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Homem com H estreia retratando Ney Matogrosso indomado com atuação magnética de Jesuíta Barbosa

Jesuíta Barbosa Homem com H
Foto: Jesuíta Barbosa Homem com H - Foto: Divulgação

A cinebiografia Homem com H, dirigida por Esmir Filho, estreia nos cinemas brasileiros em 1º de maio de 2025, com sessões especiais já a partir de 30 de abril, véspera do feriado. O filme retrata a trajetória de Ney Matogrosso, um dos maiores ícones da música brasileira, com foco em sua luta incessante pela liberdade artística e pessoal. Jesuíta Barbosa, em uma interpretação que já é considerada por críticos como digna de indicação ao Oscar 2026, incorpora o cantor sul-mato-grossense com uma entrega visceral, capturando não apenas sua essência no palco, mas também as nuances de sua vida fora dos holofotes. O longa, que combina fidelidade histórica com um apelo homoerótico cuidadosamente dosado, mergulha nas décadas de 1960, 1970 e 1980, períodos marcantes da carreira de Ney e do Brasil sob a ditadura militar. A produção promete atrair tanto fãs do artista quanto novos públicos, interessados em uma história de resistência e autenticidade.

O filme apresenta Ney Matogrosso como um “bicho-homem” indomado, uma metáfora que permeia toda a narrativa. Desde as primeiras cenas, ambientadas em matas que evocam a conexão do cantor com a natureza, até os momentos de confronto com a repressão, o roteiro destaca a dualidade entre o Ney performático e o Ney introspectivo. Jesuíta Barbosa, com 34 anos, impressiona ao recriar as diversas fases da vida do artista, desde a juventude no quartel da aeronáutica até o auge da fama com o grupo Secos & Molhados. A caracterização, aliada à sua capacidade de transmitir os trejeitos e olhares de Ney, torna a atuação um dos pilares do filme. A narrativa também explora relações pessoais significativas, como os romances com Cazuza e Marco de Maria, além do embate com o pai, o militar Antônio Matogrosso Pereira, cuja visão conservadora contrastava com a rebeldia do filho.

A escolha de Esmir Filho como diretor e roteirista reflete a intenção de criar um filme que fosse ao mesmo tempo fiel à história e artisticamente ousado. O longa não se limita a uma cronologia linear, mas opta por momentos-chave que moldaram a trajetória de Ney. A trilha sonora, com números musicais dublados pela voz inconfundível de Ney Matogrosso, reforça a autenticidade da produção. A estreia coincide com um momento de renovado interesse por cinebiografias musicais no Brasil, gênero que tem conquistado público e crítica. Homem com H chega aos cinemas com a promessa de ser um marco, não apenas por retratar um ícone, mas por oferecer uma reflexão sobre liberdade em tempos de repressão.

  • Principais destaques da cinebiografia:
    • Atuação de Jesuíta Barbosa, elogiada como “oscarizável”.
    • Fidelidade aos fatos históricos da vida de Ney Matogrosso.
    • Números musicais com a voz original do cantor.
    • Exploração da luta pela liberdade em meio à ditadura militar.

Uma trajetória de resistência e autenticidade

A vida de Ney Matogrosso, nascido Ney de Souza Pereira em 1º de agosto de 1941, em Bela Vista, Mato Grosso do Sul, é um mosaico de coragem, talento e inconformismo. Homem com H capta essa essência ao retratar o jovem Ney em seus primeiros passos, ainda nos anos 1960, quando serviu à aeronáutica no Rio de Janeiro. As cenas no quartel, carregadas de tensão e um sutil apelo homoerótico, mostram um Ney em conflito com as amarras de uma sociedade repressiva. Foi nesse período que o cantor começou a moldar sua identidade artística, desafiando normas de gênero e comportamento. O filme destaca como a experiência militar, longe de dobrá-lo, serviu como catalisador para sua rebeldia criativa.

