Rússia intensifica bombardeios em Kiev com 367 drones e mísseis antes de troca de prisioneiros

Ataque Russo na Ucrania

Ataque Russo na Ucrania - Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia

A Rússia lançou o maior ataque aéreo da guerra contra a Ucrânia neste domingo, 25 de maio, utilizando 367 drones e mísseis contra mais de 30 cidades, incluindo a capital Kiev. O bombardeio, que deixou pelo menos 12 mortos e dezenas de feridos, ocorreu horas antes de uma significativa troca de prisioneiros de guerra entre os dois países.

Autoridades ucranianas classificaram a ofensiva como a mais intensa desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. O ataque coincidiu com o Dia de Kiev, feriado nacional que celebra a fundação da capital no século V.

O presidente Volodymyr Zelensky denunciou a ação como um ataque deliberado contra civis e pediu maior pressão internacional contra Moscou. Ele destacou:

  • Alvos incluíram regiões como Kiev, Odessa, Kharkiv e Sumy.
  • A falta de sanções mais duras encoraja a continuidade dos ataques.
  • A troca de prisioneiros, apesar do bombardeio, repatriou 303 soldados ucranianos.

Escala do ataque aéreo

A Força Aérea da Ucrânia relatou que a Rússia empregou 69 mísseis de diferentes tipos e 298 drones, incluindo os modelos Shahed, de fabricação iraniana. Yuri Ihnat, porta-voz da força aérea, afirmou que a magnitude do ataque superou qualquer outro registrado no conflito. Em Kiev, sirenes de alerta aéreo ecoaram por horas, enquanto equipes de emergência trabalhavam para conter incêndios e resgatar vítimas.

Os bombardeios atingiram infraestrutura civil e residencial, com relatos de danos em prédios de apartamentos e instalações elétricas. Em Kharkiv, segunda maior cidade do país, autoridades locais reportaram pelo menos três mortes e interrupções no fornecimento de energia. A região de Odessa, no sul, também sofreu danos significativos, com drones atingindo áreas portuárias.

A escolha do momento para o ataque, pouco antes de uma troca de prisioneiros, foi vista por analistas como uma demonstração de força por parte de Moscou. A Rússia, por sua vez, não emitiu comentários oficiais sobre os alvos ou a motivação do bombardeio.

Troca de prisioneiros em meio à tensão

Horas após o ataque, Rússia e Ucrânia realizaram uma troca de prisioneiros que repatriou 303 soldados de cada lado. O Ministério da Defesa russo confirmou a operação, destacando que a troca incluiu militares e civis capturados durante o conflito. Essa foi a segunda etapa de um acordo firmado em negociações em Istambul no início de maio, que previa a libertação de 1.000 prisioneiros por cada país.

Na sexta-feira, 390 combatentes haviam sido repatriados, enquanto no sábado, 307 foram liberados. Zelensky celebrou o retorno dos soldados ucranianos, que incluíam membros das Forças Armadas, da Guarda Nacional e do Serviço Estatal de Guarda de Fronteira. Ele publicou imagens dos militares reunidos com suas famílias, reforçando a importância da operação para a moral do país.

  • A troca foi mediada por autoridades turcas em Istambul.
  • Cada país libertou um total de 1.000 prisioneiros em três dias.
  • Negociações para novas trocas estão em andamento, segundo fontes diplomáticas.
  • Civis capturados em zonas de conflito também foram incluídos na operação.

Apesar do sucesso da troca, o ataque aéreo simultâneo gerou críticas de Kiev, que acusou Moscou de usar a operação humanitária como cortina de fumaça para intensificar a violência.

Reações internacionais

Líderes europeus expressaram solidariedade à Ucrânia após o ataque. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou os bombardeios e reiterou o apoio de Londres a Kiev, incluindo o fornecimento de equipamentos de defesa aérea. A chanceler alemã, Friedrich Merz, anunciou que a União Europeia está discutindo novas sanções contra a Rússia, focadas em setores como energia e finanças.

Nos Estados Unidos, a resposta foi mais contida. O presidente Donald Trump, que recentemente mediou conversas entre Zelensky e Vladimir Putin, afirmou que sanções adicionais não estão nos planos imediatos, priorizando negociações diretas. A posição gerou críticas de Zelensky, que acusou o “silêncio” de Washington de encorajar a agressão russa.

Organizações humanitárias, como a Anistia Internacional, também se manifestaram, pedindo investigações sobre possíveis crimes de guerra nos ataques a áreas civis. A organização destacou a necessidade de proteger a população em meio à escalada do conflito.

