Líder espírita Divaldo Franco falece em Salvador e marca história da doutrina

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Divaldo Franco Foto: Divaldo Franco - Foto: Foto: Imagem/TV Bahia

Divaldo Pereira Franco, um dos maiores nomes do espiritismo no Brasil, faleceu na noite de terça-feira, 13 de maio de 2025, aos 98 anos, em Salvador, Bahia. Nascido em Feira de Santana, em 5 de maio de 1927, o médium, orador e filantropo dedicou mais de sete décadas à divulgação da doutrina espírita e à assistência social. Sua trajetória, marcada por palestras em 71 países e a fundação da Mansão do Caminho, instituição que acolheu milhares de pessoas, consolidou-o como sucessor de Chico Xavier na liderança espiritual do país. A causa de sua morte, um câncer na bexiga, encerrou uma vida de impacto global.

Franco era reconhecido por sua habilidade como orador, tendo realizado mais de 20 mil conferências em 2.500 cidades ao redor do mundo. Sua obra inclui mais de 260 livros psicografados, muitos traduzidos para diversos idiomas, que abordam temas como espiritualidade, ética e caridade. A Mansão do Caminho, fundada em 1952, tornou-se um marco de sua atuação filantrópica, oferecendo educação, saúde e assistência a crianças e famílias em vulnerabilidade.

A notícia de sua morte reverberou entre seguidores, autoridades e famosos, como a cantora Ivete Sangalo, que prestaram homenagens nas redes sociais. O legado de Franco, que combinava espiritualidade e ação social, continua a inspirar milhões de pessoas no Brasil e no exterior.

  • Mais de 260 livros psicografados, com destaque para obras como Pão Nosso e Semeador de Estrelas.
  • Fundador da Mansão do Caminho, que já atendeu milhares de pessoas em Salvador.
  • Palestras em 71 países, promovendo o espiritismo em escala global.

Trajetória de um líder espiritual

Divaldo Franco nasceu em uma família humilde em Feira de Santana, Bahia, e desde jovem demonstrou interesse pela espiritualidade. Aos 17 anos, começou a estudar a doutrina espírita, influenciado pelas obras de Allan Kardec. Sua primeira experiência mediúnica ocorreu na adolescência, quando relatou contatos com espíritos que o orientariam ao longo da vida. Essa conexão espiritual moldou sua carreira como médium psicográfico e orador, atividades que ele exerceu com dedicação até os últimos anos.

Aos 20 anos, Franco mudou-se para Salvador, onde iniciou sua trajetória como professor e palestrante. Ele lecionava em escolas públicas enquanto organizava eventos espíritas, muitas vezes viajando pelo interior da Bahia para divulgar a doutrina. Sua habilidade de comunicar ideias complexas de forma acessível o tornou uma figura carismática, atraindo multidões para suas conferências.

O médium também enfrentou desafios, como críticas de setores religiosos que questionavam suas práticas. Apesar disso, ele manteve o foco na mensagem de amor e caridade, evitando polêmicas e priorizando a ajuda ao próximo. Sua resiliência e compromisso com os princípios espíritas o transformaram em uma referência para gerações.

  • Primeira palestra realizada aos 20 anos, em Salvador, marcando o início de sua carreira.
  • Influência de Allan Kardec como base para seus estudos e práticas mediúnicas.
  • Enfrentou resistência de grupos religiosos, mas evitou confrontos públicos.

Fundação da Mansão do Caminho

A Mansão do Caminho, criada por Divaldo Franco em 1952, é uma das maiores realizações de sua vida. Localizada em Salvador, a instituição começou como um pequeno projeto para ajudar crianças órfãs e rapidamente se expandiu, tornando-se um complexo que oferece educação, saúde e apoio social. Hoje, a organização atende milhares de pessoas anualmente, com escolas, creches, clínicas médicas e programas de capacitação profissional.

A ideia de fundar a Mansão surgiu de uma visão espiritual, segundo relatos do próprio Franco. Ele afirmava que espíritos superiores o orientaram a criar um espaço de acolhimento para os mais necessitados. Com o apoio de voluntários e doações, a instituição cresceu e se tornou um símbolo de solidariedade, reconhecida até por autoridades políticas.

Atualmente, a Mansão do Caminho mantém projetos como a adoção de famílias em situação de vulnerabilidade e a distribuição de alimentos. A estrutura inclui salas de aula, bibliotecas e espaços para atividades culturais, refletindo o compromisso de Franco com a educação como ferramenta de transformação social.

Impacto global do espiritismo

Divaldo Franco levou o espiritismo brasileiro a um público internacional, realizando palestras em países como Estados Unidos, França, Japão e Austrália. Suas conferências, muitas vezes traduzidas simultaneamente, abordavam temas como reencarnação, carma e a importância da caridade. Ele também participou de congressos espíritas, onde compartilhou suas experiências como médium e discutiu o papel da espiritualidade na sociedade moderna.

