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Tensão entre BYD e GWM revela crise no mercado automotivo chinês

BYD Yuan Pro
Foto: BYD Yuan Pro- Foto: Instagram

A guerra de preços no setor automotivo chinês ganhou um novo capítulo com o embate público entre BYD e Great Wall Motor (GWM), duas gigantes do mercado, em maio de 2025. A tensão, desencadeada por declarações do presidente da GWM, Wei Jianjun, sobre a saúde financeira do setor, levou a uma resposta contundente da BYD, que defendeu sua solidez e acionou autoridades contra rumores. O conflito, centrado na competição acirrada e na sustentabilidade das montadoras, ocorre em um momento de descontos agressivos e expansão global, com reflexos em mercados como o Brasil. A disputa expõe os desafios de um mercado saturado, onde preços baixos pressionam margens e testam a resiliência das empresas.

O confronto começou durante um evento automotivo em Pequim, quando Wei Jianjun comparou a situação do setor ao colapso da Evergrande, sugerindo fragilidade financeira em algumas montadoras. A BYD, líder em vendas de veículos elétricos, interpretou a fala como uma crítica indireta e reagiu rapidamente. Li Yunfei, gerente de branding da empresa, usou a rede social Weibo para divulgar dados financeiros, destacando que a dívida de 580 bilhões de yuans reflete o crescimento acelerado da companhia.

A troca de acusações gerou repercussão nas redes sociais chinesas, com usuários especulando sobre a saúde financeira das montadoras. A BYD anunciou medidas legais contra difamação, enquanto a GWM optou pelo silêncio oficial, mas recebeu apoio de outras empresas do setor.

  • Principais pontos do conflito:
    • Declarações de Wei Jianjun sobre a “doença” do setor automotivo.
    • Resposta da BYD defendendo sua saúde financeira.
    • Ação legal contra rumores nas redes sociais.

Declarações amplificam tensões no setor

As falas de Wei Jianjun, presidente da GWM, ocorreram em um evento do setor em Pequim, no final de maio de 2025. Ele descreveu o mercado automotivo como “doente” devido à guerra de preços, que reduz margens de lucro e pressiona a sustentabilidade das empresas. A comparação com a crise da Evergrande, que enfrentou falência em 2021, gerou debates sobre a estabilidade financeira das montadoras chinesas.

Embora Wei não tenha citado nomes, a BYD, maior fabricante de veículos elétricos do país, respondeu diretamente. Li Yunfei publicou um texto detalhado no Weibo, onde comparou a dívida da BYD, de 580 bilhões de yuans (cerca de US$ 80 bilhões), com a de gigantes globais como Ford e Toyota. Segundo ele, a razão dívida/ativo de 70% é compatível com o ritmo de expansão da empresa, que abriu fábricas em países como Tailândia e Brasil.

A resposta da BYD incluiu um apelo à união do setor para competir com marcas globais, mas também anunciou ações legais contra usuários que espalharam rumores sobre sua situação financeira. A empresa informou que denúncias foram encaminhadas às autoridades chinesas para investigar postagens consideradas difamatórias.

Histórico de rivalidade entre BYD e GWM

A disputa entre BYD e GWM não é novidade. Em 2023, a GWM apresentou uma denúncia formal contra a BYD, alegando que os híbridos da concorrente, como o modelo Song Plus, não cumpriam normas de emissões. A BYD negou as acusações e respondeu com um chamado à colaboração entre montadoras chinesas para desafiar o domínio de marcas estrangeiras, como Tesla e Volkswagen.

O embate de 2023 terminou sem consequências legais significativas, mas deixou claro o clima de competição. Em 2025, a guerra de preços intensificou a rivalidade, com ambas as empresas lançando descontos agressivos para atrair consumidores. Modelos como o BYD Dolphin e o GWM Ora 03 Skin competem diretamente no segmento de elétricos acessíveis, com preços a partir de 100 mil yuans (cerca de US$ 14 mil).

  • Fatos da rivalidade:
    • Denúncia da GWM contra a BYD em 2023 por emissões.
    • Competição direta entre modelos elétricos acessíveis.
    • Declarações públicas intensificam o conflito em 2025.

Pressão financeira no mercado automotivo

A guerra de preços na China, iniciada em 2023, ganhou força em 2025 com incentivos fiscais do governo e promoções das montadoras. A BYD, que vendeu 3,8 milhões de veículos em 2024, reduziu preços de modelos como o Qin Plus e o Dolphin em até 15% no primeiro trimestre de 2025. A GWM, com 1,2 milhão de unidades vendidas no mesmo período, respondeu com descontos no Ora 03 e no Haval H6.

