Anvisa libera Mounjaro para obesidade com preços a partir de R$ 1.406,75

Ozempic - Mounjaro - Canetinha

Ozempic - Mounjaro - Canetinha - Foto: Matthew Fowler/istockphoto.com

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em 9 de junho de 2025, a aprovação do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da obesidade, ampliando seu uso além do controle da diabetes tipo 2. Publicado no Diário Oficial da União, o aval permite que o medicamento, concorrente do Ozempic, seja prescrito para pacientes com obesidade associada a pelo menos uma comorbidade, como hipertensão ou doenças cardiovasculares. A decisão reforça a obrigatoriedade de retenção de receita médica para a compra, garantindo uso controlado. Disponível no Brasil desde maio, o Mounjaro é aplicado semanalmente por meio de canetas injetáveis, com preços que variam entre R$ 1.406,75 e R$ 2.384,34 por caixa, dependendo da dosagem e do canal de venda. A medida responde à crescente demanda por tratamentos eficazes contra a obesidade, uma condição que afeta milhões de brasileiros.

O medicamento, produzido pela Eli Lilly, destaca-se por sua ação dupla nos receptores de hormônios que regulam apetite e glicemia, oferecendo uma nova opção para pacientes. A seguir, detalhamos os principais aspectos dessa aprovação:

  • Indicações aprovadas: Uso para obesidade com comorbidades e diabetes tipo 2.
  • Formato e aplicação: Canetas injetáveis de 2,5 mg ou 5 mg, com administração semanal.
  • Disponibilidade: Já à venda em farmácias e e-commerce, com preços diferenciados.

A novidade coloca o Mounjaro como uma alternativa promissora no mercado de medicamentos para perda de peso, mas exige acompanhamento médico rigoroso.

Detalhes da nova indicação
A aprovação do Mounjaro para obesidade marca um avanço no combate a uma doença crônica que, segundo o Ministério da Saúde, atinge cerca de 20% da população adulta brasileira. A tirzepatida, princípio ativo do medicamento, atua nos receptores de GLP-1 e GIP, hormônios que controlam o apetite e o metabolismo de glicose. Estudos clínicos apontam que o medicamento pode promover uma redução de peso significativa, com perdas de até 20% do peso corporal em alguns pacientes após um ano de uso. A indicação, no entanto, é restrita a casos de obesidade com comorbidades, como diabetes, hipertensão ou dislipidemia, exigindo prescrição médica.

A Anvisa também reforçou a necessidade de controle na dispensação. Farmácias devem reter a receita no momento da venda, uma medida que visa evitar o uso indevido do medicamento, especialmente por pessoas sem indicação clínica.

Preços e acessibilidade
O custo do tratamento com Mounjaro varia conforme a dosagem e o canal de compra. A fabricante Eli Lilly oferece um programa de descontos que reduz os valores para vendas online e em lojas físicas. Confira os preços por caixa com quatro canetas:

  • Dosagem de 2,5 mg: R$ 1.406,75 (e-commerce pelo programa Lilly), R$ 1.506,76 (loja física pelo programa) ou R$ 1.907,29 (fora do programa).
  • Dosagem de 5 mg: R$ 1.759,64 (e-commerce pelo programa), R$ 1.859,65 (loja física pelo programa) ou R$ 2.384,34 (fora do programa).

Esses valores representam um investimento significativo para os pacientes, especialmente considerando que o tratamento é contínuo e exige acompanhamento médico. A Lilly informou que trabalha para ampliar o acesso ao medicamento, mas não detalhou possíveis parcerias com o sistema público de saúde.

Comparação com o Ozempic
O Mounjaro entra em um mercado competitivo, onde o Ozempic (semaglutida), fabricado pela Novo Nordisk, já é amplamente utilizado. Ambos os medicamentos compartilham semelhanças, como a administração injetável e a ação no receptor de GLP-1. No entanto, a tirzepatida se diferencia por atuar também no receptor de GIP, o que potencializa seus efeitos na redução de peso. Dados de ensaios clínicos sugerem que o Mounjaro pode superar o Ozempic em eficácia para perda de peso, embora os custos de ambos sejam comparáveis.

Pacientes que já utilizam o Ozempic relatam resultados positivos, mas a chegada do Mounjaro amplia as opções terapêuticas. Médicos destacam que a escolha entre os dois dependerá de fatores como resposta individual, comorbidades e orientação clínica.

Regulamentação e segurança
A Anvisa estabeleceu diretrizes rigorosas para o uso do Mounjaro. Além da retenção de receita, a agência exige que os fabricantes monitorem possíveis efeitos adversos, como náuseas, diarreia e riscos pancreáticos, comuns em medicamentos da mesma classe. A obrigatoriedade de prescrição médica também busca coibir o uso estético do medicamento, uma prática que tem crescido e gerado preocupações entre especialistas.

A agência informou que acompanhará a implementação da nova indicação, com foco na segurança dos pacientes. Farmacêuticos e médicos receberam orientações para reforçar a importância do uso supervisionado.

Impacto no mercado farmacêutico
A liberação do Mounjaro para obesidade deve aquecer o setor de medicamentos para perda de peso no Brasil. A obesidade é uma epidemia global, e o país acompanha essa tendência, com aumento nos casos nas últimas décadas. A chegada de novas opções terapêuticas pode pressionar concorrentes a ajustarem preços ou investirem em campanhas educativas.

Farmácias já relatam alta procura por medicamentos injetáveis para emagrecimento, e a inclusão do Mounjaro deve intensificar essa demanda. A Lilly, por sua vez, aposta em estratégias de marketing para destacar os diferenciais do medicamento, como sua ação dupla nos receptores hormonais.

Cronograma de disponibilidade
O Mounjaro já está disponível nas farmácias brasileiras desde maio de 2025, inicialmente para diabetes tipo 2. Com a nova aprovação, a expectativa é que as vendas se intensifiquem nas próximas semanas. A Lilly confirmou que o estoque está preparado para atender à demanda inicial, mas alertou que a procura pode superar as expectativas, especialmente em grandes centros urbanos.

  • Fases de distribuição:
    • Maio de 2025: Lançamento para diabetes tipo 2.
    • Junho de 2025: Expansão para obesidade com comorbidades.
    • Segundo semestre de 2025: Ampliação da rede de distribuição.

Curiosidades sobre a tirzepatida
A tirzepatida é resultado de anos de pesquisa em medicamentos para doenças metabólicas. Sua aprovação no Brasil segue um movimento global, com autorizações já concedidas em países como Estados Unidos e União Europeia. Alguns fatos destacam sua relevância:

  • Desenvolvida após estudos que identificaram o papel do GIP no metabolismo.
  • Primeiro medicamento a combinar ação em dois receptores hormonais.
  • Testada em mais de 5.000 pacientes em ensaios clínicos globais.
  • Apresenta taxa de adesão elevada devido à aplicação semanal.

Próximos passos no combate à obesidade
O Brasil enfrenta desafios significativos no controle da obesidade, com políticas públicas voltadas para prevenção e tratamento. A aprovação do Mounjaro complementa essas iniciativas, mas especialistas reforçam a importância de medidas como dieta equilibrada e atividade física. O medicamento, embora eficaz, é apenas uma ferramenta em um contexto mais amplo de cuidados com a saúde.

A Anvisa planeja monitorar o impacto da nova indicação, com relatórios periódicos sobre adesão e segurança. Enquanto isso, pacientes e médicos aguardam os primeiros resultados do uso ampliado do Mounjaro no país.

Veja Também