Com 86.849 carros elétricos e híbridos emplacados no Brasil entre janeiro e junho de 2025, o mercado de veículos eletrificados registrou crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O destaque foi o BYD Dolphin Mini, que dominou as vendas de modelos 100% elétricos com 13.222 unidades. Apesar de uma queda de 6,7% em junho frente a maio, o setor mantém trajetória ascendente, impulsionada por marcas chinesas como BYD e GWM. O avanço reflete maior interesse por tecnologias sustentáveis e expansão da infraestrutura de recarga. O desempenho, registrado em todo o país, sinaliza um momento de consolidação para a eletromobilidade.
O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas potente. A eletrificação ganha espaço em cidades e rodovias, com consumidores atentos a custos operacionais e benefícios ambientais. A liderança da BYD, especialmente com o Dolphin Mini, evidencia a força das montadoras chinesas.
- Principais destaques do semestre:
- 86.849 emplacamentos de eletrificados, alta de 9,5% ante 2024.
- 35,2% das vendas foram de elétricos puros (BEV), totalizando 30.576 unidades.
- Híbridos (PHEV e HEV) responderam por 64,8% do mercado.
- BYD Dolphin Mini liderou com folga, seguido pelo BYD Dolphin e Volvo EX30.
O cenário é promissor, mas desafios como preços e infraestrutura persistem. A seguir, exploramos os detalhes desse desempenho e os modelos que conquistaram os brasileiros.
Liderança consolidada do BYD Dolphin Mini
O BYD Dolphin Mini, com 13.222 unidades vendidas, tornou-se o carro elétrico mais popular do Brasil no primeiro semestre de 2025. Seu sucesso se deve ao preço competitivo, a partir de R$ 118.800, e à autonomia de até 280 km, ideal para uso urbano. O modelo compacto atraiu consumidores em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a busca por veículos econômicos e sustentáveis cresce.
Em comparação, o BYD Dolphin, segundo colocado, registrou 6.288 emplacamentos. A diferença significativa entre os dois modelos da mesma marca reflete a preferência por opções mais acessíveis. O Dolphin Mini, lançado em 2024, consolidou-se como uma escolha prática para motoristas que buscam entrar no universo dos elétricos sem comprometer o orçamento.
Pódio competitivo entre os elétricos
O terceiro lugar ficou com o Volvo EX30, que emplacou 2.035 unidades. O SUV compacto da marca sueca combina design premium e tecnologia avançada, com preço inicial próximo de R$ 220.000. Sua presença no pódio reforça a diversificação do mercado, que agora abrange desde opções econômicas até modelos de alto padrão.
Na quarta e quinta posições, aparecem o BYD Yuan Pro (1.839 unidades) e o BYD Seal (1.418 unidades). A dominância da BYD, com quatro modelos entre os cinco primeiros, destaca a estratégia agressiva da montadora chinesa, que investe em variedade e preços competitivos. O Yuan Pro, por exemplo, é uma opção intermediária, enquanto o Seal aposta em desempenho e design sofisticado.
- Outros destaques do ranking elétrico:
- GWM Ora 03: 1.369 unidades, com visual moderno e preço próximo de R$ 150.000.
- Renault Kwid E-Tech: 660 unidades, o elétrico mais barato do país, a R$ 99.990.
- Omoda E5: 236 unidades, novidade lançada em abril que já figura no top 10.
Crescimento dos híbridos no mercado
Os veículos híbridos, que combinam motores a combustão e elétricos, representaram 64,8% dos emplacamentos de eletrificados, totalizando 56.273 unidades. Desses, os híbridos plug-in (PHEV) lideraram com 48,8% do segmento, seguidos pelos híbridos leves (HEV) com 8,1% e híbridos leves flex com 7,9%.
O BYD Song Pro foi o híbrido mais vendido, com 11.118 registros. O SUV, equipado com sistema plug-in, oferece baixo consumo e potência combinada de 235 cv, atraindo consumidores que buscam versatilidade. O GWM Haval H6, com 10.708 unidades, ficou a apenas 410 emplacamentos do líder, mostrando a disputa acirrada no segmento.
A BYD também emplacou o King e o Song Plus nas terceira e quarta posições, enquanto o Toyota Corolla Cross, com 6.225 unidades, completou o top 5. O modelo japonês, conhecido pela confiabilidade, mantém apelo entre consumidores que preferem marcas tradicionais.
