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Cocô de fita e outros sinais de alerta: Como identificar o câncer que Preta Gil diagnosticada

Preta Gil
Foto: Preta Gil - Foto: Instagram

A cantora Preta Gil, que faleceu em 20 de julho de 2025, aos 50 anos, deixou um alerta valioso sobre os sinais do câncer de intestino, doença que enfrentou por dois anos. Em entrevista ao programa Mais Você, em 2023, ela relatou sintomas como fezes achatadas, conhecidas como “cocô de fita”, prisão de ventre severa e sangramento intenso, ignorados por meses antes do diagnóstico de adenocarcinoma. Diagnosticada após uma internação de emergência no Rio de Janeiro, Preta destacou a importância de exames como a colonoscopia para a detecção precoce. Sua história reforça a necessidade de atenção a mudanças no corpo, especialmente em um cenário de aumento de casos de câncer colorretal no Brasil, que deve registrar 45 mil novos diagnósticos em 2025, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A conscientização pode salvar vidas.

A artista, filha de Gilberto Gil, revelou que os sintomas começaram de forma sutil, mas se intensificaram com o tempo. Durante meses, ela normalizou sinais como fezes com formato alterado e crises de constipação que duravam até dez dias. Um episódio de sangramento retal grave, que a levou a desmaiar, foi o que a motivou a buscar ajuda médica. Na emergência, uma tomografia revelou um tumor de seis centímetros na porção final do intestino.

Preta Gil
Preta Gil – Foto: Instagram

Os sinais descritos por Preta Gil não são exclusivos do câncer de intestino, mas exigem atenção. Especialistas destacam que mudanças persistentes no hábito intestinal, sangramento e dor abdominal podem indicar problemas graves. A seguir, alguns sintomas que merecem investigação médica:

  • Fezes achatadas ou finas, conhecidas como “cocô de fita”.
  • Sangue nas fezes, seja vermelho vivo ou escuro.
  • Alterações no hábito intestinal, como diarreia ou constipação prolongada.
  • Dor abdominal persistente ou sensação de inchaço.
  • Perda de peso sem motivo aparente ou cansaço excessivo.

O que é o cocô de fita e por que ele preocupa

O termo “cocô de fita” refere-se a fezes finas e achatadas, que se assemelham a uma fita ou lápis. Esse formato ocorre quando algo obstrui parcialmente o intestino, como um tumor na região do cólon ou reto. Segundo a oncologista Luiza Dib, do Hospital Sírio-Libanês, esse sinal é mais comum em lesões avançadas, mas pode aparecer em estágios iniciais. A obstrução força as fezes a passarem por um espaço reduzido, alterando sua forma natural.

Embora o cocô de fita seja um sintoma importante, ele não é exclusivo do câncer. Condições como hemorroidas, síndrome do intestino irritável ou diverticulite também podem causar fezes estreitas. No entanto, quando acompanhado de outros sinais, como sangue ou dor, ele exige avaliação médica urgente. A história de Preta Gil ilustra como a normalização desses sintomas pode atrasar o diagnóstico, reduzindo as chances de cura.

A colonoscopia é o principal exame para investigar alterações intestinais. Recomendada a partir dos 45 anos, ou antes em casos de histórico familiar, ela permite visualizar o interior do intestino e remover pólipos, lesões benignas que podem evoluir para câncer. Preta Gil, que não realizou o exame antes do diagnóstico, enfatizou sua importância em entrevistas.

A importância do diagnóstico precoce

O câncer colorretal é o segundo tipo mais comum entre mulheres e o terceiro entre homens no Brasil, atrás apenas do câncer de mama e de próstata, respectivamente. Dados do Inca estimam que, em 2025, cerca de 45 mil novos casos serão registrados, com um aumento preocupante entre jovens. A detecção precoce eleva as chances de cura para até 95%, mas diagnósticos tardios, como no caso de Preta, complicam o tratamento.

A demora na busca por ajuda médica é comum, especialmente porque os sintomas iniciais podem ser confundidos com problemas menos graves, como hemorroidas ou estresse. Preta Gil relatou que, por meses, ignorou sinais como prisão de ventre severa e fezes com sangue, atribuindo-os à correria do dia a dia. Quando finalmente buscou atendimento, o tumor já estava em estágio avançado, exigindo cirurgias, quimioterapia e radioterapia.

Fatores que reforçam a importância da prevenção incluem:

  • Rastreamento regular a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas.
  • Atenção a sintomas persistentes por mais de duas semanas.
  • Consulta médica imediata em caso de sangramento retal significativo.
  • Adoção de hábitos saudáveis, como dieta rica em fibras e atividade física.

