A seleção brasileira feminina conquistou a Copa América 2025 em uma final eletrizante contra a Colômbia, no Estádio Casa Blanca, em Quito, no Equador, no dia 2 de agosto. Sob o comando do técnico Arthur Elias, o Brasil venceu por 5 a 4 nos pênaltis após um empate por 4 a 4 no tempo normal e prorrogação, com destaque para um golaço de Marta aos 50 minutos do segundo tempo, que evitou a derrota e levou o jogo à prorrogação. A vitória marcou o primeiro título de Elias à frente da seleção, consolidando sua trajetória vitoriosa após 15 conquistas pelo Corinthians. O jogo, transmitido por TV Brasil, SporTV e Globo, reforçou a hegemonia brasileira na competição, com o nono título em dez edições. A conquista também garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, enquanto o Brasil já está classificado para a Copa do Mundo de 2027, por ser sede.
O caminho até o título foi marcado por desafios e momentos de superação. A seleção enfrentou a Colômbia, uma adversária forte que buscava revanche após a derrota na final de 2022. Apesar de um empate sem gols na fase de grupos, a final foi um espetáculo de emoções, com o Brasil ficando atrás no placar três vezes. A entrada de Marta no segundo tempo mudou o rumo da partida, e a goleira Lorena brilhou nos pênaltis, defendendo a cobrança decisiva de Carabalí.
- Principais momentos da final:
- Golaço de Marta aos 50 minutos do segundo tempo.
- Empate colombiano na prorrogação, levando o jogo aos pênaltis.
- Defesa de Lorena na cobrança de Carabalí, garantindo o título.
O treinador Arthur Elias, em sua primeira conquista com a seleção, destacou a força coletiva do elenco e o papel crucial de Marta, mas também reforçou que o sucesso não depende apenas de uma jogadora. A campanha invicta do Brasil, com quatro vitórias e um empate, consolidou a nova fase da equipe sob sua liderança.
Caminho até a final
A trajetória da seleção brasileira na Copa América 2025 começou com uma vitória por 2 a 0 contra a Venezuela, apesar de um desempenho abaixo do esperado, como admitido por Elias. Na segunda rodada, o Brasil aplicou uma goleada de 6 a 0 sobre a Bolívia, com destaque para os três gols de Kerolin. A partida contra o Paraguai, vencida por 3 a 1, garantiu a liderança do Grupo B. O empate sem gols contra a Colômbia na fase de grupos já indicava o equilíbrio entre as duas equipes, que se repetiu na final.
Na semifinal, o Brasil enfrentou o Uruguai e venceu por 5 a 1, em uma atuação dominante que assegurou a vaga na decisão e a classificação para os Jogos Olímpicos de 2028. Amanda Gutierrez se destacou como artilheira da campanha, enquanto jovens jogadoras como Jhonson, de apenas 19 anos, mostraram o potencial de renovação do elenco.
- Destaques da campanha brasileira:
- Goleada de 6 a 0 contra a Bolívia, com hat-trick de Kerolin.
- Vitória convincente por 5 a 1 contra o Uruguai na semifinal.
- Liderança invicta no Grupo B, com quatro vitórias e um empate.
- Classificação garantida para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Elias, que assumiu a seleção em setembro de 2023 após a saída de Pia Sundhage, trouxe sua experiência vitoriosa no Corinthians, onde conquistou cinco Brasileiros, três Libertadores e três Paulistas. Sua abordagem tática, focada em uma marcação forte e transições rápidas, foi fundamental para o sucesso na competição.
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— Seleção Feminina de Futebol (@SelecaoFeminina) August 3, 2025
Marta: a rainha iluminada
Marta, aos 39 anos, foi o grande destaque da final. Entrando no segundo tempo, a camisa 10 marcou um golaço que mudou o rumo da partida e ainda converteu um gol na prorrogação, embora tenha perdido sua cobrança na disputa de pênaltis. Arthur Elias não poupou elogios à jogadora, chamando-a de “iluminada” e destacando sua humildade e companheirismo.
A trajetória de Marta na seleção é marcada por momentos históricos, mas o treinador enfatizou que o peso de ser a protagonista nunca recaiu apenas sobre ela. A derrota na cobrança de pênalti, defendida pela goleira colombiana Kathe Tapia, foi superada pela força do coletivo, com jovens como Jhonson e Luany brilhando nas cobranças decisivas.
- Contribuições de Marta na final:
- Gol decisivo aos 50 minutos do segundo tempo.
- Gol na prorrogação, mantendo o Brasil na disputa.
- Liderança em campo, inspirando o elenco mesmo após o erro no pênalti.
A presença de Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo, reforça sua importância não apenas como jogadora, mas como símbolo do futebol feminino brasileiro. Sua atuação na Copa América pode ter sido sua última na competição, o que deu ainda mais peso emocional à conquista.
