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Laudo aponta asfixia violenta em morte de empresário no Autódromo de Interlagos

Adalberto Amarilio
Foto: Adalberto Amarilio - Arquivo pessoal

Um empresário de 35 anos, Adalberto Amarilio Júnior, foi encontrado sem vida em um buraco de obra no Autódromo de Interlagos, Zona Sul de São Paulo, no dia 3 de junho de 2025. A morte, inicialmente tratada como suspeita, foi confirmada como violenta por asfixia, segundo laudo necroscópico da Polícia Técnico-Científica. O caso, que chocou a cidade, ocorreu após o desaparecimento de Adalberto em 30 de maio, durante um evento de motociclismo. Escoriações no pescoço sugerem possível esganadura, e a polícia investiga se ele foi vítima de um crime. A falta de álcool ou drogas no corpo e a ausência de traumas graves aprofundam o mistério.

O caso ganhou destaque pela complexidade das circunstâncias. Adalberto, que deixou o evento por volta das 19h48, enviou uma mensagem à esposa, Fernanda, informando que iria jantar em casa. Câmeras de segurança registraram seus últimos momentos no estacionamento, mas o que aconteceu entre o evento e o buraco de 3 metros de profundidade permanece incerto. A investigação agora foca em possíveis confrontos no trajeto até o carro, estacionado irregularmente no kartódromo.

  • Fatos principais do caso:
    • Corpo encontrado quatro dias após o desaparecimento.
    • Laudo aponta asfixia por compressão pulmonar.
    • Escoriações no pescoço indicam possível violência.
    • Polícia suspeita de crime, mas motivação é desconhecida.

A esposa de Adalberto, Fernanda, de 34 anos, reforça a tese de crime, destacando que ele não teria motivo para entrar voluntariamente no buraco, ainda mais sem calças e sapatos. A investigação avança com depoimentos e análises periciais, mas muitas perguntas seguem sem resposta.

Detalhes da investigação policial
A Polícia Civil, sob comando do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), intensificou os esforços para esclarecer a morte de Adalberto. A delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, sugere que o empresário pode ter sido vítima de uma abordagem violenta. Uma das hipóteses é que ele tenha sido pressionado, possivelmente com um golpe como mata-leão, antes de ser colocado no buraco. A ausência de fraturas ou traumas graves no corpo, conforme exames do Instituto Médico Legal (IML), reforça a teoria de asfixia por compressão torácica.

Os investigadores aguardam laudos complementares, como o exame de DNA do sangue encontrado no carro de Adalberto. As manchas, localizadas em quatro pontos do veículo, ainda não foram confirmadas como pertencentes à vítima. A polícia considera que o sangue pode ser anterior ao crime, o que complicaria a conexão direta com a morte. Além disso, a perícia no celular de Adalberto revelou que ele ficou sem sinal após as 19h48, horário da última mensagem enviada à esposa.

A elaboração de um mapa 3D pelo Instituto de Criminalística (IC) está em andamento. A técnica de espelhamento busca reconstruir o trajeto de Adalberto desde o evento até o local da obra, uma área restrita cercada por tapumes. A suspeita é que quem colocou o corpo no buraco conhecia bem o autódromo, o que levou à convocação de seguranças e funcionários do evento para depoimentos.

O evento e o desaparecimento
Adalberto Amarilio Júnior, conhecido no meio do kartismo como tricampeão paulista, chegou ao Autódromo de Interlagos por volta das 12h30 de 30 de maio. Ele participava de um festival de motos, onde foi visto pela última vez por seu amigo Rafael. Segundo o depoimento de Rafael, os dois consumiram cerveja e maconha durante o show do cantor Matuê, que começou às 19h45. Contudo, o laudo do IML contradiz a presença de substâncias no organismo de Adalberto, gerando dúvidas sobre o relato.

Por volta das 20h30, Adalberto informou que iria ao estacionamento buscar seu carro, estacionado irregularmente no kartódromo, possivelmente para evitar o custo do estacionamento oficial. A distância entre o evento e o local onde o corpo foi encontrado é de cerca de 200 metros, mas não há imagens dele chegando ao veículo. A polícia investiga se ele foi abordado nesse trajeto, possivelmente por seguranças ou terceiros.

  • Cronologia inicial:
    • 12h30: Adalberto chega ao evento.
    • 19h48: Envia mensagem à esposa.
    • 20h30: Diz a Rafael que vai ao carro.
    • 21h12: Mensagem da esposa não é recebida.
    • 3 de junho: Corpo é encontrado na obra.
Buraco onde empresário foi encontrado
Buraco onde empresário foi encontrado – Foto: reprodução TV globo

Hipóteses criminais em análise
A principal linha de investigação aponta para um ato criminoso. A delegada Ivalda Aleixo destacou que Adalberto provavelmente foi colocado no buraco desacordado, mas ainda vivo, o que sugere que a asfixia pode ter ocorrido dentro do espaço confinado. A presença de escoriações no pescoço levanta a possibilidade de esganadura, embora a compressão torácica seja a causa confirmada da morte.

Outra teoria, menos provável, cogita um golpe conhecido como “boa noite, Cinderela”, mas a ausência de drogas no organismo de Adalberto enfraqueceu essa hipótese. A polícia também considera que o empresário pode ter se envolvido em uma briga ao tentar acessar uma área restrita. A falta de calças e sapatos no corpo reforça a ideia de que ele foi movido após um confronto.