Histórico de negociações em Istambul

As negociações em Istambul, realizadas entre 15 e 16 de maio, marcaram o primeiro encontro direto entre delegações russas e ucranianas desde março de 2022. Liderada pelo ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, a delegação de Kiev buscava um cessar-fogo imediato, enquanto a Rússia, representada por Vladimir Medinsky, apresentou demandas consideradas “inaceitáveis” por autoridades ucranianas.

Entre as exigências russas estavam a retirada total das forças ucranianas de quatro regiões anexadas por Moscou em 2022, além de cortes significativos no tamanho do exército ucraniano. A Ucrânia rejeitou as condições, argumentando que equivaliam a uma rendição.

O único avanço concreto foi o acordo para a troca de prisioneiros, que começou a ser implementado dias após o encontro. Apesar do progresso, a falta de consenso sobre um cessar-fogo ampliou o ceticismo sobre a viabilidade de negociações de paz no curto prazo.

Impacto na população civil

Os bombardeios de domingo agravaram a crise humanitária na Ucrânia. Em Kiev, o feriado do Dia de Kiev, que costuma atrair multidões para celebrações ao ar livre, foi marcado por medo e luto. Moradores relataram longas horas em abrigos antiaéreos, enquanto equipes de resgate enfrentavam dificuldades para atender todas as áreas atingidas.

Em outras regiões, como Sumy e Cherkasy, os ataques danificaram hospitais e escolas, dificultando o acesso a serviços essenciais. Organizações locais estimam que mais de 10 mil pessoas foram desalojadas apenas em maio, com o aumento da frequência dos bombardeios.

  • Principais áreas afetadas: Kiev, Kharkiv, Odessa, Sumy, Cherkasy.
  • Danos relatados: Prédios residenciais, escolas, hospitais, redes elétricas.
  • Mortos confirmados: Pelo menos 12, com dezenas de feridos.
  • Desalojados: Cerca de 10 mil em maio, segundo ONGs.

A intensificação dos ataques também elevou a pressão sobre o governo ucraniano para reforçar as defesas aéreas, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas.

Pressão por sanções

Zelensky tem insistido que sanções mais rigorosas são essenciais para frear a Rússia. Ele propôs medidas direcionadas a indivíduos e empresas envolvidos no financiamento da máquina de guerra russa, incluindo bancos e companhias de energia.

A União Europeia já implementou sanções contra mais de 100 entidades russas desde o início de maio, visando exportações de petróleo e instituições financeiras. O Reino Unido anunciou um pacote adicional, focado em empresas que apoiam a propaganda de Moscou.

Apesar dos esforços, a Rússia continua a contornar restrições usando uma “frota sombra” de navios para transportar petróleo, gerando receitas que sustentam o esforço de guerra. Autoridades ucranianas estimam que cerca de 500 embarcações estejam envolvidas nessas operações.

Papel da Turquia na mediação

A Turquia emergiu como um ator central nas negociações entre Rússia e Ucrânia. O presidente Recep Tayyip Erdogan tem se posicionado como mediador, hospedando as conversas em Istambul e facilitando a troca de prisioneiros.

Durante as negociações de maio, Erdogan se reuniu separadamente com Zelensky e representantes russos, enfatizando a necessidade de um cessar-fogo. A Turquia também forneceu drones e equipamentos militares à Ucrânia, o que gerou críticas de Moscou, mas manteve canais abertos com ambos os lados.

A escolha de Istambul como local das negociações reflete sua posição estratégica e histórica como ponto de encontro entre o Ocidente e o Leste. Autoridades turcas indicaram que novas rodadas de conversas podem ocorrer nas próximas semanas.

Avanços e retrocessos no conflito

O ataque de domingo reflete a escalada das tensões no leste da Ucrânia, onde as forças russas intensificaram ofensivas em regiões como Donetsk e Luhansk. Dados da inteligência ucraniana estimam que até 640 mil soldados russos estão atualmente envolvidos no conflito.

Por outro lado, a Ucrânia tem respondido com contra-ataques, incluindo o uso de drones para atingir alvos militares russos. Em 21 de maio, Kiev lançou um ataque contra uma fábrica de componentes de mísseis na região russa de Oryol, segundo autoridades ucranianas.

A guerra, que entrou em seu terceiro ano, continua a drenar recursos de ambos os lados. A Rússia enfrenta pressões econômicas devido a sanções e à queda nos preços do petróleo, enquanto a Ucrânia depende de ajuda militar e financeira do Ocidente para sustentar sua defesa.

