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Como se proteger de ataques de cães: dicas após caso de lutador em MS

Pitbull
Foto: Pitbull Ilustrativa - Foto: CoreRock/Shutterstock.com

Ernesto Chaves, professor de muay thai, sobreviveu a um ataque de dois pitbulls em Ponta Porã, MS, no dia 29 de junho de 2025, usando técnicas de artes marciais para imobilizar os animais. O incidente, ocorrido durante uma corrida matinal na Rua Jorge Roberto Salomão, foi registrado em vídeo e viralizou, levantando debates sobre segurança e responsabilidade de tutores. Especialistas, como o adestrador Alexandre Kawano, recomendam manter a calma, evitar correr e proteger órgãos vitais em casos de ataques caninos. Ernesto, de 33 anos, sofreu mordidas nas pernas e um dedo quebrado, mas conseguiu conter os cães após cinco minutos de luta. A Polícia Civil investiga o caso, e o tutor dos pitbulls, usados como seguranças de uma obra, pode responder por omissão de cautela. O caso destaca a importância de prevenção contra a raiva e cuidados com animais de grande porte.

O vídeo do ataque, amplamente compartilhado, mostra Ernesto segurando os cães até a chegada de ajuda.

A proximidade do incidente a uma creche municipal reforça a urgência de medidas de segurança.

Dicas de especialistas para defesa:

  • Não correr para evitar estimular o instinto predatório.
  • Fingir-se de morto, com barriga no chão.
  • Proteger orelhas, rosto e vísceras.
  • Manter a calma para reduzir a agressividade do cão.

Técnicas de defesa recomendadas
Alexandre Kawano, adestrador com 15 anos de experiência, explica que a reação instintiva de correr pode agravar um ataque, já que estimula o lado predatório do cão. Ele orienta que, em situações de perigo, a melhor estratégia é manter a calma e evitar movimentos bruscos. Se não houver um local elevado para escapar, a pessoa deve se jogar no chão, proteger órgãos vitais e fingir-se de morta.

Essa técnica reduz a resistência, o que pode levar o cão a desistir do ataque. Kawano destaca que proteger o rosto, orelhas e vísceras é essencial, pois essas áreas são alvos frequentes. A cartilagem das orelhas, por exemplo, é facilmente arrancada, e o ventre exposto pode sofrer danos graves.

Mesmo cães menos agressivos, como vira-latas de porte médio, podem representar risco, segundo o especialista. Ele enfatiza que a estratégia de imobilidade funciona para a maioria das raças, embora cães como pitbulls e rottweilers exijam maior cuidado devido à sua força.

Detalhes do ataque em Ponta Porã
Ernesto Chaves, conhecido como Bocão, corria na Vila Militar por volta das 9h30, sob forte neblina, quando foi surpreendido por dois pitbulls fêmeas. Usando fones de ouvido, ele inicialmente pensou que os cães queriam brincar, mas logo percebeu a agressividade. Um animal mordeu sua perna, enquanto o outro tentou atingir seu pescoço, derrubando-o no chão.

Com 13 anos de experiência em muay thai e jiu-jitsu, Ernesto usou técnicas de defesa, segurando as coleiras dos cães e aplicando seu peso para contê-los. Após cerca de cinco minutos de luta, moradores ajudaram a amarrar os animais com cordas, e a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros chegaram ao local.

Ernesto foi levado ao Hospital Regional de Ponta Porã com mordidas nas pernas e um dedo da mão quebrado, mas já se recupera em casa. Ele gravou o incidente para alertar a comunidade, destacando a proximidade de uma creche a 200 metros do local.

Investigação policial
A Polícia Civil, sob comando da delegada Elisângela Cristaldo, investiga o caso. O tutor dos pitbulls, Nerival Silva Menezes, afirmou que os cães, usados para proteger uma obra municipal, foram soltos por usuários de drogas que tentavam furtar materiais. A versão está sob análise, já que o portão do galpão foi encontrado aberto.

Os animais, vacinados contra raiva, foram recolhidos para a casa do tutor, já que Ponta Porã não possui um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O tutor foi autuado por omissão de cautela na guarda de animais, conforme o artigo 31 da Lei de Contravenções Penais, e pode responder por lesão corporal, com pena de até 12 anos.

