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Conclave 2025: Os 10 cardeais mais cotados para suceder Francisco no Vaticano

Missa de início do Conclave Papal
Foto: Missa de início do Conclave Papal - Foto: Simon Roughneen / Shutterstock.com

A morte do papa Francisco, em 21 de abril de 2025, marcou o início de um período de intensa especulação no Vaticano e no mundo católico. Com o conclave marcado para 7 de maio, a escolha do próximo líder da Igreja Católica, que guiará cerca de 1,4 bilhão de fiéis, mobiliza vaticanistas, especialistas e fiéis. Embora, teoricamente, qualquer homem batizado e alinhado com as leis da Igreja possa ser eleito papa, a tradição recente aponta que o escolhido será um dos 252 cardeais do Colégio Cardinalício. Desses, 133 são eleitores, com menos de 80 anos, e apenas um pequeno grupo emerge como favorito. A expressão italiana “papabile” define esses candidatos com maior probabilidade, mas, como diz o ditado, “quem entra no conclave como papa, sai como cardeal”. A imprevisibilidade do processo torna a disputa fascinante.

O conclave não é apenas uma eleição religiosa, mas um evento com profundas implicações políticas, sociais e culturais. A escolha do próximo papa definirá o rumo da Igreja em temas como diálogo inter-religioso, mudanças climáticas, justiça social e questões morais controversas, como a inclusão de minorias e a modernização da instituição. Francisco, o primeiro papa não europeu em mais de um milênio, deixou um legado de abertura, com ênfase na misericórdia e na proximidade com os pobres. No entanto, sua abordagem progressista também gerou tensões com setores conservadores, o que torna a sucessão um momento de equilíbrio entre continuidade e mudança. Entre os cardeais, nomes de diferentes continentes e visões teológicas despontam, refletindo a diversidade da Igreja globalizada.

A lista dos “papabili” é encabeçada por figuras como o italiano Pietro Parolin, o filipino Luis Antonio Tagle e o congolês Fridolin Ambongo, mas outros nomes, como o italiano Matteo Zuppi e o ganês Peter Turkson, também aparecem com força. Cada cardeal traz uma trajetória única, com experiências que vão desde a diplomacia vaticana até o trabalho pastoral em regiões marcadas por conflitos. A escolha dependerá de negociações nos dias que antecedem o conclave, especialmente nas reuniões chamadas de “congregações gerais”, onde os cardeais discutem os desafios da Igreja e avaliam possíveis líderes. A seguir, apresentamos os 10 cardeais mais citados como possíveis sucessores de Francisco, com suas trajetórias e visões.

  • Pietro Parolin (Itália, 70 anos): Secretário de Estado do Vaticano desde 2013, é considerado o “número dois” de Francisco. Diplomata experiente, atuou em países como Venezuela, México e Nigéria, além de liderar negociações com a China e o Vietnã. É visto como moderado, capaz de unir alas progressistas e conservadoras.
  • Luis Antonio Tagle (Filipinas, 67 anos): Conhecido como “Chito”, é pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização. Sua simplicidade e defesa dos pobres o aproximam do estilo de Francisco, ganhando o apelido de “Francisco asiático”.
  • Fridolin Ambongo (República Democrática do Congo, 65 anos): Arcebispo de Kinshasa, é uma voz conservadora que se opôs à bênção de casais homoafetivos. Sua luta pela paz no Congo o torna influente entre cardeais africanos.
  • Peter Turkson (Gana, 76 anos): Ex-arcebispo de Cape Coast, é cotado como possível primeiro papa africano. Fala seis idiomas e é conhecido por posições moderadas, como a oposição à criminalização da homossexualidade.
  • Péter Erdö (Hungria, 72 anos): Arcebispo de Budapeste, é um teólogo conservador com forte abertura ao diálogo inter-religioso. Sua postura austera é equilibrada por sua reputação acadêmica.
  • Pierbattista Pizzaballa (Itália, 60 anos): Patriarca Latino de Jerusalém, ganhou destaque por seus apelos pela paz no conflito entre Israel e Hamas. É um candidato jovem e carismático.
  • Jean-Marc Aveline (França, 66 anos): Arcebispo de Marselha, defende o diálogo com outras religiões e a acolhida de migrantes, alinhando-se ao legado de Francisco.
  • Michael Czerny (Canadá, 78 anos): Jesuíta de origem tcheca, é próximo de Francisco e focado em justiça social. Sua idade avançada, porém, pode ser um obstáculo.
  • Mario Grech (Malta, 68 anos): Secretário-geral do Sínodo dos Bispos, desempenhou papel central no sínodo de Francisco, buscando equilíbrio entre abertura e tradição.
  • Matteo Maria Zuppi (Itália, 69 anos): Arcebispo de Bolonha, é conhecido por missões de paz e pela defesa de migrantes e homossexuais, sendo uma figura progressista popular na Itália.