Sete seguranças, incluindo chefes de segurança, já prestaram depoimento. Com 188 profissionais trabalhando no evento, a polícia planeja ouvir pelo menos metade deles. A investigação também analisa imagens de câmeras de segurança, que mostram Adalberto chegando ao evento e caminhando pelo estacionamento, mas não registram o momento exato de sua abordagem.

Reações da família e amigos
Fernanda, esposa de Adalberto, expressou profunda dor e convicção de que o marido foi vítima de um crime. Casados há oito anos, o casal planejava ter um filho em 2025. Em entrevista, ela destacou a improbabilidade de Adalberto entrar voluntariamente no buraco, reforçando que ele estava a caminho do carro para voltar para casa. Nas redes sociais, Fernanda lamentou a perda, descrevendo o marido como o amor de sua vida.

Amigos do meio do kartismo também prestaram homenagens. O piloto Paul Robison, em uma publicação no Instagram, descreveu Adalberto como um “irmão” e “campeão”, lamentando a perda para a comunidade. A ausência de movimentações financeiras na conta de Adalberto, confirmada pela família, descarta a possibilidade de roubo como motivação primária.

Avanços periciais no caso
A perícia tem sido essencial para esclarecer os detalhes da morte. O laudo necroscópico, entregue em 17 de junho, confirmou a asfixia como causa, descartando lesões traumáticas graves ou violência sexual. A análise subungueal, que verifica materiais sob as unhas, ainda está em andamento e pode indicar sinais de luta corporal. Exames toxicológicos e anatomopatológicos também são aguardados para complementar as descobertas.

O Instituto de Criminalística trabalha na reconstrução do trajeto de Adalberto. O mapa 3D, em fase de elaboração, detalhará o caminho entre o evento, o estacionamento e o buraco da obra, uma estrutura de 3 metros de profundidade e 70 centímetros de diâmetro. A área, isolada por tapumes, era parte de uma obra de requalificação da pista e construção de um novo muro, segundo a Prefeitura de São Paulo.

Possíveis envolvidos e depoimentos
A polícia concentrou esforços em ouvir testemunhas e possíveis envolvidos. Rafael, amigo de Adalberto, prestou novo depoimento em 12 de junho, mas segue como testemunha, não suspeito. Sua narrativa sobre o consumo de álcool e maconha foi questionada pelo laudo do IML, o que levou a uma reavaliação de sua versão.

Além dos seguranças, três organizadores do evento foram ouvidos em 9 de junho, fornecendo detalhes sobre a logística e o funcionamento do festival. A polícia também analisa a possibilidade de Adalberto ter sido ameaçado anteriormente, já que um vizinho o teria confrontado com uma faca em um incidente anterior, conforme apurado.

  • Pessoas ouvidas até agora:
    • Rafael, amigo de Adalberto.
    • Sete seguranças e chefes de segurança.
    • Três organizadores do evento.
    • Outros funcionários do autódromo (em andamento).

Mistérios ainda não resolvidos
Apesar dos avanços, o caso permanece envolto em dúvidas. A motivação do crime, se confirmado, é um dos maiores enigmas. Fernanda afirmou que Adalberto não tinha inimigos conhecidos, e a ausência de movimentações financeiras reforça a falta de um motivo claro. A localização do corpo, sem calças e sapatos, sugere que ele foi movido, mas não está claro onde a abordagem inicial ocorreu.

A polícia também investiga a calça encontrada próxima ao autódromo, que pode ser a que Adalberto usava. A peça, achada por garis em 5 de junho, está sob análise pericial. As botas do empresário, mencionadas em alguns relatos, também não foram localizadas.

Próximos passos da investigação
A Polícia Civil planeja intensificar a coleta de depoimentos, com foco nos 188 profissionais que trabalharam no evento. A análise das câmeras de segurança, embora limitada, continua sendo revisada para identificar possíveis suspeitos. O laudo de DNA do sangue no carro, esperado para os próximos dias, pode trazer novas pistas ou descartar a relevância do material.

O mapa 3D do Instituto de Criminalística será crucial para confirmar o trajeto de Adalberto e identificar pontos onde ele pode ter sido abordado. A polícia também avalia a possibilidade de simular o crime no local, usando técnicas de reconstituição, para esclarecer a dinâmica dos eventos.

A obra no Autódromo de Interlagos
A obra onde o corpo foi encontrado estava em andamento desde antes do evento. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o projeto envolve a requalificação da pista de arrancada e a construção de um novo muro perimetral. A área, isolada por barreiras de concreto, tinha acesso restrito, o que reforça a suspeita de que o responsável pelo crime conhecia o local. Os trabalhos foram suspensos após a descoberta do corpo e seguem paralisados até a liberação pela polícia.

Perfil de Adalberto Amarilio Júnior
Adalberto, além de empresário, era optometrista e apaixonado por kart. Sua trajetória como tricampeão paulista no esporte o tornou conhecido na comunidade. Ele era descrito como uma pessoa alegre e sem conflitos aparentes. Sua morte chocou amigos e familiares, que acompanham a investigação em busca de respostas.