Agronegócio do Centro-Oeste minimiza impacto de tarifa de 50% dos EUA

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Agronegocio - Foto: fotokostic/istock

O Centro-Oeste do Brasil, conhecido como o coração do agronegócio, enfrentará o menor impacto socioeconômico do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor em 6 de agosto de 2025. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), a região se destaca pela baixa dependência do mercado americano, com apenas 3% de suas exportações destinadas aos EUA, e pela diversificação de mercados, com forte presença de commodities agroindustriais isentas da tarifa. A produção altamente mecanizada e os destinos alternativos, como Ásia e União Europeia, permitem maior resiliência. Este cenário reduz a vulnerabilidade do Centro-Oeste, enquanto outras regiões, como o Sul, enfrentam desafios maiores devido à dependência de produtos manufaturados.

A força do agronegócio na região, aliado à capacidade de redirecionar exportações, é um diferencial. Apesar de produtos como carne bovina não terem escapado da tarifa, o impacto será suavizado pela alta demanda global e pela diversificação de compradores.

  • Principais fatores de proteção: Baixa dependência dos EUA, isenções para commodities e diversificação de mercados.
  • Produtos isentos: Celulose e ouro, que representam 23,9% das exportações regionais aos EUA.
  • Mercados alternativos: Ásia e União Europeia absorvem grande parte da produção.

A estrutura econômica do Centro-Oeste, centrada em commodities como soja, milho e carne, garante maior estabilidade diante das novas tarifas americanas.

Por que o Centro-Oeste é menos vulnerável

A resiliência do Centro-Oeste está ancorada em três pilares fundamentais. Primeiro, a região exporta apenas 3% de sua produção para os EUA, o que reduz significativamente a exposição ao tarifaço. Segundo, as isenções concedidas por Donald Trump, que cobrem 33,8% das exportações regionais (US$ 507,78 milhões), incluem produtos estratégicos como celulose (14,2%) e ouro (9,7%). Terceiro, a diversificação de destinos comerciais, com forte presença na Ásia e na União Europeia, permite realocar produtos com facilidade. Essa combinação torna o impacto do tarifaço “muito leve”, conforme classificado pela FGV.

A produção agropecuária do Centro-Oeste, altamente mecanizada, também minimiza a dependência de mão de obra intensiva, diferentemente de regiões como o Nordeste, onde produtos como frutas e pescados enfrentam maior vulnerabilidade. A capacidade de adaptação da região é reforçada pela alta demanda global por commodities, especialmente em um cenário de restrição de oferta, como apontado por especialistas.

  • Baixa exposição aos EUA: Apenas 3% das exportações vão para o mercado americano.
  • Isenções estratégicas: Celulose e ouro são protegidos, aliviando perdas.
  • Demanda global: Mercados asiáticos e europeus absorvem excedentes com facilidade.
  • Mecanização: Produção menos dependente de mão de obra reduz impactos sociais.

A estrutura econômica diversificada e a alta competitividade do agronegócio colocam o Centro-Oeste em posição privilegiada frente às tensões comerciais.

Carne bovina: um desafio contornável

Embora a carne bovina, um dos carros-chefes do Centro-Oeste, não esteja na lista de isenções e enfrente a tarifa de 50%, o impacto deve ser limitado. A região já exporta quantidades recordes, com mercados como China, União Europeia e países do Oriente Médio absorvendo grande parte da produção. Segundo Thiago Bernardino, do Cepea/USP, o Brasil está em posição vantajosa devido à baixa oferta global de carne bovina, com estoques mundiais nos menores níveis em 20 anos. Essa escassez cria oportunidades para redirecionar vendas sem perdas significativas.

A diversificação de mercados é um trunfo. Em 2024, a China habilitou 183 empresas brasileiras para exportar café, um indicativo do potencial asiático para absorver outros produtos, como carne. Além disso, a mecanização do setor pecuário reduz custos operacionais, permitindo maior competitividade mesmo com tarifas elevadas.

