Pedrinho acelera negociações com Carpini e Diniz para substituir Fábio Carille no Vasco

14 min de leitura
Thiago-Carpini Foto: Thiago Carpini - Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

A demissão de Fábio Carille do Vasco, anunciada no último domingo após a derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro, abriu uma nova capítulo na busca do clube carioca por um técnico que possa redefinir o rumo da equipe no Campeonato Brasileiro de 2025. O presidente Pedrinho, figura central na gestão do Cruz-Maltino, agiu rapidamente para avaliar opções no mercado, com dois nomes ganhando destaque: Fernando Diniz, ex-técnico do Cruzeiro e Fluminense, e Thiago Carpini, atual comandante do Vitória. A movimentação nos bastidores reflete a urgência do Vasco em encontrar um treinador que alie resultados imediatos a um projeto de longo prazo, em meio a uma temporada marcada por altos e baixos. Enquanto Diniz surge como o favorito, Carpini foi contatado, mas sua permanência no clube baiano parece ser a prioridade.

O cenário atual do Vasco é de transição. A saída de Carille, que comandou a equipe em 21 jogos com um aproveitamento de 50,7%, foi motivada por uma combinação de resultados abaixo do esperado e a percepção de que o elenco não estava rendendo conforme o potencial. A derrota para o Cruzeiro, em Uberlândia, foi a gota d’água, com o time acumulando três jogos sem marcar gols e quatro sem vitórias. Pedrinho, em coletiva, assumiu a responsabilidade pela decisão, destacando a necessidade de uma mudança para recuperar a confiança dos jogadores e da torcida.

Enquanto Felipe Maestro, ex-jogador e atual coordenador técnico, assume interinamente o comando, o clube já se movimenta para definir o próximo passo. A busca por um novo treinador é vista como uma oportunidade para reposicionar o Vasco no cenário nacional, especialmente em um momento em que a equipe ocupa a 11ª colocação no Brasileirão, com sete pontos em seis rodadas, e segue na disputa da Copa Sul-Americana.

Perfil dos candidatos

A escolha do novo técnico do Vasco reflete as ambições de Pedrinho para a temporada. Fernando Diniz, de 51 anos, é o nome que mais agrada à diretoria. Livre no mercado desde sua saída do Cruzeiro, em janeiro de 2025, Diniz é conhecido por sua filosofia de jogo ofensiva, com ênfase no controle da posse de bola e na valorização do aspecto humano dos atletas. Sua passagem pelo Fluminense, entre 2022 e 2024, rendeu a conquista da Copa Libertadores de 2023, um marco que o consolidou como um dos principais treinadores do país.

Thiago Carpini, por outro lado, representa uma aposta em um perfil mais jovem e em ascensão. Aos 40 anos, o técnico do Vitória acumula 64 jogos à frente do clube baiano, com um aproveitamento de 51,6%. Sua trajetória no Leão é marcada por consistência, com 27 vitórias, 18 empates e 19 derrotas. Carpini já foi sondado pelo Vasco no final de 2024, mas optou por renovar com o Vitória, onde tem contrato até o fim da temporada atual.

  • Fernando Diniz: Filosofia de jogo ofensiva, experiência em grandes clubes e títulos expressivos.
  • Thiago Carpini: Jovem, com bom desempenho no Vitória, mas sem experiência em clubes do porte do Vasco.
  • Felipe Maestro: Solução interna, com apoio de parte do elenco, mas sem experiência consolidada como treinador principal.

A demissão de Carille: contexto e impacto

Fábio Carille chegou ao Vasco em dezembro de 2024, após liderar o Santos na campanha de retorno à Série A do Brasileirão. Sua contratação foi vista como uma tentativa de trazer estabilidade ao clube, que havia passado por três treinadores em 2024: Ramón Díaz, Álvaro Pacheco e Rafael Paiva. No entanto, os resultados não corresponderam às expectativas. Em 21 partidas, Carille obteve nove vitórias, cinco empates e sete derrotas, com um futebol que não convenceu a torcida nem a diretoria.

