posição como uma das principais velocistas da América do Sul.

Na marcha atlética, Viviane Lyra, do Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG, estabeleceu um novo recorde do campeonato nos 20 km, completando a prova em 1:28:30. A marca não apenas garantiu o ouro, mas também consolidou sua vaga no Mundial. Outra performance notável veio de Izabela Rodrigues, do IEMA-SP, que venceu o lançamento do disco com 62,87 metros, uma das melhores marcas da temporada na região.

Tatiane Raquel da Silva, também do Pinheiros-SP, dominou os 3.000 metros com obstáculos, finalizando a prova em 9:40:07, enquanto José Fernando Ferreira Santana, do Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG, conquistou o título no decatlo com 7.847 pontos. No salto com vara, Juliana de Menis Campos alcançou 4,30 metros, assegurando o ouro e destacando a força brasileira nas provas de campo.

  • Principais ouros brasileiros:
    • Felipe Bardi: 100m masculino (9,99s)
    • Vitória Rosa: 100m feminino (11,21s)
    • Viviane Lyra: 20 km marcha atlética (1:28:30, recorde do campeonato)
    • Izabela Rodrigues: Lançamento do disco (62,87m)
    • 4x400m misto: 3:17:73

Recordes e marcas históricas

O Sul-Americano de Mar del Plata foi palco de momentos que entraram para a história do atletismo sul-americano. Além do recorde de Viviane Lyra na marcha atlética, Jucilene Sales de Lima, do IEMA-SP, quebrou o recorde do campeonato no lançamento do dardo, alcançando 62,32 metros. A marca colocou a atleta entre as dez melhores do mundo na temporada e reforçou sua posição como uma das favoritas para o Mundial de Tóquio.

Outro destaque foi a performance de Núbia de Oliveira Silva nos 10.000 metros. Com o tempo de 34:06:56, ela não apenas venceu a prova, mas também registrou sua melhor marca pessoal, um feito que a coloca em evidência no cenário internacional. No salto triplo, Gabriele Sousa dos Santos, do Pinheiros-SP, conquistou o ouro com 13,96 metros, enquanto Almir Cunha dos Santos, da Sogipa-RS, venceu a prova masculina com 16,68 metros, consolidando a supremacia brasileira na modalidade.

As quebras de recordes e as marcas expressivas refletem o alto nível técnico da delegação brasileira. A competição também foi marcada por atuações que renderam pontos importantes no ranking mundial, essencial para a qualificação aos eventos globais de 2025.

Pratas e bronzes reforçam campanha brasileira

Além dos ouros, o Brasil acumulou um número significativo de medalhas de prata e bronze, que contribuíram para a liderança na classificação geral. Guilherme Kurtz, do Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG, ficou com a prata nos 1.500 metros, com o tempo de 3:42:79, enquanto Regiclécia Cândido da Silva e Elton Petronilho, ambos do Pinheiros-SP, conquistaram pratas no salto triplo, com marcas de 13,76 metros e 16,26 metros, respectivamente.

Na marcha atlética de 20 km, Gabriela Muniz, do CASO-DF, garantiu a prata com 1:34:50, consolidando a força brasileira na modalidade. Andressa de Morais, do Pinheiros-SP, ficou com a prata no lançamento do disco, com 60,16 metros, enquanto Arielly Monteiro Rodrigues, também do Pinheiros-SP, alcançou o segundo lugar no salto em altura, com 1,78 metro.

Entre os bronzes, Thiago do Rosário André e July Ferreira da Silva Abrão, ambos do Pinheiros-SP, subiram ao pódio nos 1.500 metros, com tempos competitivos que reforçam a profundidade do atletismo brasileiro nas provas de meio-fundo. Valdileia Martins, do Orcampi-SP, conquistou o bronze no salto em altura feminino, enquanto Matheus Correa, do Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG, ficou com o terceiro lugar na marcha atlética de 20 km masculina.

