Lutador de muay thai imobiliza dois pitbulls em ataque violento em Ponta Porã, MSBy Janderson
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Em uma manhã fria e enevoada de domingo, 29 de junho de 2025, Ernesto Chaves, conhecido como Bocão, enfrentou um ataque inesperado enquanto corria em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. O lutador de muay thai e professor de artes marciais foi surpreendido por dois pitbulls que o morderam nas pernas e tentaram atingir seu pescoço. Com ferimentos graves e um dedo da mão quebrado, ele conseguiu imobilizar os cães usando técnicas de luta e segurando suas coleiras. O incidente, que exigiu atendimento hospitalar, ocorreu em uma rua com pouca visibilidade devido à neblina, e o dono dos animais foi responsabilizado por omissão de cautela. A polícia investiga o caso, e Ernesto, apesar do susto, sobreviveu para contar sua história de resistência.
O ataque aconteceu por volta das 7h, quando Ernesto se dirigia à academia onde leciona. Ele usava fones de ouvido, o que pode ter dificultado a percepção inicial dos cães. A neblina densa, comum na região nessa época do ano, também limitou sua visão.
- Detalhes do incidente:
- Local: Bairro residencial em Ponta Porã, MS.
- Horário: Manhã de domingo, com neblina intensa.
- Lesões: Mordidas nas pernas e dedo quebrado.
- Resposta: Uso de técnicas de muay thai para contenção.
A história de Ernesto rapidamente ganhou destaque, levantando debates sobre segurança pública e responsabilidade de tutores de animais.
Reação imediata ao ataque
Ernesto relatou que, inicialmente, pensou que os pitbulls estavam brincando. No entanto, a agressividade dos cães ficou evidente quando um deles mordeu sua perna e começou a sacudir a cabeça, um comportamento típico de ataques caninos. O outro cão tentou atingir seu pescoço, forçando o lutador a agir rápido.
Com sua experiência em muay thai, Ernesto tentou golpes como socos e chutes, mas os cães, descritos como extremamente fortes, resistiram. Ele notou que ambos usavam coleiras, o que se tornou um ponto crucial para sua estratégia. Agarrando as coleiras, ele tentou controlar os movimentos dos animais, mas a força deles o levou ao limite. “Eu estava gritando por socorro, mas a rua estava quase deserta por causa do frio”, disse.
O momento decisivo veio quando sua perna, enfraquecida pelas mordidas, cedeu. Ao cair parcialmente, Ernesto aproveitou o movimento dos cães, que avançaram para sua cabeça, para jogar seu peso sobre eles. Essa tática permitiu que ele os imobilizasse temporariamente, mantendo as coleiras firmes.
Auxílio tardio dos moradores
A cena dramática atraiu a atenção de alguns moradores, mas a ajuda demorou. Um homem de moto parou e prometeu chamar a polícia, enquanto outros passantes apenas observavam e seguiam caminho. Ernesto, exausto, segurou os cães por vários minutos, temendo soltá-los.
Eventualmente, um grupo de moradores trouxe uma corda, que foi usada para amarrar os pitbulls. Mesmo com os animais presos, Ernesto permaneceu cauteloso, levantando-se apenas quando teve certeza de que estavam contidos. “Eu estava com muito medo de soltar, porque eles eram incansáveis”, relatou.
A demora na assistência revelou um problema recorrente em áreas residenciais: a falta de preparo para lidar com situações de emergência envolvendo animais agressivos. A polícia chegou ao local após o controle da situação, e Ernesto foi levado a um hospital regional para tratar os ferimentos.
Estado de saúde do lutador
No hospital, Ernesto recebeu atendimento para as mordidas nas pernas, que causaram lacerações profundas, e para o dedo quebrado na mão, resultado da luta para conter os cães. Apesar da gravidade, ele não sofreu lesões permanentes e foi liberado após os procedimentos iniciais.
- Lesões relatadas:
- Mordidas graves nas pernas, com sangramento intenso.
- Fratura em um dedo da mão direita.
- Hematomas e arranhões em várias partes do corpo.
O lutador destacou a importância de sua formação em artes marciais para sua sobrevivência. “Sem o muay thai, eu não sei se teria conseguido me defender. Foi puro instinto e treino”, afirmou.
