Profecia de São Malaquias reacende debates sobre apocalipse após morte de Papa Francisco

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A notícia da morte do Papa Francisco, aos 88 anos, na segunda-feira de Páscoa de 2025, abalou o mundo católico e trouxe à tona uma antiga profecia que prevê o fim dos tempos. Atribuída ao arcebispo irlandês São Malaquias, do século XII, a chamada Profecia dos Papas lista 112 pontífices que liderariam a Igreja Católica até o juízo final, com o último, identificado como “Pedro, o Romano”, governando em meio a grandes tribulações. A descoberta do manuscrito nos arquivos do Vaticano, publicada em 1595, reacendeu especulações após o falecimento de Francisco, com muitos fiéis e estudiosos debatendo se ele seria o último papa ou se seu sucessor cumpriria o papel descrito na visão. Enquanto o luto global toma conta, as redes sociais fervilham com teorias que apontam 2027 como o ano do apocalipse.

O impacto da morte do primeiro papa latino-americano, conhecido por sua abordagem progressista, vai além do âmbito religioso. Jorge Mario Bergoglio, que assumiu o papado em 2013, faleceu devido a complicações respiratórias após uma longa batalha contra problemas de saúde, incluindo internações em 2024 e 2025. Seu pontificado, marcado por mensagens de misericórdia e diálogo inter-religioso, também gerou controvérsias, especialmente entre setores conservadores da Igreja. A profecia de São Malaquias, embora não reconhecida oficialmente pelo Vaticano, ganhou força em um contexto de crises globais, como guerras, mudanças climáticas e polarização política.

A seguir, alguns pontos que alimentam as discussões sobre a profecia:

  • Origem misteriosa: O texto só foi revelado 456 anos após a suposta visão de Malaquias, levantando dúvidas sobre sua autenticidade.
  • Lemas simbólicos: Frases enigmáticas, como “Glória da Oliveira” para Bento XVI, são interpretadas como referências aos papas.
  • Cenário global: Conflitos armados e crises ambientais reforçam narrativas apocalípticas entre os fiéis.

O fascínio pela profecia reflete a busca por significado em tempos de incerteza, enquanto o conclave para escolher o próximo papa já mobiliza o Vaticano.

Reações globais à morte de Francisco

Milhões de pessoas acompanharam os ritos fúnebres em Roma, transmitidos ao vivo para o mundo. Líderes religiosos, políticos e fiéis de diversas denominações prestaram homenagens ao pontífice argentino, destacando seu compromisso com a justiça social e a inclusão. Em Buenos Aires, onde Francisco nasceu, milhares se reuniram na Plaza de Mayo para uma vigília em sua memória. A hashtag #PapaFrancisco dominou as redes sociais, com mensagens de luto e reflexões sobre seu legado.

Em paralelo, a profecia de São Malaquias tornou-se um dos assuntos mais comentados em plataformas como X, onde usuários compartilharam montagens da Praça de São Pedro em chamas e textos alertando para o “fim dos tempos”. Alguns posts sugerem que o próximo papa, a ser eleito no conclave de 2025, seria o “Pedro, o Romano” descrito por Malaquias, enquanto outros apontam Francisco como o último da lista, associando seu nome a São Francisco de Assis, cujo nome de batismo era Giovanni di Pietro. A Igreja Católica, por sua vez, mantém silêncio sobre essas especulações, reiterando que o texto não tem respaldo oficial.

História da profecia de São Malaquias

São Malaquias, nascido Máel Máedóc Ua Morgair em 1094, foi um arcebispo irlandês conhecido por sua dedicação à reforma da Igreja na Irlanda. Durante uma visita a Roma em 1139, ele teria recebido uma visão mística que listava 112 papas, começando por Celestino II, eleito em 1143, até o último, que governaria durante o fim do mundo. Cada papa é descrito por um lema em latim, como “De labore solis” (Do trabalho do sol), associado a João Paulo II, nascido durante um eclipse solar. O texto, porém, só veio a público em 1595, quando o monge beneditino Arnold Wion o incluiu em sua obra “Lignum Vitae”.

A demora na publicação levanta questionamentos entre historiadores. Muitos acreditam que a profecia foi forjada no século XVI para influenciar um conclave papal, possivelmente o de 1590, após a morte de Urbano VII. Até essa data, os lemas correspondem com precisão aos papas, mas as descrições posteriores tornam-se vagas, permitindo interpretações amplas. Apesar das críticas, a profecia mantém um apelo cultural, inspirando livros, filmes e séries, como “The Young Pope”.