O processo do conclave e sua imprevisibilidade

O conclave, que terá início em 7 de maio de 2025, é um dos eventos mais secretos e ritualísticos do mundo. Realizado na Capela Sistina, reúne os cardeais eleitores, que juram manter sigilo absoluto. As votações ocorrem até que um candidato alcance dois terços dos votos, ou seja, 89 dos 133 eleitores. A fumaça preta indica uma votação inconclusiva, enquanto a fumaça branca sinaliza a eleição do novo papa. O processo pode durar dias ou até semanas, embora os últimos conclaves, em 2005 e 2013, tenham sido resolvidos em apenas dois dias. A ausência de contato com o mundo exterior reforça a solenidade do evento, que é coordenado pelo cardeal Pietro Parolin, devido à idade avançada do decano, Giovanni Battista Re.

A imprevisibilidade do conclave é uma de suas marcas. Em 2013, Jorge Mario Bergoglio não era o favorito, mas sua intervenção nas reuniões pré-conclave, destacando a necessidade de uma Igreja missionária, mudou o cenário. Esse precedente reforça a ideia de que candidatos menos cotados podem ganhar força durante as discussões. As congregações gerais, realizadas nos dias anteriores ao conclave, são cruciais para que os cardeais avaliem os desafios da Igreja, como a secularização na Europa, o crescimento do catolicismo na África e na Ásia, e as tensões entre conservadores e progressistas. Essas reuniões também permitem que cardeais menos conhecidos se destaquem, como ocorreu com Bergoglio.

Além disso, a composição do Colégio Cardinalício reflete a globalização promovida por Francisco. Dos 133 eleitores, 53 são europeus, 37 são americanos (17 da América do Sul), 23 asiáticos, 18 africanos e 4 da Oceania. Essa diversidade geográfica aumenta a complexidade das negociações, já que os cardeais trazem perspectivas culturais e teológicas distintas. A influência de Francisco é evidente, já que 108 dos eleitores foram nomeados por ele, mas suas escolhas não se limitaram a progressistas, o que torna o resultado ainda mais incerto.

Perfil dos favoritos: Continuidade ou ruptura?

Entre os favoritos, Pietro Parolin desponta como uma escolha de continuidade. Sua experiência como secretário de Estado, equivalente a um primeiro-ministro do Vaticano, o coloca em uma posição privilegiada. Parolin é conhecido por sua habilidade diplomática, tendo liderado negociações sensíveis, como o acordo com a China sobre a nomeação de bispos. No entanto, críticos apontam sua falta de experiência pastoral e envolvimento em escândalos financeiros na Secretaria de Estado como fraquezas. Apesar disso, sua capacidade de diálogo com líderes mundiais e sua postura moderada o tornam um candidato forte.

Luis Antonio Tagle, por outro lado, representa uma opção mais pastoral. Sua simplicidade e carisma o aproximam do estilo de Francisco, e sua origem asiática poderia simbolizar a expansão da Igreja em uma região onde o catolicismo cresce rapidamente. Tagle já foi cotado em 2013, mas sua relativa juventude na época (55 anos) pode ter sido um obstáculo. Agora, aos 67 anos, ele é visto como um candidato viável, especialmente para quem busca um papa carismático e alinhado às reformas de Francisco.

Fridolin Ambongo e Peter Turkson trazem a perspectiva africana, onde a Igreja Católica tem crescido significativamente. Ambongo, com sua postura conservadora, pode atrair cardeais que desejam uma abordagem mais tradicional, enquanto Turkson, com sua moderação e experiência internacional, apela a um espectro mais amplo. Ambos enfrentam o desafio de superar o eurocentrismo histórico do papado, mas o precedente de Francisco, um argentino, mostra que a Igreja está mais aberta a líderes não europeus.

  • Desafios para os papabili:
    • Equilíbrio ideológico: Os cardeais devem conciliar visões progressistas e conservadoras para alcançar os dois terços necessários.
    • Origem geográfica: A escolha de um papa não europeu pode reforçar a universalidade da Igreja, mas enfrenta resistências tradicionais.
    • Idade: Cardeais mais jovens, como Pizzaballa (60 anos), são vistos como opções de longo prazo, enquanto os mais velhos, como Czerny (78 anos), podem ser descartados.
    • Carisma e experiência: A capacidade de inspirar fiéis e gerenciar a complexa estrutura do Vaticano é essencial.

