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Pai do Oruam: quem é Marcinho VP, líder do Comando Vermelho

MArcinho VP
Foto: MArcinho VP - Foto: TV Record

Oruam, rapper carioca de 24 anos, voltou a ser destaque após desafiar autoridades e mencionar seu pai, Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho, em um incidente recente no Rio de Janeiro. No dia 22 de julho de 2025, o artista escapou de uma abordagem da Polícia Civil, declarando estar a caminho do Complexo da Penha, segundo publicações em redes sociais. Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, nome de registro de Oruam, é conhecido por suas músicas no estilo trap e por homenagear publicamente o pai, preso desde 1996 por crimes como tráfico de drogas e homicídio. A relação entre o rapper e Marcinho VP, condenado a 44 anos de prisão, gera debates acalorados sobre apologia ao crime e o impacto de sua música na juventude. O caso reflete a complexidade de sua trajetória, marcada pela ausência do pai e pelo sucesso na música, conquistado, segundo ele, de forma independente.

Nascido em 2001, Oruam cresceu na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, sem convívio direto com Marcinho VP, que foi preso quando o rapper tinha apenas cinco anos. Apesar disso, o artista mantém uma relação afetiva com o pai, visitando-o esporadicamente em presídios de segurança máxima, como o de Campo Grande, onde Marcinho está detido desde 2024. Em entrevistas, Oruam destaca o orgulho do pai por seu sucesso, mas também enfrenta críticas por suas homenagens públicas, como o uso de camisetas pedindo “liberdade” durante shows.

  • Homenagens polêmicas: Oruam já usou camisetas com a foto de Marcinho VP em eventos como o Lollapalooza 2024.
  • Visitas raras: O rapper visita o pai cerca de uma vez por ano, segundo relatos.
  • Sucesso independente: Oruam enfatiza que sua fama vem de seu talento musical, não da notoriedade do pai.
  • Tatuagens controversas: Ele tem tatuagens com os rostos de Marcinho VP e Elias Maluco, considerado seu “tio”.
Oruam
Oruam – Foto: Instagram

A trajetória de Marcinho VP

Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, é uma figura central no Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Brasil. Nascido em 1970, no bairro de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, ele se mudou ainda bebê para São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Sua infância foi marcada por dificuldades: o pai foi assassinado, e a mãe, presa quatro vezes, deixou ele e os irmãos aos cuidados de uma tia. Segundo sua autobiografia, publicada em 2017, Marcinho começou a cometer delitos aos 13 anos, inicialmente para comprar roupas de marca, e logo migrou para o tráfico de drogas, assumindo a liderança no Complexo do Alemão na década de 1990.

Preso em 1996, em Porto Alegre, Marcinho VP foi condenado por crimes como homicídio qualificado, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Sua pena totaliza 44 anos, e ele já passou por presídios como Bangu, Catanduvas e Campo Grande. Mesmo encarcerado, autoridades afirmam que ele mantém influência no Comando Vermelho, ao lado de figuras como Fernandinho Beira-Mar. Um dos crimes associados a ele é o assassinato de Márcio Amaro de Oliveira, outro traficante conhecido como Marcinho VP, morto em 2003 por revelar detalhes do tráfico à imprensa.

  • Crimes graves: Condenado por homicídio, tráfico e formação de quadrilha.
  • Influência na prisão: Apontado como líder do Comando Vermelho mesmo atrás das grades.
  • Autobiografia: Escreveu “O Direito Penal do Inimigo” na prisão, relatando sua trajetória.
  • Transferências: Passou por diversos presídios de segurança máxima no Brasil.

A carreira de Oruam no trap

Oruam despontou no cenário musical em 2021, com o lançamento da música “Invejoso”, ao lado de outros artistas. Sua ascensão ganhou força em 2022, com a participação no projeto “Poesia Acústica 13” e a assinatura com a gravadora Mainstreet Records. Hoje, com mais de 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify, ele é um dos principais nomes do trap nacional, colaborando com artistas como Ludmilla, MC Ryan SP e Orochi. Suas letras abordam vivências na periferia, ostentação e temas pessoais, mas também geram críticas por supostamente normalizarem a cultura do crime.

Apesar do sucesso, Oruam enfrenta controvérsias. Em 2024, sua apresentação no Lollapalooza causou polêmica quando ele usou uma camiseta pedindo a liberdade do pai. O ato foi interpretado por alguns como apologia ao crime, levando à criação de projetos de lei, apelidados de “Lei Anti-Oruam”, que buscam proibir shows de artistas que promovam conteúdos relacionados ao crime organizado. Em São Paulo, a vereadora Amanda Vettorazzo liderou a iniciativa, que se espalhou para outras cidades. Oruam respondeu às críticas, afirmando que suas ações refletem apenas o amor por seu pai.