  • Medalhas de prata e bronze de destaque:
    • Guilherme Kurtz: 1.500m (prata, 3:42:79)
    • Regiclécia Cândido: Salto triplo (prata, 13,76m)
    • Thiago do Rosário André: 1.500m (bronze)
    • Valdileia Martins: Salto em altura (bronze)
    • 4x400m feminino: 3:34:28 (prata)

Revezamentos: tradição brasileira em alta

Os revezamentos sempre foram um ponto forte do atletismo brasileiro, e em Mar del Plata não foi diferente. A equipe feminina do 4x100m, composta por Ana Carolina Azevedo, Vitória Rosa, Lorraine Martins e Gabriela Silva Mourão, cruzou a linha de chegada em 44,35 segundos, garantindo o ouro. No masculino, o 4x400m, formado por Douglas Hernandez, Lucas da Silva, Jadson Erik e Tiago Lemes, venceu com o tempo de 3:07:40.

O revezamento 4x400m misto, com participação de atletas como Tiffani Marinho e Matheus Lima, também foi um dos pontos altos, conquistando o ouro com 3:17:73. Já o 4x400m feminino, com Anny Caroline, Tiffani Beatriz, Jainy Suelen e Letícia Lima, ficou com a prata em uma prova emocionante. Letícia Lima, responsável pelo último trecho, destacou a força da concorrência colombiana, que acabou levando o ouro por menos de um segundo de diferença.

A consistência nas provas de revezamento reflete o trabalho em equipe e a preparação técnica da delegação brasileira. Essas vitórias são fundamentais não apenas para o quadro de medalhas, mas também para a construção de confiança para competições futuras, como o Mundial de Revezamentos de Guangzhou, marcado para maio de 2025.

Preparação para o Mundial de Tóquio

O Sul-Americano de Mar del Plata foi mais do que uma disputa pelo título continental. A competição serviu como uma etapa crucial na corrida pela classificação ao Mundial de Atletismo de Tóquio, que ocorrerá de 13 a 21 de setembro. Atletas como Felipe Bardi, Viviane Lyra e Jucilene Sales de Lima confirmaram seus índices, enquanto outros, como Guilherme Kurtz e Tatiane Raquel da Silva, acumularam pontos importantes no ranking mundial.

A delegação brasileira, composta por 43 mulheres e 45 homens, foi estrategicamente selecionada para mesclar experiência e juventude. A presença de medalhistas olímpicos, como Thiago Braz, que competiu no salto com vara, e de jovens talentos, como Lucas Alisson Pedro, reforça a aposta do Brasil em formar uma equipe competitiva para o ciclo olímpico de Los Angeles 2028.

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) destacou a importância do evento para testar a nova geração em um ambiente de alto nível. Além do Mundial, os atletas mais jovens têm como meta os Jogos Pan-Americanos Júnior, cuja qualificação termina justamente no Sul-Americano. A competição em Mar del Plata foi, portanto, um divisor de águas para muitos competidores.

Jovens promessas e veteranos em harmonia

A delegação brasileira em Mar del Plata foi um exemplo de equilíbrio entre atletas experientes e jovens em ascensão. Nomes como Thiago Braz, campeão olímpico no salto com vara em 2016, trouxeram peso e inspiração à equipe. Apesar de não subir ao pódio, sua participação foi marcada por uma performance sólida, servindo como referência para os mais novos.

Entre as promessas, Lucas Alisson Pedro, do Pinheiros-SP, conquistou o bronze no salto com vara, demonstrando potencial para futuras competições internacionais. Ana Caroline Miguel, também do Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG, garantiu o bronze no arremesso do peso, consolidando-se como uma das apostas para o ciclo olímpico.

A integração entre gerações foi um dos pontos destacados pela comissão técnica. O treinador-chefe Luís Paulo Porto enfatizou que a mescla de atletas experientes e novatos elevou o nível da equipe, garantindo resultados expressivos e uma preparação robusta para os desafios de 2025.

Impacto no ranking mundial

As 52 medalhas conquistadas pelo Brasil em Mar del Plata tiveram um impacto significativo no ranking mundial da World Athletics. Cada prova disputada na competição sul-americana somou pontos que podem ser decisivos para a classificação ao Mundial de Tóquio. Atletas como Willian Dourado, que venceu o arremesso do peso com 20,65 metros, e Pedro Henrique Nunes, ouro no lançamento do dardo com 77,92 metros, fortaleceram suas posições no cenário global.

A consistência do Brasil nas provas de campo, como salto triplo, lançamento do disco e salto com vara, foi um dos diferenciais. Essas modalidades, historicamente fortes no país, renderam medalhas e pontos cruciais, mantendo o Brasil entre as potências do atletismo sul-americano e mundial.