A pressão sobre o treinador cresceu após as semifinais do Campeonato Carioca, quando o Vasco foi eliminado pelo Flamengo. Derrotas como a de 3 a 0 para o Corinthians, com um time reserva concede a Carille a vulnerabilidade do treinador. A gota d’água foi o empate sem gols contra o Melgar, na Sul-Americana, que evidenciou a falta de identidade tática da equipe. A decisão de Pedrinho de demitir Carille foi comunicada em uma coletiva em Uberlândia, onde o presidente destacou o peso da escolha, mas reforçou a necessidade de mudança.

O impacto da demissão vai além do campo. A saída de Carille, com uma multa rescisória de R$ 500 mil, representa um custo adicional para o clube, que enfrenta desafios financeiros. Além disso, a constante troca de treinadores — o Vasco é apontado como o grande clube brasileiro que mais mudou de técnico no século XXI — levanta questionamentos sobre a estabilidade da gestão.

Fernando Diniz: o favorito de Pedrinho

Fernando Diniz é o nome que encabeça a lista de desejos de Pedrinho. A relação de admiração mútua entre o presidente e o treinador é conhecida, remontando aos tempos em que Pedrinho, ainda como comentarista, elogiava publicamente o trabalho de Diniz no Fluminense. Um episódio marcante ocorreu em março de 2023, quando Pedrinho interrompeu uma coletiva do treinador para declarar seu entusiasmo pelo estilo de jogo implementado no Tricolor.

A preferência por Diniz não é apenas pessoal. O presidente acredita que o estilo do treinador, baseado na posse de bola e na pressão alta, é compatível com o perfil do elenco vascaíno. Durante sua passagem pelo Fluminense, Diniz transformou jogadores como o goleiro Fábio, que, aos 40 anos, passou a atuar com os pés de forma inédita em sua carreira. Esse tipo de inovação tática é visto como um diferencial para um Vasco que busca se reinventar.

No entanto, a contratação de Diniz enfrenta obstáculos. Quando comandava o Cruzeiro, o treinador recebia um salário de R$ 1 milhão por mês, valor que o Vasco não está disposto a pagar devido às restrições orçamentárias. Além disso, o Santos, que também está sem treinador desde a saída de Pedro Caixinha, surge como um concorrente na disputa por Diniz. Apesar disso, a relação próxima com Pedrinho e o interesse mútuo podem facilitar as negociações, previstas para avançar em uma reunião marcada para quarta-feira.

Thiago Carpini: a alternativa viável

Embora Fernando Diniz seja o favorito, Thiago Carpini aparece como uma alternativa concreta. O técnico do Vitória foi contatado pelo Vasco, mas deixou claro que sua prioridade é permanecer em Salvador, onde tem contrato até o fim de 2025. Carpini foi questionado sobre a possibilidade de assumir outro projeto, mas reforçou seu compromisso com o Leão, onde vive sua passagem mais longa como treinador.

A trajetória de Carpini no Vitória é notável. Desde maio de 2024, ele comandou o time em 64 jogos, com um aproveitamento de 51,6%. Sua capacidade de organizar a equipe taticamente e manter a competitividade em um clube com estrutura menor que a do Vasco chamou a atenção de Pedrinho. No entanto, a falta de experiência em clubes de maior porte e a relutância em deixar o projeto atual podem dificultar a negociação.

  • Pontos fortes de Carpini: Estabilidade no Vitória, organização tática e bom relacionamento com jogadores.
  • Desafios: Falta de experiência em grandes clubes e compromisso com o projeto atual.
  • Perspectiva: Menos custoso que Diniz, mas menos alinhado com a visão de jogo de Pedrinho.

