BYD, GAC e mais: novas fábricas de automóveis chegam ao Brasil

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BYD King - foto Foto: BYD King - foto: Divulgação

A indústria automotiva brasileira vive um momento de expansão com a chegada de seis novas montadoras chinesas, que prometem iniciar a produção de veículos no país até 2026. BYD, GAC, Geely, GWM, Leapmotor e Omoda Jaecoo planejam instalar novas linhas de montagem, ampliando a capacidade produtiva nacional e diversificando o mercado com modelos elétricos e híbridos. Com investimentos bilionários, essas empresas buscam consolidar o Brasil como um polo de manufatura na América Latina, aproveitando a retomada do setor, que em 2024 posicionou o país como o oitavo maior produtor de automóveis do mundo, segundo a Anfavea. As operações, que começam em 2025, devem gerar empregos e impulsionar a economia em diversos estados.

O crescimento da produção automotiva reflete o potencial do mercado brasileiro, que já conta com 25 linhas de montagem distribuídas em 23 municípios de oito estados. A entrada das novas fabricantes elevará esse número para 31, fortalecendo a infraestrutura industrial. Além disso, a aposta em tecnologias sustentáveis, como veículos elétricos e híbridos flex, responde à demanda global por mobilidade limpa.

  • Principais marcas envolvidas: BYD, GAC, Geely, GWM, Leapmotor e Omoda Jaecoo.
  • Capacidade projetada: Até 150 mil unidades anuais por fábrica, dependendo da montadora.
  • Foco inicial: Modelos elétricos e híbridos, com adaptações para o mercado brasileiro.

A chegada dessas empresas ocorre em um cenário de recuperação econômica e incentivos governamentais, que têm atraído investimentos estrangeiros. Cada montadora traz estratégias específicas, desde a construção de novas plantas até parcerias com fabricantes já estabelecidas no país.

Primeira planta da BYD em Camaçari

A BYD, líder global em veículos elétricos, será a pioneira entre as novas montadoras, com o início das operações em Camaçari, na Bahia, marcado para 1º de julho de 2025. A fábrica, que ocupará o espaço antes utilizado pela Ford, terá capacidade inicial para produzir 150 mil unidades por ano. O projeto prevê a fabricação de 12 modelos diferentes, com destaque para o Dolphin Mini, que será o primeiro carro elétrico montado em série no Brasil, e o Song Pro, um SUV híbrido plug-in adaptado para o sistema flex, compatível com etanol e gasolina.

BYD
BYD – Foto: Robert Way/iStock

A produção começará nos regimes SKD (montagem de kits prontos) e CKD (montagem de peças importadas), mas a BYD planeja aumentar a nacionalização até o fim de 2026, incorporando componentes locais. A empresa já investiu bilhões de reais na reestruturação da planta baiana, que deve gerar cerca de 1.200 empregos diretos na primeira fase. A escolha de Camaçari reflete a estratégica localização portuária da região, facilitando a exportação para outros países da América Latina.

GAC aposta em produção diversificada

A GAC, recém-chegada ao mercado brasileiro, anunciou planos ambiciosos para iniciar a produção local no final de 2026. Com um investimento estimado em R$ 7,4 bilhões, a montadora avalia opções para instalar sua fábrica, que pode ser construída do zero, adquirida ou operada em parceria com uma empresa já estabelecida. Uma possibilidade levantada é a utilização da planta da HPE, representante da Mitsubishi, em Catalão, Goiás, após negociações com o governo brasileiro.

Os primeiros modelos a serem produzidos serão os elétricos Aion Y e Aion V, além do SUV híbrido GS4. A GAC pretende atender tanto o mercado interno quanto o externo, posicionando o Brasil como um hub regional. A decisão de produzir localmente acompanha a estratégia da empresa de expandir sua presença global, competindo com outras gigantes chinesas no segmento de veículos sustentáveis.

Geely e a parceria com a Renault

A Geely, uma das maiores montadoras da China, chega ao Brasil por meio de uma parceria com a Renault, que utilizará sua fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, para a produção dos veículos chineses. O primeiro modelo a ser lançado, em julho de 2025, será o EX5, um SUV elétrico com 218 cavalos de potência e 32,6 kgfm de torque. Inicialmente, o EX5 será importado da China, mas a produção local está em fase de planejamento, com aprovação prevista para 2026.

A colaboração com a Renault oferece à Geely acesso à infraestrutura consolidada da montadora francesa, incluindo sua rede de concessionárias e expertise logística. A fábrica paranaense, que já produz modelos como o Captur e o Duster, será adaptada para atender às especificações dos veículos elétricos da Geely, reforçando a vocação do estado como polo automotivo.

GWM reforça presença em São Paulo

A Great Wall Motors (GWM) está na reta final para inaugurar sua fábrica em Iracemápolis, São Paulo, no terceiro trimestre de 2025. A planta, que já conta com 300 funcionários contratados, deve empregar até 800 pessoas quando atingir plena capacidade. As máquinas estão sendo instaladas, e a produção inicial focará no Haval H6, um SUV híbrido que ganhará uma versão flex no futuro. Posteriormente, a picape Poer P30 também será fabricada no local.