O desempenho coletivo também foi refletido na pontuação geral. Com 477 pontos, sendo 239 no masculino e 238 no feminino, o Brasil superou a Colômbia, que somou 184 pontos, e o Chile, com 146 pontos. A liderança em ambos os naipes reforça a hegemonia brasileira, que venceu 34 das 53 edições masculinas e 34 das 42 edições femininas do campeonato.

Calendário de competições em 2025

O Sul-Americano de Mar del Plata foi apenas o primeiro grande desafio do atletismo brasileiro em 2025. A temporada promete ser intensa, com eventos que testarão a preparação dos atletas em diferentes níveis.

  • Principais eventos do atletismo em 2025:
    • Mundial de Revezamentos: 10 e 11 de maio, Guangzhou, China
    • Jogos Pan-Americanos Júnior: Agosto, Assunção, Paraguai
    • Mundial de Atletismo: 13 a 21 de setembro, Tóquio, Japão
    • Mundial Indoor: 21 a 23 de março, Nanjing, China

Essas competições serão oportunidades para o Brasil consolidar sua posição no cenário internacional e preparar a base para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Legado do Sul-Americano para o atletismo brasileiro

A conquista do título em Mar del Plata reforça a tradição do Brasil no atletismo sul-americano. Desde a primeira edição do campeonato, em 1919, o país tem sido uma força dominante, acumulando vitórias consecutivas nas últimas décadas. A edição de 2025 foi especialmente significativa por marcar o início da temporada ao ar livre e por servir como vitrine para jovens atletas.

A presença de 88 competidores, apoiados por 14 treinadores e oito oficiais, demonstra o investimento da CBAt em formar uma delegação robusta. O patrocínio master das Loterias Caixa e o suporte do Comitê Olímpico do Brasil foram fundamentais para viabilizar a participação em alto nível.

A competição também destacou a infraestrutura do Estádio Justo Ernesto Román, que já sediou os Jogos Pan-Americanos de 1995. O palco argentino proporcionou condições ideais para performances de alto nível, com transmissão ao vivo pela TV Atletismo Brasil, canal da CBAt no YouTube, que garantiu acesso gratuito aos torcedores.

Atletas em busca de novos desafios

Os resultados em Mar del Plata são apenas o começo de uma temporada repleta de expectativas. Atletas como Ketiley Batista, que venceu os 100 metros com barreiras em 13,22 segundos, e Eduardo Ribeiro Moreira, ouro nos 800 metros com 1:50:46, já miram o Mundial de Tóquio como o próximo grande objetivo.

Para os mais jovens, como Isabel Demarco de Quadros, prata no salto com vara, e Caio Vinícius da Silva, prata nos 400 metros com barreiras, o Sul-Americano foi uma oportunidade de ganhar experiência em competições internacionais. Esses atletas representam a renovação do atletismo brasileiro, que busca manter sua relevância global nos próximos anos.

A campanha brasileira em Mar del Plata também foi marcada pela superação. Muitos atletas enfrentaram condições climáticas desafiadoras e a pressão de competir em um torneio de alto nível. A resiliência demonstrada por nomes como Thiago Ornelas, prata nos 110 metros com barreiras, e Roberta Almeida dos Santos, prata no heptatlo, reflete o espírito competitivo da delegação.

Perspectivas para o futuro

O sucesso no Sul-Americano de 2025 reforça a posição do Brasil como líder do atletismo na América do Sul. A combinação de medalhas, recordes e pontos no ranking mundial coloca a delegação em uma posição privilegiada para os próximos desafios. A temporada de 2025 será decisiva para definir os representantes brasileiros em Tóquio e Assunção, e o desempenho em Mar del Plata indica que o país está no caminho certo.

A integração entre clubes, federações e a CBAt foi um dos pilares do sucesso. Atletas de diferentes regiões, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, contribuíram para o resultado coletivo, mostrando a capilaridade do atletismo no Brasil. A participação de 44 atletas paulistas, por exemplo, destaca a força do estado como celeiro de talentos.

O trabalho de base, aliado ao investimento em competições internacionais, será essencial para manter a hegemonia brasileira. O Sul-Americano de Mar del Plata não foi apenas uma celebração de conquistas, mas também um marco na preparação para um ciclo olímpico que promete ser histórico.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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