Golpe do falso prestador de serviços cresce 30% no Brasil em 2025
Criminosos se passando por prestadores de serviços, como encanadores e eletricistas, intensificaram golpes em todo o Brasil em 2025, gerando prejuízos estimados em R$ 50 milhões até junho, segundo a Febraban. Anunciando reparos hidráulicos e elétricos em plataformas digitais, os fraudadores forjam avaliações positivas para conquistar confiança e aplicam fraudes via Pix antecipado ou maquininhas adulteradas. A prática, registrada em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Recife, explora a confiança das vítimas, que só percebem o golpe após pagamentos indevidos. A Polícia Federal e bancos orientam verificar a idoneidade dos prestadores e evitar transferências antecipadas. O aumento de 30% nos casos reflete a sofisticação dos anúncios patrocinados, que aparecem no topo de buscas online.
A disseminação dessas fraudes coincide com o crescimento do uso do Pix, que registrou 224 milhões de transações em um único dia em abril de 2025. A facilidade do sistema de pagamento instantâneo tem sido explorada por golpistas, que combinam táticas de engenharia social com tecnologia.
Consumidores urbanos, especialmente em regiões metropolitanas, são os principais alvos, atraídos por preços competitivos e promessas de serviços rápidos.
- Táticas comuns dos golpistas:
- Anúncios patrocinados com avaliações falsas.
- Solicitação de Pix antecipado para “reservar” o serviço.
- Uso de maquininhas com visor danificado para ocultar valores.
- Troca de cartões durante o pagamento.
Como funcionam os anúncios falsos
Os fraudadores investem em anúncios patrocinados em plataformas digitais e redes sociais, que aparecem no topo de buscas por termos como “encanador 24 horas” ou “eletricista urgente”. Esses anúncios, muitas vezes com avaliações forjadas, imitam perfis de profissionais legítimos, incluindo fotos de serviços concluídos e depoimentos fictícios.
Após o contato, os golpistas agendam o serviço e solicitam pagamentos antecipados via Pix, alegando necessidade de reserva ou compra de materiais. Em muitos casos, desaparecem após receber o dinheiro, deixando a vítima sem o serviço. Em São Paulo, uma dona de casa perdeu R$ 2.800 ao contratar um suposto encanador que nunca apareceu.
A sofisticação dos anúncios inclui o uso de inteligência artificial para criar perfis falsos convincentes, com imagens e textos que imitam empresas reais. A Febraban registrou um aumento de 30% nas denúncias de fraudes desse tipo em 2025, com prejuízos médios de R$ 1.500 por vítima.
Golpe do Pix antecipado
A modalidade mais comum envolve a solicitação de um pagamento via Pix antes da realização do serviço. Os criminosos alegam que o valor é necessário para garantir o agendamento ou cobrir custos de materiais. Após a transferência, eles bloqueiam o contato da vítima ou fornecem comprovantes falsos de agendamento.
Em Recife, a Polícia Civil desmantelou uma quadrilha que aplicou esse golpe em 47 pessoas, arrecadando R$ 120 mil em dois meses. As vítimas, em sua maioria, eram idosos que confiaram em anúncios encontrados em redes sociais.
O Banco Central reforça que o Pix não permite cancelamento após a confirmação, mas o Mecanismo Especial de Devolução (MED) pode ser acionado em até 80 dias para tentar recuperar o valor, desde que a vítima registre um boletim de ocorrência.
- Cuidados ao contratar serviços:
- Pesquise o CNPJ do prestador no site da Receita Federal.
- Priorize indicações de amigos ou familiares.
- Evite Pix antecipado sem referências confiáveis.
- Registre um boletim de ocorrência em caso de fraude.
Fraude com maquininha adulterada
Em outra tática, o golpista realiza o serviço, como um reparo hidráulico, mas utiliza uma maquininha de cartão com visor danificado ou posicionada para ocultar o valor cobrado. A vítima, confiante após o serviço, insere o cartão e digita a senha sem verificar o montante.
Em Porto Alegre, um comerciante pagou R$ 4.500 por um conserto elétrico que havia sido orçado em R$ 450, percebendo o erro apenas ao consultar o extrato bancário. A Febraban alerta que 40% das fraudes com maquininhas envolvem valores entre R$ 1.000 e R$ 5.000.
Os bancos recomendam que o cliente insira e retire o cartão pessoalmente, conferindo sempre o valor exibido na maquininha. Proteger a senha com a mão durante a digitação também é uma medida eficaz para evitar que golpistas memorizem os números.
Golpe da troca de cartão
Menos sofisticada, mas igualmente prejudicial, a troca de cartão ocorre quando o golpista observa a vítima digitar a senha na maquininha e, ao devolvê-la, troca o cartão por outro semelhante. Com a senha memorizada, os criminosos realizam compras ou transferências.