Queda em junho reflete sazonalidade
Apesar do crescimento semestral, as vendas de eletrificados em junho (15.525 unidades) caíram 6,7% em relação a maio (16.641 unidades). A retração é atribuída a fatores sazonais, como menor número de dias úteis e ajustes no estoque das montadoras. Ainda assim, o resultado de junho foi 8% superior ao de 2024 (14.396 unidades), indicando resiliência do setor.
A variação mensal não comprometeu o desempenho acumulado. O primeiro semestre de 2025 superou as expectativas, com 111.095 eletrificados emplacados, incluindo dados de outras fontes que consideram micro-híbridos. A participação dos eletrificados no mercado total de veículos subiu de 7,3% em 2024 para 9,8% em 2025.
Marcas chinesas impulsionam o setor
A ascensão das montadoras chinesas, especialmente BYD e GWM, é um dos pilares do crescimento dos eletrificados. A BYD, com 78% das vendas de elétricos puros em março, consolidou sua liderança com uma gama diversificada de modelos. A GWM, por sua vez, destaca-se com o Haval H6 e o Ora 03, que combinam tecnologia e preços acessíveis.
Outras marcas, como Volvo e Toyota, mantêm posições sólidas, mas enfrentam concorrência crescente. A estratégia das chinesas, que inclui lançamentos frequentes e adaptação ao mercado brasileiro, tem atraído consumidores em busca de inovação.
Infraestrutura de recarga em expansão
A adoção de veículos elétricos no Brasil é apoiada pelo aumento de eletropostos. Em fevereiro de 2025, o país contava com cerca de 14.827 pontos de recarga, um avanço significativo em relação a anos anteriores. Grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, concentram a maior parte da infraestrutura, mas há esforços para expandir a rede em rodovias e regiões menos urbanizadas.
- Avanços na infraestrutura:
- São Paulo lidera com mais de 5.000 eletropostos.
- Rodovias como a Dutra já contam com pontos de recarga rápida.
- Empresas privadas, como shoppings e postos de combustível, investem em estações.
Modelos acessíveis ganham espaço
A popularização dos elétricos é impulsionada por modelos de entrada, como o Renault Kwid E-Tech e o BYD Dolphin Mini. O Kwid E-Tech, com preço de R$ 99.990, é o elétrico mais barato do Brasil, embora sua autonomia de 185 km seja limitada. Já o Dolphin Mini oferece equilíbrio entre custo e funcionalidade, com acabamento superior e autonomia urbana de até 300 km.
Entre os híbridos, o Toyota Corolla Cross e o GWM Haval H6 atraem pelo consumo eficiente e tecnologias embarcadas, como sistemas de condução semiautônoma. Esses modelos atendem a consumidores que ainda hesitam em adotar elétricos puros, mas desejam reduzir emissões.
Desempenho regional das vendas
As vendas de eletrificados concentram-se no Sudeste, que responde por cerca de 60% dos emplacamentos, com São Paulo à frente. O Rio de Janeiro e Minas Gerais também registram números expressivos, impulsionados por incentivos fiscais e maior conscientização ambiental. No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul destacam-se, enquanto o Nordeste avança lentamente, com Recife e Salvador como polos emergentes.
Novidades que movimentaram o semestre
O lançamento do Omoda E5, em abril, foi uma surpresa positiva. O modelo, da marca chinesa Chery, emplacou 236 unidades em poucos meses, conquistando espaço entre os elétricos. Outro destaque foi o GWM Tank 300, um híbrido robusto que entrou no top 10 dos híbridos, com apelo para o público que busca SUVs de maior porte.
A chegada de novos modelos e a expansão das redes de concessionárias reforçam o otimismo do setor. Marcas como Porsche, com o Macan elétrico, também começam a ganhar tração, embora em nichos premium.
Tendências para o futuro do mercado
O mercado de eletrificados no Brasil está em fase de consolidação. A redução de custos de baterias e o aumento da concorrência devem tornar os elétricos mais acessíveis nos próximos anos. Além disso, políticas públicas, como isenções de impostos para veículos sustentáveis, podem acelerar a adoção.
A competição entre montadoras tradicionais e novas marcas, especialmente chinesas, promete aquecer o setor. Modelos como o BYD Dolphin Mini e o GWM Haval H6 mostram que a combinação de preço, tecnologia e eficiência é a chave para conquistar os consumidores brasileiros.