O roteiro de Esmir Filho mergulha nos anos 1970, uma década crucial tanto para Ney quanto para o Brasil. Sob a ditadura militar, a censura era uma sombra constante sobre artistas. O filme retrata, com humor ácido, uma cena em que censores negociam os gestos de Ney em um show, ilustrando o absurdo do controle estatal. Apesar disso, Ney nunca se curvou. Sua passagem pelo Secos & Molhados, entre 1973 e 1974, é abordada com detalhes, mostrando o sucesso meteórico do trio e sua implosão por disputas internas. A saída de Ney do grupo, longe de ser um revés, marcou o início de sua carreira solo, consolidada com o show O homem de Neanderthal em 1975, um momento emblemático retratado no filme.

A relação com o pai, Antônio Matogrosso Pereira, é outro fio condutor da narrativa. Militar de valores rígidos, Antônio representava tudo o que Ney rejeitava. O filme mostra o confronto entre os dois, mas também momentos de aproximação, como quando o pai, relutante, assiste ao show de 1975 e começa a reconhecer o talento do filho. Essa dinâmica familiar adiciona camadas à história, mostrando que a luta de Ney pela liberdade não era apenas contra a ditadura, mas também contra as expectativas de uma família tradicional. A interpretação de Rômulo Braga como Antônio traz peso emocional a essas cenas, reforçando o impacto do conflito geracional.

O impacto do Secos & Molhados e a reinvenção solo

O sucesso do Secos & Molhados, formado por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad, é um dos pontos altos do filme. Em 1973, o trio revolucionou a música brasileira com um som que misturava rock, MPB e poesia, aliado à estética andrógina de Ney. O álbum de estreia, com hits como O vira e Sangue latino, vendeu mais de 700 mil cópias, um feito impressionante para a época. Homem com H recria os shows do grupo, destacando a presença magnética de Ney, que usava maquiagem, figurinos exóticos e movimentos provocadores para desafiar a moral conservadora. A caracterização de Jesuíta Barbosa nesses momentos é impecável, capturando a energia quase sobrenatural do cantor.

A dissolução do Secos & Molhados, em 1974, é abordada com objetividade. O filme mostra como disputas financeiras e egos levaram ao fim do trio, mas evita demonizar os envolvidos. Para Ney, a saída foi um momento de libertação. O show O homem de Neanderthal, lançado logo após, marcou sua afirmação como artista solo. O filme recria esse espetáculo, destacando como Ney usou a performance para provar sua independência criativa. A escolha de incluir números musicais dublados pela voz de Ney reforça a fidelidade à sua essência, permitindo que o público sinta a força de sua interpretação mesmo através de Jesuíta.

  • Momentos marcantes do Secos & Molhados no filme:
    • A explosão de popularidade com o álbum de 1973.
    • A estética andrógina que chocou e encantou o Brasil.
    • A dissolução do trio em 1974 por tensões internas.
    • O show O homem de Neanderthal como marco de independência.

Amores e perdas na vida de Ney Matogrosso

A vida amorosa de Ney Matogrosso é tratada com sensibilidade em Homem com H. O relacionamento com Cazuza, vivido por Jullio Reis, é retratado como um romance intenso, mas fugaz, que deixou marcas profundas. Os dois se conheceram nos anos 1980, e o filme capta a química imediata entre eles, marcada por paixão e cumplicidade artística. A Aids, que vitimou Cazuza em 1990, aparece como pano de fundo, trazendo à tona o impacto da epidemia na comunidade artística brasileira. A abordagem é delicada, mas não evita a dor da perda, mostrando como Ney lidou com o luto.

A relação com Marco de Maria, interpretado por Bruno Montaleone, é outro destaque. O romance, que durou 13 anos, é mostrado com menos profundidade, uma escolha justificada pela necessidade de equilibrar a narrativa entre a vida pessoal e a carreira de Ney. Ainda assim, o filme consegue transmitir a importância de Marco na vida do cantor, especialmente em um momento em que Ney buscava estabilidade emocional. A Aids também ceifou Marco, e o longa usa esse fato para reforçar o contexto trágico dos anos 1980, quando a doença devastou tantas vidas.

