A Polícia Civil de São Paulo investiga como homicídio a morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Júnior, de 35 anos, encontrado em 3 de junho de 2025 dentro de um buraco de três metros numa obra no Autódromo de Interlagos, zona sul da capital. Desaparecido desde 30 de maio, após participar do Festival Interlagos Edição Moto, Adalberto foi vítima de asfixia por compressão torácica, possivelmente por um golpe mata-leão, segundo laudos do Instituto Médico Legal. Manchas de sangue, incluindo de uma mulher não identificada, foram achadas no carro dele, e a polícia suspeita de uma briga com seguranças na área restrita do evento. Sob sigilo de Justiça, o caso mobiliza o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que analisa câmeras, depoimentos de 180 seguranças e laudos toxicológicos. Fernanda Dândalo, esposa da vítima, cobra respostas para o crime que chocou a família.
A investigação descartou latrocínio, já que carteira, celular e aliança de Adalberto estavam com o corpo. A ausência de fraturas e a presença de escoriações sugerem violência antes da morte.
O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais, intriga pela complexidade das evidências, como o capacete rachado e a câmera desaparecida.
- O que se sabe até agora:
- Adalberto morreu por asfixia, com sinais de compressão torácica.
- Sangue dele e de uma mulher foram encontrados no carro.
- O corpo estava sem calça e tênis, em um buraco de obra.
- A polícia trata o caso como homicídio, com suspeita de briga.
Evidências no veículo
A perícia no carro de Adalberto revelou manchas de sangue humano em quatro pontos: bancos dianteiro e traseiro, porta do passageiro e assoalho. Exames confirmaram que parte do sangue pertence à vítima, mas, surpreendentemente, amostras também indicaram a presença de DNA de uma mulher ainda não identificada. Uma nova perícia foi solicitada para confrontar os perfis genéticos e esclarecer a origem do material.
Os investigadores consideram que o sangue pode indicar uma luta dentro ou próximo ao veículo antes de Adalberto ser levado ao buraco. A ausência de marcas de arranhões nas paredes do carro sugere que a vítima não se debateu intensamente, o que reforça a hipótese de que ele estava inconsciente, possivelmente imobilizado por um golpe como mata-leão.
A descoberta do sangue de uma mulher abriu uma nova linha de investigação, com a polícia rastreando possíveis testemunhas femininas no evento, que reuniu cerca de 20 mil pessoas.
Local do crime
O corpo de Adalberto foi encontrado em um buraco de três metros de profundidade e 45 centímetros de diâmetro, parte de uma obra de requalificação do autódromo, cercada por tapumes e barreiras. A área restrita, próxima ao kartódromo, exigiria conhecimento prévio para acesso, sugerindo que o responsável pelo crime estava familiarizado com o local.
O empresário estava sem calça, tênis e a câmera do gorro, mas com carteira, celular e aliança intactos. O capacete, rachado, foi interpretado como um possível instrumento de defesa. A polícia usou a técnica de espelhamento para mapear o trajeto de Adalberto, indicando que ele cortou caminho por uma área vigiada ao sair do evento às 21h15.
- Características do local:
- Buraco de 3 metros por 45 cm, em obra isolada.
- Acesso restrito, com tapumes e barreiras.
- Distância de 200 metros do estacionamento.
- Sem marcas de tentativa de fuga nas paredes.
Perfil da vítima
Adalberto, de 35 anos, era um optometrista e empresário do ramo óptico, com lojas em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo. Casado há oito anos com Fernanda Dândalo, ele planejava ter um filho em 2025. Apaixonado por velocidade, participava de corridas de kart, sendo tricampeão paulista, e eventos de motos, como o Festival Interlagos.
Nas redes sociais, exibia troféus, viagens de moto e ações beneficentes, como arrecadações para instituições. Sua esposa e amigos afirmaram que ele não tinha inimigos, o que torna o motivo do crime ainda mais enigmático. A polícia apura se o empresário foi vítima de uma abordagem casual ou de um crime planejado.
Laudos periciais
O laudo necroscópico confirmou asfixia por compressão torácica como causa da morte, com escoriações no pescoço, joelhos e corpo, indicando agressões antes do óbito. A ausência de fraturas descartou queda acidental, e lesões no pulmão reforçam a suspeita de um golpe de imobilização, como mata-leão.