Um caso em Campinas registrou uma perda de R$ 63.900 em quatro transferências via Pix, realizadas em 12 minutos, após a vítima entregar o cartão a um falso eletricista. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo reportou 1.600 casos de fraudes semelhantes até abril de 2025, um aumento de 80% em relação a 2024.
A orientação é nunca permitir que o prestador manipule o cartão e verificar imediatamente se o cartão devolvido é o correto, conferindo o nome e o número.
Aumento da sofisticação dos golpes
A Serasa Experian aponta que 51% dos brasileiros foram vítimas de algum tipo de fraude em 2024, com 32,8% dos casos envolvendo Pix ou boletos falsos. Em 2025, o uso de inteligência artificial generativa tem tornado os golpes mais convincentes, com perfis falsos que imitam comunicações legítimas.
Os criminosos utilizam deepfakes e mensagens personalizadas para enganar as vítimas, muitas vezes obtendo dados pessoais de vazamentos ou redes sociais. A Febraban alerta que 71% dos brasileiros confiam em avaliações online, o que facilita a ação dos golpistas que forjam depoimentos.
A Polícia Federal intensificou operações contra quadrilhas especializadas, com 12 prisões em São Paulo e Fortaleza em maio de 2025. As investigações apontam que os grupos operam em redes organizadas, com divisões claras entre criadores de anúncios, falsos prestadores e responsáveis por lavagem de dinheiro.
Medidas de proteção recomendadas
Evitar cair nesses golpes exige atenção redobrada. A Febraban e o Banco Central orientam que os consumidores pesquisem o histórico do prestador antes de contratá-lo, utilizando plataformas confiáveis como o site da Receita Federal para verificar o CNPJ.
Indicações pessoais de amigos ou familiares são a forma mais segura de contratar serviços. Pagamentos antecipados via Pix devem ser evitados, especialmente sem referências sólidas. Em caso de pagamento com cartão, é essencial conferir o valor na maquininha e proteger a senha.
- Dicas para evitar fraudes:
- Verifique o CNPJ no site da Receita Federal.
- Desconfie de avaliações exageradas em perfis novos.
- Não faça Pix antecipado sem conhecer o prestador.
- Insira e retire o cartão da maquininha pessoalmente.
- Registre um boletim de ocorrência imediatamente em caso de golpe.
Ação do Banco Central e bancos
O Banco Central tem aprimorado o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que será atualizado para o MED 2.0 em 2026. O sistema permite bloquear valores de transações suspeitas, aumentando as chances de recuperação. Em 2024, o MED processou 1,7 milhão de solicitações, totalizando R$ 3,1 bilhões, com 97% dos casos relacionados a fraudes.
Os bancos, por sua vez, intensificaram alertas aos clientes, com campanhas educativas em aplicativos e redes sociais. A Febraban recomenda que as instituições financeiras reforcem a autenticação biométrica, que cresceu de 59% para 67% entre 2023 e 2024, como medida antifraude.
A responsabilidade dos bancos também foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que instituições devem identificar movimentações atípicas e ressarcir vítimas em casos de falha na segurança.
Perfil das vítimas e regiões afetadas
As fraudes atingem principalmente consumidores urbanos, com 62% dos casos registrados em cidades com mais de 500 mil habitantes. São Paulo lidera com 28% das denúncias, seguido por Rio de Janeiro (15%) e Pernambuco (9%). Idosos acima de 50 anos representam 57,8% das vítimas, devido à menor familiaridade com tecnologia.
As regiões Norte e Nordeste registram crescimento de fraudes devido à expansão do Pix, que atingiu 70% das transações no Amazonas em 2025. A facilidade de acesso a smartphones e redes sociais amplia a exposição a anúncios fraudulentos.
Papel da Polícia Federal
A Polícia Federal tem intensificado operações para combater fraudes envolvendo Pix. Em maio de 2025, a Operação Falso Serviço prendeu 12 suspeitos em São Paulo e Fortaleza, desmantelando uma quadrilha que operava anúncios falsos em plataformas digitais.
As investigações utilizam análise de dados e cruzamento de transações para identificar contas usadas pelos golpistas. A PF recomenda que as vítimas registrem boletins de ocorrência online, disponíveis em delegacias virtuais, para agilizar as investigações.
Outras fraudes relacionadas ao Pix
Além do golpe do falso prestador, outras fraudes via Pix cresceram em 2025. O golpe da falsa central de atendimento, onde criminosos se passam por funcionários de bancos, induziu perdas de R$ 10 milhões em 2024. O golpe do Pix errado, em que o fraudador alega uma transferência equivocada, também é comum, com 15 mil casos registrados até abril.
A Receita Federal alerta para fraudes que utilizam seu nome, como e-mails falsos cobrando taxas de R$ 124,60 por supostas irregularidades no CPF. Esses golpes exploram a urgência e o medo, com links que levam a sites fraudulentos.
- Outros golpes comuns via Pix:
- Falsa central de atendimento bancário.
- Pix errado com pedido de devolução.
- E-mails falsos da Receita Federal.
- Comprovantes falsos de transferência.
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