Fumaça preta no Vaticano: Conclave segue sem novo papa após primeira votação

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fumaça preta Foto: fumaça preta

A fumaça preta subiu da chaminé da Capela Sistina na tarde de 7 de maio, sinalizando que os 133 cardeais eleitores não chegaram a um consenso na primeira votação do conclave para escolher o sucessor do papa Francisco. O ritual, iniciado após a morte do pontífice em 21 de abril, atraiu olhares de fiéis e jornalistas reunidos na Praça São Pedro, que aguardavam a possibilidade de uma fumaça branca. A ausência de um resultado imediato não surpreende, já que a eleição de um novo papa raramente ocorre na primeira rodada, exigindo dois terços dos votos, ou seja, pelo menos 89 dos cardeais presentes. O processo, marcado por segredo e tradição, agora se prepara para novas rodadas de votação, com a expectativa de que a escolha possa se concretizar nos próximos dias.

O conclave, que começou oficialmente na manhã de quarta-feira, reúne cardeais de 70 países, refletindo a diversidade global da Igreja Católica. A missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada na Basílica de São Pedro, abriu o dia com uma solenidade que destacou a responsabilidade dos eleitores diante de 1,4 bilhão de católicos. Após a cerimônia, os cardeais seguiram em procissão até a Capela Sistina, onde o isolamento total do mundo exterior garante a confidencialidade das discussões. A fumaça preta, gerada pela queima das cédulas com compostos químicos, apareceu por volta das 14h, horário de Brasília, confirmando que a primeira tentativa não alcançou o quórum necessário.

O que define o ritmo do conclave:

  • Apenas uma votação ocorre no primeiro dia, na tarde de quarta-feira.
  • A partir do segundo dia, até quatro votações diárias são realizadas, duas pela manhã e duas à tarde.
  • A fumaça, preta ou branca, é emitida duas vezes por dia, após as sessões da manhã e da tarde.
  • Se não houver consenso após três dias, uma pausa de 24 horas para orações é feita.

A ausência de um novo papa na primeira votação reforça a complexidade do processo, que combina espiritualidade, política interna do Vaticano e articulações entre diferentes correntes da Igreja. Enquanto os cardeais permanecem isolados na Casa Santa Marta, o mundo aguarda o próximo sinal da chaminé, que pode indicar a eleição de um novo líder para a Igreja Católica.

Tradição da fumaça

A fumaça preta que emergiu da Capela Sistina é um dos símbolos mais reconhecíveis do conclave, com raízes que remontam a 1878, quando a Igreja passou a usar a queima das cédulas para comunicar o resultado das votações. Antes disso, sinos e outros sinais eram empregados, mas a fumaça se consolidou como um método claro e visível. Desde 2005, o Vaticano aprimorou o sistema, adicionando compostos químicos específicos para garantir que a cor da fumaça seja inequívoca: preta para uma votação inconclusiva e branca para a eleição de um novo papa. Na tarde de 7 de maio, a fumaça preta foi avistada com clareza, dissipando qualquer dúvida sobre a continuidade do processo.

O mecanismo envolve a queima das cédulas em um fogareiro especial instalado na Capela Sistina. Cada cardeal escreve o nome de seu candidato em uma cédula com a frase “Eligo in Summum Pontificem” (Eu elejo como Sumo Pontífice), dobrando o papel antes de depositá-lo em uma urna. Após a contagem, as cédulas são queimadas, e a fumaça resultante sai pela chaminé, visível para milhares de pessoas na Praça São Pedro e para o público global acompanhando transmissões ao vivo.

Preparativos intensos

Os dias que antecederam o conclave foram marcados por uma logística meticulosa. A Capela Sistina foi fechada ao público em 28 de abril para a instalação da chaminé e outros preparativos, incluindo bloqueadores de sinal de celular e películas contra espionagem nas janelas. A Casa Santa Marta, onde os cardeais se hospedam, foi transformada em um espaço isolado, com acesso restrito a funcionários juramentados a manter sigilo. Essas medidas refletem a determinação do Vaticano em proteger a eleição de influências externas, um princípio reforçado desde o século XIII, quando o termo “conclave” (do latim “cum clavis”, ou “trancado com chave”) passou a descrever o processo.

