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Drones paralisam Guarulhos: voos desviados e caos no maior aeroporto do Brasil

Aeroporto de Guarulhos
Foto: Aeroporto de Guarulhos - Foto: dito:lucato/istock.com

Na noite de 11 de junho de 2025, o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, maior terminal aéreo do Brasil, suspendeu pousos e decolagens por cerca de uma hora devido à presença de drones sobrevoando a área de aproximação das pistas. Pilotos alertaram a torre de controle sobre os objetos, que representam risco à segurança da aviação. A interrupção gerou o desvio de ao menos 28 voos para outros aeroportos, como Campinas, Curitiba, Confins, Galeão e Ribeirão Preto, além de cancelamentos e atrasos. Passageiros enfrentaram filas, falta de informações e dificuldades logísticas, enquanto autoridades, incluindo a Polícia Militar, atuaram para localizar os operadores dos drones. O incidente expõe a crescente ameaça de drones em áreas aeroportuárias e a necessidade de medidas preventivas.

A paralisação começou por volta das 22h, quando controladores de tráfego aéreo receberam relatos de pilotos sobre drones próximos à rampa de aproximação. Um vídeo do canal Aviação Guarulhos JPD, no YouTube, capturou o momento em que um piloto sugeriu que um drone poderia estar filmando a aproximação final das aeronaves. A suspensão das operações foi imediata, seguindo protocolos de segurança. A normalização ocorreu às 23h18, após um helicóptero da Polícia Militar sobrevoar a região sem identificar novos drones.

Drone
Drone – Foto: Wpadington/istock.com

A medida, embora necessária, gerou transtornos significativos. Passageiros relataram longas esperas, voos cancelados e dificuldades para obter suporte das companhias aéreas. Jeferson Souza, que embarcaria para Cuiabá às 23h50, teve seu voo remarcado para o dia seguinte, lamentando no X: “Tive dois voos cancelados em dez dias. Não está fácil.” Outra passageira, desviada para Ribeirão Preto, enfrentou problemas para conseguir transporte de volta a São Paulo.

  • Principais impactos do incidente:
    • Desvio de 28 voos para outros aeroportos até 22h40.
    • Cancelamento de ao menos seis voos e atrasos em 35.
    • Filas extensas e reclamações por falta de informações.
    • Interrupção do Expresso Aeroporto da CPTM devido a alagamentos.

Ameaça crescente no espaço aéreo

O uso de drones em áreas próximas a aeroportos tem se tornado um problema recorrente no Brasil. Em 2023, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) registrou 59 casos de drones voando perto de aeródromos, quase o dobro dos 32 incidentes reportados em 2022. Em Guarulhos, episódios semelhantes já haviam causado transtornos, como a suspensão de voos por 30 minutos em novembro de 2023. Especialistas alertam que a colisão de um drone com uma aeronave pode resultar em acidentes graves, como panes em turbinas ou danos ao para-brisa.

Marilisa Mira Ramos, gerente de navegação aérea do Aeroporto de Guarulhos, destacou que um drone pode ser sugado por uma turbina, causando falhas mecânicas, ou colidir com o cockpit, comprometendo a visibilidade dos pilotos. Cyro Albuquerque, professor de engenharia mecânica da FEI, reforça que o impacto depende de fatores como a velocidade da aeronave e a estrutura do drone, mas o risco de tragédia é real.

Medidas de segurança em ação

A resposta ao incidente envolveu ações rápidas das autoridades. A torre de controle utilizou binóculos para identificar os drones, enquanto a Polícia Militar mobilizou o helicóptero Águia para patrulhar a região. A GRU Airport, concessionária que administra o terminal, acionou imediatamente os órgãos responsáveis, incluindo a Aeronáutica e a Polícia Federal, para investigar a origem dos drones. Apesar da normalização das operações na mesma noite, a concessionária não informou se os responsáveis foram identificados.

A Aeronáutica reforça que voos de drones a menos de 9 km de aeroportos são proibidos, exceto com autorização prévia. Em 2023, cerca de 346 mil voos de drones foram solicitados no Brasil, indicando a popularidade do equipamento e a dificuldade de fiscalização. A falta de dispositivos antidrones eficazes em Guarulhos agrava o problema, já que o aeroporto depende de câmeras e observação manual para detectar intrusos.

  • Ações tomadas durante o incidente:
    • Suspensão imediata de pousos e decolagens.
    • Mobilização do helicóptero Águia da Polícia Militar.
    • Uso de binóculos pela torre de controle para localizar drones.
    • Comunicação com pilotos para evitar aproximações perigosas.