Responsabilidade do tutor dos cães
O dono dos pitbulls apareceu no local quando Ernesto já estava na ambulância. Ele pediu desculpas e foi levado à delegacia para prestar depoimento. Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o homem trabalha em obras de pavimentação para a Prefeitura de Ponta Porã e mantém os cães em um prédio municipal para proteger ferramentas e materiais contra furtos.
Ele alegou que o portão do local foi aberto por terceiros, mas não soube explicar quem seria o responsável. O tutor apresentou a carteira de vacinação dos animais, confirmando que estão imunizados contra raiva e outras doenças. Apesar disso, ele foi autuado por omissão de cautela na guarda de animais, um crime previsto no artigo 31 da Lei de Contravenções Penais.
A investigação segue em andamento, e a vítima foi orientada a registrar um boletim de ocorrência formal. O caso reacendeu discussões sobre a criação de cães de raças consideradas potencialmente perigosas em áreas urbanas.
Contexto da criação de pitbulls
A raça pitbull é frequentemente associada a comportamentos agressivos, embora especialistas afirmem que a socialização e o treinamento são fatores determinantes. Em Ponta Porã, casos de ataques de cães não são raros, mas poucos ganham a visibilidade do incidente com Ernesto.
- Fatos sobre pitbulls:
- Origem: Desenvolvidos para atividades como caça e guarda.
- Temperamento: Leal, mas pode ser agressivo sem treinamento adequado.
- Legislação: Algumas cidades exigem focinheiras em locais públicos.
- Estatísticas: No Brasil, pitbulls estão entre as raças mais envolvidas em ataques reportados.
A falta de regulamentação específica em muitas cidades brasileiras contribui para incidentes como o de Ponta Porã. Tutores frequentemente negligenciam medidas de segurança, como portões reforçados ou treinamento profissional.
Repercussão na comunidade
O ataque gerou comoção entre os moradores de Ponta Porã, que passaram a discutir medidas para prevenir novos incidentes. Nas redes sociais, a história de Ernesto foi compartilhada amplamente, com elogios à sua coragem e críticas à negligência do tutor dos cães.
Grupos de proteção animal também se manifestaram, defendendo que a culpa não é da raça, mas da falta de responsabilidade dos donos. “Pitbulls são animais incríveis quando bem cuidados. O problema é a negligência”, disse um ativista local em entrevista a um portal de notícias.
A prefeitura de Ponta Porã ainda não se pronunciou oficialmente, mas há pressão para que sejam revisadas as condições de segurança em propriedades municipais onde animais são mantidos.
Medidas de segurança em áreas urbanas
Casos como o de Ernesto destacam a necessidade de políticas públicas voltadas para a convivência segura com animais de estimação. Especialistas recomendam algumas práticas para reduzir riscos:
- Treinamento profissional para cães de guarda.
- Uso de coleiras e focinheiras em espaços públicos.
- Manutenção de portões e cercas em bom estado.
- Campanhas de conscientização para tutores.
Além disso, a capacitação de moradores para lidar com situações de emergência pode fazer a diferença. Em Ponta Porã, a falta de ação rápida dos passantes agravou a situação, deixando Ernesto sozinho por mais tempo.
Relato de Ernesto sobre o trauma
Dias após o incidente, Ernesto compartilhou detalhes sobre o impacto psicológico do ataque. “Eu ainda sinto um frio na espinha quando passo por aquela rua. É difícil não lembrar”, confessou. Ele planeja retomar suas aulas de muay thai, mas admite que precisará de tempo para superar o trauma.
O lutador também expressou preocupação com a segurança de outros pedestres na região. “Se isso aconteceu comigo, que sei me defender, imagina com uma criança ou um idoso?”, questionou. Sua história serviu como alerta para a comunidade, que agora cobra medidas mais rigorosas.
Debate sobre regulamentação
O caso reacendeu o debate sobre a criação de leis específicas para raças de grande porte. Em algumas cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, já existem normas que obrigam o uso de focinheiras e guias curtas em locais públicos. Em Mato Grosso do Sul, porém, a legislação é menos rigorosa, o que facilita incidentes como o de Ponta Porã.
Autoridades locais estão sendo pressionadas a adotar medidas mais duras, como multas mais altas para tutores negligentes e vistorias em propriedades que abrigam cães de guarda. Enquanto isso, Ernesto se recupera e espera que sua experiência inspire mudanças.

