A Honda GB350 2026, lançada globalmente em 25 de junho de 2025, no Japão, chegou para disputar o mercado de motos retrô com a Royal Enfield, oferecendo um visual clássico e consumo impressionante de até 47 km/l. Produzida na Índia e comercializada em mercados como Japão, Austrália e Europa, a motocicleta de 348 cc combina design nostálgico, com cromados e linhas inspiradas nas décadas de 1960 e 1970, a tecnologias modernas, como freios ABS e controle de tração. Disponível em três versões — GB350, GB350S e GB350C —, o modelo é vendido a partir de 671.000 ienes (cerca de R$ 25 mil em conversão direta) e desafia diretamente modelos como a Royal Enfield Classic 350 e Hunter 350. A estratégia da Honda, anunciada durante o Salão de Motos de Tóquio, visa atrair novos pilotos e entusiastas de motos clássicas com um preço competitivo e alta eficiência.
A linha GB350, conhecida como CB350 na Índia, recebeu atualizações para 2026, incluindo novas cores, painel redesenhado e faróis otimizados. Embora não haja confirmação de venda no Brasil, a Honda estuda trazer uma moto retrô de baixa cilindrada ao país, segundo informações do mercado. O modelo já é um sucesso em vendas na Ásia, com 12.500 unidades emplacadas na Índia em 2025.
A seguir, os principais destaques da GB350 2026:
- Motor monocilíndrico de 348 cc com 20,8 cv e 29 Nm de torque.
- Consumo médio de 47 km/l, com autonomia de até 600 km.
- Três versões com designs distintos: clássico, esportivo e nostálgico.
Atualizações visuais e técnicas
A Honda GB350 2026 trouxe mudanças sutis, mas significativas, para reforçar sua posição no segmento retrô. A versão padrão, GB350, mantém o estilo clássico com cromados no tanque de 15 litros, alça para garupa e banco de couro marrom. As novas cores incluem Pearl Hawks Eye Blue, com visual bicolor, Classical White, que remete a modelos antigos, e Matte Ballistic Black Metallic, com acabamento fosco. A lanterna traseira agora tem lente escurecida, e o painel de instrumentos ganhou um aro cromado e grafismos atualizados.
A GB350S, com pegada esportiva, aposta em tons sóbrios, como Heavy Gray Metallic-U, com faixa decorativa, e Beta Silver Metallic, destacando os contornos da moto. Essa versão troca a roda traseira de 18 polegadas por uma de 17 polegadas, reduzindo a altura do assento para 800 mm e adicionando pneus Metzeler Tourance Next para maior aderência. A GB350C, mais nostálgica, foca em detalhes cromados e um design inspirado nas Honda CB dos anos 1970, com assento mais largo e guidão elevado.
O motor de 348 cc, refrigerado a ar, foi ajustado para atender normas de emissões OBD-2B, garantindo combustão mais eficiente e emissões reduzidas. A potência de 20,8 cv a 5.500 rpm e o torque de 29 Nm a 3.000 rpm permanecem inalterados, mas a entrega de força é suave, ideal para uso urbano e estradas secundárias.
Competição com Royal Enfield
A Royal Enfield domina o segmento de motos retrô de 350 cc, com modelos como Classic 350, Hunter 350 e Bullet 350, que emplacaram 45.320 unidades globalmente em 2025. A Honda, no entanto, aposta na GB350 para conquistar esse mercado, especialmente na Europa, onde a GB350S chegou em janeiro de 2025 por £3.949 (cerca de R$ 27 mil). O preço é competitivo frente à Hunter 350 (£3.899) e bem inferior à Classic 350 (£4.539).
A GB350S se destaca por tecnologias ausentes em algumas Royal Enfield, como controle de tração (HSTC) e sistema de parada de emergência (ESS), que pisca os faróis em frenagens bruscas. O painel híbrido, com velocímetro analógico e display digital, oferece informações como consumo, autonomia e marcha engatada, enquanto a Classic 350 tem design mais simples, com velocímetro analógico e menos recursos eletrônicos.
