Ronaldo desiste da CBF, mas promete impacto no futebol brasileiro

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Ronaldo CBF Foto: Ronaldo - Foto: Youtube

Ronaldo Nazário, um dos maiores ídolos do futebol mundial, anunciou sua desistência da candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em março de 2025, após enfrentar resistência de 23 das 27 federações estaduais. A decisão, revelada no podcast Denilson Show, expôs as dificuldades de romper com o sistema eleitoral da entidade, dominado pelas federações regionais. Apesar do revés, o ex-jogador deixou claro que não abandonará o futebol brasileiro, prometendo buscar outras formas de contribuir para a renovação do esporte no país. A notícia gerou debates sobre a necessidade de reformas na estrutura de poder da CBF, enquanto Ronaldo criticou abertamente o modelo que, segundo ele, impede a entrada de novas lideranças. O caso reflete um momento de transição no futebol brasileiro, que enfrenta desafios dentro e fora dos gramados.

A trajetória de Ronaldo na tentativa de liderar a CBF começou em dezembro de 2024, quando anunciou sua intenção de concorrer contra o então presidente Ednaldo Rodrigues. Com a promessa de “recuperar o prestígio” da seleção brasileira, o ex-atacante planejava dialogar com as federações e clubes para apresentar um projeto inovador. No entanto, o que ele encontrou foi um cenário de portas fechadas, com a maioria das federações se recusando a ouvi-lo, alegando apoio à gestão atual.

  • Objetivo inicial: Restaurar a credibilidade da CBF e do futebol brasileiro.
  • Desafio enfrentado: Resistência das federações, que controlam o processo eleitoral.
  • Próximos passos: Ronaldo sinalizou que buscará outras formas de atuar no esporte.

O impacto da desistência de Ronaldo vai além da CBF, reacendendo discussões sobre a governança do futebol no Brasil. A seleção brasileira, que não vence uma Copa do Mundo desde 2002, vive um período de instabilidade, e a entidade enfrenta críticas por sua gestão e falta de transparência.

Sistema eleitoral sob crítica
O processo eleitoral da CBF é um dos principais alvos das críticas de Ronaldo. Composto por 27 federações estaduais, cada uma com três votos, 20 clubes da Série A, com dois votos cada, e 20 clubes da Série B, com um voto cada, o sistema dá peso desproporcional às federações. Essa estrutura, segundo o ex-jogador, dificulta a entrada de novos candidatos e perpetua o controle de grupos estabelecidos. Em entrevista, Ronaldo destacou que “nunca houve uma eleição na CBF com mais de um candidato”, apontando para a falta de competitividade e abertura no processo.

A tentativa de Ronaldo de dialogar com as federações foi frustrada rapidamente. Ele enviou e-mails formais a todas as 27 entidades, solicitando reuniões presenciais para apresentar suas propostas. Em menos de 48 horas, 23 delas rejeitaram o convite, muitas sem justificar a decisão além de expressar satisfação com a administração de Ednaldo Rodrigues.

O caso de Ronaldo não é isolado. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, também tentou concorrer à presidência da CBF, mas não conseguiu o apoio necessário das federações, apesar de ter respaldo de 29 clubes. Essa barreira evidencia o domínio das federações regionais, que muitas vezes priorizam alianças políticas em detrimento de mudanças estruturais.

Reações no meio esportivo
A desistência de Ronaldo gerou reações variadas entre torcedores, jornalistas e ex-jogadores. Muitos lamentaram a oportunidade perdida de ter uma figura de peso como o Fenômeno à frente da CBF, enquanto outros questionaram se ele teria a experiência administrativa necessária para o cargo. No Denilson Show, o ex-jogador foi enfático ao afirmar que sua campanha estava preparada, com orçamento e equipe prontos para viajar pelo Brasil e dialogar com as federações.

  • Apoio recebido: Apenas Reinaldo Carneiro Bastos e Mauro Silva, da Federação Paulista, abriram espaço para diálogo.
  • Críticas ao processo: Ronaldo e outros ex-jogadores, como Cafu e Dunga, pediram maior transparência na gestão da CBF.
  • Protestos dos clubes: Em maio de 2025, 20 clubes das Séries A e B boicotaram uma eleição da CBF, alegando falta de democracia no processo.
  • Demanda por reformas: A pressão por mudanças no estatuto da CBF ganhou força com o caso.

