O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após três semanas de internação para tratar complicações intestinais. A alta médica ocorreu na manhã de 4 de maio de 2025, marcando o fim de um período de recuperação que incluiu uma cirurgia de 12 horas e cuidados intensivos. A internação começou em 11 de abril, quando Bolsonaro sentiu fortes dores abdominais durante uma agenda política no Rio Grande do Norte, sendo transferido para a capital federal para tratamento.
A condição de saúde do ex-presidente, agravada por aderências intestinais decorrentes de um atentado sofrido em 2018, mobilizou equipes médicas e gerou atenção de apoiadores, que realizaram vigílias em frente ao hospital.
- Cirurgia complexa: O procedimento de 12 horas removeu aderências e reconstruiu a parede abdominal.
- Monitoramento intensivo: Bolsonaro passou 17 dias na UTI antes de ser transferido para um quarto.
- Apoio popular: Vigílias e orações marcaram a rotina fora do hospital durante a internação.
O quadro clínico de Bolsonaro evoluiu de forma estável nas últimas semanas, com retirada de sondas e retomada gradual da alimentação oral, segundo boletins médicos.
Cuidados intensivos durante internação
A internação de Jair Bolsonaro no Hospital DF Star exigiu uma abordagem médica detalhada. Após ser transferido de Natal para Brasília em uma UTI aérea, o ex-presidente chegou ao hospital na noite de 12 de abril. Exames iniciais apontaram uma suboclusão intestinal, condição que impede parcialmente a passagem de alimentos e gases pelo intestino. A equipe médica, liderada pelo cirurgião Cláudio Birolini, optou por uma cirurgia no dia 13 de abril para corrigir o problema.
O procedimento, que durou cerca de 12 horas, envolveu a remoção de aderências intestinais, conhecidas como bridas, formadas devido a cirurgias anteriores. Além disso, os médicos reconstruíram parte da parede abdominal, um processo delicado devido ao histórico de intervenções no sistema digestivo de Bolsonaro. A cirurgia foi concluída sem complicações, e o paciente foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento.
Durante as primeiras duas semanas, Bolsonaro permaneceu na UTI, onde passou por exames regulares e fisioterapia motora e respiratória. A nutrição foi administrada por via parenteral, diretamente na veia, enquanto o ex-presidente permanecia em jejum oral. A equipe médica destacou a ausência de sangramentos ou infecções, mas reforçou a necessidade de repouso absoluto e restrição de visitas.
- Monitoramento constante: Exames de imagem e laboratoriais foram realizados semanalmente.
- Fisioterapia essencial: Caminhadas fora do leito ajudaram na recuperação motora.
- Restrição de visitas: Apenas familiares tiveram acesso ao paciente na UTI.
Histórico médico ligado ao atentado de 2018
O atentado sofrido por Jair Bolsonaro em setembro de 2018, durante a campanha presidencial, deixou sequelas permanentes em seu sistema digestivo. A facada, desferida por Adélio Bispo em Juiz de Fora, Minas Gerais, causou lesões graves no intestino, exigindo múltiplas cirurgias. Desde então, Bolsonaro passou por pelo menos seis procedimentos relacionados ao ataque, além de outras intervenções, como uma vasectomia e a retirada de um cálculo na bexiga.
A formação de aderências intestinais é uma complicação comum em pacientes com histórico de cirurgias abdominais. Essas bridas podem causar obstruções parciais ou totais, resultando em sintomas como dor abdominal, náuseas e inchaço. No caso de Bolsonaro, as aderências têm sido a principal causa de internações recorrentes, incluindo episódios em 2021, 2022 e 2024.
Em janeiro de 2019, já como presidente, Bolsonaro passou por uma cirurgia para retirada de uma bolsa de colostomia, procedimento que durou sete horas devido à complexidade das aderências. Em setembro do mesmo ano, outra operação corrigiu uma hérnia incisional no abdômen, resultado das intervenções anteriores. Esses procedimentos ilustram a gravidade das sequelas deixadas pelo atentado e a necessidade de cuidados médicos contínuos.
Transferência de Natal para Brasília
A internação de Bolsonaro começou de forma inesperada durante uma agenda política no interior do Rio Grande do Norte. Em 11 de abril, enquanto participava de eventos em Santa Cruz, o ex-presidente sentiu dores abdominais intensas. Ele foi levado de helicóptero, cedido pela governadora Fátima Bezerra, para Natal, onde deu entrada no Hospital Rio Grande.
Na capital potiguar, Bolsonaro passou por exames que confirmaram a suboclusão intestinal. A equipe médica local descartou a necessidade de cirurgia de emergência, mas recomendou a transferência para Brasília, onde o ex-presidente poderia ser acompanhado por sua equipe médica de confiança. No dia 12 de abril, ele deixou Natal em uma UTI aérea, acompanhado pelo médico Cláudio Birolini, e chegou ao Hospital DF Star por volta das 22h.
