A Fifa, em conjunto com a International Board (Ifab), está analisando alterações significativas nas regras do futebol, com o objetivo de implementá-las antes da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. As discussões, lideradas por nomes como Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global da Fifa, incluem a proposta de eliminar os rebotes nas cobranças de pênaltis e expandir o uso do árbitro de vídeo (VAR) para revisar lances como cartões amarelos e escanteios. As mudanças precisam ser aprovadas até fevereiro de 2026 para entrar em vigor no torneio. O objetivo é tornar o esporte mais justo e dinâmico, mas as propostas geram debates sobre o impacto no ritmo das partidas e na essência do jogo.
As negociações envolvem membros da Fifa e do Ifab, que se reuniram em encontros recentes para avaliar sugestões que podem reformular aspectos fundamentais do futebol. A pressão para aprovar as mudanças antes do Mundial reflete a busca por um esporte mais atrativo e alinhado com as expectativas de torcedores e gestores.
- Principais propostas em debate:
- Eliminação dos rebotes em cobranças de pênaltis, resultando em tiro de meta após defesa ou erro.
- Expansão do VAR para revisar cartões amarelos e escanteios mal marcados.
- Regras mais rígidas para reposição de bola, como o limite de oito segundos para goleiros.
As discussões ocorrem em um momento em que o Ifab, historicamente conservador, mostra maior abertura para inovações, como visto na recente decisão sobre penalidades com dois toques.
Proposta para acabar com rebotes nos pênaltis
A ideia de eliminar os rebotes nas cobranças de pênaltis partiu de Arsène Wenger, que argumenta que a regra atual favorece desproporcionalmente o time que ataca. Quando um goleiro defende um pênalti, mas a bola retorna ao campo, o cobrador ou seus companheiros têm uma segunda chance imediata, enquanto o goleiro está muitas vezes fora de posição. A proposta sugere que, em caso de defesa ou erro, a jogada seja encerrada com um tiro de meta, simplificando o lance e reduzindo disputas por invasões de área.
Essa mudança, se aprovada, seria aplicada tanto em jogos normais quanto em disputas por pênaltis após empate. A medida visa equilibrar as chances entre ataque e defesa, além de agilizar o jogo. Críticos, no entanto, apontam que a alteração pode reduzir a emoção de momentos decisivos, como quando um rebote gera um gol crucial. A proposta será testada em competições menores antes de uma decisão final.
- Impactos esperados da mudança:
- Redução de disputas por invasão de área durante pênaltis.
- Menor vantagem para o time que cobra a penalidade.
- Agilidade nas partidas, com menos interrupções após defesas.
Expansão do VAR: mais lances sob revisão
Outra proposta em pauta é a ampliação do escopo do VAR, que passaria a revisar lances como cartões amarelos, especialmente em casos de expulsão por acúmulo de advertências, e marcações incorretas de escanteios. A ideia é aumentar a precisão nas decisões, mas há preocupações com o tempo adicional que essas revisões podem demandar. O VAR, introduzido na Copa de 2018, já é alvo de críticas por pausas longas, e a expansão pode intensificar esse problema.
A Fifa planeja testes em ligas regionais para avaliar a viabilidade da mudança. A tecnologia seria usada para corrigir erros claros, como escanteios concedidos equivocadamente ou cartões injustos. A proposta reflete a crescente confiança na arbitragem de vídeo, mas exige ajustes para evitar atrasos excessivos.
Novas regras para reposição de bola
Além das mudanças nos pênaltis e no VAR, o Ifab aprovou, em sua Assembleia Geral Anual de 2025, em Belfast, uma regra que limita a reposição de bola pelos goleiros a oito segundos. A medida, proposta por Gianni Infantino, presidente da Fifa, busca acelerar o ritmo das partidas e evitar táticas de retardamento. Goleiros que excederem o tempo podem receber advertências ou conceder faltas indiretas ao adversário.
A regra já está em fase de testes em algumas competições, com resultados positivos em termos de fluidez do jogo. A mudança complementa outras iniciativas recentes, como a punição por dois toques em cobranças de pênaltis, aplicada após polêmicas como a eliminação do Atlético de Madrid na Champions League.
- Benefícios da regra de oito segundos:
- Aumento do tempo efetivo de jogo.
- Redução de estratégias de atraso por goleiros.
- Maior dinamismo nas partidas, especialmente em momentos finais.
Histórico de mudanças recentes no futebol
Nos últimos anos, o Ifab tem se mostrado mais aberto a alterações nas regras, rompendo com sua postura tradicionalmente conservadora. A introdução do VAR, a revisão de impedimentos por tecnologia semiautomática e a punição por dois toques em pênaltis são exemplos de inovações recentes. Essas mudanças refletem a pressão por um futebol mais justo e alinhado com as expectativas de torcedores modernos, que demandam transparência e dinamismo.
A proposta de eliminar rebotes nos pênaltis e expandir o VAR segue essa tendência, mas enfrenta resistência de puristas que temem a perda da essência do esporte. Testes em competições menores, como ligas nacionais e torneios de base, serão cruciais para avaliar o impacto das mudanças antes da Copa de 2026.
Reações e próximos passos
As propostas têm gerado debates entre torcedores, jogadores e treinadores. Alguns defendem que as mudanças trarão mais justiça ao jogo, enquanto outros alertam para o risco de descaracterizar o futebol. A Fifa e o Ifab planejam realizar consultas com associações nacionais e ligas profissionais até o início de 2026 para refinar as regras.
Os testes práticos serão conduzidos em torneios selecionados, com relatórios detalhados sobre o impacto das mudanças no ritmo e na competitividade das partidas. A decisão final será tomada na próxima Assembleia Geral do Ifab, marcada para fevereiro de 2026, a poucos meses do início da Copa do Mundo.
- Cronograma das mudanças:
- Testes em competições menores: segundo semestre de 2025 e início de 2026.
- Reunião final do Ifab: fevereiro de 2026.
- Implementação na Copa do Mundo: julho de 2026.
Preparação para a Copa de 2026
A Copa do Mundo de 2026, que será a primeira com 48 seleções, exige ajustes logísticos e regulamentares para garantir um torneio fluido. As mudanças nas regras do futebol fazem parte desse esforço, que também inclui a venda de ingressos, já em planejamento, e a definição de direitos de transmissão. No Brasil, a disputa entre CazéTV e Globo pela cobertura do Mundial reflete o interesse crescente no evento.
As propostas da Fifa e do Ifab mostram um compromisso com a evolução do esporte, mas o desafio será equilibrar inovação com a preservação das tradições do futebol. As decisões tomadas nos próximos meses terão impacto não apenas na Copa de 2026, mas no futuro da modalidade em nível global.

