A partir de 2025, trabalhadores brasileiros contam com uma nova facilidade para solicitar o auxílio-doença, agora chamado de auxílio por incapacidade temporária. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em parceria com o Ministério da Previdência Social, ampliou o prazo do sistema Atestmed, permitindo a concessão do benefício por até 60 dias sem a necessidade de perícia médica presencial. A medida, implementada para agilizar o atendimento, utiliza a plataforma digital Meu INSS, onde segurados enviam atestados médicos e documentos. Anunciada em junho de 2025, a mudança beneficia quem precisa de afastamento por motivos de saúde, reduzindo filas e deslocamentos. A iniciativa, válida inicialmente por 120 dias, abrange pedidos feitos entre 11 e 18 de junho, período de transição da regra anterior, que limitava o prazo a 30 dias.
A plataforma Atestmed, lançada em 2020 durante a pandemia, tornou-se uma ferramenta essencial para modernizar o acesso a benefícios previdenciários. Com a ampliação do prazo, o sistema ganha ainda mais relevância, especialmente para trabalhadores celetistas, que representam a maioria dos segurados do INSS. A seguir, são apresentados os principais pontos da nova regulamentação:
- Envio de atestados médicos digitalmente, sem comparecimento presencial.
- Prazo máximo de 60 dias para o benefício sem perícia.
- Possibilidade de prorrogação, com avaliação médica obrigatória após o período inicial.
- Análise automatizada para maior rapidez na concessão.
Essa atualização reflete o esforço do INSS em tornar os serviços mais acessíveis, especialmente em um contexto de alta demanda por benefícios previdenciários. A facilidade, no entanto, exige atenção aos detalhes na hora de enviar a documentação, garantindo que o processo ocorra sem entraves.
Como funciona o sistema Atestmed
O Atestmed é uma plataforma integrada ao Meu INSS, disponível no site meu.inss.gov.br ou no aplicativo para Android e iOS. Por meio dela, o segurado pode solicitar o auxílio-doença de forma totalmente digital. O processo começa com o preenchimento de um requerimento online, seguido do envio de um atestado médico válido. O documento é analisado automaticamente pelo sistema, que verifica se atende aos critérios estabelecidos.
Para garantir a aprovação, o atestado deve incluir informações como o nome completo do paciente, a Classificação Internacional de Doenças (CID), o tempo de afastamento recomendado e a assinatura do médico, acompanhada de carimbo e registro profissional. Caso o documento apresente rasuras ou esteja incompleto, o sistema notifica o segurado para correções. A clareza na documentação é essencial para evitar atrasos.
Critérios para acessar o benefício
Nem todos os trabalhadores têm direito ao auxílio-doença pelo Atestmed. O INSS estabelece requisitos específicos para a concessão, começando pela apresentação de um atestado médico que siga as normas exigidas. Para trabalhadores com carteira assinada, o afastamento deve superar 15 dias, já que as empresas são responsáveis pelo pagamento dos primeiros 15 dias, conforme determina a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Além disso, o benefício é limitado a 60 dias sem perícia presencial. Se o segurado precisar de mais tempo, deverá solicitar uma prorrogação, que exige avaliação médica em uma agência do INSS. Outros pontos importantes incluem:
- Documentos legíveis, sem rasuras ou alterações.
- Dados pessoais atualizados na plataforma Meu INSS.
- Envio dentro do prazo estipulado pelo sistema.
- Acompanhamento do pedido por canais oficiais, como o aplicativo ou a Central 135.
Esses critérios garantem que o processo seja seguro e eficiente, beneficiando apenas quem realmente precisa do auxílio.
Passo a passo para solicitação
O procedimento para pedir o auxílio-doença pelo Atestmed é intuitivo, mas exige atenção aos detalhes. O primeiro passo é acessar o Meu INSS com CPF e senha cadastrada. Na plataforma, o segurado seleciona a opção “Pedir benefício por incapacidade” e escolhe “Auxílio por incapacidade temporária”. Em seguida, anexa o atestado médico e outros documentos solicitados, como RG ou carteira de trabalho.