O peso das congregações gerais

As congregações gerais, iniciadas em 25 de abril, são o palco onde os cardeais começam a delinear o perfil do próximo papa. Essas reuniões, realizadas antes do conclave, permitem discussões abertas sobre temas como a crise de vocações sacerdotais, a evangelização em regiões secularizadas e as tensões com governos autoritários. É também o momento em que cardeais menos conhecidos podem ganhar destaque, seja por discursos inspiradores, seja por sua capacidade de mediar conflitos. Em 2013, Bergoglio usou essas reuniões para apresentar sua visão de uma Igreja “que sai às periferias”, o que ressoou entre os eleitores.

Para os cardeais, as congregações são uma oportunidade de avaliar não apenas as ideias, mas também a personalidade dos candidatos. Um papa precisa ser um líder espiritual, mas também um administrador capaz de lidar com a Cúria Romana, a burocracia do Vaticano. Parolin, por exemplo, tem vasta experiência administrativa, mas sua imagem de “burocrata” pode ser um obstáculo para quem busca um líder mais pastoral, como Tagle ou Zuppi. Já Pizzaballa, com sua atuação no Oriente Médio, oferece uma combinação de espiritualidade e engajamento em questões globais, o que pode atrair cardeais preocupados com conflitos internacionais.

A influência de Francisco nas nomeações cardinalícias também moldará essas discussões. Dos 133 eleitores, 80% foram escolhidos por ele, o que sugere uma inclinação para candidatos alinhados ao seu legado. No entanto, a diversidade de perfis entre os nomeados por Francisco – que incluem tanto progressistas como Tagle quanto conservadores como Erdö – indica que o conclave será um campo de negociação intenso. A busca por um candidato de consenso, capaz de unir diferentes alas da Igreja, será o maior desafio.

A influência global da Igreja

A escolha do próximo papa terá impacto muito além dos muros do Vaticano. A Igreja Católica enfrenta desafios globais, como a perda de fiéis na Europa, o crescimento do secularismo e a necessidade de dialogar com outras religiões em um mundo marcado por conflitos. O próximo papa também precisará abordar questões internas, como a reforma da Cúria, a transparência financeira e o papel das mulheres na Igreja. Cada candidato traz uma abordagem distinta para esses temas, o que torna a eleição um momento decisivo para o futuro do catolicismo.

Pietro Parolin, com sua experiência diplomática, é visto como um líder capaz de fortalecer a influência da Santa Sé no cenário internacional. Sua atuação em negociações com a China e o Vietnã mostra habilidade em lidar com regimes complexos, mas sua postura cautelosa em temas como a bênção de casais homoafetivos pode desagradar setores progressistas. Já Matteo Zuppi, com sua trajetória na Comunidade de Sant’Egidio, tem um histórico de mediação em conflitos, como em Moçambique e na Ucrânia, o que o torna um candidato atraente para quem busca um papa engajado na paz global.

Na África, cardeais como Ambongo e Turkson representam a vitalidade da Igreja em um continente onde o catolicismo cresce rapidamente. A África tem cerca de 250 milhões de católicos, e sua influência no Colégio Cardinalício aumentou sob Francisco. A escolha de um papa africano seria um marco histórico, mas também enfrentaria resistências de setores que ainda veem o papado como uma instituição europeia. Na Ásia, Tagle simboliza o potencial de crescimento da Igreja em uma região com 150 milhões de católicos, mas onde o cristianismo é minoria.

  • Temas centrais para o próximo papa:
    • Diálogo inter-religioso: Fortalecer relações com outras religiões, especialmente o islã, em regiões como o Oriente Médio e a África.
    • Justiça social: Continuar o foco de Francisco na defesa dos pobres, migrantes e vítimas de conflitos.
    • Reforma interna: Avançar na transparência financeira e na descentralização da Igreja.
    • Questões morais: Definir a posição da Igreja em temas como homossexualidade, divórcio e o papel das mulheres.

O calendário do conclave

O processo de escolha do novo papa segue um cronograma rigoroso, definido pelas normas da Igreja. Após a morte de Francisco, o Vaticano entrou no período de “Sé Vacante”, durante o qual o camerlengo, cardeal Kevin Farrell, administra os assuntos correntes. As congregações gerais começaram em 25 de abril, e o conclave terá início em 7 de maio, com uma missa solene na Basílica de São Pedro. Abaixo, os principais marcos do processo:

  • 25 de abril a 6 de maio: Congregações gerais, com discussões entre os cardeais sobre o futuro da Igreja.
  • 7 de maio: Início do conclave, com a missa “Pro Eligendo Pontifice” e a primeira votação na Capela Sistina.
  • 8 de maio em diante: Até quatro votações diárias (duas pela manhã, duas à tarde) até a escolha do papa.
  • Após a eleição: Anúncio do “Habemus Papam” e apresentação do novo papa na Praça de São Pedro.

O conclave pode se estender por dias, mas a pressão para uma eleição rápida é grande, especialmente devido ao Jubileu de 2025, um ano de celebrações importantes para a Igreja. A escolha de um papa antes do final de maio é vista como essencial para manter a continuidade das atividades vaticanas.