O boicote dos clubes, liderado por gigantes como Flamengo e Corinthians, foi um marco na contestação ao modelo atual. Esses clubes argumentam que, apesar de serem os principais responsáveis pela popularidade do futebol brasileiro, têm influência limitada nas decisões da entidade.

Histórico de polêmicas na CBF
A CBF enfrenta críticas há décadas, com episódios que vão desde denúncias de corrupção até decisões questionáveis na gestão da seleção brasileira. Ednaldo Rodrigues, reeleito unanimemente em março de 2025 após a desistência de Ronaldo, foi alvo de controvérsias, incluindo acusações de irregularidades em sua primeira eleição, em 2022, e de usar brechas no estatuto para antecipar o pleito de 2026.

Ronaldo, ao anunciar sua candidatura, destacou a necessidade de “limpar a imagem” do futebol brasileiro, que, segundo ele, perdeu prestígio internacional. A seleção brasileira, que já foi sinônimo de excelência, enfrenta dificuldades em competições recentes, ocupando a quinta posição nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2026. A chegada de Carlo Ancelotti como técnico, confirmada em 2025, é vista como uma tentativa de reverter esse cenário, mas a instabilidade na gestão da CBF permanece um obstáculo.

A história da CBF é marcada por presidentes que enfrentaram escândalos. Rogério Caboclo, antecessor de Rodrigues, foi afastado em 2021 por acusações de assédio moral e sexual. Antes dele, Ricardo Teixeira e José Maria Marin foram envolvidos em casos de corrupção ligados à FIFA. Esses episódios reforçam a percepção de que a entidade precisa de uma reforma profunda, algo que Ronaldo prometia liderar.

Planos futuros de Ronaldo
Apesar do fracasso na candidatura, Ronaldo deixou claro que seu compromisso com o futebol brasileiro está longe de acabar. No podcast, ele mencionou a possibilidade de atuar em outras frentes, como projetos de investimento ou iniciativas para fortalecer os clubes e as categorias de base. Sua experiência como proprietário majoritário do Cruzeiro, entre 2021 e 2024, e do Real Valladolid, na Espanha, demonstra sua capacidade de gestão no esporte, embora com resultados mistos.

  • Cruzeiro: Sob sua gestão, o clube voltou à Série A, mas enfrentou críticas por questões financeiras.
  • Real Valladolid: Ronaldo vendeu sua participação em 2025, alegando que o projeto não seria obstáculo para sua campanha na CBF.
  • Novas iniciativas: Ele planeja dialogar com clubes e ex-jogadores para propor mudanças no futebol brasileiro.

A desistência de Ronaldo também reacendeu o debate sobre o papel de ex-jogadores na gestão do esporte. Figuras como Cafu, Dunga e até Kaká já manifestaram preocupação com a falta de espaço para atletas no comando da CBF. A carta aberta assinada por esses ídolos, exigindo maior transparência e uma reunião com a FIFA, é um sinal de que a pressão por mudanças deve continuar.

Demanda por transparência
A resistência enfrentada por Ronaldo expôs a necessidade de reformar o estatuto da CBF. A concentração de poder nas federações estaduais, muitas delas com pouca representatividade no cenário nacional, é vista como um entrave para a modernização do futebol brasileiro. O ex-jogador chegou a contatar a FIFA e a Conmebol, pedindo monitoramento do processo eleitoral, mas não obteve respostas concretas.

A eleição de Samir Xaud, presidente da Federação de Roraima, em maio de 2025, após a destituição de Ednaldo Rodrigues por decisão judicial, intensificou as críticas ao sistema. Xaud, que assumiu sem concorrentes, enfrenta resistência de clubes e ex-jogadores, que o acusam de representar a continuidade do modelo atual.

A pressão por mudanças ganhou apoio de entidades internacionais. A FIFA, que já ameaçou suspender o Brasil de competições em 2023 por interferências judiciais na CBF, voltou a acompanhar a situação. A Conmebol, por sua vez, substituiu Rodrigues por Claudio Tapia, presidente da Associação Argentina de Futebol, no Conselho da FIFA, sinalizando insatisfação com a gestão brasileira.

O futuro do futebol brasileiro depende de como essas tensões serão resolvidas. A desistência de Ronaldo, embora um revés, pode ser o catalisador para um movimento maior de renovação, com clubes, jogadores e torcedores exigindo uma CBF mais democrática e alinhada aos interesses do esporte.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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