Atlético-MG

Flamengo tentou contratar Reinaldo em 1983, mas Atlético-MG barrou a transferência

Zico e Reinaldo
Foto: Zico e Reinaldo - Foto: Divulgação

Em junho de 1983, o Flamengo enfrentava um desafio histórico: repor a saída de Zico, seu maior ídolo, vendido à Udinese por US$ 4 milhões. O clube carioca mirou Reinaldo, atacante e maior artilheiro do Atlético-MG, com 255 gols em 475 jogos. O jogador, insatisfeito em Belo Horizonte, queria novos ares e via com bons olhos a transferência para o Rio de Janeiro. A negociação, porém, esbarrou na resistência do presidente atleticano Elias Kalil, que dificultou a liberação do craque. O embate intensificou a rivalidade entre os clubes, marcada por duelos decisivos nos anos 80.

A saída de Zico deixou o Flamengo em busca de um substituto à altura. O técnico Carlos Alberto Torres, em julho de 1983, destacou a necessidade de um “goleador que decidisse jogos”. Reinaldo, conhecido como “Rei” pelos atleticanos, era o nome ideal.

  • Motivos da escolha: habilidade, faro de gol e experiência em jogos grandes.
  • Rivalidade: a transferência poderia acirrar o confronto entre Flamengo e Atlético-MG.
  • Declaração de Torres: “Com Zico, era fácil. Agora, preciso de um jogador decisivo”.

A possibilidade de Reinaldo no Flamengo agitou torcedores e imprensa, mas o desfecho frustrou as expectativas.

Interesse rubro-negro por Reinaldo

O Flamengo, recém-campeão brasileiro em 1983, sentia a ausência de Zico no Campeonato Carioca. Após um empate sem gols contra o Fluminense, no Maracanã, a pressão por reforços aumentou. Reinaldo, então com 10 anos de Atlético-MG, era a principal aposta. O jogador, revelado em 1973, conquistara a torcida alvinegra com sua inteligência tática e gols decisivos, como os dois marcados na final do Brasileirão de 1980 contra o próprio Flamengo, apesar da derrota por 3 a 2.

O treinador rubro-negro citou Reinaldo publicamente como um dos alvos prioritários. A diretoria carioca, liderada pelo vice-presidente de futebol Paulo Dantas, ofereceu 300 milhões de cruzeiros, incluindo o meia Vitor na negociação. O Atlético-MG, porém, exigia 530 milhões, valor considerado alto para a época.

  • Valor inicial pedido: 530 milhões de cruzeiros pelo Atlético-MG.
  • Oferta do Flamengo: 300 milhões de cruzeiros mais o meia Vitor.
  • Impasse: diferença de 230 milhões travou as conversas.

Apesar do otimismo inicial, as negociações não avançaram.

Resistência de Elias Kalil

Elias Kalil, presidente do Atlético-MG, foi o principal obstáculo. Em 28 de junho de 1983, o jornal “Última Hora” noticiou que o dirigente dificultava a venda de Reinaldo, temendo fortalecer um rival histórico. A rivalidade entre os clubes, alimentada por confrontos na final do Brasileirão de 1980 e na Libertadores de 1981, pesou na decisão.

Kalil chegou a ironizar o interesse rubro-negro. Em 18 de julho, declarou que o Flamengo “não tinha dinheiro” para comprar Reinaldo e mencionou uma suposta oferta de US$ 1 milhão do Paris Saint-Germain, que também teria sido recusada. O presidente do Atlético-MG priorizou manter o ídolo em Belo Horizonte, mesmo com a insatisfação do jogador.

Reinaldo, em entrevista à Globo na época, desconversou sobre a transferência, mas deixou claro seu desejo de sair: “Depende da diretoria. Aqui ou lá, estou aí”. À revista Placar, ele revelou que Kalil havia prometido liberá-lo, mas não cumpriu.

Reinaldo
Reinaldo – Foto: Divulgação

Insatisfação de Reinaldo

A resistência de Kalil aumentou a frustração de Reinaldo. Após 10 anos no Atlético-MG, o atacante sentia que havia cumprido seu ciclo no clube. Em entrevista à Placar, ele confessou: “Desanimei. Entrei em baixo astral”. O jogador via no Flamengo uma oportunidade de brilhar em um novo mercado e disputar títulos nacionais e internacionais.

  • Motivos da insatisfação: falta de novos desafios no Atlético-MG.
  • Interesse do Flamengo: chance de jogar no Rio e em um clube vitorioso.
  • Declaração à Placar: “Queria ir embora. O Flamengo era uma possibilidade”.

A recusa do Atlético-MG em negociar com o Flamengo acabou adiando a saída de Reinaldo, que só deixou o clube em 1986, quando se transferiu para o rival Cruzeiro, em uma movimentação que chocou os atleticanos.

Impacto no Flamengo

Sem Reinaldo, o Flamengo buscou alternativas para suprir a ausência de Zico. O clube apostou em jogadores do elenco, como Gilmar Popoca, promovido da base e visto como o “novo Zico”. A expectativa, porém, não se concretizou. Outra aposta foi Bebeto, contratado do Vitória antes da venda de Zico. O jovem atacante começou a se destacar em 1984, mas não preenchia imediatamente o vazio deixado pelo camisa 10.

O Flamengo seguiu competitivo, mas a ausência de um substituto à altura de Zico marcou o Carioca de 1983. A tentativa de contratar Reinaldo, embora frustrada, mostrou a ambição do clube em manter seu protagonismo no futebol brasileiro.

  • Apostas do Flamengo: Gilmar Popoca e Bebeto.
  • Resultado: Popoca não vingou; Bebeto se consolidou a partir de 1984.
  • Estratégia: dividir a responsabilidade criativa entre o elenco.

Rivalidade histórica

A negociação frustrada por Reinaldo reforçou a rivalidade entre Flamengo e Atlético-MG. Os duelos dos anos 80, como a final do Brasileirão de 1980 e a Libertadores de 1981, criaram uma tensão que persiste até hoje. Reinaldo foi protagonista em 1980, marcando três gols nos dois jogos da final, mas viu o Flamengo levar o título.

A recusa de Kalil em liberar o jogador para o Rubro-Negro foi vista como uma resposta à supremacia carioca na época. Anos depois, em 1986, o Flamengo contratou outro ídolo atleticano, Nunes, tricampeão brasileiro pelo clube carioca, em um movimento que reacendeu a rivalidade.

  • Momentos marcantes: final de 1980 e Libertadores de 1981.
  • Protagonismo de Reinaldo: três gols na final do Brasileirão de 1980.
  • Transferências cruzadas: Dadá Maravilha (1973) e Nunes (1986).

Legado de Reinaldo

Reinaldo segue como o maior artilheiro da história do Atlético-MG, com 255 gols. Sua trajetória no clube, marcada por habilidade e gols decisivos, garantiu o status de ídolo eterno. A quase transferência para o Flamengo, embora não concretizada, é um capítulo curioso de sua carreira, revelando como a rivalidade e as decisões de bastidores moldaram o futebol brasileiro nos anos 80.

O Flamengo, por sua vez, superou a saída de Zico com o surgimento de novos talentos e contratações estratégicas. A tentativa de contratar Reinaldo, mesmo sem sucesso, reflete a busca incessante do clube por protagonismo, mesmo em momentos de transição.