O transporte foi organizado com rapidez, e Bolsonaro acenou para apoiadores ao deixar o hospital em Natal. Cerca de 200 pessoas aguardavam do lado de fora, demonstrando apoio com orações e mensagens. A transferência para Brasília marcou o início de uma internação prolongada, com foco na estabilização do quadro clínico e na preparação para a cirurgia.
Evolução clínica na UTI
Após a cirurgia de 13 de abril, Bolsonaro permaneceu na UTI por 17 dias, sob cuidados intensivos. Boletins médicos divulgados pelo Hospital DF Star indicaram uma evolução positiva, com ausência de dor, febre ou complicações. A equipe médica realizou tomografias regulares para monitorar o funcionamento do intestino, que apresentou melhora gradual.
No dia 29 de abril, a sonda nasogástrica foi removida, permitindo a introdução de uma dieta líquida leve, composta por água, chá e gelatina. A nutrição parenteral foi reduzida à medida que Bolsonaro retomava a alimentação oral. A fisioterapia motora, que incluía caminhadas curtas fora do leito, foi intensificada para promover a recuperação física.
- Retirada de sonda: A remoção da sonda nasogástrica marcou um avanço na recuperação.
- Dieta líquida: A aceitação de líquidos indicou o retorno das funções intestinais.
- Fisioterapia motora: Exercícios ajudaram a prevenir complicações como trombose.
- Estabilidade clínica: Pressão arterial e marcadores inflamatórios permaneceram controlados.
A saída da UTI, no dia 30 de abril, foi um marco importante. Bolsonaro foi transferido para um quarto de semi-UTI e, posteriormente, para um quarto normal, onde continuou o tratamento com dieta líquida e fisioterapia.
Apoio popular durante internação
A internação de Bolsonaro gerou uma mobilização significativa entre seus apoiadores. Desde a chegada ao Hospital DF Star, grupos se reuniram em frente à unidade para realizar vigílias e orações pela recuperação do ex-presidente. Em 20 de abril, uma vigília reuniu dezenas de simpatizantes, que montaram uma mesa com alimentos e cantaram hinos religiosos nos jardins do hospital.
A presença de apoiadores foi constante, com momentos de oração registrados em várias ocasiões. Bolsonaro agradeceu o apoio em publicações nas redes sociais, destacando que as mensagens e orações tiveram um impacto positivo em sua recuperação. A mobilização reflete a base fiel de seguidores que o ex-presidente mantém, especialmente entre grupos conservadores.
Complicações e piora momentânea
Apesar da evolução positiva, Bolsonaro enfrentou uma piora clínica em 24 de abril, conforme boletins médicos. O ex-presidente apresentou elevação da pressão arterial e alterações em exames laboratoriais do fígado, exigindo novos exames de imagem. A equipe médica manteve o jejum oral e a nutrição parenteral, intensificando o monitoramento.
A piora coincidiu com a visita de uma oficial de Justiça, que entregou uma intimação do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 23 de abril. O documento, relacionado a um processo por tentativa de golpe de Estado, gerou momentos de tensão no hospital. A pressão arterial de Bolsonaro subiu durante o episódio, embora a equipe médica não tenha associado diretamente a piora ao evento.
O quadro foi estabilizado nos dias seguintes, com melhora nos marcadores inflamatórios e retorno da alimentação oral. A rápida resposta da equipe médica evitou complicações mais graves, permitindo a continuidade do tratamento.
Restrições de visitas e polêmicas
A recomendação médica de repouso absoluto incluiu a restrição de visitas, limitada a familiares. No entanto, a regra foi quebrada em 23 de abril, quando o pastor Silas Malafaia visitou Bolsonaro na UTI, contra as orientações médicas. A visita, que durou cerca de uma hora, gerou críticas devido ao risco de comprometer a recuperação do paciente.
Malafaia usou o encontro para comentar a intimação do STF, criticando o ministro Alexandre de Moraes. A presença do pastor e as declarações públicas adicionaram uma camada de controvérsia à internação, com aliados de Bolsonaro questionando a condução do processo judicial durante o período de recuperação.
- Visita polêmica: A entrada de Malafaia contrariou as orientações médicas.
- Tensão judicial: A intimação do STF gerou reações entre aliados do ex-presidente.
- Restrição mantida: Após o episódio, as visitas voltaram a ser limitadas a familiares.
Retorno à alimentação oral
A transição para a alimentação oral foi um dos principais avanços na recuperação de Bolsonaro. Após a retirada da sonda nasogástrica, o ex-presidente começou a ingerir líquidos em pequenas quantidades. A dieta líquida foi ampliada gradualmente, com a introdução de alimentos leves para estimular o funcionamento intestinal.
A equipe médica monitorou de perto a resposta do organismo, ajustando a nutrição parenteral conforme a aceitação da dieta oral melhorava. A ausência de náuseas ou vômitos foi um sinal positivo, indicando que o intestino estava retomando suas funções normais. A fisioterapia respiratória também foi mantida para evitar complicações pulmonares.