Perspectivas regionais e o impacto da escolha

A diversidade geográfica dos cardeais reflete a universalidade da Igreja, mas também cria desafios para alcançar um consenso. A Europa, com 53 eleitores, ainda tem a maior representação, mas sua influência diminuiu em relação ao passado. A América Latina, com 17 eleitores sul-americanos, busca manter a relevância conquistada com Francisco. A África e a Ásia, com 18 e 23 eleitores, respectivamente, emergem como forças crescentes, e a escolha de um papa de um desses continentes seria um sinal de renovação.

No Brasil, sete cardeais participam do conclave como eleitores: João Braz de Aviz, Jaime Spengler, Leonardo Steiner, Odilo Scherer, Orani Tempesta, Sergio da Rocha e Paulo Cezar Costa. Embora Odilo Scherer tenha sido cotado em 2013, nenhum brasileiro aparece entre os favoritos em 2025. Ainda assim, a presença de sete eleitores brasileiros reforça a importância do país, que tem a maior população católica do mundo, com cerca de 123 milhões de fiéis.

A escolha do papa também terá implicações políticas. Um líder como Parolin, com forte perfil diplomático, poderia fortalecer a posição do Vaticano em negociações internacionais, enquanto um papa pastoral, como Tagle ou Zuppi, poderia inspirar maior engajamento dos fiéis em questões sociais. A postura do novo papa em temas como mudanças climáticas, migração e direitos humanos influenciará o diálogo com governos e organizações globais.

O legado de Francisco e o futuro da Igreja

Francisco deixou um legado de abertura, com ênfase na misericórdia, na defesa dos marginalizados e na descentralização da Igreja. Suas reformas, como a criação do Sínodo dos Bispos e a nomeação de cardeais de regiões periféricas, transformaram a dinâmica do Colégio Cardinalício. No entanto, sua abordagem também gerou resistências, especialmente entre conservadores que criticam sua postura em temas como a bênção de casais homoafetivos e a ordenação de mulheres como diaconisas.

O próximo papa enfrentará a tarefa de consolidar essas reformas ou reorientar a Igreja em uma direção mais tradicional. Cardeais como Parolin e Zuppi são vistos como continuadores do legado de Francisco, enquanto Erdö e Ambongo representam uma possível volta a uma linha mais ortodoxa. A escolha dependerá do peso que os cardeais derem às tensões internas da Igreja e às expectativas dos fiéis em um mundo em rápida transformação.

A eleição de um papa africano, como Turkson ou Ambongo, seria um marco histórico, sinalizando a ascensão da África como centro do catolicismo. Já um papa asiático, como Tagle, reforçaria a importância da Ásia, onde a Igreja enfrenta desafios como a perseguição religiosa e a competição com outras religiões. Um italiano, como Parolin, Pizzaballa ou Zuppi, traria o papado de volta à Itália após quase meio século, atendendo ao desejo de setores que veem na liderança italiana uma forma de estabilidade.

  • Possíveis cenários para o conclave:
    • Continuidade: Escolha de um cardeal alinhado a Francisco, como Parolin, Tagle ou Zuppi, para consolidar suas reformas.
    • Ruptura conservadora: Eleição de um cardeal tradicionalista, como Erdö ou Ambongo, para reverter algumas mudanças.
    • Surpresa regional: Um candidato de fora da Europa, como Turkson ou Pizzaballa, para simbolizar a universalidade da Igreja.
    • Compromisso moderado: Um cardeal de perfil conciliador, como Aveline ou Grech, para unir alas opostas.

A espera pelo “Habemus Papam”

À medida que o conclave se aproxima, a atenção do mundo se volta para a chaminé da Capela Sistina. A fumaça branca, que anunciará a escolha do novo papa, marcará o início de uma nova era para a Igreja Católica. A imprevisibilidade do processo, combinada com a diversidade dos cardeais e os desafios globais, torna esta eleição uma das mais aguardadas da história recente. Seja um italiano como Parolin, um africano como Turkson ou um asiático como Tagle, o próximo papa terá a missão de liderar a Igreja em um mundo dividido, onde a fé, a política e a cultura se entrelaçam de forma complexa.

Os 10 cardeais apresentados refletem a riqueza e a complexidade da Igreja atual. Suas trajetórias, que vão da diplomacia à luta pela paz, mostram a variedade de caminhos que podem levar ao papado. Enquanto os fiéis rezam e os vaticanistas especulam, o conclave permanece um mistério, onde o Espírito Santo, segundo a tradição, guia os cardeais na escolha do sucessor de Pedro. A única certeza é que, em poucos dias, o mundo conhecerá o novo líder da Igreja Católica, e sua eleição ecoará por décadas.