Na manhã de 7 de maio, os cardeais participaram de uma procissão solene, entoando o hino Veni Creator Spiritus para invocar a orientação do Espírito Santo. A missa inicial, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, reuniu os 133 eleitores, incluindo sete brasileiros, em um momento de reflexão antes do início das votações. A presença de cardeais de regiões como África, Ásia e América Latina evidencia a diversidade do colégio, com 80% dos votantes nomeados pelo papa Francisco, o que pode influenciar a escolha de um pontífice alinhado com seu legado.

Ritmo das votações

A estrutura do conclave prevê um ritmo intenso a partir do segundo dia. Na quinta-feira, 8 de maio, os cardeais realizarão até quatro votações, duas pela manhã e duas à tarde, com a queima das cédulas gerando fumaça por volta das 7h e 12h30, horário de Brasília. Esses horários, divulgados pelo Vaticano, orientam jornalistas e fiéis que acompanham o processo. A expectativa é que a fumaça branca, indicando a eleição de um novo papa, possa surgir ainda no segundo ou terceiro dia, como ocorreu nos conclaves de 2005 e 2013, que elegeram Bento XVI e Francisco em apenas dois dias.

Se o consenso não for alcançado após três dias, o conclave pausa por 24 horas para orações e reflexões, permitindo que os cardeais discutam estratégias e avaliem os candidatos mais cotados. Após sete votações adicionais sem resultado, outra pausa pode ser feita. Em casos extremos, se 34 votações não produzirem um eleito, os dois cardeais mais votados na última rodada disputam um “segundo turno”, ainda precisando de dois terços dos votos. Esse cenário, porém, é raro, já que os conclaves modernos tendem a ser resolvidos rapidamente.

Cronograma das próximas rodadas:

  • 8 de maio: Até quatro votações, com fumaça prevista às 7h e 12h30 (horário de Brasília).
  • 9 de maio: Continuação das votações, com pausas caso não haja consenso.
  • Após 34 rodadas: Possível “segundo turno” entre os dois mais votados.
  • Anúncio do Habemus Papam: Feito na sacada da Basílica de São Pedro após a eleição.

Perfil dos eleitores

O colégio cardinalício de 2025 é um dos mais diversos da história, com 133 eleitores de 70 países, incluindo sete brasileiros: Sérgio da Rocha, Jaime Spengler, Odilo Scherer, Orani Tempesta, Paulo Cezar Costa, João Braz de Aviz e Leonardo Ulrich Steiner. A maioria, 108 cardeais, foi nomeada por Francisco, o que sugere uma inclinação por um candidato que mantenha sua abordagem pastoral, focada na inclusão, pobreza e sinodalidade. No entanto, a presença de 21 cardeais nomeados por Bento XVI e quatro por João Paulo II introduz uma diversidade de perspectivas, que pode prolongar as discussões.

Os cardeais brasileiros, embora representativos, não aparecem entre os favoritos. Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador, já foi mencionado em listas de possíveis papáveis, mas nomes como o italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e o filipino Luis Antonio Tagle lideram as especulações. A escolha reflete não apenas a visão teológica dos eleitores, mas também afinidades culturais e linguísticas, que influenciam as articulações nos dias que antecedem o conclave.

Cotados para o papado

A ausência de um resultado na primeira votação abriu espaço para especulações sobre os candidatos mais fortes. Pietro Parolin, com 69 anos, é visto como uma figura conciliatória, com experiência diplomática e proximidade com o legado de Francisco. Luis Antonio Tagle, de 67 anos, arcebispo de Manila, representa a força crescente da Igreja na Ásia, com um perfil carismático e pastoral. Outros nomes, como o ganês Peter Turkson e o italiano Matteo Zuppi, também aparecem em listas de apostas, embora o processo secreto do conclave torne previsões incertas.

Cada cardeal votante tem a liberdade de escolher qualquer candidato elegível, desde que seja um homem batizado na Igreja Católica, embora historicamente os papas sejam selecionados entre os próprios cardeais. A votação inicial, segundo especialistas, costuma incluir votos simbólicos, oferecidos como gestos de respeito ou amizade, antes que as negociações se intensifiquem no segundo dia. A fumaça preta de 7 de maio indica que esses votos iniciais ainda estão dispersos.

Segurança e sigilo

A proteção do conclave é uma prioridade para o Vaticano. Além do isolamento físico dos cardeais, que não têm acesso a telefones, internet ou meios de comunicação, a Capela Sistina é equipada com detectores de metais e sistemas antidrones. Funcionários envolvidos na logística, como seguranças e mestres de cerimônia, prestam juramento de sigilo, sob pena de excomunhão. Essas medidas, implementadas com rigor, visam preservar a independência do processo, que já enfrentou tentativas de influência externa em séculos passados.