A influência de Franco no exterior se reflete na tradução de seus livros para mais de 20 idiomas, incluindo inglês, espanhol, francês e japonês. Obras como Transição Planetária e Vida Feliz ganharam popularidade entre leitores interessados em espiritualidade, ampliando o alcance da doutrina espírita.

Além disso, ele fundou centros espíritas em diversos países, incentivando a criação de comunidades dedicadas ao estudo e à prática dos princípios de Allan Kardec. Esses centros continuam ativos, promovendo cursos, palestras e ações sociais inspiradas no trabalho de Franco.

  • Livros traduzidos para mais de 20 idiomas, com destaque em mercados como Europa e Ásia.
  • Fundou centros espíritas em países como Portugal, Colômbia e Estados Unidos.
  • Palestras internacionais atraíam multidões, com tradução simultânea em eventos.

Homenagens de famosos e autoridades

A morte de Divaldo Franco gerou uma onda de homenagens nas redes sociais e em declarações públicas. A cantora Ivete Sangalo, natural da Bahia, publicou uma mensagem emocionada, destacando a bondade e o impacto do médium em sua terra natal. Políticos, como o senador Rogério Carvalho, também manifestaram pesar, reconhecendo a relevância de Franco para a cultura e a espiritualidade brasileiras.

Outros artistas, como a apresentadora Xuxa Meneghel, compartilharam histórias pessoais sobre encontros com o líder espírita, enfatizando sua humildade e sabedoria. Essas manifestações reforçam a amplitude de sua influência, que transcendeu o meio espírita e alcançou diferentes setores da sociedade.

As homenagens também incluíram mensagens de líderes religiosos e de outras correntes espirituais, que elogiaram a postura conciliadora de Franco. Ele era conhecido por dialogar com diferentes crenças, promovendo a ideia de que a espiritualidade deveria unir, e não dividir, as pessoas.

Legado literário de Franco

A produção literária de Divaldo Franco é uma das mais extensas do espiritismo mundial. Seus mais de 260 livros, muitos psicografados, abordam desde mensagens espirituais até reflexões sobre a vida cotidiana. Obras como Pão Nosso e Semeador de Estrelas são amplamente lidas por seguidores da doutrina, enquanto títulos como Transição Planetária atraem leitores interessados em temas contemporâneos, como sustentabilidade e evolução espiritual.

O processo de psicografia, segundo Franco, envolvia a comunicação com espíritos que ditavam os textos. Ele afirmava que autores como Joanna de Ângelis, sua mentora espiritual, eram responsáveis por grande parte de suas obras. Esses livros, publicados pela editora da Mansão do Caminho, geraram recursos que sustentaram os projetos sociais da instituição.

A relevância de sua obra literária também se mede pelo impacto educacional. Muitos de seus livros são usados em centros espíritas como material de estudo, enquanto outros ganharam adaptações para palestras e cursos online, ampliando o acesso às suas ideias.

  • Mais de 260 livros publicados, com temas que vão de espiritualidade a ética.
  • Obras psicografadas atribuídas a espíritos como Joanna de Ângelis.
  • Livros usados como base para cursos e palestras em centros espíritas.

A luta contra o câncer

Nos últimos anos, Divaldo Franco enfrentou um câncer na bexiga, que acabou sendo a causa de sua morte. Apesar do diagnóstico, ele continuou ativo, participando de palestras e eventos da Mansão do Caminho até onde sua saúde permitiu. Amigos e colaboradores relatam que Franco encarou a doença com serenidade, mantendo sua fé e otimismo característicos.

O tratamento incluiu sessões de quimioterapia e cuidados paliativos, realizados em Salvador. A equipe médica que o acompanhava destacou sua força e disposição, mesmo em momentos de fragilidade física. A notícia de sua morte, causada por falência múltipla dos órgãos, foi confirmada pela Mansão do Caminho na manhã de 14 de maio de 2025.

A doença não impediu Franco de manter contato com seus seguidores. Ele gravava mensagens em vídeo e participava de encontros virtuais, compartilhando reflexões sobre a vida e a espiritualidade. Sua coragem diante da enfermidade inspirou muitos que acompanhavam sua trajetória.

Filantropia como missão

A filantropia foi um pilar central na vida de Divaldo Franco. Além da Mansão do Caminho, ele apoiou diversas iniciativas sociais, como a criação de creches, escolas e programas de alfabetização para adultos. Sua visão era de que a caridade deveria ser prática e transformadora, indo além de gestos simbólicos.