Felipe Maestro: a solução caseira

Enquanto as negociações com Diniz e Carpini avançam, Felipe Maestro assume o comando interino do Vasco. Ex-jogador do clube, Maestro é uma figura respeitada nos bastidores, com uma relação próxima aos atletas e à diretoria. Sua efetivação, embora improvável, não está descartada, especialmente após o apoio de parte do elenco no final de 2024, quando ele assumiu temporariamente após a saída de Rafael Paiva.

A escolha por Maestro reflete a estratégia de Pedrinho de manter a estabilidade no elenco durante a transição. No entanto, a falta de experiência como treinador principal e a pressão por resultados imediatos tornam sua permanência a longo prazo uma aposta arriscada. O próximo jogo, contra o Operário, pela Copa do Brasil, será um teste crucial para avaliar o impacto de sua liderança.

O impacto no elenco e na temporada

A mudança no comando técnico chega em um momento delicado para o Vasco. Com apenas sete pontos em seis rodadas do Brasileirão, o time precisa de vitórias para se afastar da zona de rebaixamento e consolidar sua posição na tabela. Na Copa Sul-Americana, a equipe ocupa o segundo lugar no Grupo G, empatada com o Lanús, mas precisa melhorar seu desempenho fora de casa, onde perdeu todas as três partidas disputadas no campeonato nacional.

O elenco, que conta com nomes como Léo Jardim, Payet e Vegetti, tem qualidade, mas sofre com a falta de consistência. A chegada de um novo treinador será fundamental para recuperar a confiança dos jogadores e estabelecer uma identidade tática. A escolha entre Diniz, Carpini ou Maestro determinará o rumo da equipe nas competições que restam em 2025.

Histórico de trocas de técnicos no Vasco

O Vasco tem um histórico de instabilidade no comando técnico, especialmente no século XXI. A demissão de Carille reforça a reputação do clube como o que mais trocou de treinador entre os grandes do Brasil. Desde 2000, o Cruz-Maltino passou por mais de 30 técnicos, incluindo nomes como Vanderlei Luxemburgo, Ricardo Gomes e o próprio Ramón Díaz, que também deixou o clube em 27 de abril, coincidentemente na mesma data da saída de Carille.

  • 2000-2010: Período marcado por trocas frequentes, com destaque para Antônio Lopes e Celso Roth.
  • 2011-2020: Instabilidade continuou, com passagens de Marcelo Oliveira e Abel Braga.
  • 2021-2025: Ramón Díaz, Álvaro Pacheco, Rafael Paiva e Carille foram alguns dos nomes, com curtas permanências.

Expectativas para o próximo treinador

A escolha do próximo técnico do Vasco será decisiva para o restante da temporada. Pedrinho deixou claro que busca um treinador capaz de implementar um estilo de jogo dominante, com controle da posse de bola e pressão alta. Essa visão alinha-se ao perfil de Fernando Diniz, mas a viabilidade financeira e a concorrência com outros clubes podem levar o presidente a considerar alternativas como Thiago Carpini ou até a efetivação de Felipe Maestro.

O próximo jogo do Vasco, contra o Operário, pela terceira fase da Copa do Brasil, será um termômetro para avaliar o impacto da mudança no comando. Sob a liderança interina de Maestro, a equipe terá a chance de mostrar uma nova postura, mas a pressão por resultados imediatos será enorme.

Cenário competitivo e desafios

O Campeonato Brasileiro de 2025 está apenas no início, mas o Vasco já enfrenta desafios significativos. Com três derrotas em jogos fora de casa, o time precisa melhorar seu desempenho como visitante para subir na tabela. Além disso, a Copa Sul-Americana representa uma oportunidade de conquistar um título internacional, algo que o clube não alcança desde a Copa Mercosul de 2000.

A concorrência no Brasileirão é acirrada, com clubes como Flamengo, Palmeiras e Corinthians apresentando elencos mais consolidados. Para o Vasco, a chegada de um novo treinador será crucial para organizar a equipe e explorar o potencial de jogadores como Payet, que ainda não rendeu o esperado, e Vegetti, artilheiro do time na temporada passada.