O filme não se aprofunda em outros relacionamentos de Ney, mas sugere que sua vida amorosa sempre foi marcada por intensidade e liberdade. A escolha de focar em Cazuza e Marco reflete a relevância desses amores na trajetória do cantor, mas também serve para humanizar o “bicho-homem” que, fora do palco, enfrentava as mesmas dores e alegrias de qualquer pessoa. A atuação de Jesuíta Barbosa nesses momentos é particularmente comovente, mostrando um Ney vulnerável, mas nunca derrotado.

A luta contra a censura e a ditadura

A ditadura militar (1964-1985) é um pano de fundo constante em Homem com H. O filme retrata como Ney Matogrosso desafiou a censura com sua arte, usando o palco como espaço de resistência. Uma das cenas mais marcantes mostra censores discutindo os gestos do cantor, em um diálogo que mistura humor e crítica ao autoritarismo. Ney, com sua estética provocadora e letras ambíguas, conseguia driblar a repressão, mas não sem riscos. O filme destaca sua coragem ao manter a autenticidade em um período em que artistas eram presos e exilados.

O longa também aborda o impacto da ditadura na sociedade brasileira, mostrando como a repressão afetava não apenas os artistas, mas também a população em geral. Ney, com sua postura desafiadora, tornou-se um símbolo de liberdade para muitos. O filme recria shows emblemáticos, como os dos anos 1970, em que o cantor enfrentava a vigilância dos censores com um misto de ousadia e inteligência. A atuação de Jesuíta Barbosa nesses momentos transmite a energia de um artista que sabia o poder de sua voz.

  • Formas como Ney desafiou a censura:
    • Uso de figurinos e maquiagem para subverter normas de gênero.
    • Letras com duplo sentido que escapavam da vigilância dos censores.
    • Performances provocadoras que atraíam e desafiavam o público.
    • Manutenção de sua autenticidade apesar das pressões do regime.

A construção de um ícone atemporal

A carreira de Ney Matogrosso é marcada por uma coerência rara. Homem com H foca nos anos 1960 a 1980, mas deixa claro que o cantor nunca perdeu sua essência. O filme mostra como Ney, após o sucesso com o Secos & Molhados, continuou a se reinventar, explorando novos gêneros musicais e estéticas. Sua gravação de Homem com H, em 1981, é um exemplo disso. O filme recria o diálogo com Gonzaguinha, que ajudou Ney a superar suas dúvidas sobre a música, resultando em um dos maiores sucessos de sua carreira.

A escolha de dublar os números musicais com a voz de Ney reforça a conexão entre o filme e o artista. Jesuíta Barbosa, com sua interpretação precisa, faz o público esquecer que está vendo um ator, e não o próprio Ney. A direção de Esmir Filho equilibra os momentos de drama e música, criando um ritmo envolvente que mantém o espectador preso por mais de duas horas. A fotografia, com destaque para as cenas nas matas e nos palcos, adiciona uma camada visual que complementa a narrativa.

O filme também toca em momentos menos conhecidos da vida de Ney, como sua decisão de se afastar de fórmulas comerciais em 1986, quando cancelou um show por sentir que estava se repetindo. Embora o longa não se aprofunde nesse episódio, ele reforça a ideia de que Ney sempre priorizou a arte acima do mercado. Essa postura o transformou em um ícone atemporal, admirado por gerações.

O legado de Ney Matogrosso no cinema

A estreia de Homem com H coloca Ney Matogrosso no centro de uma nova onda de cinebiografias musicais brasileiras. Nos últimos anos, filmes sobre artistas como Elis Regina, Tim Maia e Cazuza conquistaram o público, e Homem com H segue essa tradição com qualidade. A escolha de Jesuíta Barbosa como protagonista foi acertada, já que o ator combina talento dramático com a capacidade de encarnar um personagem tão singular. Sua atuação é o coração do filme, sustentada por um elenco coadjuvante que inclui nomes como Rômulo Braga, Jullio Reis e Bruno Montaleone.

