Linn da Quebrada detalha recomeços e autoconhecimento em nova fase da vida
Lina Pereira, conhecida como Linn da Quebrada, abriu o coração em uma entrevista reveladora à Glamour Brasil, onde é capa da edição de junho de 2025. Aos 34 anos, a multiartista reflete sobre sua participação no Big Brother Brasil 2022, sua luta contra o abuso de substâncias e o processo de reconexão com sua essência. Nascida em Votuporanga, interior de São Paulo, Lina revisita sua infância marcada por ausências e a construção de sua identidade em meio a desafios familiares, religiosos e sociais. A entrevista, conduzida por Malu Pinheiro, destaca sua maturidade e serenidade ao enfrentar recaídas e internações, além de sua paixão pela arte, como no filme Vitória, contracenando com Fernanda Montenegro. Lina oferece um relato íntimo sobre recomeços, autoconhecimento e a força que a tornou um ícone de coragem e autenticidade.
A trajetória de Lina é um mosaico de rupturas e reconstruções. Ela compartilha como o BBB a confrontou com sua vulnerabilidade, um marco em sua jornada de aceitação pessoal. A luta contra as substâncias, iniciada antes do reality e intensificada com internações em 2024, é narrada com honestidade, destacando a importância do apoio de pessoas próximas. Sua história ressoa com quem busca compreender as complexidades da saúde mental e da identidade.
- Momentos-chave da entrevista:
- Participação transformadora no BBB 2022.
- Luta pública contra o abuso de substâncias.
- Reencontro com a arte no filme Vitória.
- Reflexões sobre infância e sexualidade.
Essa narrativa, publicada em 25 de junho de 2025, reforça o impacto de Lina como uma voz potente na cultura brasileira, celebrando sua humanidade e resiliência.
Infância marcada por ausências
Lina Pereira cresceu em Votuporanga, em uma família de poucos recursos financeiros. A ausência do pai, que a abandonou junto com a mãe, foi um dos primeiros impactos em sua vida. Criada inicialmente por uma tia, que assumiu o papel materno, Lina encontrou nela o primeiro exemplo de amor. No entanto, a carência afetiva era uma constante. “Eu era uma criança carente de afeto, talvez de um amor de mãe, mesmo sem entender isso na época”, revelou. A mudança para viver com a mãe, entre os 12 e 14 anos, trouxe novos desafios, rompendo o vínculo forte com a tia.
A religião também moldou sua infância. Como Testemunha de Jeová, Lina encontrou uma “segunda família” na congregação, mas também enfrentou limitações rígidas. As regras religiosas contrastavam com suas descobertas pessoais, especialmente em relação à sexualidade. Essas tensões culminaram em momentos de culpa e conflito interno, que mais tarde dariam lugar a sua emancipação.
Ruptura com a religião
A sexualidade foi um ponto de virada na vida de Lina. Criada em um ambiente onde tais questões eram tabu, ela enfrentou momentos de angústia. “Me lembro de chorar, com as mãos ainda cheias de sêmen, pedindo perdão”, contou, descrevendo a masturbação como um ato carregado de culpa. Aos 17 anos, um episódio marcante mudou sua trajetória: ao se montar como mulher pela primeira vez, em uma boate, foi vista por membros da congregação.
Confrontada pela comunidade religiosa, Lina optou por não se arrepender. A decisão resultou em sua expulsão da congregação, um momento de dor, mas também de coragem. “Foi quando tomei meu corpo para mim”, afirmou. Esse rompimento marcou o início de sua jornada de autodescoberta, apoiada por um grupo de amigos que também exploravam suas identidades.
O impacto do Big Brother Brasil
A participação de Lina no BBB 2022 foi um divisor de águas. Entrando como Linn da Quebrada, no grupo Camarote, ela buscava mostrar ao público quem era Lina Pereira. O reality, no entanto, revelou sua fragilidade. “Eu queria ter sido mais Linn lá dentro, mas não consegui”, admitiu. A experiência a colocou frente a frente com vulnerabilidades que ela mesma desconhecia, humanizando-a perante o público.
O BBB também marcou o início de sua jornada de distanciamento das substâncias. “Foi meu primeiro rehab, de certa forma”, disse. A exposição no programa trouxe reconhecimento, mas também desafios emocionais, que ela enfrentou com honestidade ao sair da casa.
- Lições do BBB:
- Conexão com a vulnerabilidade pessoal.
- Visibilidade para sua história como travesti.
- Primeiro passo na luta contra substâncias.
Luta contra o abuso de substâncias
Lina enfrentou o abuso de substâncias por anos, uma batalha que ganhou visibilidade em 2024. Sua primeira internação, em uma comunidade terapêutica em Itu, durou três meses e foi motivada por depressão e dependência. “Eu não queria a internação, mas pessoas ao meu lado me alertaram”, revelou. Após um período de recuperação, uma recaída a levou de volta à clínica.
Hoje, Lina reflete sobre a importância desse processo. A presença de amigos e profissionais foi crucial para que ela aceitasse ajuda. Sua história destaca a complexidade da saúde mental, mostrando que recaídas fazem parte do caminho, mas não definem o destino.
A arte como refúgio
A arte sempre foi um pilar na vida de Lina. Após a expulsão da congregação, o teatro lhe deu “superpoderes”, permitindo explorar seu corpo e identidade de forma libertadora. Mais recentemente, o filme Vitória, onde contracenou com Fernanda Montenegro, reacendeu sua paixão por atuar. “Me ver na tela foi emocionante”, contou.
O papel no filme, gravado antes de suas internações, trouxe um senso de validação artística. A história de dona Joana, uma mulher de coragem, ressoou com a jornada de Lina, reforçando seu desejo de continuar explorando a atuação.
Apoio de amigos e comunidade
Durante os momentos mais difíceis, Lina contou com um círculo de apoio essencial. Na adolescência, amigos que também descobriam suas sexualidades foram uma rede de cumplicidade. Mais tarde, durante as internações, pessoas próximas a ajudaram a reconhecer a necessidade de ajuda. “Quando você está adoecida, não consegue tomar as melhores decisões”, explicou.
Essa rede de afeto foi fundamental para sua recuperação, mostrando a importância de conexões genuínas em processos de superação.
Recomeços e autoconhecimento
Aos 34 anos, Lina Pereira vive um momento de serenidade. A maturidade conquistada após anos de desafios reflete-se em sua forma de encarar a vida. “Hoje, vejo o quanto esse processo foi necessário”, afirmou, referindo-se às internações e recaídas. Sua jornada é um convite à reflexão sobre a importância de acolher as próprias fragilidades.
- Pilares do recomeço:
- Aceitação da vulnerabilidade.
- Reconexão com a arte.
- Apoio de pessoas próximas.
Legado de Linn da Quebrada
Linn da Quebrada transcende a persona artística. Como Lina Pereira, ela humaniza a experiência de ser travesti no Brasil, desafiando estereótipos e inspirando autenticidade. Sua participação no BBB, sua luta pela saúde mental e seu trabalho artístico consolidam seu papel como uma voz de resistência e transformação.
A entrevista para a Glamour Brasil, publicada em 25 de junho de 2025, é um marco em sua trajetória, celebrando não apenas suas conquistas, mas também sua humanidade. Lina segue como um símbolo de coragem, mostrando que recomeços são possíveis com autoconhecimento e apoio.
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