Fatores de risco e prevenção

O câncer de intestino está fortemente ligado ao estilo de vida. Alimentação rica em carnes vermelhas e processadas, sedentarismo, obesidade e tabagismo são fatores de risco bem estabelecidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica carnes ultraprocessadas, como salsichas e presuntos, como carcinógenos do grupo 1 para câncer colorretal. Além disso, condições como doença de Crohn e histórico familiar aumentam a probabilidade de desenvolver a doença.

A prevenção começa com mudanças simples no cotidiano. Uma dieta balanceada, com alto consumo de fibras provenientes de frutas, vegetais e grãos integrais, reduz o tempo de contato de resíduos tóxicos com a mucosa intestinal. A prática regular de exercícios físicos e a redução do consumo de álcool e tabaco também são medidas eficazes.

Estratégias preventivas incluem:

  • Realizar colonoscopia a partir dos 45 anos ou antes com histórico familiar.
  • Reduzir o consumo de carnes processadas e gorduras saturadas.
  • Manter um peso saudável para evitar obesidade abdominal.
  • Incluir fibras e antioxidantes na alimentação diária.
  • Evitar o sedentarismo com pelo menos 150 minutos de exercícios por semana.

A jornada de Preta Gil contra o câncer

Preta Gil descobriu o câncer em janeiro de 2023, após um episódio grave de sangramento que a levou ao hospital. Na emergência, exames de imagem, como tomografia e ressonância, revelaram um tumor de seis centímetros no reto. O diagnóstico foi de adenocarcinoma, um tipo de câncer que se origina em pólipos e representa 90% dos casos de câncer colorretal. A cantora passou por uma cirurgia de 21 horas, quimioterapia, radioterapia e tratamentos experimentais nos Estados Unidos, mas a doença progrediu.

Durante sua luta, Preta usou sua visibilidade para conscientizar o público. Em entrevistas, ela destacou como a falta de atenção aos sinais do corpo atrasou seu diagnóstico. “Eu achava normal”, disse ela sobre as fezes achatadas e a constipação. Sua história emocionou fãs e reforçou a importância de ouvir o corpo e buscar ajuda médica ao menor sinal de anormalidade.

A artista também enfrentou desafios emocionais e físicos, como a necessidade de usar uma bolsa de colostomia definitiva. Apesar disso, manteve a esperança, afirmando em 2023: “Eu não vou morrer disso, tenho certeza que vou viver muito”. Sua mensagem continua a inspirar a prevenção e o diagnóstico precoce.

Aumento de casos em jovens preocupa especialistas

Nos últimos anos, o câncer colorretal tem crescido entre pessoas mais jovens, um fenômeno que intriga especialistas. Antes considerado uma doença de idosos, ele agora afeta adultos abaixo dos 50 anos com maior frequência. Mudanças nos hábitos alimentares, aumento da obesidade e sedentarismo são apontados como causas. Em 2020, o Brasil registrou cerca de 20 mil mortes por câncer de intestino; em 2024, o número subiu para quase 26 mil.

A Sociedade Brasileira de Coloproctologia recomenda a colonoscopia a partir dos 45 anos, mas pessoas com histórico familiar devem iniciar o rastreamento mais cedo. A falta de acesso a exames no sistema público de saúde é um obstáculo, já que a colonoscopia não é amplamente disponível. Preta Gil destacou essa barreira, defendendo maior acesso ao exame que poderia ter mudado o curso de sua doença.

Medidas para conter o avanço da doença incluem:

  • Incentivar o rastreamento precoce em populações de risco.
  • Ampliar o acesso à colonoscopia no SUS.
  • Promover campanhas de conscientização, como o Março Azul Marinho.
  • Educar sobre a importância de uma alimentação saudável.

Como agir diante de sintomas suspeitos

Identificar sinais como o cocô de fita é apenas o primeiro passo. Especialistas recomendam procurar um médico se os sintomas persistirem por mais de duas semanas. Além da colonoscopia, exames como o teste de sangue oculto nas fezes podem ajudar na detecção precoce. A história de Preta Gil mostra como a demora em buscar ajuda pode agravar o quadro, transformando uma doença tratável em um desafio maior.

A atenção aos sinais do corpo é crucial. Sangramento retal, mesmo que associado a hemorroidas, deve ser investigado, especialmente se acompanhado de outros sintomas. A orientação é clara: não normalize mudanças no hábito intestinal ou desconfortos persistentes. A prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores ferramentas contra o câncer de intestino.