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Mudança no auxílio-doença em 2025: filas crescem com nova regra do Atestmed

Auxílio Doença
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A reformulação do Atestmed, sistema que permitia a concessão do auxílio-doença com base em documentos médicos, trouxe mudanças significativas para os segurados do INSS. Anunciada em 11 de junho de 2025, a nova regra reduz o período de análise documental para apenas 30 dias, contra os 180 dias anteriores. A partir desse limite, os trabalhadores precisam passar por perícia médica presencial ou por telemedicina, o que pode sobrecarregar o sistema previdenciário. A alteração, publicada no Diário Oficial da União, integra uma Medida Provisória que busca compensar o recuo na proposta de aumento do IOF, além de combater fraudes e conter despesas públicas.

A decisão afeta diretamente os cerca de 1,8 milhão de pedidos de auxílio-doença processados anualmente pelo INSS. Em algumas regiões, como São Paulo e Rio de Janeiro, a espera por perícias já chega a 90 dias, e a nova exigência pode agravar esse cenário. Especialistas apontam que a capacidade limitada da Perícia Médica Federal, aliada a paralisações frequentes, contribui para o aumento das filas. Dados do Ministério da Previdência indicam que, até abril de 2025, 2,67 milhões de requerimentos aguardavam resposta, sendo o auxílio-doença a maior parte dessa demanda.

  • Principais mudanças na regra do Atestmed:
  • Redução do prazo de concessão sem perícia de 180 para 30 dias.
  • Exigência de perícia presencial ou telemedicina para prorrogações.
  • Possibilidade de variações no prazo conforme o perfil do segurado, respeitando o teto de 30 dias.
  • Exceções autorizadas pelo Executivo, com justificativa e prazo definido.

O Atestmed foi criado em 2024 para agilizar a liberação de benefícios por incapacidade temporária, permitindo que trabalhadores enviassem laudos médicos pelo portal Meu INSS. A iniciativa reduziu em 30% o tempo médio de análise, que antes ultrapassava 60 dias. Para doenças graves, como câncer, a análise era ainda mais rápida, com liberações em até 15 dias. Contudo, a nova limitação de prazo preocupa segurados, especialmente aqueles em regiões com poucos peritos, como Norte e Nordeste, onde a espera por atendimento pode chegar a 300 dias.

Como funciona o Atestmed atualmente
O sistema Atestmed continua sendo uma ferramenta central para a solicitação do auxílio-doença, mas com restrições mais rígidas. Os segurados devem acessar o site ou aplicativo Meu INSS, fazer login com a conta gov.br e selecionar a opção “Benefício por Incapacidade Temporária”. Após o envio de documentos, como atestados e laudos médicos, o pedido é analisado digitalmente. Se aprovado, o benefício é concedido por até 30 dias sem perícia. Para prorrogações, o segurado deve agendar uma avaliação médica, o que pode gerar atrasos devido à alta demanda.

A digitalização trouxe benefícios, como a eliminação de deslocamentos para agências do INSS, especialmente em cidades menores. No entanto, a exigência de documentos claros e detalhados permanece crucial. Atestados incompletos ou sem informações específicas sobre a incapacidade podem levar ao indeferimento do pedido. Em 2024, o INSS processou 1,38 milhão de solicitações via Atestmed, com 45% de aprovações, segundo o Ministério da Previdência. A nova regra, porém, pode reduzir esse índice, já que muitos casos agora dependem de perícias presenciais.

Impactos regionais da nova regra
A espera por perícias varia significativamente entre as regiões do Brasil. Em estados populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a alta demanda sobrecarrega as agências do INSS. Já em áreas como Amazonas e Pernambuco, a escassez de peritos e a distância até os postos agravam o problema. Em 2024, cidades como Manaus e Recife registraram tempos de espera de até 300 dias para agendamento de perícias. A nova política do Atestmed, ao exigir mais avaliações presenciais, pode intensificar essas disparidades regionais.

Trabalhadores rurais e de cidades pequenas enfrentam desafios adicionais. A conectividade limitada em algumas áreas dificulta o acesso ao portal Meu INSS, forçando muitos a recorrer ao atendimento telefônico pelo número 135. O INSS mantém esse canal para orientar segurados, mas a falta de infraestrutura em regiões remotas continua sendo um obstáculo. A modernização do sistema, embora avançada, ainda não conseguiu equalizar o atendimento em todo o país.

Riscos de judicialização
A limitação do prazo do Atestmed para 30 dias tem gerado críticas de advogados previdenciários. Segundo especialistas, a medida pode levar a um aumento de ações judiciais, especialmente em casos de doenças crônicas ou lesões graves que exigem afastamentos prolongados. A portaria prevê que prorrogações além de 60 dias, em casos de espera prolongada por perícia, são limitadas a duas por segurado. Essa restrição é vista como potencialmente inconstitucional, já que a lei previdenciária garante o benefício enquanto durar a incapacidade.

