São Paulo

Empresário é morto em Porsche durante roubo de relógio em Guarulhos

Emprsario morto em guarulhos
Foto: Emprsario morto em guarulhos - Foto: Globo

Um empresário de 38 anos foi brutalmente assassinado na manhã de sábado, 5 de julho de 2025, na Rua Felizarda Firmino de Andrade, na Vila Barros, em Guarulhos, Grande São Paulo, durante uma tentativa de roubo de seu relógio de luxo. O crime, ocorrido por volta das 12h30, envolveu dois homens em motocicletas que abordaram a vítima, que dirigia uma Porsche Boxster vermelha, modelo 2014, avaliada em até R$ 450 mil. Após disparos, o homem, identificado como dono de uma empresa de caminhões e terraplanagem, foi encontrado morto, sem o relógio que usava. A polícia investiga se o caso configura latrocínio ou execução, enquanto a comunidade local reage com indignação e temor. A vítima, que possuía certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), tinha um coldre no veículo, mas sua arma não foi localizada.

A manhã de sábado, que começou com o empresário exibindo sua rotina nas redes sociais, terminou em tragédia. Minutos antes do crime, ele publicou um vídeo no Instagram, mostrando a saída de casa com o carro de luxo, um hábito comum em suas postagens, onde ostentava viagens e veículos caros. A mãe da vítima, em depoimento à polícia, descreveu o filho como um homem trabalhador, alegre e apaixonado por tiro esportivo, frequentando aulas regularmente.

  • Detalhes do crime: A abordagem foi rápida e violenta, com os criminosos atirando contra o empresário sem que ele tivesse chance de reagir.
  • Perfil da vítima: Dono de uma empresa local, ele era conhecido por sua vida de alto padrão e presença ativa nas redes sociais.
  • Investigação inicial: Peritos analisam o veículo em busca de digitais ou outros vestígios que possam identificar os autores.

A cena do crime, registrada pelo Globocop da TV Globo, revelou um cenário de violência urbana que chocou os moradores de Guarulhos. O caso foi encaminhado ao 1º Distrito Policial da cidade, onde as autoridades trabalham para esclarecer as circunstâncias e motivações do assassinato.

Contexto da violência urbana em Guarulhos

A morte do empresário reacende o debate sobre a segurança na Grande São Paulo, especialmente em Guarulhos, uma das cidades mais populosas da região. Nos últimos anos, a área tem registrado aumento nos casos de crimes violentos, incluindo assaltos a motoristas de carros de luxo. Dados do Instituto Sou da Paz apontam que, em 2024, os índices de latrocínio na região metropolitana cresceram 12% em relação ao ano anterior, com alvos frequentes sendo pessoas que exibem bens de alto valor, como relógios e veículos de luxo.

O crime na Vila Barros destaca a vulnerabilidade de quem circula com itens de valor em áreas urbanas. Segundo especialistas em segurança pública, quadrilhas especializadas em roubo de relógios de luxo têm agido com ousadia, aproveitando a ostentação nas redes sociais para identificar alvos. A vítima, que frequentemente publicava sua rotina, pode ter atraído a atenção dos criminosos.

A comunidade local, por sua vez, expressa revolta. Moradores relatam que a Rua Felizarda Firmino de Andrade, embora residencial, não conta com policiamento ostensivo suficiente, o que facilita a ação de criminosos. “É um bairro tranquilo, mas essas coisas estão acontecendo com mais frequência. A gente fica com medo de sair de casa”, afirmou um vizinho, que preferiu não se identificar.

Perfil do empresário e o universo dos CACs

O empresário assassinado era um entusiasta do tiro esportivo, registrado como CAC, o que lhe permitia possuir armas de fogo legalmente. O fato de seu coldre estar no carro, mas a arma estar ausente, levanta questionamentos. A polícia apura se a arma foi levada pelos criminosos ou se estava em outro local. A condição de CAC da vítima também alimenta especulações sobre a possibilidade de o crime ter motivações além do roubo, embora nenhuma hipótese esteja descartada.

No Brasil, o número de CACs cresceu significativamente nos últimos anos. Até julho de 2025, cerca de 1,5 milhão de armas de fogo estavam registradas em nome de colecionadores, atiradores e caçadores, segundo dados da Polícia Federal. Esse aumento, impulsionado por decretos que facilitaram o acesso a armas entre 2019 e 2022, trouxe benefícios para o esporte, mas também desafios. Relatórios do Instituto Igarapé indicam que, entre 2021 e 2024, cerca de 2.500 armas de CACs foram roubadas ou furtadas, muitas delas abastecendo o crime organizado.

