A Caoa Chery alcançou a 10ª posição no ranking de vendas de veículos no Brasil em maio de 2025, com 23,5 mil unidades emplacadas nos primeiros cinco meses do ano, superando a Nissan e consolidando sua relevância no mercado automotivo. Desde a parceria formada em 2017 entre a brasileira Caoa e a chinesa Chery, a marca transformou a percepção dos consumidores sobre carros chineses, oferecendo modelos como o Tiggo 7 Sport e o Tiggo 8 Pro, que combinam design moderno, tecnologia avançada e preços competitivos. Com fábricas em Anápolis (GO) e Jacareí (SP), a empresa aposta na produção local e em estratégias comerciais agressivas para competir com montadoras tradicionais, como Hyundai e Toyota, enquanto enfrenta a concorrência de novas marcas chinesas, como BYD e GWM. O sucesso reflete a evolução da qualidade dos veículos chineses e a experiência da Caoa no mercado nacional.
A trajetória da Caoa Chery começou com desafios, já que a Chery enfrentava resistência no Brasil antes da parceria. A reformulação da linha de produtos e a adaptação ao gosto brasileiro foram cruciais para o crescimento da marca.
Em 2024, a empresa emplacou 60,9 mil veículos, quase dobrando as 31,4 mil unidades de 2023, e segue expandindo sua rede de concessionárias.
- Destaques da Caoa Chery em 2025:
- 10ª posição no ranking de vendas em maio.
- 23,5 mil veículos emplacados até maio.
- Tiggo 7 Sport vendido por R$ 119.990.
- Produção em Anápolis (GO) e Jacareí (SP).
Reformulação da imagem dos carros chineses
A chegada da Chery ao Brasil, em 2009, foi marcada por desconfiança devido à baixa qualidade inicial de seus veículos e à falta de uma estratégia clara. Modelos como o QQ enfrentavam críticas por acabamento simples e desempenho limitado. A parceria com a Caoa, iniciada em 2017, mudou esse cenário. A empresa brasileira, com experiência na representação da Hyundai, trouxe expertise em marketing, rede de concessionárias e produção local, elevando o padrão dos veículos da Chery.
A reformulação começou com o lançamento do Tiggo 2, em 2018, que apresentou melhorias em design e acabamento. Modelos subsequentes, como o Tiggo 5X e o Tiggo 8, consolidaram a reputação da marca ao oferecerem tecnologias avançadas, como suspensão independente nas quatro rodas no Tiggo 5X, e sistemas híbridos plug-in no Tiggo 8, inédito fora do segmento de luxo. A Caoa Chery também investiu em adaptações para o mercado brasileiro, ajustando suspensão e direção para as condições das estradas locais.
Estratégia de preços competitivos
A Caoa Chery ganhou destaque com sua política de preços agressiva, iniciada em 2024 com o Tiggo 7 Sport, lançado por R$ 119.990. Esse modelo, um SUV médio, compete com compactos como Renault Kardian e Fiat Pulse, oferecendo mais espaço e tecnologia por valores próximos. Em maio de 2025, a marca ampliou sua “Política de Preço Justo” para modelos eletrificados, reduzindo o Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid em R$ 10 mil, para R$ 269.990, e o Tiggo 7 Pro PHEV em R$ 20 mil, para R$ 219.990.
Esses descontos foram viabilizados por maior escala produtiva, ampliação da rede de concessionárias e importação de kits CKD (veículos desmontados) a preços competitivos da China. A estratégia permitiu à Caoa Chery manter margens reduzidas sem prejuízo financeiro, atraindo consumidores em um mercado dominado por montadoras tradicionais.
- Preços de destaque em 2025:
- Tiggo 7 Sport: R$ 119.990.
- Tiggo 5X Sport: R$ 115.000.
- Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid: R$ 269.990.
- Tiggo 7 Pro PHEV: R$ 219.990.
Crescimento no mercado brasileiro
A Caoa Chery passou de 31,4 mil unidades vendidas em 2023 para 60,9 mil em 2024, um aumento de 94%. Nos primeiros cinco meses de 2025, a marca emplacou 23,5 mil veículos, mantendo a 11ª posição no ranking anual, mas alcançando o 10º lugar em maio, superando a Nissan. O Tiggo 7 Sport foi o principal responsável, com 1.500 unidades mensais, seguido pelo Tiggo 8, que lidera entre os SUVs de sete lugares por custo-benefício.
A produção local nas fábricas de Anápolis e Jacareí permite à Caoa Chery atender à demanda crescente. A planta de Anápolis, que também produz modelos Hyundai, opera em dois turnos e planeja um terceiro em 2026. Jacareí, reativada em 2024, foca em modelos híbridos e elétricos, com previsão de iniciar a produção do Tiggo 9 em 2026.
Concorrência com novas marcas chinesas
A chegada de montadoras chinesas como BYD, GWM, Omoda Jaecoo e GAC intensificou a concorrência no mercado brasileiro. A BYD, líder em veículos eletrificados, emplacou 39.555 unidades em 2025, enquanto a GWM, com o Haval H6, conquistou 1,31% do mercado. A Caoa Chery, no entanto, mantém sua vantagem com a produção local e uma rede de 180 concessionárias, contra 120 da BYD e 80 da GWM.