A visão de Pedrinho para o futuro

Pedrinho assumiu a presidência do Vasco com a promessa de modernizar a gestão e recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro. A demissão de Carille, embora dolorosa, reflete sua disposição em tomar decisões difíceis para alcançar esse objetivo. Sua preferência por Fernando Diniz indica uma visão de longo prazo, com foco em um futebol vistoso e competitivo.

No entanto, o presidente enfrenta críticas pela frequência das trocas de treinadores e pela percepção de que algumas decisões são influenciadas por questões pessoais. A escolha do próximo técnico será um teste para sua capacidade de equilibrar ambição e pragmatismo, especialmente em um clube com a torcida apaixonada e exigente como a do Vasco.

Outros nomes no radar

Além de Diniz e Carpini, outros treinadores foram especulados no Vasco. Ramón Díaz, que salvou o clube do rebaixamento em 2023 e conquistou o Paulistão pelo Corinthians em 2025, é um nome que agrada parte da torcida. Pedro Caixinha, atualmente no Santos, e Tite, livre no mercado, também foram mencionados, mas sem negociações concretas. Jorginho, ex-técnico do Atlético-GO, ganhou força em alguns setores da imprensa, mas não aparece como prioridade.

Cada opção traz suas vantagens e desafios. Ramón Díaz, por exemplo, tem identificação com o clube, mas sua saída em 2024 deixou marcas na relação com a diretoria. Tite, embora experiente, exigiria um investimento elevado, enquanto Caixinha está comprometido com o Santos. A escolha final dependerá da estratégia de Pedrinho e das condições financeiras do clube.

A torcida e o peso da camisa

A torcida do Vasco, conhecida por sua paixão e cobrança, tem papel central na dinâmica do clube. Após a demissão de Carille, as redes sociais foram inundadas com pedidos por Fernando Diniz, visto como um treinador capaz de resgatar o futebol ofensivo que marcou a história do Cruz-Maltino. No entanto, há divisões: enquanto alguns apoiam a aposta em um nome de peso, outros defendem a efetivação de Felipe Maestro, por sua conexão com o clube.

A pressão da arquibancada será um fator determinante para o sucesso do próximo treinador. Jogos em São Januário, onde a torcida costuma lotar as arquibancadas, podem ser um trunfo, mas também um desafio em caso de resultados negativos. A relação entre o novo comandante e os torcedores será crucial para construir um ambiente favorável.

O legado de Carille no Vasco

Embora sua passagem tenha sido curta, Fábio Carille deixou marcas no Vasco. Sua chegada trouxe esperança após um 2024 turbulento, mas os resultados não corresponderam às expectativas. Entre os pontos positivos, destacam-se as vitórias contra Santos e Sport, que mantiveram o time na parte superior da tabela no início do Brasileirão. Por outro lado, a falta de padrão tático e as atuações abaixo do esperado em jogos-chave pesaram contra o treinador.

Carille sai com um aproveitamento de 50,7%, números razoáveis, mas insuficientes para um clube com as ambições do Vasco. Sua demissão, embora esperada por parte da torcida, gerou debates sobre a gestão de Pedrinho e a necessidade de maior paciência com os treinadores.

Perspectivas para o restante da temporada

O Vasco entra em uma fase decisiva. Com o Brasileirão em andamento e a Copa do Brasil como uma chance de título, o clube precisa de estabilidade e resultados rápidos. A escolha do novo treinador será o primeiro passo para redefinir o rumo da equipe, mas o sucesso dependerá de outros fatores, como a recuperação de jogadores lesionados e o apoio da torcida.

A expectativa é que o próximo comandante consiga extrair o melhor do elenco e devolva ao Vasco a competitividade perdida nos últimos anos. Seja com Diniz, Carpini ou outra opção, o clube carioca terá pela frente um desafio que vai além do campo: reconstruir sua identidade e reconquistar seu espaço entre os gigantes do futebol brasileiro.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

Notícias relacionadas