Relação com Elias Maluco

Além de Marcinho VP, Oruam mantém laços afetivos com Elias Maluco, outro traficante notório do Comando Vermelho, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes em 2002. Elias, morto em 2020 na Penitenciária de Catanduvas, é considerado “tio” pelo rapper, que tatuou seu rosto ao lado do de Marcinho VP. Essa conexão reforça as críticas de que Oruam glorifica figuras do crime, embora ele insista que suas tatuagens e homenagens são expressões pessoais, sem relação com suas músicas ou carreira.

  • Elias Maluco: Condenado por mais de 60 mortes, incluindo a do jornalista Tim Lopes.
  • Tatuagem: Oruam tem o rosto de Elias tatuado, chamando-o de “tio”.
  • Controvérsia: A homenagem a Elias intensifica debates sobre apologia ao crime.
  • Relação familiar: Oruam também tatuou Raul, filho de Elias, a quem chama de “primo”.

Incidentes recentes e polêmicas

No início de 2025, Oruam foi detido duas vezes em menos de uma semana. Em 20 de fevereiro, ele foi preso após realizar uma manobra perigosa com seu carro, conhecida como “cavalo de pau”, na Barra da Tijuca. Após pagar fiança de R$ 60 mil, foi liberado. Dias depois, em 26 de fevereiro, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa, investigando disparos de arma de fogo em um condomínio em São Paulo. Durante a operação, um foragido da Justiça foi encontrado em sua residência, levando à prisão de Oruam por favorecimento pessoal. Ele foi liberado após prestar esclarecimentos.

O incidente mais recente, em julho de 2025, envolveu a fuga de uma abordagem policial. Oruam teria declarado estar indo para o Complexo da Penha, mencionando ser “filho do Marcinho VP” em desafio às autoridades. A atitude gerou repercussão nas redes sociais, com opiniões divididas entre apoio ao rapper e críticas por sua postura.

  • Prisão em fevereiro: Detido por direção perigosa e favorecimento pessoal.
  • Disparos em São Paulo: Investigado por uso de arma de fogo em condomínio.
  • Fuga em julho: Desafiou a polícia, mencionando o nome do pai.
  • Repercussão: Divide opiniões entre fãs e críticos nas redes sociais.

A visão de Oruam sobre o pai

Em entrevistas, Oruam defende Marcinho VP, afirmando que ele é um exemplo de pai, apesar de seus crimes. Ele destaca que nunca conviveu com o pai fora da prisão, mas recebeu orientações para evitar o caminho do crime. O rapper rejeita o rótulo de “filho de traficante”, argumentando que seus feitos são resultado de seu trabalho na música. Em uma entrevista à Record, em 2025, ele afirmou que Marcinho o ensinou a ser honesto e humilde, e que superou as expectativas ao construir uma carreira sem depender da notoriedade do pai.

A relação com Marcinho VP é um tema recorrente em suas falas. Oruam já declarou que o pai fica “bobo” ao saber de seu sucesso, como sua amizade com Neymar e participações em eventos como o Lollapalooza. Ele também critica as condições de encarceramento do pai, que vive em uma cela de 6 metros quadrados com acesso limitado ao banho de sol.

O impacto na sociedade

A trajetória de Oruam levanta questões sobre a influência de figuras públicas com laços familiares no crime organizado. Enquanto alguns fãs o veem como um exemplo de superação, outros apontam que suas homenagens a Marcinho VP e Elias Maluco podem normalizar a cultura do crime entre jovens. Projetos como a “Lei Anti-Oruam” refletem a preocupação de autoridades com o impacto de sua música e posturas públicas.

Oruam, por sua vez, insiste que sua arte reflete sua realidade e que não tem intenção de promover o crime. Ele destaca que suas letras abordam vivências pessoais e sentimentos universais, como a saudade do pai. A polêmica em torno de sua figura evidencia o desafio de separar a arte do artista de seu contexto familiar e social.

  • Superação: Oruam se apresenta como exemplo de quem venceu as adversidades.
  • Críticas: Acusado de normalizar o crime com homenagens ao pai e a Elias Maluco.
  • Projetos de lei: “Lei Anti-Oruam” busca regular shows com conteúdos polêmicos.
  • Arte e realidade: O rapper defende que suas músicas refletem sua vivência, não o crime.