Michelle Ramalho faz história como primeira mulher vice-presidente da CBF

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Michelle Ramalho Foto: Michelle Ramalho - Foto: Instagram

A eleição de Michelle Ramalho como vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) marcou um momento histórico no esporte nacional. Pela primeira vez, uma mulher ocupará o cargo na entidade máxima do futebol brasileiro. A paraibana, presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF) desde 2018, integra a chapa “Futebol para Todos: Transparência, Inclusão e Modernização”, liderada por Samir Xaud, que assumiu a presidência da CBF no domingo, 25 de maio de 2025. Sua trajetória, marcada pelo fortalecimento do futebol feminino, promete trazer novas perspectivas à gestão do esporte.

Ramalho, advogada e administradora de empresas, destaca-se por sua atuação em eventos internacionais, como o Congresso da Fifa no Catar, em 2022. A chapa de Xaud, eleita com 103 votos entre 46 eleitores, reflete um movimento de renovação na CBF, após o afastamento de Ednaldo Rodrigues.

  • Fortalecimento do futebol feminino: Michelle prioriza o crescimento das competições femininas.
  • Representação internacional: Sua presença em eventos da Fifa eleva o Brasil globalmente.
  • Gestão na Paraíba: Organizou um estadual feminino com 11 clubes em 2024.

A votação, realizada na sede da CBF no Rio de Janeiro, consolidou a nova diretoria para o quadriênio 2025-2029, com Ramalho como uma das oito vice-presidentes.

Trajetória de Michelle Ramalho

Nascida em Campina Grande, Michelle Ramalho construiu uma carreira sólida no futebol brasileiro. Formada em Direito e Administração de Empresas, ela assumiu a presidência da FPF em 2018, tornando-se uma das poucas mulheres à frente de federações estaduais. Sua gestão na Paraíba trouxe avanços significativos, especialmente na organização de competições femininas. Em 2024, o Campeonato Paraibano Feminino contou com 11 equipes, um número superior ao de muitos estaduais masculinos no país.

A dirigente também acumula experiência internacional. Em 2022, representou o Brasil no Congresso da Fifa, no Catar, onde discutiu temas como governança e desenvolvimento do futebol global. Além disso, foi chefe de delegação da Seleção Brasileira Feminina em eventos de peso, como a Copa do Mundo de 2019, na França, e os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

  • Formação acadêmica: Direito e Administração de Empresas.
  • Liderança na FPF: Presidente desde 2018, com foco em inclusão.
  • Eventos globais: Participação no Congresso da Fifa e delegações internacionais.
  • Futebol feminino: Organização de torneios estaduais e apoio à Seleção.

Sua eleição como vice-presidente da CBF reforça a representatividade feminina em cargos de liderança no esporte, um setor historicamente dominado por homens.

Eleição de Samir Xaud e a nova gestão

Samir Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol, foi eleito com ampla apoio, conquistando 103 dos 141 votos possíveis. A chapa única, apoiada por 26 das 27 federações estaduais e 10 clubes das Séries A e B, sinaliza continuidade com toques de renovação. A votação ocorreu após a saída de Ednaldo Rodrigues, afastado por decisão judicial no dia 15 de maio de 2025. Fernando Sarney, vice-presidente da CBF, atuou como interventor e organizou o pleito.

A nova diretoria inclui nomes como Ednailson Rozenha (Amazonas), José Vanildo (Rio Grande do Norte), Ricardo Gluck Paul (Pará), Rubens Angelotti (Santa Catarina), Flávio Zveiter, Gustavo Henrique e Fernando Sarney. A presença de Michelle Ramalho, única mulher no grupo, destaca-se como um marco de inclusão.

O processo eleitoral foi marcado por debates sobre a influência dos clubes. Embora alguns, como Palmeiras e Vasco, apoiassem Xaud, outros clubes de elite optaram por não participar, esvaziando parcialmente a votação. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, defendeu a chapa, destacando propostas como fair play financeiro e melhorias no calendário do futebol brasileiro.

Prioridades da chapa vencedora

A chapa “Futebol para Todos” apresentou uma plataforma focada em modernização e transparência. Durante seu discurso de posse, Samir Xaud anunciou planos para reduzir o número de datas dos Campeonatos Estaduais, visando aliviar o calendário dos clubes. A proposta prevê um limite de 12 datas para os torneios regionais, uma mudança que já gera debates entre federações e equipes.