Após o envio, o sistema realiza uma análise automática. Se tudo estiver correto, o benefício é liberado em poucos dias. Caso haja pendências, o segurado recebe uma notificação para regularizar a documentação ou agendar uma perícia. O acompanhamento pode ser feito pelo site, aplicativo ou pela Central 135, que opera de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Cuidados ao enviar documentos
A digitalização do processo trouxe praticidade, mas também exige responsabilidade. O INSS alerta que erros no envio de documentos são a principal causa de atrasos na concessão do auxílio-doença. A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP) destaca que a análise rigorosa dos atestados é fundamental para evitar fraudes e garantir a legitimidade dos pedidos.
Alguns cuidados essenciais incluem:
- Verificar se o atestado contém todas as informações exigidas, como CID e tempo de afastamento.
- Conferir a legibilidade do documento, evitando fotos ou scans de baixa qualidade.
- Atualizar os dados cadastrais no Meu INSS antes de iniciar o pedido.
- Acompanhar o andamento do processo para atender a eventuais exigências.
Essas precauções ajudam a agilizar a análise e reduzem o risco de indeferimento.
Impacto para trabalhadores celetistas
Os trabalhadores com carteira assinada são diretamente impactados pela nova regra. Como as empresas cobrem os primeiros 15 dias de afastamento, o auxílio-doença só pode ser solicitado a partir do 16º dia. Com o Atestmed, esse processo ficou mais rápido, já que o pedido é feito online e a análise é automatizada.
No entanto, a duração máxima de 60 dias sem perícia exige planejamento. Se o trabalhador ainda estiver incapacitado ao fim desse período, deverá agendar uma perícia presencial para prorrogar o benefício. Essa etapa é obrigatória e envolve a avaliação de um perito médico do INSS.
Prorrogação do benefício
Quando o prazo de 60 dias se aproxima do fim, o segurado pode solicitar a prorrogação do auxílio-doença. O pedido deve ser feito no Meu INSS com pelo menos 15 dias de antecedência, garantindo que não haja interrupção no pagamento. Nessa fase, a perícia médica presencial é indispensável, já que o INSS precisa confirmar a continuidade da incapacidade.
O agendamento da perícia é feito pelo próprio sistema, e o segurado deve comparecer na data marcada com todos os documentos médicos atualizados. A decisão sobre a prorrogação depende da avaliação do perito, que considera o estado de saúde e a necessidade de afastamento.
Modernização do atendimento
A ampliação do Atestmed reflete uma tendência de digitalização dos serviços previdenciários. Desde sua criação, a plataforma já reduziu significativamente o tempo de espera para a concessão de benefícios. Em 2020, durante a pandemia, o sistema foi essencial para manter o atendimento remoto, e agora, em 2025, ganha ainda mais relevância com a nova regra.
O INSS planeja avaliar os resultados da ampliação após 120 dias. Dependendo do desempenho, a medida pode se tornar permanente, beneficiando milhões de segurados em todo o país. A modernização também inclui melhorias na interface do Meu INSS, tornando a plataforma mais amigável e acessível.
Desafios na implementação
Apesar dos avanços, o Atestmed enfrenta alguns obstáculos. A principal dificuldade é a falta de familiaridade de alguns segurados com ferramentas digitais, especialmente em regiões com acesso limitado à internet. O INSS tem investido em campanhas de conscientização, orientando os trabalhadores sobre como usar a plataforma e onde buscar ajuda, como em agências da Previdência Social ou postos de atendimento.
Outro desafio é a alta demanda por benefícios, que sobrecarrega o sistema em períodos de pico. Para minimizar esse problema, o INSS recomenda que os pedidos sejam feitos o quanto antes, evitando acúmulo de solicitações.
Futuro do sistema Atestmed
O Atestmed é visto como um marco na modernização do INSS, mas sua continuidade depende de ajustes. A avaliação de 120 dias será crucial para determinar se o prazo de 60 dias sem perícia atende às necessidades dos segurados sem comprometer a segurança do processo. Enquanto isso, os trabalhadores podem aproveitar a praticidade da plataforma, que elimina a necessidade de deslocamentos e filas.
Para os próximos meses, o INSS planeja expandir o acesso ao Meu INSS, incluindo tutoriais em vídeo e parcerias com órgãos locais para apoiar segurados com dificuldades tecnológicas. A meta é tornar o sistema ainda mais inclusivo, alcançando desde jovens urbanos até idosos em áreas rurais.