A Mansão do Caminho, por exemplo, oferece cursos profissionalizantes que já formaram milhares de jovens para o mercado de trabalho. Programas de saúde, como atendimentos odontológicos e psicológicos, também fazem parte das ações da instituição, beneficiando comunidades carentes de Salvador.

Franco também incentivava a participação de voluntários, muitos dos quais se tornaram líderes em projetos sociais inspirados por seu exemplo. Sua abordagem prática à filantropia influenciou outras organizações espíritas, que adotaram modelos semelhantes de assistência comunitária.

  • Cursos profissionalizantes formaram milhares de jovens em Salvador.
  • Atendimentos de saúde beneficiam comunidades carentes da capital baiana.
  • Modelo de filantropia inspirou outras instituições espíritas no Brasil.

Influência na educação espírita

Divaldo Franco desempenhou um papel fundamental na estruturação do ensino espírita no Brasil. Ele criou cursos e seminários que sistematizavam o estudo da doutrina, tornando-a mais acessível a novos adeptos. Seus métodos pedagógicos, baseados em palestras e livros didáticos, ajudaram a formar gerações de médiuns e palestrantes.

A criação do Movimento Você e a Paz, em 1998, foi outra iniciativa marcante. O projeto promove eventos anuais que reúnem pessoas de diferentes crenças para discutir a importância da paz e da solidariedade. Essas ações reforçaram a imagem de Franco como um líder que transcendia o espiritismo, alcançando um público mais amplo.

Os cursos oferecidos pela Mansão do Caminho também incluem formação para professores, que levam os ensinamentos espíritas a escolas e comunidades. Essa abordagem educacional garantiu a continuidade de sua mensagem, mesmo após sua morte.

Repercussão na Bahia

A morte de Divaldo Franco teve um impacto especial na Bahia, onde ele era visto como um ícone cultural e espiritual. Em Salvador, a prefeitura declarou luto oficial de três dias, e o governador do estado, Jerônimo Rodrigues, anunciou que o velório seria realizado em um espaço público para permitir a participação da população.

Milhares de pessoas compareceram ao velório, realizado na sede da Mansão do Caminho, em Salvador. Seguidores de diversas cidades da Bahia viajaram para prestar suas últimas homenagens, formando longas filas ao redor do local. A cerimônia foi marcada por cânticos espíritas e mensagens de gratidão pelo legado do médium.

Autoridades locais também destacaram a importância de Franco para o turismo espiritual da região. Suas palestras atraíam visitantes de todo o Brasil e do exterior, movimentando a economia de Salvador e de Feira de Santana, sua cidade natal.

  • Luto oficial de três dias decretado pela prefeitura de Salvador.
  • Velório na Mansão do Caminho reuniu milhares de seguidores.
  • Palestras de Franco impulsionavam o turismo espiritual na Bahia.

Continuidade da Mansão do Caminho

A Mansão do Caminho seguirá funcionando sob a gestão de colaboradores próximos de Divaldo Franco. A instituição já possui uma estrutura consolidada, com diretores e voluntários treinados para manter os projetos sociais e educacionais. A direção anunciou que novos programas serão lançados em homenagem ao fundador, incluindo a ampliação de creches e a criação de um museu dedicado à vida de Franco.

Os recursos para sustentar a Mansão continuarão vindo de doações e da venda de livros psicografados. A editora da instituição planeja relançar obras clássicas de Franco, com edições comemorativas que incluem prefácios de líderes espíritas contemporâneos.

A comunidade espírita também se organiza para preservar o legado de Franco por meio de eventos e congressos. Um encontro internacional está previsto para 2026, reunindo palestrantes de diversos países para discutir a influência do médium no espiritismo global.

Homenagens póstumas no Brasil e no mundo

A morte de Divaldo Franco gerou tributos em diferentes partes do Brasil e do exterior. Centros espíritas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília organizaram vigílias e palestras em sua memória. No exterior, comunidades em Portugal, Colômbia e Estados Unidos realizaram eventos virtuais, transmitidos para milhares de pessoas.

A Federação Espírita Brasileira (FEB) publicou uma nota oficial destacando a importância de Franco para a doutrina. A entidade planeja criar um prêmio anual em seu nome, reconhecendo iniciativas que promovam a caridade e a educação espírita.

As redes sociais também foram palco de homenagens, com hashtags como #DivaldoFranco e #MansãoDoCaminho alcançando milhões de visualizações. Seguidores compartilharam trechos de suas palestras e frases de seus livros, reforçando a vitalidade de suas ideias.

  • Vigílias e palestras realizadas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
  • Eventos virtuais no exterior reuniram comunidades espíritas de três continentes.
  • Hashtags em homenagem a Franco viralizaram nas redes sociais.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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