  • Crescimento dos CACs: Em 2024, o Brasil tinha cerca de 980 mil CACs registrados, um aumento de 187% em relação a 2018.
  • Riscos associados: Armas legalizadas, quando roubadas, tornam-se ferramentas para quadrilhas, especialmente em crimes como latrocínio.
  • Regulamentação: Desde julho de 2025, a Polícia Federal assumiu a fiscalização dos CACs, visando maior controle.
  • Impacto local: Em Guarulhos, casos de CACs envolvidos em crimes, como vítimas ou agressores, têm sido noticiados com frequência.

A mãe do empresário destacou seu envolvimento com o tiro esportivo como uma paixão, não como algo relacionado à violência. “Ele treinava, gostava de competir. Era um hobby, não uma vida de riscos”, disse ela, emocionada.

Investigação em andamento

A polícia trabalha com duas linhas principais de investigação: latrocínio, devido à ausência do relógio de luxo, e execução, considerando a precisão do ataque e o perfil da vítima. Peritos do Instituto de Criminalística de Guarulhos analisam o Porsche em busca de evidências, como marcas de disparos, digitais ou câmeras de segurança próximas. Imagens captadas pelo Globocop mostram o carro com vidros perfurados, indicando a violência do ataque.

O 1º DP de Guarulhos já solicitou acesso a câmeras de monitoramento da região e planeja rastrear o sinal do celular da vítima, que não foi levado. Testemunhas estão sendo ouvidas, mas, até o momento, nenhum suspeito foi identificado. A rapidez da ação sugere planejamento, o que reforça a possibilidade de a vítima ter sido monitorada.

A família do empresário, abalada, cobra respostas. “Ele não merecia isso. Queremos justiça, que encontrem quem fez isso”, declarou um parente próximo. A polícia, por sua vez, mantém sigilo sobre detalhes para não comprometer as investigações.

Reação da comunidade e medidas de segurança

O assassinato gerou comoção em Guarulhos, especialmente na Vila Barros, onde o empresário era conhecido. Amigos e colegas de trabalho usaram as redes sociais para lamentar a perda, descrevendo-o como uma pessoa carismática e dedicada ao trabalho. “Ele construía coisas, dava empregos. Não fazia mal a ninguém”, escreveu um amigo no Instagram.

Moradores do bairro organizam reuniões com autoridades para discutir medidas de segurança. Entre as demandas, estão maior presença policial e instalação de câmeras de monitoramento. A prefeitura de Guarulhos informou que estuda reforçar o patrulhamento na região, mas não detalhou prazos.

  • Demanda por câmeras: A Vila Barros possui poucas câmeras públicas, o que dificulta investigações.
  • Policiamento: Moradores pedem rondas mais frequentes, especialmente em ruas residenciais.
  • Prevenção: Especialistas recomendam evitar ostentar bens de valor em áreas de risco.
  • Apoio comunitário: Grupos de vizinhos planejam criar redes de alerta para aumentar a segurança.

A tragédia também reacende o debate sobre a ostentação nas redes sociais. Especialistas alertam que postagens exibindo carros de luxo, joias ou relógios podem atrair criminosos. “As redes são uma vitrine. Quem expõe muito acaba virando alvo”, explica um consultor de segurança ouvido pela reportagem.

Impacto na percepção de segurança

O crime na Vila Barros reflete um problema maior na Grande São Paulo: a sensação de insegurança. Apesar de esforços das autoridades, casos de latrocínio e assaltos violentos continuam a desafiar as políticas públicas. Em 2024, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo registrou 152 latrocínios no estado, com Guarulhos respondendo por 8% desse total. A morte do empresário, por sua brutalidade e pelo perfil da vítima, ganha destaque e pressiona por ações mais efetivas.

Organizações como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública defendem investimentos em inteligência policial e prevenção. “É preciso mapear quadrilhas e atacar a origem do problema, como o mercado de bens roubados”, afirma um representante do fórum. Enquanto isso, a população de Guarulhos vive um misto de luto e apreensão, à espera de respostas que tragam justiça e segurança.