Perspectivas para novas negociações

Embora a troca de prisioneiros tenha sido um passo positivo, as negociações de paz permanecem estagnadas. A Rússia mantém demandas que a Ucrânia considera inaceitáveis, enquanto Kiev insiste em um cessar-fogo incondicional e na retirada total das tropas russas.

Autoridades ucranianas expressaram frustração com a falta de pressão internacional sobre Moscou. Zelensky sugeriu que um encontro direto com Putin poderia desbloquear as negociações, mas o líder russo recusou a proposta, optando por enviar delegações de baixo escalão.

A comunidade internacional, incluindo o Vaticano, ofereceu mediação, mas sem resultados concretos até o momento. A continuidade dos bombardeios, como o de domingo, sugere que a Rússia busca manter a vantagem militar enquanto negocia.

Custos humanitários e materiais

Os ataques aéreos russos têm causado danos significativos à infraestrutura ucraniana. Desde o início de 2025, mais de 2 mil edifícios foram destruídos ou danificados, segundo relatórios de ONGs. O setor energético foi particularmente afetado, com apagões frequentes em cidades como Kiev e Kharkiv.

A população civil enfrenta condições cada vez mais difíceis. Abrigos antiaéreos estão lotados, e o acesso a alimentos e medicamentos é limitado em áreas próximas à linha de frente. Em Mykolaiv, no sul, autoridades locais relataram escassez de água potável após ataques a estações de tratamento.

  • Infraestrutura destruída: Mais de 2 mil edifícios em 2025.
  • Setores afetados: Energia, saúde, educação, transporte.
  • Crise humanitária: Falta de água, alimentos e medicamentos em áreas de conflito.
  • Apagões: Frequentes em Kiev, Kharkiv e outras cidades.

Resposta das defesas ucranianas

A Ucrânia tem investido em sistemas de defesa aérea para conter os ataques russos. Equipamentos fornecidos por aliados ocidentais, como os sistemas Patriot dos EUA, têm sido cruciais para interceptar mísseis e drones. No ataque de domingo, a Força Aérea ucraniana abateu cerca de 200 dos 367 drones e mísseis lançados.

Apesar dos esforços, a intensidade dos bombardeios sobrecarrega as defesas. Zelensky pediu mais apoio militar, incluindo sistemas de defesa aérea avançados e munições de longo alcance, para proteger as cidades ucranianas.

O treinamento de operadores ucranianos em equipamentos ocidentais também foi intensificado, com programas conduzidos em países como Polônia e Alemanha. A cooperação militar com aliados da Otan tem permitido à Ucrânia manter uma resistência significativa, apesar das perdas territoriais no leste.

Papel das sanções na economia russa

As sanções ocidentais têm impactado a economia russa, especialmente no setor de energia. A queda nos preços do petróleo, aliada às restrições ao comércio de combustíveis fósseis, reduziu as receitas de exportação de Moscou. Em maio, o preço do barril de petróleo Urals, referência russa, caiu para cerca de 60 dólares, contra 70 dólares no início do ano.

Além disso, sanções contra bancos russos dificultaram transações internacionais, forçando o país a buscar alternativas em mercados como China e Índia. Apesar disso, a Rússia continua a financiar sua campanha militar, utilizando reservas acumuladas e contornando sanções por meio de rotas comerciais alternativas.

Autoridades ucranianas argumentam que sanções mais amplas, incluindo o bloqueio total das exportações de petróleo russo, poderiam enfraquecer significativamente a capacidade de Moscou de sustentar a guerra.

Solidariedade global

Países como Polônia, Lituânia e Estônia, que compartilham fronteiras com a Rússia ou a Ucrânia, intensificaram o apoio a Kiev. A Polônia, por exemplo, anunciou o envio de novos suprimentos médicos e equipamentos de proteção para as forças ucranianas.

Organizações internacionais, como a Cruz Vermelha, também ampliaram suas operações na Ucrânia, fornecendo assistência a deslocados e feridos. Eventos de arrecadação de fundos, realizados em cidades como Paris e Nova York, têm ajudado a financiar esforços humanitários no país.

A solidariedade global, embora significativa, enfrenta desafios devido à fadiga de alguns aliados ocidentais, que lidam com pressões econômicas internas. Ainda assim, líderes europeus prometem manter o apoio à Ucrânia enquanto o conflito persistir.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.