O exame toxicológico foi negativo para álcool e drogas, apesar do depoimento de um amigo, Rafael, que alegou consumo de cerveja e maconha no evento. O intervalo de três dias entre a morte e a coleta pode ter eliminado vestígios. A análise de material sob as unhas da vítima, ainda em andamento, pode revelar sinais de luta ou DNA de agressores.
Depoimentos e testemunhas
Mais de 15 pessoas foram ouvidas, incluindo a esposa Fernanda, o amigo Rafael e cinco seguranças do evento, que contou com 180 agentes. Rafael, que acompanhava Adalberto, relatou que ele parecia agitado, mas sem conflitos, e se despediu às 21h15 para buscar o carro. No dia seguinte, Rafael voltou ao autódromo com Fernanda, mas foi assaltado, perdendo moto e celular.
Os organizadores do evento e o chefe de segurança prestaram depoimentos, mas não foram considerados suspeitos. A polícia analisa possíveis contradições, especialmente sobre o trajeto de Adalberto, que passou por uma área restrita vigiada.
- Depoimentos-chave:
- Fernanda Dândalo: Último contato às 19h48, sem respostas após 21h12.
- Rafael: Viu Adalberto sair às 21h15, relatou consumo de álcool e maconha.
- Seguranças: Cerca de 180 agentes, cinco já ouvidos.
- Organizadores: Descreveram layout do evento e acessos.
Hipóteses investigativas
A principal linha de investigação aponta para uma briga com seguranças, possivelmente após Adalberto acessar uma área restrita. A polícia suspeita que ele foi imobilizado por mais de uma pessoa, com um golpe mata-leão e contenção das pernas, explicando a ausência de calça e tênis. Uma lesão no joelho indica que ele estava vivo durante a agressão.
Outra hipótese, menos provável, é o golpe “boa noite, Cinderela”, com Adalberto dopado no carro antes de ser levado ao buraco. A presença de sangue de uma mulher desconhecida sugere a participação de terceiros, mas a polícia descarta latrocínio devido aos pertences intactos.
Análise de câmeras
A polícia revisa horas de imagens de câmeras do autódromo, focando em portões de entrada e saída. Adalberto foi filmado chegando às 12h30, mas não há registros dele saindo. Um croqui em 3D, criado com a técnica de espelhamento, mapeia o trajeto entre o evento, o estacionamento e o buraco, a 200 metros de distância.
As câmeras não captaram movimentações suspeitas na área da obra, cercada por tapumes, o que reforça a suspeita de que o responsável conhecia o local. A ausência da câmera do capacete intriga os investigadores, que apuram se ela foi removida para ocultar evidências.
Repercussão familiar
Fernanda Dândalo, de 34 anos, descreveu a morte do marido como um “pesadelo sem respostas”. Em depoimento, ela confirmou que Adalberto não tinha inimigos e que a conta bancária não registrou movimentações após o desaparecimento. A família organizou buscas nas redes sociais, com apoio de amigos e pilotos, antes da localização do corpo.
A viúva cobrou agilidade nas investigações, especialmente após a descoberta do sangue de uma mulher. A polícia mantém contato com a família, mas o sigilo de Justiça limita a divulgação de detalhes.
Curiosidades do caso
Adalberto era conhecido por ações beneficentes, arrecadando alimentos e brinquedos em eventos de kart. Sua paixão por velocidade o levou a competir em kartódromos desde os 20 anos, conquistando três títulos paulistas. O Festival Interlagos, que atraiu 200 mil pessoas, foi o último evento que ele frequentou.
O buraco onde o corpo foi encontrado fazia parte de uma obra de R$ 50 milhões para modernizar o autódromo. A presença de sangue de uma mulher no carro é o primeiro caso em Interlagos com tal evidência em 2025.
- Detalhes do evento e vítima:
- Festival Interlagos reuniu 200 mil pessoas.
- Adalberto era tricampeão paulista de kart.
- Obra no autódromo custou R$ 50 milhões.
- Sangue de mulher é pista inédita em 2025.
