Ruth Moreira, mãe de Marília Mendonça, vive um novo capítulo de dor quase quatro anos após a trágica morte da cantora em um acidente aéreo. Em decisão liminar, a Justiça de Goiânia retirou a guarda compartilhada do neto de Ruth, Léo, de 5 anos, que agora fica sob a responsabilidade exclusiva do pai, o cantor Murilo Huff. A avó materna, que dividia a guarda do menino desde a morte de Marília em 2021, compara a perda ao luto pela filha. A decisão, tomada pela Segunda Vara de Família de Goiânia, cita conflitos familiares e indícios de alienação parental como justificativas. Ruth nega as acusações e promete recorrer para retomar o direito de compartilhar a criação do neto. O caso reacende debates sobre guarda, herança e administração de bens de uma das maiores artistas do Brasil.
A disputa pela guarda de Léo, filho único de Marília Mendonça, ganhou destaque após a entrevista de Ruth ao Fantástico, exibida em 13 de julho de 2025. A avó revelou o impacto emocional da decisão, que a fez reviver a perda da filha, uma das maiores vozes do sertanejo. O juiz responsável baseou a liminar em evidências de deterioração na relação entre Ruth e Murilo, afirmando que a guarda compartilhada gerava instabilidade ao menino.
- Motivos da decisão judicial: Conflitos constantes entre Ruth e Murilo.
- Alegações contra Ruth: Indícios de alienação parental e negligência médica.
- Resposta de Ruth: Nega as acusações e promete recorrer na Justiça.
Contexto da disputa judicial
A guarda de Léo era compartilhada desde a morte de Marília Mendonça, em 5 de novembro de 2021, quando a cantora faleceu em um acidente aéreo em Caratinga, Minas Gerais. Até então, Ruth e Murilo mantinham uma relação harmoniosa, com o objetivo de criar Léo em um ambiente estável. No entanto, a decisão judicial aponta que desentendimentos recentes comprometeram esse equilíbrio. O juiz destacou que o “exercício do poder familiar pelos pais deve prevalecer”, priorizando Murilo como responsável legal.
Ruth, em entrevista, negou qualquer ruptura de sua parte. Ela afirmou que sempre respeitou Murilo e que ambos se dedicavam ao bem-estar de Léo. A avó destacou a proximidade com o neto, que passava grande parte do tempo em sua casa, e descreveu o impacto da decisão como um “novo luto”. Seu advogado, Robson Cunha, reforçou que a relação entre Ruth e Murilo era de respeito mútuo até o surgimento de desentendimentos, como um incidente no Dia das Mães na escola de Léo, que gerou tensões.
O caso também envolve questões financeiras, já que Léo é o único herdeiro de Marília Mendonça, detentor de 100% de seu patrimônio, incluindo royalties de músicas e outros rendimentos. Até a decisão judicial, Ruth e Murilo administravam conjuntamente esses recursos, destinados às necessidades do menino, como alimentação, educação e lazer.
Acusações de alienação parental e negligência médica
A decisão judicial trouxe à tona acusações graves contra Ruth. O juiz apontou “indícios de alienação parental”, sugerindo que a avó poderia estar interferindo no relacionamento de Léo com o pai. A alienação parental ocorre quando um responsável tenta prejudicar o vínculo da criança com o outro genitor, seja por ações diretas ou indiretas. Ruth negou categoricamente essas alegações, afirmando que sempre incentivou a convivência de Léo com Murilo.
Outro ponto crítico foi a menção a “negligência médica”. Léo, diagnosticado com diabetes mellitus tipo 1, exige cuidados rigorosos, como aplicação diária de insulina e controle alimentar. O juiz citou provas, como mensagens entre babás, que indicariam omissões de Ruth, como esconder informações médicas ou impedir o envio de relatórios clínicos a Murilo. A avó rebateu, garantindo que os cuidados com a saúde de Léo sempre foram coordenados com a endocrinologista do menino e que Murilo era informado de tudo.
- Cuidados médicos de Léo: Aplicação diária de insulina e dieta controlada.
- Alegações contra Ruth: Ocultação de laudos e medicamentos.
- Defesa de Ruth: Afirma que Murilo sempre esteve ciente da saúde do filho.
- Impacto no menino: A decisão visa proteger a estabilidade emocional de Léo.
Administração do patrimônio de Marília Mendonça
A herança de Marília Mendonça, avaliada em milhões, é outro ponto central do caso. Léo, como único herdeiro, tem direito a todos os bens da cantora, incluindo royalties de sucessos como “Infiel” e “Leão”. Até a decisão judicial, Ruth e Murilo geriam esses recursos em conjunto, mas as contas foram temporariamente bloqueadas. O advogado de Ruth, Robson Cunha, destacou que não houve má administração. Pelo contrário, ele afirmou que o patrimônio de Léo triplicou desde a morte de Marília, e uma ação de prestação de contas foi apresentada para comprovar a gestão responsável.
A administração financeira é crucial, já que os recursos garantem o bem-estar de Léo. O bloqueio das contas, segundo especialistas, é uma medida comum em disputas judiciais para proteger o patrimônio do menor até que a guarda seja resolvida. A decisão final sobre a gestão financeira deve acompanhar o desfecho da disputa pela guarda.