O peso de 178 kg da GB350S, 7 kg a menos que a Hunter 350, melhora a agilidade, especialmente em manobras urbanas. A suspensão, com garfo telescópico de 41 mm na dianteira e duplo amortecedor traseiro com nitrogênio, garante conforto em pisos irregulares, enquanto a Royal Enfield aposta em uma configuração semelhante, mas com menos ajustes.
Desempenho e consumo
O motor monocilíndrico da GB350, com curso longo (70 mm x 90,5 mm), privilegia o torque em baixas rotações, atingindo 125 km/h de velocidade máxima. A aceleração de 0 a 100 km/h leva cerca de 12 segundos, suficiente para uso urbano e viagens curtas. A Royal Enfield Classic 350, com motor de 349 cc e 20,2 cv, tem desempenho semelhante, mas consome 35 km/l, contra os 47 km/l da GB350, segundo testes da Honda no modo WMTC.
A autonomia da GB350, com tanque de 15 litros, alcança até 600 km, ideal para longas viagens sem reabastecimento. A transmissão de cinco marchas, com embreagem assistida e deslizante, facilita trocas suaves, enquanto a Royal Enfield oferece uma caixa similar, mas com engates menos precisos, segundo relatos de usuários na Índia.
A seguir, comparativo de consumo e autonomia:
- Honda GB350: 47 km/l, autonomia de 600 km.
- Royal Enfield Classic 350: 35 km/l, autonomia de 455 km.
- Royal Enfield Hunter 350: 36 km/l, autonomia de 468 km.
- Triumph Speed 400: 30 km/l, autonomia de 390 km.
Design e acessórios
O design da GB350 é um dos seus maiores trunfos. A versão padrão evoca a estética das Honda CB dos anos 1960, com tanque arredondado, farol circular LED e detalhes cromados. A GB350S, com pegada neo-retrô, traz guidão mais baixo, retrovisores esportivos e escapamento preto fosco, atraindo um público mais jovem. A GB350C, por sua vez, reforça a nostalgia com assento acolchoado e alças cromadas.
A Honda oferece dois pacotes de acessórios para personalização:
- Style Pack: inclui capa de assento único, tubo superior do motor e acabamentos de manopla.
- Travel Pack: conta com alforjes, protetores de punho e viseira longa.
- Itens avulsos: aquecedores de manopla, carregador USB e viseira para o painel.
A Royal Enfield também disponibiliza acessórios, mas foca em itens como alforjes de couro e protetores de motor, com menos ênfase em tecnologia. A GB350 se diferencia pelo sistema Honda Smartphone Voice Control, que permite navegação e chamadas via Bluetooth, recurso ausente na maioria das Royal Enfield 350.
Presença global e produção
A GB350 é produzida na Índia, onde é chamada CB350, garantindo custos reduzidos e preços competitivos. A fábrica de Chennai, operada pela Honda Motorcycle & Scooter India, exporta para Japão, Austrália, Europa e Tailândia. Em 2025, a linha CB350 vendeu 12.500 unidades na Índia, contra 18.700 da Classic 350, mostrando uma disputa acirrada.
Na Europa, a GB350S estreou no Motorcycle Live 2024, em Birmingham, atraindo atenção por seu preço acessível e design retrô. A Honda registrou a patente do modelo na Alemanha em abril de 2025, indicando expansão para outros países europeus. Na Austrália, a GB350 é vendida desde 2023 por AU$ 6.999 (R$ 26 mil), enquanto no Japão o preço parte de 671.000 ienes.
Embora o Brasil seja um mercado promissor, com 1,5 milhão de motos emplacadas em 2025, a Honda ainda não confirmou a chegada da GB350. A marca estuda lançar uma retrô de baixa cilindrada para competir com a Dafra Kansas 250, que custa R$ 22.990, mas questões logísticas e tributação podem atrasar a decisão.