O filme também reflete o impacto cultural de Ney Matogrosso. Sua estética andrógina e sua coragem em desafiar normas abriram caminho para artistas que vieram depois, de Cazuza a Anitta. Homem com H mostra como Ney, com sua arte, ajudou a moldar uma visão mais plural do Brasil. O longa não tenta reinventar a roda, mas cumpre seu papel ao apresentar a história de um artista que nunca se curvou às pressões do sistema.

  • Influências de Ney Matogrosso na cultura brasileira:
    • Pioneirismo na quebra de estereótipos de gênero.
    • Contribuição para a popularização do rock e da MPB nos anos 1970.
    • Inspiração para artistas de diversas gerações.
    • Uso do palco como espaço de resistência política e cultural.

Um retrato fiel, mas sem novas revelações

Homem com H é um filme que celebra Ney Matogrosso sem tentar desvendá-lo completamente. O roteiro, baseado em entrevistas, biografias e depoimentos do próprio cantor, é fiel aos fatos, mas não oferece novas perspectivas sobre sua vida. Para quem acompanha a trajetória de Ney Syuk, o filme não vai além do que Ney já tornou público. A ausência de uma visão crítica sobre o artista é notável, com exceção de uma cena em que Ney é confrontado por uma amiga sobre seu foco nos críticos em 1975. Ainda assim, o filme não explora possíveis contradições ou falhas do cantor, optando por uma abordagem laudatória.

Essa escolha pode ser justificada pelo objetivo de alcançar um público amplo. Homem com H é projetado para ser um blockbuster, com apelo comercial reforçado pelos números musicais e pela atuação de Jesuíta Barbosa. A produção evita polêmicas ou aprofundamentos que possam alienar espectadores, focando em uma narrativa acessível e emocional. O resultado é um filme que encanta, mas deixa perguntas sobre o Ney fora do palco, o homem por trás do “bicho-homem”.

O longa também reflete o contexto atual do cinema brasileiro, que busca equilibrar qualidade artística com apelo popular. A estreia em 1º de maio, durante o feriado, é estratégica para atrair famílias e fãs de Ney. A campanha de marketing, iniciada com o trailer em 10 de fevereiro, gerou grande expectativa, e as sessões especiais de 30 de abril devem ampliar o boca a boca. O filme tem potencial para se tornar um marco no gênero das cinebiografias, especialmente pelo trabalho de Jesuíta Barbosa, que já é cotado para prêmios nacionais e internacionais.

Cronograma da estreia e expectativas

A estreia de Homem com H está marcada para 1º de maio de 2025, com sessões especiais a partir de 30 de abril. O filme será exibido em cinemas de todo o Brasil, com expectativa de grande público devido à popularidade de Ney Matogrosso e ao apelo do gênero biográfico. A produção já recebeu críticas positivas, com destaque para a atuação de Jesuíta Barbosa e a fidelidade histórica do roteiro.

  • Cronograma de lançamento:
    • 10 de fevereiro de 2025: Lançamento do primeiro trailer.
    • 30 de abril de 2025: Sessões especiais em cinemas selecionados.
    • 1º de maio de 2025: Estreia nacional.
    • 2026: Previsão de participação em festivais e premiações, incluindo o Oscar.

A relevância de Ney Matogrosso em 2025

Aos 84 anos, Ney Matogrosso segue ativo, com shows agendados para 2025 e uma legião de fãs. Homem com H chega em um momento em que o cantor é celebrado como um ícone cultural, cuja influência transcende gerações. O filme reforça sua relevância ao mostrar como sua luta pela liberdade ressoa em um Brasil que ainda enfrenta desafios políticos e sociais. A história de Ney, com sua coragem e autenticidade, é um lembrete do poder da arte como resistência.

O longa também destaca a importância de preservar a memória cultural brasileira. Ney Matogrosso, com sua trajetória única, representa um capítulo essencial da história da música e da luta por direitos no Brasil. Homem com H é uma homenagem a esse legado, trazendo à tona a história de um artista que, como o “bicho-homem” do filme, nunca se deixou domesticar.