  • Possíveis consequências da nova regra:
  • Aumento das filas de perícias, que podem chegar a 3,6 milhões até o fim de 2025.
  • Sobrecarga da Perícia Médica Federal, com paralisações frequentes.
  • Crescimento de ações judiciais para garantir prorrogações negadas.
  • Impacto financeiro para trabalhadores de baixa renda, dependentes do benefício.

Advogados recomendam que segurados busquem orientação jurídica em caso de negativa de prorrogação. A judicialização, embora eficaz em alguns casos, pode prolongar ainda mais o processo, sobrecarregando o Judiciário. Em 2024, cerca de 800 mil benefícios, incluindo o auxílio-doença, passaram por revisões administrativas, muitas motivadas por disputas judiciais.

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Medidas para agilizar o processo
Para evitar atrasos na concessão do auxílio-doença, os segurados podem adotar algumas estratégias práticas. A organização da documentação é essencial, já que atestados médicos devem conter informações detalhadas, como o diagnóstico, o período de afastamento recomendado e a assinatura do profissional de saúde. O acompanhamento do pedido pelo Meu INSS ou pela Central 135 também ajuda a identificar exigências adicionais rapidamente.

  • Dicas para agilizar a solicitação:
  • Envie documentos legíveis e completos pelo portal Meu INSS.
  • Acompanhe o status do pedido regularmente na plataforma.
  • Atualize dados de contato para receber notificações do INSS.
  • Busque orientação jurídica em caso de indeferimento ou demora excessiva.

O INSS planeja aumentar o número de peritos e melhorar a infraestrutura das agências, mas os resultados devem demorar. Enquanto isso, a paciência e a organização são fundamentais para os segurados. A nova regra, embora voltada para maior rigor na análise, pode sobrecarregar o sistema em curto prazo, especialmente para trabalhadores que dependem do benefício para despesas básicas.

Perfil dos segurados afetados
A mudança no Atestmed impacta diferentes categorias de trabalhadores. Professores, por exemplo, frequentemente solicitam o auxílio-doença devido a problemas vocais ou lesões por movimentos repetitivos, como tendinites. Agricultores, expostos a riscos como o uso de máquinas e agrotóxicos, também estão entre os mais afetados. Empregados regidos pela CLT têm os primeiros 15 dias de afastamento pagos pelo empregador, mas, a partir do 16º dia, dependem do INSS, o que torna a agilidade do processo ainda mais crítica.

A nova regra também considera casos específicos, como acidentes de trabalho, que dispensam a carência mínima de 12 contribuições. Para doenças graves, como tuberculose ativa, o INSS mantém prazos de análise reduzidos, mas a exigência de perícia após 30 dias pode complicar a continuidade do benefício. A digitalização, embora facilitadora, exige que os segurados estejam atentos aos prazos e à qualidade dos documentos enviados.

Planejamento futuro do INSS
O Ministério da Previdência Social anunciou que avaliará os resultados da nova regra 120 dias após sua implementação. Dependendo dos dados, a medida pode se tornar permanente ou sofrer ajustes. A ampliação do prazo de concessão sem perícia para 60 dias, anunciada em julho de 2025, foi um ajuste temporário para aliviar a pressão sobre o sistema. No entanto, a Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais defende maior rigor na análise documental para evitar fraudes, o que pode influenciar futuras decisões.

A modernização do INSS inclui outras iniciativas, como a correção de dados no Cadastro Nacional de Informações Sociais (Cnis) e a ampliação do uso de plataformas digitais para outros benefícios, como aposentadorias. Em 2025, o instituto registrou 160 milhões de acessos aos seus canais digitais, evidenciando a adesão às ferramentas online. Apesar disso, a dependência de perícias presenciais para prorrogações pode limitar os ganhos de eficiência no curto prazo.

Alternativas para os segurados
Enquanto o INSS enfrenta desafios estruturais, os segurados podem buscar alternativas para garantir o acesso ao auxílio-doença. Em casos de demora excessiva, a via judicial é uma opção, embora demande tempo e custos adicionais. Representantes legais, como procuradores, podem atuar em nome do segurado, desde que apresentem documentação válida, como RG, CPF e termo de representação. Essa exigência visa proteger os segurados, mas adiciona complexidade ao processo, especialmente para famílias lidando com situações de saúde graves.

A orientação de especialistas é manter a documentação atualizada e acompanhar de perto o andamento do pedido. O portal Meu INSS permite verificar o status em tempo real, e notificações por e-mail ou telefone ajudam a evitar atrasos. Para trabalhadores em áreas rurais, onde o acesso à internet é limitado, o atendimento telefônico pelo 135 permanece como uma alternativa viável, embora menos ágil.