A marca também enfrenta a Omoda Jaecoo, do grupo Chery, mas sem ligação com a Caoa. A Omoda 5 e o Jaecoo 7, lançados em 2025, competem diretamente com o Tiggo 7 e o Tiggo 8, mas a Caoa Chery se diferencia pela experiência de mercado e preços mais acessíveis. A GAC, que estreou em junho de 2025 com cinco modelos, foca em elétricos, mas ainda não ameaça a liderança da Caoa Chery entre os chineses.
Investimentos em eletrificação
A Caoa Chery aposta na eletrificação para manter sua competitividade. O Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid, lançado em 2023, foi o primeiro SUV de sete lugares híbrido plug-in fora do segmento de luxo, com autonomia de 80 km no modo elétrico. O Tiggo 7 Pro PHEV, lançado em 2024, oferece 75 km de autonomia elétrica e consumo combinado de 40 km/l. Em 2025, a marca anunciou a produção de um modelo elétrico em Jacareí, previsto para 2026, com investimento de R$ 500 milhões.
A empresa também planeja lançar a marca de luxo Exeed no Brasil, com o SUV Exeed LX, híbrido plug-in, em 2026. Esses investimentos acompanham a tendência de crescimento dos veículos eletrificados, que representaram 10% do mercado brasileiro em 2024, segundo a Fenabrave.
- Modelos eletrificados da Caoa Chery:
- Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid: 80 km de autonomia elétrica.
- Tiggo 7 Pro PHEV: 75 km de autonomia elétrica.
- iCar: elétrico compacto por R$ 139.990.
- Exeed LX: lançamento previsto para 2026.
Experiência da Caoa no mercado
A Caoa, fundada em 1979, trouxe sua expertise para a parceria com a Chery. Antes, a empresa construiu a imagem da Hyundai no Brasil, introduzindo modelos como o Tucson e o Azera. A experiência com concessionárias, pós-venda e produção local foi transferida para a Caoa Chery, que hoje opera 180 lojas e mantém uma rede de assistência técnica robusta.
A fábrica de Anápolis, inaugurada em 2007, produz SUVs como o Tiggo 7 e o Tiggo 8, enquanto Jacareí, adquirida da Chery em 2017, foca em modelos compactos e eletrificados. A Caoa também negocia com fornecedores brasileiros para reduzir custos, garantindo competitividade frente a importados.
Qualidade e valorização
Os veículos da Caoa Chery destacam-se por acabamento superior e tecnologia avançada. O Tiggo 7 Sport, por exemplo, oferece central multimídia de 10,25 polegadas, ar-condicionado digital e seis airbags, itens raros em SUVs compactos na mesma faixa de preço. O Tiggo 8 Pro, eleito o SUV de sete lugares com melhor custo-benefício em 2025, inclui teto solar panorâmico e assistente de estacionamento.
No mercado de usados, os modelos da Caoa Chery apresentam baixa desvalorização. Um estudo da Mobiauto mostra que o Tiggo 5X 2019 valorizou 18,85% entre 2019 e 2020, superando marcas como Honda e Fiat. A qualidade percebida e a rede de assistência contribuem para a confiança dos consumidores.
Planos para o futuro
A Caoa Chery planeja lançar o Tiggo 9, um SUV de luxo, em 2026, para competir com o Toyota Corolla Cross e o Jeep Compass. A marca também investe em atualizações, como a nova dianteira do Tiggo 8, apresentada no Salão de Pequim em 2024, com grade redesenhada e maçanetas retráteis. A expansão da rede de concessionárias para 200 lojas até 2026 é outro objetivo, reforçando a presença no interior do Brasil.
A empresa também estuda a produção de veículos comerciais leves, como picapes híbridas, para competir com a BYD Shark e a GWM Poer. A fábrica de Jacareí será modernizada com R$ 300 milhões até 2027, focando em eletrificação e automação.
Posicionamento no ranking
A ascensão da Caoa Chery no ranking de vendas reflete sua capacidade de adaptação. Em 2021, a marca foi a 10ª colocada, com 39.756 unidades. Em 2022, caiu para 11ª, mas recuperou terreno em 2024, com 60,9 mil emplacamentos. Em 2025, a meta é alcançar o 10º lugar anual, superando a Nissan e aproximando-se da Honda, que emplacou 41.503 unidades até maio.
A estratégia de preços baixos, produção local e foco em SUVs e eletrificados posiciona a Caoa Chery como líder entre as marcas chinesas no Brasil, apesar da concorrência crescente.
- Ranking de vendas em 2025 (jan-maio):
- Fiat: 198.756 unidades.
- Volkswagen: 157.834 unidades.
- Caoa Chery: 23.500 unidades (11ª).
- Nissan: 22.800 unidades (12ª).
Papel na eletrificação do mercado
A Caoa Chery foi pioneira ao lançar o iCar em 2023, um elétrico compacto por R$ 139.990, que competiu com o JAC e-JS1 e o Renault Kwid E-Tech. O modelo, com autonomia de 280 km, atraiu frotistas e consumidores urbanos. A marca também liderou a oferta de híbridos plug-in acessíveis, com o Tiggo 8 Pro e o Tiggo 7 Pro PHEV, que custam menos que concorrentes como o Toyota Corolla Cross Hybrid.
A eletrificação ganhou força em 2024, com 50.856 unidades de híbridos e elétricos emplacadas no Brasil, segundo a Fenabrave. A Caoa Chery, quarta colocada nesse segmento, atrás de BYD, GWM e Toyota, planeja expandir sua linha elétrica com dois novos modelos até 2027, reforçando sua posição no mercado.