Freios e segurança
A GB350 conta com disco de 310 mm na dianteira e 240 mm na traseira, ambos com ABS de dois canais. O sistema de tração HSTC, ajustável via painel, aumenta a segurança em pisos molhados, enquanto o ESS alerta outros motoristas em frenagens bruscas. A Royal Enfield Classic 350 oferece ABS, mas não possui controle de tração, e apenas algumas versões têm rodas de liga leve com pneus sem câmara, contra o padrão tubeless da GB350.
Os pneus Metzeler Tourance Next (100/90-19 na frente e 150/70-17 atrás na GB350S) garantem aderência superior, enquanto a Classic 350 usa pneus com câmara em rodas raiadas, o que pode complicar reparos. A Hunter 350, mais leve, tem pneus similares, mas com menor largura traseira.
Experiência de pilotagem
A GB350 oferece uma posição de pilotagem ereta, com guidão largo e pedaleiras baixas, ideal para longas viagens e uso urbano. A altura do assento de 800 mm é acessível, mas pilotos mais altos podem sentir desconforto em percursos longos. A suspensão traseira, com duplo amortecedor a gás, absorve bem irregularidades, enquanto a Royal Enfield Classic 350 tem uma suspensão mais firme, menos confortável em buracos.
O motor da GB350, com curso longo, entrega torque em baixas rotações, facilitando ultrapassagens em velocidades de 40 a 80 km/h. A vibração é mínima, graças ao contrabalanceador, e o som do escapamento, embora discreto, tem um tom grave que agrada entusiastas. A Royal Enfield, com seu característico “thump”, oferece uma experiência mais crua, mas menos refinada em alta rotação.
Mercado retrô em alta
O segmento de motos retrô de 350 cc cresce globalmente, impulsionado pela demanda por modelos acessíveis e estilosos. A Royal Enfield lidera com 45.320 unidades vendidas em 2025, mas a Honda ganhou terreno, com 15.800 GB350/CB350 emplacadas. A Triumph Speed 400, com motor de 398 cc e 40 cv, é outra concorrente, mas custa £5.195 (R$ 35 mil) no Reino Unido, bem acima da GB350S.
Na Índia, onde o mercado de motos retrô representa 12% das vendas totais, a CB350 conquistou consumidores jovens, com 60% dos compradores abaixo de 35 anos. A Honda planeja lançar uma versão aventureira baseada na GB350, rival da Royal Enfield Himalayan, com patente registrada em 2024, mas ainda sem data de estreia.
Possível chegada ao Brasil
A Honda estuda o mercado brasileiro, onde a Royal Enfield vende a Hunter 350 por R$ 22.990 e a Classic 350 por R$ 25.990. A GB350, se lançada, poderia custar entre R$ 24 mil e R$ 28 mil, considerando impostos e logística. A fábrica da Honda em Manaus, que produz modelos como CG 160 e NXR 160 Bros, poderia adaptar a linha para a GB350, reduzindo custos.
A ausência de motos retrô de baixa cilindrada no portfólio da Honda no Brasil, dominado por modelos utilitários, abre espaço para a GB350. A Dafra Kansas 250, com motor de 21 cv, é a principal concorrente local, mas seu design menos refinado e tecnologia limitada favorecem a Honda. A decisão, no entanto, depende de estudos de viabilidade, que a marca conduz desde 2024.
Acessibilidade e manutenção
A GB350 é projetada para ser acessível a novos pilotos, com peso leve e centro de gravidade baixo. O custo de manutenção é reduzido, com revisões a cada 6.000 km e peças compartilhadas com a CB350 indiana, disponíveis globalmente. Na Austrália, o custo médio de uma revisão é de AU$ 150 (R$ 550), enquanto a Royal Enfield cobra cerca de AU$ 200 (R$ 730) para a Classic 350.
A rede de concessionárias da Honda, com 1.200 pontos no Brasil, garante suporte superior à Royal Enfield, que tem 45 lojas no país. A GB350 também oferece garantia de dois anos na Europa, contra um ano da Hunter 350, reforçando a confiabilidade da marca japonesa.