Polêmica sobre a indenização do acidente aéreo
Além da guarda, Ruth enfrenta críticas relacionadas à divisão de uma indenização de US$ 2 milhões pelo acidente aéreo que vitimou Marília Mendonça e outras quatro pessoas: o piloto Geraldo Martins de Medeiros, o copiloto Tarciso Pessoa Viana, o tio de Marília, Abiceli Silveira Dias Filho, e o produtor Henrique Bahia. A família de Marília recebeu cerca de US$ 1 milhão, quase metade do valor total, o que gerou questionamentos de outras famílias, como a de Geraldo Medeiros.
Vitória Medeiros, filha do piloto, usou as redes sociais para criticar a divisão, defendendo que “todas as vidas valem igual”. Ruth, que perdeu o irmão Abiceli no mesmo acidente, negou que sua defesa tenha solicitado a maior parte da indenização. Segundo seu advogado, a divisão foi proposta pela empresa de táxi aéreo, e o valor destinado a Léo foi reduzido para beneficiar a filha do piloto. Especialistas explicam que indenizações variam com base em fatores como idade, renda potencial e dependentes das vítimas, sem implicar que uma vida tenha mais valor.
- Valor total da indenização: US$ 2 milhões para cinco vítimas.
- Parte destinada a Léo: Aproximadamente US$ 1 milhão.
- Críticas à divisão: Questionamentos sobre equidade entre as famílias.
- Esclarecimento de Ruth: Divisão proposta pela empresa, não por sua defesa.
Reação de Murilo Huff e próximos passos
Murilo Huff, que preferiu não dar entrevista ao Fantástico, divulgou uma nota reafirmando seu compromisso com o bem-estar de Léo. Ele destacou que nunca impediu a convivência do menino com a avó materna e que tentou um acordo amigável antes de recorrer à Justiça. Segundo Murilo, a rotina de Léo não foi alterada, já que o menino sempre conviveu diariamente com o pai. Ele também afirmou que respeitará o segredo de Justiça e buscará a melhor solução para o filho.
Ruth, por outro lado, mantém a esperança de reverter a decisão. Sua defesa já anunciou que recorrerá da liminar, argumentando que a guarda compartilhada é o melhor para Léo. A avó expressou confiança de que a situação será resolvida, destacando seu desejo de manter o vínculo com o neto. “Vai ficar tudo bem”, afirmou, em tom otimista, ao Fantástico.
Impacto emocional e social do caso
A disputa pela guarda de Léo reacende discussões sobre o impacto de conflitos familiares em crianças. Especialistas em direito de família enfatizam que decisões judiciais priorizam o bem-estar do menor, considerando fatores como estabilidade emocional e convívio com ambos os lados da família. No caso de Léo, a decisão de retirar a guarda compartilhada reflete a percepção do juiz de que os desentendimentos entre Ruth e Murilo poderiam prejudicar o desenvolvimento do menino.
O caso também destaca o peso emocional para Ruth, que perdeu a filha e o irmão no mesmo acidente. A avó descreveu a relação com Léo como uma forma de manter viva a memória de Marília. A possibilidade de perder esse vínculo diário é, para ela, uma nova perda. A sociedade acompanha o caso com atenção, dado o impacto de Marília Mendonça na cultura brasileira e a comoção gerada por sua morte.
- Prioridade judicial: Bem-estar emocional e físico de Léo.
- Impacto para Ruth: Perda da guarda comparada a um novo luto.
- Repercussão pública: Caso ganha destaque pela fama de Marília Mendonça.
O legado de Marília Mendonça
Marília Mendonça, conhecida como a “Rainha da Sofrência”, deixou um legado musical que continua a gerar milhões em royalties. Suas canções, que falam de amor, superação e desafios femininos, seguem entre as mais tocadas do Brasil. Léo, como herdeiro, é o beneficiário direto desse patrimônio, que inclui direitos autorais e contratos publicitários. A gestão desses bens é essencial para garantir o futuro do menino, mas a disputa judicial coloca em xeque a harmonia necessária para essa administração.
A morte de Marília, aos 26 anos, chocou o Brasil e o mundo. O acidente aéreo, que ocorreu durante uma viagem para um show, foi amplamente coberto pela mídia. Quase quatro anos depois, a disputa pela guarda de seu filho mantém o nome da cantora em evidência, agora em um contexto de conflito familiar.
Perspectivas para o futuro
A batalha judicial está longe de um desfecho. A defesa de Ruth trabalha para reverter a decisão liminar, enquanto Murilo busca consolidar a guarda exclusiva. O caso deve passar por novas audiências, com análise de provas e depoimentos. Especialistas acreditam que a Justiça pode optar por uma solução intermediária, como a manutenção de visitas regulares para Ruth, garantindo o convívio com Léo sem comprometer a estabilidade do menino.
O desfecho do caso também impactará a administração do patrimônio de Léo. Com as contas atualmente bloqueadas, a resolução da guarda será crucial para definir quem gerenciará os recursos. Enquanto isso, Léo segue no centro de uma disputa que mistura luto, amor familiar e interesses financeiros.