Dados do setor mostram que a margem de lucro das montadoras chinesas caiu para 4,8% em 2024, ante 6,5% em 2022. A pressão por preços baixos, aliada à saturação do mercado interno, força as empresas a buscar expansão global. A BYD, por exemplo, inaugurou uma fábrica em Camaçari, na Bahia, com capacidade para 150 mil veículos por ano, enquanto a GWM planeja uma unidade em São Paulo.

Apoio de outras montadoras à GWM

A GWM recebeu apoio de Zhu Huarong, presidente da estatal Changan Auto, que defendeu as declarações de Wei Jianjun. Zhu destacou que o setor enfrenta riscos reais, como a dependência de subsídios governamentais e a concorrência com marcas globais. Ele apontou que a guerra de preços pode comprometer investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Outras montadoras, como a Geely, também expressaram preocupação com a sustentabilidade do mercado. Em um comunicado, a Geely informou que planeja reduzir promoções em 2025 para proteger suas margens, priorizando exportações para a Europa e a América Latina.

  • Declarações de apoio:
    • Zhu Huarong, da Changan Auto, reforça alerta sobre riscos.
    • Geely planeja reduzir descontos para proteger lucros.
    • Setor debate sustentabilidade em meio à competição.

Comparativo financeiro das montadoras

A BYD defendeu sua saúde financeira com dados comparativos. A empresa possui uma dívida total estimada em US$ 80 bilhões, com uma razão dívida/ativo de 70%. Em contrapartida, a Ford enfrenta uma dívida de US$ 140 bilhões (80% de dívida/ativo), enquanto a Toyota mantém US$ 200 bilhões (60%). A Boeing, citada por Li Yunfei, registra US$ 58 bilhões, com uma razão superior a 100%.

Os números mostram que a BYD opera dentro de padrões aceitáveis para uma empresa em expansão. A GWM, embora não tenha divulgado dados recentes, informou em 2024 uma dívida de US$ 25 bilhões, com uma razão dívida/ativo de 65%.

Impacto no mercado global

A disputa entre BYD e GWM tem reflexos além da China. No Brasil, a BYD já comercializa modelos como o Dolphin e o Song Plus, enquanto a GWM lançou o Haval H6 e o Ora 03. Ambos os fabricantes oferecem preços competitivos, com o Dolphin custando a partir de R$ 149 mil e o Ora 03, R$ 150 mil.

A guerra de preços na China também afeta mercados como a Europa, onde a BYD planeja vender 500 mil veículos até 2026. A GWM, por sua vez, anunciou investimentos de US$ 1 bilhão para expandir sua presença na Alemanha e no Reino Unido.

  • Presença global:
    • BYD opera fábricas no Brasil, Tailândia e Hungria.
    • GWM planeja unidades em São Paulo e na Europa.
    • Competição por preços afeta mercados emergentes.

Incentivos e descontos no setor

O governo chinês ampliou incentivos para veículos elétricos em 2025, oferecendo subsídios de até 10 mil yuans por unidade. A medida visa estimular o consumo interno, mas também pressiona as montadoras a reduzir preços. A BYD anunciou descontos adicionais de 5% em modelos selecionados, enquanto a GWM oferece bônus de recompra para clientes do Ora 03.

A estratégia de descontos, porém, reduz as margens de lucro. Relatórios do setor indicam que montadoras menores, como a NIO, enfrentam prejuízos acumulados devido à incapacidade de competir com os preços da BYD e da GWM.

Reação nas redes sociais

A troca de acusações entre BYD e GWM gerou milhares de postagens no Weibo e no Douyin, plataformas populares na China. Usuários compartilharam memes comparando o embate a uma “guerra corporativa”, enquanto outros questionaram a transparência financeira das montadoras. A BYD intensificou sua comunicação online, publicando vídeos sobre sua linha de produção e depoimentos de clientes.

A GWM, por sua vez, focou em campanhas promocionais, destacando a qualidade de seus veículos. A empresa também patrocinou eventos automotivos regionais para reforçar sua imagem.

  • Atividade online:
    • Milhares de postagens no Weibo sobre o conflito.
    • BYD usa redes para divulgar dados financeiros.
    • GWM investe em campanhas promocionais.

Expansão e desafios no exterior

A BYD e a GWM enfrentam desafios logísticos e regulatórios em sua expansão global. Na Europa, novas tarifas sobre veículos elétricos chineses, impostas pela União Europeia em 2024, elevaram os custos de exportação. No Brasil, a burocracia para homologação de veículos atrasou o lançamento de novos modelos.

Apesar disso, ambas as empresas registram crescimento. A BYD exportou 400 mil veículos em 2024, enquanto a GWM atingiu 250 mil. Os números refletem a aposta das montadoras em mercados emergentes, onde a demanda por elétricos acessíveis cresce.