Outro ponto central é o fortalecimento do futebol feminino, uma bandeira reforçada por Michelle Ramalho. Xaud prometeu aumentar investimentos em competições femininas, ampliando sua visibilidade e estrutura. A nova gestão também planeja avanços na arbitragem, com a implementação de tecnologias como o VAR em mais divisões do futebol brasileiro.

  • Redução dos estaduais: Máximo de 12 datas por torneio.
  • Futebol feminino: Mais recursos e competições nacionais.
  • Arbitragem: Expansão do uso do VAR.
  • Fair play financeiro: Regras para equilibrar as finanças dos clubes.

A posse de Xaud e sua equipe ocorreu logo após a eleição, na sede da CBF, com a presença de dirigentes e representantes de federações.

Papel do futebol feminino na gestão de Ramalho

O futebol feminino, uma das principais bandeiras de Michelle Ramalho, ganha destaque na nova gestão da CBF. Durante sua trajetória na FPF, a dirigente implementou iniciativas que ampliaram a participação de mulheres no esporte. O Campeonato Paraibano Feminino de 2024, com 11 clubes, foi um exemplo de sua capacidade de mobilizar recursos e engajar comunidades locais.

Na esfera nacional, Ramalho planeja trabalhar pela profissionalização das competições femininas. A CBF já organiza torneios como o Brasileirão Feminino A1, A2 e A3, mas a falta de investimento e visibilidade ainda é um obstáculo. A vice-presidente pretende articular parcerias com patrocinadores e emissoras para aumentar a transmissão dos jogos.

Sua experiência como chefe de delegação da Seleção Feminina também a coloca em posição estratégica. Em 2019, durante a Copa do Mundo na França, Ramalho acompanhou a equipe liderada por jogadoras como Marta e Formiga. Nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, esteve ao lado do time que conquistou a medalha de prata, um marco para o futebol feminino brasileiro.

Representatividade e inclusão na CBF

A eleição de Michelle Ramalho simboliza um avanço na representatividade dentro da CBF. O futebol brasileiro, apesar de sua relevância global, enfrenta críticas pela baixa presença de mulheres em cargos de liderança. A chegada de Ramalho à vice-presidência é vista como um passo para mudar esse cenário, especialmente em um momento em que a entidade busca modernização.

Além de sua atuação no futebol, Ramalho é conselheira federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), demonstrando versatilidade em sua carreira. Sua experiência em gestão e advocacy fortalece sua posição para liderar mudanças na CBF. A dirigente já declarou que pretende ouvir clubes, federações e jogadoras para construir políticas inclusivas.

  • Marco histórico: Primeira mulher vice-presidente da CBF.
  • Carreira multifacetada: Atuação na OAB e no futebol.
  • Foco em inclusão: Diálogo com diferentes setores do esporte.

A presença de Ramalho na diretoria também reforça a importância das federações do Norte e Nordeste, regiões muitas vezes subrepresentadas na cúpula da CBF.

Apoio de clubes e federações

A chapa de Samir Xaud contou com o respaldo de 26 federações estaduais, com exceção de São Paulo e Mato Grosso, que não declararam apoio. Entre os clubes, nomes como Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Vasco, Remo, Paysandu, CRB, Criciúma, Amazonas e Volta Redonda endossaram a candidatura.

A ausência de alguns clubes da Série A, como Flamengo e Corinthians, gerou discussões sobre a relação entre a CBF e as equipes de elite. Ricardo Gluck Paul, um dos vice-presidentes eleitos, prometeu maior protagonismo aos clubes na nova gestão, com diálogo aberto para discutir o futuro do futebol brasileiro.

O apoio do Palmeiras, liderado por Leila Pereira, foi um dos pilares da campanha de Xaud. Pereira, uma das poucas mulheres presidentes de clubes no Brasil, destacou a importância de propostas como o fair play financeiro, que busca equilibrar as finanças dos times.