Transtornos para passageiros

O impacto nos passageiros foi imediato. Além dos desvios, que obrigaram viajantes a desembarcar em cidades distantes, a falta de suporte logístico gerou críticas. Uma passageira que desembarcou em Ribeirão Preto relatou dificuldades para obter informações da companhia aérea e transporte para São Paulo, conseguindo hospedagem apenas após insistentes reclamações. No terminal de Guarulhos, filas se formaram nos balcões das companhias, com muitos passageiros tentando remarcar passagens ou encontrar alternativas.

A Gol, uma das empresas afetadas, confirmou que dois voos foram cancelados e dez foram desviados para outros aeroportos. A companhia informou que os passageiros receberam assistência conforme a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), incluindo reacomodações e reembolsos. A Latam, sem divulgar números, também reportou desvios e afirmou estar realocando os clientes impactados.

Histórico de interrupções em Guarulhos

O Aeroporto de Guarulhos, principal porta de entrada do Brasil, já enfrentou outras paralisações por motivos variados. Em janeiro de 2025, fortes chuvas causaram o desvio de 14 voos e o cancelamento de oito, afetando Congonhas e Guarulhos. Em 2022, protestos de bolsonaristas na rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao aeroporto, resultaram no cancelamento de 25 voos. Em abril de 2025, a invasão da pista por crianças obrigou uma aeronave a arremeter, evidenciando falhas de segurança no entorno do terminal.

Esses episódios reforçam a vulnerabilidade do aeroporto a fatores externos, desde condições climáticas até interferências humanas. A proximidade de bairros residenciais facilita o uso de drones, enquanto a falta de barreiras físicas em algumas áreas permite invasões. A GRU Airport orienta passageiros a verificar o status de seus voos, mas não detalhou planos para reforçar a segurança contra drones.

Regulação e tecnologia em debate

A crescente presença de drones exige avanços na regulação e na adoção de tecnologias antidrones. O Decea está desenvolvendo soluções para detectar e neutralizar drones em áreas sensíveis, mas a implementação ainda é limitada. Aeroportos como Viracopos, em Campinas, avaliam dispositivos de monitoramento, enquanto Guarulhos depende de câmeras nas cabeceiras das pistas e da vigilância manual. A Associação Aeroportos Brasil (ABR), que representa 59 terminais, defende que os aeródromos seguem normas de segurança, mas reconhece a necessidade de modernização.

Especialistas sugerem campanhas de conscientização em comunidades próximas a aeroportos, alertando sobre os riscos do uso indevido de drones. A Anac reforça que operar drones em áreas restritas é infração grave, passível de multas e sanções penais. A Polícia Federal, responsável por investigar o caso de 11 de junho, não divulgou informações sobre o andamento das apurações.

  • Possíveis medidas preventivas:
    • Instalação de sistemas antidrones com radares e interferidores.
    • Campanhas educativas em bairros próximos a aeroportos.
    • Fiscalização mais rigorosa de vendas e uso de drones.
    • Reforço nas penalidades para operadores irregulares.

Impacto no transporte público

A interrupção no aeroporto coincidiu com problemas no transporte público. A CPTM informou que o Expresso Aeroporto, da Linha 13-Jade, que conecta São Paulo a Guarulhos, foi suspenso a partir das 17h devido a alagamentos causados por chuvas. Passageiros que dependiam do trem enfrentaram dificuldades adicionais para chegar ou sair do terminal, agravando o caos logístico na noite do incidente.

Cenário climático no dia do incidente

O dia 11 de junho foi marcado por condições climáticas adversas em São Paulo. A cidade registrou a tarde mais fria do ano, com temperaturas na casa dos 10°C, devido a uma massa de ar polar. Campos do Jordão, no interior, bateu recorde de frio com 2,7°C. Chuviscos ocasionais e céu nublado contribuíram para a baixa visibilidade, o que pode ter dificultado a identificação dos drones pelas equipes de solo.

Demanda por soluções urgentes

O incidente reacende o debate sobre a segurança aérea em um dos aeroportos mais movimentados da América Latina. Com milhões de passageiros anuais, Guarulhos enfrenta desafios crescentes para manter operações estáveis diante de ameaças como drones, chuvas intensas e protestos. A ausência de tecnologias antidrones eficazes e a dificuldade de fiscalização em áreas urbanas próximas ao aeroporto exigem respostas rápidas das autoridades e da iniciativa privada.

A Anac e a Aeronáutica acompanham o caso, mas não divulgaram prazos para a adoção de novas medidas. Enquanto isso, passageiros e companhias aéreas lidam com os prejuízos financeiros e logísticos causados pela paralisação. A expectativa é que investigações identifiquem os responsáveis pelos drones e que o episódio acelere investimentos em segurança aérea.