Alta médica e retorno para casa
Na manhã de 4 de maio, Jair Bolsonaro recebeu alta do Hospital DF Star após 21 dias de internação. O ex-presidente deixou o hospital acompanhado de familiares e seguiu para sua residência em Brasília. A equipe médica recomendou repouso e acompanhamento ambulatorial para garantir a recuperação completa.
A alta marcou o fim de um dos episódios mais longos de internação de Bolsonaro desde o atentado de 2018. A cirurgia de 12 horas e os cuidados intensivos foram essenciais para tratar a suboclusão intestinal, mas o histórico médico do ex-presidente sugere a possibilidade de novos episódios no futuro.
Cuidados pós-alta
Após deixar o hospital, Bolsonaro foi orientado a manter uma rotina de cuidados para evitar complicações. A dieta deve permanecer leve, com alimentos de fácil digestão, enquanto a fisioterapia motora será continuada para fortalecer o corpo. Exames de acompanhamento estão previstos para monitorar o funcionamento intestinal e prevenir novas obstruções.
A equipe médica destacou a importância de evitar esforços físicos intensos nas primeiras semanas. A recuperação total pode levar meses, especialmente devido à complexidade das aderências intestinais. Bolsonaro também foi orientado a manter consultas regulares com seus médicos de confiança.
- Dieta controlada: Alimentos leves são recomendados para facilitar a digestão.
- Fisioterapia contínua: Exercícios ajudam a manter a mobilidade e prevenir trombose.
- Acompanhamento médico: Consultas regulares monitorarão o sistema digestivo.
- Repouso essencial: Atividades intensas devem ser evitadas por algumas semanas.
Mobilização política durante internação
A internação de Bolsonaro coincidiu com um período de articulações políticas do Partido Liberal (PL) para as eleições municipais de 2026. Apesar de estar internado, o ex-presidente participou de uma live com seus filhos e aliados em 22 de abril, demonstrando engajamento com sua base. A transmissão, realizada da UTI, foi usada pelo STF como justificativa para a entrega da intimação no hospital.
Aliados de Bolsonaro, como o senador Rogério Marinho e o deputado Sóstenes Cavalcante, acompanharam de perto a internação, reforçando a narrativa de apoio ao ex-presidente. A agenda no Rio Grande do Norte, interrompida pela crise de saúde, fazia parte de um projeto para fortalecer o PL em regiões estratégicas do país.
Prevenção de novas obstruções
A recorrência de obstruções intestinais em Bolsonaro levanta questões sobre medidas preventivas. Especialistas recomendam uma dieta equilibrada, com fibras e hidratação adequada, para reduzir o risco de complicações. Cirurgias futuras podem ser necessárias caso as aderências continuem a se formar, mas a prevenção depende de cuidados contínuos.
A equipe médica enfatizou a importância de monitorar sintomas como dor abdominal, inchaço ou dificuldade para evacuar. Esses sinais podem indicar o início de uma nova obstrução, exigindo intervenção precoce. A experiência de Bolsonaro serve como alerta para pacientes com histórico semelhante, destacando a complexidade das sequelas de traumas abdominais.
Cronologia de internações anteriores
Jair Bolsonaro enfrentou várias internações desde o atentado de 2018, todas relacionadas às sequelas do ataque ou a procedimentos médicos. Abaixo, uma lista de episódios relevantes:
- Setembro de 2018: Cirurgia de emergência após a facada, seguida de outro procedimento para desobstrução intestinal.
- Janeiro de 2019: Retirada da bolsa de colostomia, com reconstrução do trânsito intestinal.
- Setembro de 2019: Correção de uma hérnia incisional no abdômen.
- Janeiro de 2022: Internação por obstrução intestinal, tratada sem cirurgia.
- Maio de 2024: Tratamento de erisipela, com 12 dias de internação em São Paulo.
Esses episódios ilustram a frequência com que Bolsonaro precisa de cuidados médicos, reforçando a gravidade das lesões sofridas em 2018.
Apoio familiar durante recuperação
A família de Bolsonaro desempenhou um papel central durante a internação. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acompanhou o ex-presidente desde a transferência de Natal para Brasília, permanecendo ao seu lado durante a cirurgia e a recuperação. Os filhos, incluindo Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, também participaram ativamente, atualizando apoiadores sobre o estado de saúde do pai.
Michelle anunciou o sucesso da cirurgia em 13 de abril nas redes sociais, agradecendo as orações e o trabalho da equipe médica. A presença familiar foi um fator de suporte emocional, especialmente durante os momentos de maior fragilidade na UTI.
Monitoramento médico contínuo
A alta de Bolsonaro não marca o fim do acompanhamento médico. Exames regulares serão necessários para avaliar a formação de novas aderências e o funcionamento do intestino. A equipe do Hospital DF Star recomendou consultas periódicas com o cirurgião Cláudio Birolini e outros especialistas envolvidos no tratamento.
A possibilidade de novas internações permanece, dado o histórico do ex-presidente. A atenção a sintomas iniciais, como desconforto abdominal, será crucial para evitar complicações graves. A experiência de Bolsonaro destaca os desafios de lidar com sequelas de longo prazo após traumas abdominais.