GWM Haval H6 HEV2 2025
GWM Haval H6 HEV2 2025

A escolha de Iracemápolis, que abrigava a antiga fábrica da Mercedes-Benz, reflete a estratégia da GWM de aproveitar estruturas existentes para reduzir custos e acelerar a implementação. A montadora planeja investir em tecnologias de ponta, como linhas de montagem automatizadas, para competir no segmento de veículos premium no Brasil.

Leapmotor mira América Latina

A Leapmotor, em parceria com a Stellantis, estuda a produção de seus veículos elétricos no Brasil, com foco na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro. A unidade, que já produz modelos da Citroën e da Peugeot, foi escolhida após negociações com o governo fluminense, lideradas pelo governador Cláudio Castro. A Leapmotor planeja transformar o Brasil em um centro de exportação para a América Latina, começando com modelos compactos e acessíveis.

A produção em Porto Real deve começar em 2026, com a montadora chinesa aproveitando a infraestrutura da Stellantis para reduzir custos. A escolha do Rio de Janeiro reforça a competitividade do estado no setor automotivo, que já abriga outras fábricas importantes.

Omoda Jaecoo e a conexão com a Chery

A Omoda Jaecoo, pertencente ao grupo Chery, é a sexta montadora chinesa a anunciar produção no Brasil, com operações previstas para 2025 em regime CKD. A empresa avalia a planta da Caoa Chery em Jacareí, São Paulo, fechada desde 2022, para iniciar suas atividades. O investimento estimado é de US$ 300 milhões, equivalente a mais de R$ 1,5 bilhão, que será usado para modernizar a fábrica e adaptar a linha de produção.

Os primeiros modelos a serem fabricados devem incluir SUVs compactos, como o Jaecoo 7, que compartilha a plataforma com o Tiggo 7 da Caoa Chery. A estratégia da Omoda Jaecoo é oferecer veículos premium a preços competitivos, aproveitando a experiência da Chery no mercado brasileiro.

Investimentos e empregos gerados

As seis montadoras chinesas estão trazendo investimentos significativos para o Brasil, que devem impactar a economia local e regional. Abaixo, alguns números destacados:

  • BYD: R$ 3 bilhões iniciais, com 1.200 empregos diretos em Camaçari.
  • GAC: R$ 7,4 bilhões, com potencial para milhares de vagas em Catalão.
  • GWM: 800 empregos diretos em Iracemápolis até o fim de 2025.
  • Omoda Jaecoo: US$ 300 milhões para reativar a fábrica de Jacareí.

Esses investimentos refletem a confiança das empresas no potencial do mercado brasileiro, que combina uma base industrial consolidada com uma crescente demanda por veículos sustentáveis.

Modelos esperados no mercado

As novas montadoras planejam introduzir uma variedade de veículos, com ênfase em tecnologias elétricas e híbridas. Alguns dos modelos confirmados incluem:

  • BYD Dolphin Mini: Elétrico compacto, ideal para uso urbano.
  • GAC Aion Y: SUV elétrico com design moderno.
  • Geely EX5: SUV elétrico com foco em desempenho.
  • GWM Haval H6: SUV híbrido com opção flex.
  • Leapmotor T03: Compacto elétrico para o mercado de entrada.

A diversificação dos modelos atenderá diferentes segmentos, desde consumidores urbanos até frotistas, ampliando a concorrência no setor automotivo.

Logística e exportação

A localização estratégica das novas fábricas facilita a logística e a exportação. Camaçari, por exemplo, está próxima ao porto de Salvador, enquanto São José dos Pinhais tem acesso ao porto de Paranaguá. Essas vantagens permitem que as montadoras atendam não apenas o mercado interno, mas também países vizinhos, como Argentina, Chile e Colômbia.

A Leapmotor, em particular, planeja usar o Brasil como base para exportar para toda a América Latina, aproveitando acordos comerciais e a infraestrutura portuária do Rio de Janeiro. A GAC também considera o Brasil um ponto de partida para sua expansão regional.

Cenário competitivo no setor

A entrada das montadoras chinesas intensifica a concorrência no mercado brasileiro, que já conta com gigantes como Volkswagen, Fiat e General Motors. A aposta em veículos elétricos e híbridos coloca pressão sobre as fabricantes tradicionais, que precisam acelerar seus planos de eletrificação. Além disso, a nacionalização de componentes pode reduzir os preços dos modelos chineses, tornando-os mais acessíveis.

O fortalecimento do setor automotivo também atrai fornecedores de autopeças, que devem expandir suas operações para atender à nova demanda. Empresas como CATL, maior fabricante de baterias do mundo, já demonstraram interesse em instalar fábricas no Brasil para apoiar a produção de veículos elétricos.

Janderson é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024

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