Mudanças no calendário do futebol

A proposta de reduzir os Campeonatos Estaduais é um dos temas mais debatidos da nova gestão. Atualmente, alguns estaduais ocupam até 20 datas no calendário, sobrecarregando os clubes e limitando a preparação para competições nacionais e internacionais. A limitação a 12 datas, defendida por Xaud, visa atender demandas de equipes maiores, mas enfrenta resistência de federações menores, que dependem financeiramente desses torneios.

A CBF também planeja revisar o formato das competições nacionais. O Brasileirão, principal torneio do país, pode ganhar ajustes para aumentar sua competitividade. Além disso, a nova diretoria estuda a criação de uma liga independente, um projeto antigo que voltou à pauta com a eleição de Xaud.

  • Estaduais menores: Redução para até 12 datas.
  • Brasileirão: Possíveis mudanças no formato.
  • Liga independente: Discussões para maior autonomia dos clubes.

A implementação dessas mudanças dependerá de negociações com clubes, federações e patrocinadores, um desafio para a nova gestão.

Avanços na arbitragem e tecnologia

Outro pilar da chapa “Futebol para Todos” é a modernização da arbitragem. O uso do VAR, introduzido no Brasil em 2018, ainda enfrenta críticas por erros e demoras nas decisões. A CBF planeja investir em treinamento para árbitros e expandir a tecnologia para divisões inferiores, como a Série B e o Brasileirão Feminino.

Michelle Ramalho, em entrevistas recentes, defendeu a importância de decisões mais transparentes no campo. Sua experiência como dirigente a levou a acompanhar debates sobre arbitragem em eventos da Fifa, onde tecnologias como o VAR semiautomático já são testadas. A nova gestão pretende trazer essas inovações ao Brasil, adaptando-as à realidade local.

A CBF também estuda parcerias com empresas de tecnologia para melhorar a infraestrutura dos estádios, como sistemas de revisão de jogadas em tempo real. Essas mudanças visam aumentar a confiança de torcedores e clubes nas decisões arbitrais.

Gestão de Carlo Ancelotti e a Seleção Brasileira

A eleição de Xaud e Ramalho ocorre em um momento de transição para a Seleção Brasileira. O técnico italiano Carlo Ancelotti, contratado sob a gestão de Ednaldo Rodrigues, assumirá o comando do time em junho de 2025, para as Eliminatórias da Copa do Mundo. Ancelotti, que chegou ao Brasil dias antes da votação, afirmou que a mudança na presidência da CBF não afetará seus planos.

A nova diretoria da CBF prometeu dar autonomia ao treinador, evitando interferências externas. Michelle Ramalho, com sua experiência junto à Seleção Feminina, deve contribuir para a gestão das seleções nacionais, especialmente no fortalecimento das categorias de base femininas.

A primeira convocação de Ancelotti, prevista para o fim de maio, será acompanhada de perto por torcedores e pela nova diretoria. A CBF espera que o italiano, campeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid, traga um novo ciclo de vitórias ao Brasil.

  • Ancelotti no comando: Primeira convocação em maio de 2025.
  • Seleção Feminina: Foco nas categorias de base.
  • Autonomia: CBF promete liberdade ao técnico italiano.

A gestão de Xaud e Ramalho será crucial para alinhar os objetivos da Seleção com as mudanças propostas para o futebol brasileiro.

Legado de Ednaldo Rodrigues

O afastamento de Ednaldo Rodrigues, em 15 de maio de 2025, marcou o fim de uma gestão que trouxe avanços e polêmicas. Rodrigues, que assumiu a CBF em 2022, foi responsável pela contratação de Ancelotti e pelo fortalecimento de competições femininas. No entanto, sua saída, determinada por uma decisão judicial, abriu espaço para a eleição de Xaud.

Durante seu mandato, Rodrigues enfrentou críticas por questões de governança e pela relação com clubes e federações. Sua desistência de recorrer à Justiça, anunciada em 19 de maio, pavimentou o caminho para a chapa única de Xaud. A transição foi conduzida por Fernando Sarney, que garantiu a realização do pleito.

A nova diretoria herda projetos de Rodrigues, como a expansão do futebol feminino e a modernização da arbitragem, mas promete abordá-los com novas perspectivas. Michelle Ramalho, em particular, deve dar continuidade ao legado de inclusão iniciado por seu antecessor.

Janderson é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024

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