Alguns exemplos de lemas que intrigam estudiosos:

  • Gloria Olivae: Associado a Bento XVI, ligado à Ordem de São Bento, que usa ramos de oliveira como símbolo.
  • Peregrinus Apostolicus: Relacionado a Paulo VI, conhecido por suas viagens internacionais.
  • Crux de Cruce: Atribuído a Pio IX, que enfrentou conflitos com a Casa de Saboia, cujo emblema trazia uma cruz.

Conclave de 2025 e expectativas

A escolha do próximo papa, marcada para começar em 7 de maio de 2025, ocorre em um momento delicado para a Igreja Católica. Com a queda de fiéis na Europa e nas Américas e o crescimento do catolicismo na África e na Ásia, o conclave reúne 133 cardeais aptos a votar, dos quais 33 são africanos. Nomes como Peter Turkson, de Gana, e Robert Sarah, da Guiné, aparecem entre os cotados, alimentando especulações sobre a profecia de Nostradamus, que menciona um “Papa Negro”.

A expressão “Papa Negro” tem interpretações variadas. Alguns a associam a um pontífice de origem africana, enquanto outros a vinculam aos jesuítas, chamados de “sacerdotes negros” por suas vestes. Como Francisco foi o primeiro papa jesuíta, há quem o considere o cumprimento dessa previsão. O conclave, realizado na Capela Sistina, será acompanhado de perto por fiéis e curiosos, que aguardam a fumaça branca sinalizando a eleição do novo líder.

Nostradamus e outras profecias

Além da profecia de São Malaquias, as previsões de Nostradamus, astrólogo francês do século XVI, também ganharam destaque após a morte de Francisco. Suas quartetas poéticas, publicadas em “Les Prophéties”, mencionam a morte de um “pontífice ancião” e a ascensão de um líder que “enfraqueceria sua sé”. Muitos interpretam isso como uma referência ao papado de Francisco, marcado por reformas e críticas de setores conservadores.

Nostradamus também fala de um “Papa Negro”, o que reforça especulações sobre o próximo conclave. Suas previsões, conhecidas por sua linguagem ambígua, já foram associadas a eventos como a Revolução Francesa e o atentado de 11 de setembro. A falta de datas específicas permite que as quartetas sejam reinterpretadas a cada transição papal, mantendo seu fascínio. Outras figuras, como a vidente búlgara Baba Vanga, também são citadas em discussões sobre o fim dos tempos, embora suas previsões sejam menos detalhadas.

Cenário global alimenta narrativas apocalípticas

O interesse pela profecia de São Malaquias não surge isoladamente. Conflitos armados, como a guerra na Ucrânia e tensões entre Estados Unidos e China, dominam as manchetes. Dados da Organização Internacional para as Migrações mostram que, em 2024, 281 milhões de pessoas viviam como migrantes internacionais, muitas fugindo de zonas de conflito. As mudanças climáticas, com um aumento de 1,2°C na temperatura global desde a era pré-industrial, intensificam desastres naturais, como furacões e secas.

Esses desafios criam um ambiente de incerteza que amplifica narrativas apocalípticas. Em países como Brasil e Estados Unidos, a polarização política adiciona camadas de tensão, com debates acalorados sobre valores sociais e religiosos. A morte de Francisco, nesse contexto, serve como catalisador para reflexões sobre o futuro da humanidade, mesmo entre os que não creem nas profecias.

Legado de Francisco na Igreja

Jorge Mario Bergoglio assumiu o papado em 2013 com uma mensagem de simplicidade e proximidade com os fiéis. Seu foco em questões como pobreza, meio ambiente e direitos LGBTQIA+ o colocou em choque com setores tradicionais da Igreja. Em 2015, sua encíclica “Laudato Si’” destacou a responsabilidade humana na preservação do planeta, enquanto suas declarações sobre diálogo inter-religioso abriram portas para parcerias com líderes muçulmanos e judeus.

Apesar das resistências, Francisco conquistou admiradores por sua humildade. Ele optou por viver em uma residência simples no Vaticano, em vez do Palácio Apostólico, e frequentemente visitava comunidades marginalizadas. Sua saúde, porém, tornou-se um obstáculo nos últimos anos, com internações frequentes por problemas respiratórios. Sua morte, após 38 dias internado no hospital Gemelli, marcou o fim de um papado transformador.