Riscos da raiva em ataques
O médico veterinário Bruno de Sá destaca que mordidas de cães podem transmitir raiva, uma doença viral com quase 100% de letalidade. A transmissão ocorre principalmente pela saliva, através de mordidas, arranhões ou lambidas em feridas abertas. Após o ataque, Ernesto foi avaliado em uma unidade de saúde, onde recebeu tratamento para os ferimentos e acompanhamento para prevenir raiva.

Cães envolvidos em ataques devem ser colocados em quarentena, mesmo se vacinados, para monitoramento de sintomas. A vacinação regular é a principal forma de prevenção, protegendo tanto os animais quanto os humanos. Em Ponta Porã, a ausência de um CCZ dificulta o manejo de casos como esse, aumentando a importância de medidas preventivas pelos tutores.

Cuidados com cães de grande porte
Bruno de Sá orienta que tutores de cães de grande porte, como pitbulls, usem focinheiras durante passeios, especialmente em áreas movimentadas. Ele recomenda manter os animais em quintais seguros ou dentro de casa, evitando soltura em locais públicos. A falta de controle, como no caso de Ponta Porã, pode levar a incidentes graves, especialmente em ruas com pedestres e crianças.

O tutor dos pitbulls, que trabalha em obras municipais, alegou que os cães protegiam ferramentas e materiais. A Polícia Civil apura se houve negligência, já que os animais estavam soltos em uma área residencial próxima a uma creche e ao Hospital Regional.

Técnicas de Ernesto Chaves
Ernesto, com formação em muay thai e jiu-jitsu, usou seu treinamento para sobreviver ao ataque. Ele tentou inicialmente afastar os cães com socos e chutes, mas a força dos pitbulls exigiu que segurasse as coleiras, aplicando técnicas de imobilização. Sua experiência em defesa contra ataques caninos, estudada previamente, foi crucial para manter os animais sob controle até a chegada de ajuda.

Especialistas como Pedro Lopes, presidente da Federação de Muay Thai de Mato Grosso do Sul, explicam que a imobilização usada por Ernesto não é típica do muay thai, focado em trocação, mas reflete treinos cruzados e instinto de sobrevivência. O jiu-jitsu, com ênfase em controle corporal, foi essencial para a contenção.

Repercussão nas redes sociais
O vídeo de Ernesto segurando os pitbulls viralizou, gerando debates sobre a guarda de raças consideradas perigosas. Internautas elogiaram a coragem do professor, mas criticaram a negligência do tutor. Comentários destacaram o risco para a comunidade, especialmente pela proximidade de uma creche, e pediram maior fiscalização.

A postagem de Ernesto, compartilhada para alertar a população, recebeu milhares de visualizações, com usuários enfatizando a importância de seu treinamento. A discussão se ampliou para a necessidade de regulamentação mais rígida para cães de grande porte em áreas urbanas.

Legislação em debate
O caso reacendeu discussões sobre a criação de pitbulls e outras raças agressivas. Em Mato Grosso do Sul, não há proibição específica, mas em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 25.165/2025 veta a procriação e comercialização de pitbulls e rottweilers. Em Itabira, um projeto de lei municipal propõe medidas semelhantes, mas enfrenta críticas por questões de constitucionalidade, já que a competência para legislar sobre animais é da União e dos estados.

O tutor dos pitbulls pode enfrentar penalidades severas, incluindo até 12 anos de prisão por lesão corporal, além da contravenção por omissão de cautela. A ausência de um CCZ em Ponta Porã complica o manejo dos animais, que permanecem com o tutor enquanto a investigação prossegue.

Prevenção em áreas urbanas
O ataque em Ponta Porã, em uma rua movimentada da Vila Militar, destaca a necessidade de maior controle em áreas residenciais. Ernesto alertou que sua esposa e outras pessoas, incluindo idosos e crianças, frequentam o local. A proximidade de uma creche, a 200 metros, reforça a gravidade do incidente, que poderia ter tido consequências mais graves.

Autoridades locais avaliam medidas para aumentar a segurança, como campanhas de conscientização para tutores e fiscalização de terrenos com cães de guarda. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do ataque, incluindo a possível entrada de terceiros no galpão.