No dia 5 de maio, todos os trabalhadores externos à Capela Sistina prestaram juramento, reforçando o compromisso com a confidencialidade. A polícia vaticana também intensificou a segurança na Praça São Pedro, com postos de controle e monitoramento constante. A presença de jornalistas, credenciados até 31 de maio, adiciona uma camada de atenção global, mas o Vaticano mantém o controle estrito sobre o fluxo de informações.

Legado de Francisco

A morte de Francisco, em 21 de abril, deixou um vazio na Igreja Católica, marcada por seu pontificado reformista. O primeiro papa latino-americano, nascido na Argentina, foi sepultado em 26 de abril, após um funeral que reuniu chefes de Estado e milhares de fiéis. Seu túmulo, na Basílica de Santa Maria Maior, foi visitado pelos cardeais no dia 27, em um gesto de homenagem. O legado de Francisco, centrado na acolhida aos pobres, diálogo inter-religioso e atenção às questões climáticas, pesa sobre a escolha do próximo pontífice.

Muitos cardeais, especialmente os nomeados por Francisco, defendem a continuidade de suas reformas, como a maior participação das mulheres na Igreja e a abertura a casais em situações irregulares. No entanto, correntes mais conservadoras, representadas por alguns cardeais europeus, podem buscar um papa que reforce a doutrina tradicional, criando um equilíbrio delicado nas negociações do conclave.

Aspectos do legado de Francisco:

  • Abertura à comunidade LGBTQIA+ com gestos de acolhimento, sem alterar a doutrina.
  • Ênfase na sinodalidade, promovendo maior participação dos leigos nas decisões da Igreja.
  • Foco na justiça social, com críticas ao capitalismo desenfreado.
  • Diálogo com outras religiões, incluindo encontros com líderes muçulmanos e budistas.
  • Reformas na Cúria Romana para aumentar a transparência financeira.

Expectativa global

A Praça São Pedro permaneceu lotada na tarde de 7 de maio, com fiéis de diversas nacionalidades aguardando o desfecho da primeira votação. A fumaça preta, embora esperada, gerou um misto de curiosidade e paciência entre os presentes, muitos dos quais viajaram ao Vaticano para acompanhar o conclave. Transmissões ao vivo de emissoras globais, como a Reuters e a CNN, capturaram o momento, ampliando o alcance do evento para milhões de espectadores.

A diversidade do colégio cardinalício, com menos da metade dos eleitores sendo europeus, reflete a globalização da Igreja Católica. Regiões como a África, que tem 18 cardeais eleitores, e a Ásia, com 17, ganharam peso no processo, o que pode levar à eleição de um papa não europeu, algo que não ocorre desde o século VIII. A expectativa é que o novo pontífice enfrente desafios como a secularização, a crise de vocações sacerdotais e as tensões internas entre progressistas e conservadores.

Histórico de conclaves

Os conclaves modernos são significativamente mais curtos que os do passado. Nos últimos 100 anos, a média de duração foi de 3,2 dias, com nenhum ultrapassando cinco dias. O conclave de 2005, que elegeu Bento XVI, e o de 2013, que escolheu Francisco, foram resolvidos em apenas dois dias, estabelecendo um padrão de rapidez. No entanto, a história registra episódios prolongados, como o conclave de 1268-1271, que durou mais de dois anos e resultou na eleição de Gregório X.

Curiosidades sobre conclaves passados:

  • O conclave de 1831, que elegeu Gregório XVI, durou 54 dias, um dos mais longos dos tempos modernos.
  • Em 1922, o conclave de Pio XI foi concluído em cinco dias, com 14 votações.
  • O conclave de 1978, que elegeu João Paulo II, foi o primeiro a escolher um papa não italiano em 455 anos.
  • A fumaça branca de 1958, que anunciou João XXIII, causou confusão inicial por sua cor ambígua.

A fumaça preta de 7 de maio marca apenas o início de um processo que combina espiritualidade e estratégia. Enquanto os cardeais permanecem trancados na Capela Sistina, o mundo acompanha a chaminé, aguardando o momento em que a fumaça branca anunciará o Habemus Papam, seguido pela apresentação do novo papa na sacada da Basílica de São Pedro.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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