Principais marcos do pontificado de Francisco:

  • Encíclica Laudato Si’: Publicada em 2015, abordou a crise climática.
  • Sínodo da Amazônia: Em 2019, discutiu a proteção ambiental e os direitos indígenas.
  • Abertura a minorias: Declarações de apoio a comunidades marginalizadas geraram debates.
  • Viagens apostólicas: Visitou mais de 50 países, promovendo paz e diálogo.

Simbolismo e cultura popular

A profecia de São Malaquias transcende o âmbito religioso, influenciando a cultura popular. Filmes como “O Código Da Vinci” e séries como “The Young Pope” exploram temas de conspirações e apocalipse no Vaticano. Livros sobre o manuscrito, como “The Last Pope”, de Robert Howells, venderam milhares de cópias, alimentando o interesse por teorias escatológicas.

Nas redes sociais, memes e vídeos sobre o fim do mundo em 2027 circulam amplamente. Um documentário lançado em 2024, que associa o papado de Sisto V ao “eixo” da profecia, reforçou a ideia de que o apocalipse ocorreria 442 anos após seu reinado, apontando para 2027. Embora sem base científica, essas narrativas capturam a imaginação coletiva, especialmente em tempos de crise.

Desafios do próximo pontificado

O próximo papa enfrentará uma Igreja dividida entre progressistas e conservadores. A queda de fiéis na Europa, onde apenas 24% dos católicos frequentam missas regularmente, contrasta com o crescimento na África, onde o catolicismo atrai milhões de novos adeptos. Questões como o celibato clerical e a ordenação de mulheres permanecem em debate, com pressões por reformas.

O conclave de 2025 também será influenciado pelo perfil dos cardeais nomeados por Francisco, que representam 70% dos eleitores. A possibilidade de um papa africano, como Peter Turkson, é vista com entusiasmo por alguns, mas com receio por outros, que temem mudanças radicais. A escolha do nome do novo pontífice será um símbolo observado de perto, especialmente por aqueles que aguardam um “Pedro II”.

Curiosidades sobre a profecia

A profecia de São Malaquias é repleta de detalhes que intrigam fiéis e céticos. Alguns lemas parecem coincidir com eventos históricos, enquanto outros permanecem abertos a interpretações. A ausência de datas específicas no texto permite que ele seja revisitado a cada novo papado.

Fatos curiosos sobre o manuscrito:

  • Publicação tardia: Apareceu 456 anos após a suposta visão, em 1595.
  • Associação com Sisto V: Um documentário de 2024 sugere que 2027 marca o fim de um ciclo iniciado em 1585.
  • Popularidade moderna: Inspirou obras de ficção e debates teológicos.
  • Rejeição oficial: A Igreja considera o texto apócrifo, mas permite sua discussão.

Relação com outras tradições apocalípticas

A profecia de São Malaquias não é a única a prever o fim dos tempos. No cristianismo, o Livro do Apocalipse descreve eventos escatológicos, como a volta de Cristo e o julgamento final. Outras religiões abraâmicas, como o judaísmo e o islamismo, também possuem narrativas sobre o fim do mundo, embora com diferenças teológicas.

Além de Nostradamus, videntes modernos, como Baba Vanga, são frequentemente citados em discussões sobre 2027. A búlgara, que morreu em 1996, previu eventos globais, incluindo crises climáticas e conflitos. Embora suas visões sejam vagas, elas reforçam o apelo de narrativas apocalípticas em momentos de transição, como a morte de um papa.

Mobilização no Vaticano

Os preparativos para o conclave de 2025 já estão em andamento. A Capela Sistina, onde os cardeais se reunirão, foi inspecionada para garantir segurança e sigilo. O processo, que inclui a queima de cédulas para produzir fumaça branca ou preta, é uma tradição centenária. A expectativa é que o novo papa seja anunciado até meados de maio.

Enquanto isso, fiéis em Roma continuam a visitar a Basílica de São Pedro, onde o corpo de Francisco foi exposto para despedidas. A multidão, composta por pessoas de todas as idades, reflete a influência global do pontífice. A profecia de São Malaquias, embora contestada, permanece como um pano de fundo intrigante para esse momento histórico.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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