Força coletiva e renovação
Arthur Elias destacou a importância do coletivo na conquista do título. Mesmo com o brilho de Marta, jogadoras como Lorena, que defendeu o pênalti decisivo, e jovens como Jhonson, que marcou na disputa final, mostraram que o Brasil está construindo um elenco equilibrado para o futuro. A convocação de 11 atletas da base para treinos antes do torneio, realizada entre 16 e 18 de junho na Granja Comary, foi um dos passos de Elias para integrar jovens talentos ao grupo principal.
A preparação para a Copa América incluiu um amistoso contra a França, em Grenoble, no dia 27 de junho, vencido por 1 a 0, que serviu para testar o elenco principal. Jogadoras como Antonia, Tarciane, Yasmim, Ana Vitória e Kerolin, que estavam de férias de seus clubes, participaram do período de treinos e foram fundamentais na campanha.
- Jogadoras que se destacaram na campanha:
- Lorena: defesa crucial na disputa de pênaltis contra a Colômbia.
- Amanda Gutierrez: artilheira da equipe na competição.
- Jhonson: jovem de 19 anos que marcou na final e mostrou potencial.
- Kerolin: autora de três gols na goleada contra a Bolívia.
O técnico também valorizou a mescla entre veteranas e novatas, um dos pilares de sua gestão. A prata olímpica em Paris 2024, conquistada sob seu comando, já indicava o potencial do grupo, que agora se consolida com o título continental.
Críticas à organização do torneio
Apesar do sucesso em campo, Arthur Elias não deixou de apontar falhas na organização da Copa América Feminina. Durante a competição, ele criticou a Conmebol pelas condições inadequadas de aquecimento, com as jogadoras sendo obrigadas a se preparar em vestiários pequenos, divididos entre as equipes. Na partida contra a Bolívia, dois gols brasileiros foram anulados de forma equivocada, já que o torneio só utilizou o VAR a partir das semifinais.
Elias cobrou melhorias estruturais, comparando a organização da competição feminina com a masculina, que contou com melhores condições. Ele destacou que o futebol feminino precisa de mais investimento e respeito, especialmente em torneios de grande porte como a Copa América.
- Principais críticas de Elias à Conmebol:
- Falta de espaço adequado para aquecimento das jogadoras.
- Ausência de VAR na fase de grupos, resultando em erros de arbitragem.
- Disparidade em relação à organização da Copa América masculina.
As críticas refletem a luta contínua por melhores condições no futebol feminino sul-americano, um tema recorrente na competição. A visibilidade do torneio, no entanto, foi ampliada pela cobertura da TV Brasil, que transmitiu todos os jogos do Brasil, com audiência 23,8% maior em relação ao ano anterior, segundo dados da EBC.
Rivalidade com a Colômbia
A final contra a Colômbia foi um capítulo à parte na crescente rivalidade entre as duas seleções. O Brasil venceu seis dos oito confrontos históricos na Copa América, mas a Colômbia, com jogadoras como Linda Caicedo e Mayra Ramírez, mostrou força ao empatar na fase de grupos e levar a decisão aos pênaltis. A derrota colombiana em 2022, na final disputada em casa, motivou a equipe a buscar a revanche, mas o Brasil prevaleceu mais uma vez.
O jogo foi marcado por intensidade, com a expulsão da goleira Lorena na fase de grupos contra a Colômbia sendo um dos momentos de tensão. Na final, o equilíbrio foi evidente, com as duas equipes invictas até a decisão. A Colômbia venceu Paraguai e Bolívia com placares elásticos na fase de grupos e superou a Argentina nos pênaltis na semifinal, mas não conseguiu superar a força brasileira na decisão.
- Momentos marcantes da rivalidade:
- Empate sem gols na fase de grupos, com clima quente em campo.
- Vitória brasileira por 5 a 4 nos pênaltis na final.
- Histórico favorável ao Brasil, com seis vitórias em oito jogos.
A rivalidade entre Brasil e Colômbia promete novos capítulos, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2027, que será realizada no Brasil. A conquista da Copa América reforça a confiança da seleção para o próximo ciclo.
Preparação para o futuro
A vitória na Copa América 2025 marca um momento de consolidação para o projeto de Arthur Elias à frente da seleção. Com contrato até a Copa do Mundo de 2027, o treinador já mira o torneio em casa como o principal objetivo. A prata olímpica em Paris 2024 e o título continental são passos importantes para construir um time competitivo, com equilíbrio entre experiência e juventude.
A convocação para a Copa América, anunciada em 9 de junho, incluiu nomes como Marta, Jhonson, Lorena, e Yasmim, mostrando a aposta de Elias em um elenco versátil. A preparação incluiu amistosos contra adversários de peso, como Austrália, Estados Unidos e França, que testaram a capacidade da equipe em diferentes cenários.
- Próximos desafios da seleção:
- Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo 2027.
- Preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
- Amistosos internacionais para consolidar o elenco.
Com a conquista, Elias alcança seu 17º título na carreira, somando os 15 pelo Corinthians e os dois pela seleção (Copa América e prata olímpica). A trajetória invicta na competição e a liderança no ranking da Fifa reforçam a retomada do Brasil como potência no futebol feminino mundial.