  • Demanda global por carne: Estoques baixos favorecem exportações brasileiras.
  • Mercados alternativos: China e Oriente Médio são destinos consolidados.
  • Competitividade: Mecanização reduz custos e mantém margens.

O setor pecuário do Centro-Oeste, portanto, tem condições de absorver o impacto da tarifa sem grandes prejuízos, desde que mantenha estratégias de diversificação.

Tarifas EUA, consumidor – Foto: sasirin pamai/ Istockphoto.com

Isenções e commodities: o alívio do Centro-Oeste

As isenções anunciadas pelo governo americano beneficiaram diretamente o Centro-Oeste. Produtos como celulose e ouro, que representam uma fatia significativa das exportações regionais, escaparam da tarifa de 50%. Isso alivia a pressão sobre estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, grandes produtores de commodities agroindustriais. Segundo a FGV, as isenções cobrem 33,8% das exportações do Centro-Oeste, um percentual superior ao de regiões como o Sul (4%).

A pauta exportadora do Centro-Oeste, focada em produtos primários e com alta demanda global, permite maior flexibilidade. Por exemplo, a celulose, usada na produção de papel, tem mercados consolidados na Ásia, enquanto o ouro mantém valor estável em mercados internacionais. Essa estrutura reduz a dependência dos EUA e protege a economia regional.

  • Celulose: 14,2% das exportações regionais aos EUA, isenta da tarifa.
  • Ouro: 9,7% das exportações, também protegido.
  • Demanda estável: Mercados globais absorvem produção sem grandes descontos.
  • Flexibilidade: Commodities podem ser realocadas com facilidade.

A combinação de isenções e alta demanda global torna o Centro-Oeste menos suscetível às barreiras comerciais impostas pelos EUA.

Comparação com outras regiões

Enquanto o Centro-Oeste enfrenta um impacto “muito leve”, outras regiões brasileiras sofrem mais com o tarifaço. O Sul, por exemplo, tem apenas 4% de suas exportações isentas, devido à forte presença de produtos manufaturados, como calçados e móveis, que dependem de mão de obra intensiva e foram excluídos das isenções. O Nordeste, com produtos de baixo valor agregado, como frutas e pescados, enfrenta risco alto a muito alto, segundo a FGV, devido à maior dependência dos EUA e à menor capacidade de realocação.

O Sudeste, embora concentre o maior volume de exportações, tem uma economia mais diversificada, com isenções para produtos como petróleo e suco de laranja. Já o Norte, com 45% de isenções, ainda enfrenta desafios devido à baixa diversificação de mercados. O Centro-Oeste, com sua pauta focada em commodities e baixa exposição aos EUA, destaca-se como a região mais protegida.

  • Sul: Apenas 4% das exportações isentas, com impacto médio.
  • Nordeste: Risco alto, com produtos de baixo valor agregado.
  • Sudeste: Economia diversificada, mas ainda exposta em manufaturas.
  • Norte: 45% de isenções, mas dependência de poucos mercados.

A disparidade regional reflete a estrutura econômica brasileira, com o Centro-Oeste em posição de vantagem devido à sua especialização.

Estratégias para o futuro

Para manter sua resiliência, o Centro-Oeste deve continuar investindo em diversificação de mercados e na competitividade do agronegócio. Especialistas recomendam fortalecer parcerias comerciais com países asiáticos e europeus, além de investir em tecnologias que aumentem a produtividade. A mecanização, já consolidada na região, pode ser ampliada para reduzir ainda mais os custos operacionais.

O governo brasileiro também pode desempenhar um papel crucial, oferecendo incentivos fiscais e apoio logístico para facilitar a entrada em novos mercados. A criação de acordos comerciais bilaterais, especialmente com a China e a União Europeia, pode garantir a estabilidade das exportações. Além disso, a manutenção de estoques estratégicos de commodities pode evitar oscilações de preço no mercado interno.

  • Novos mercados: Fortalecer laços com Ásia e Europa.
  • Incentivos fiscais: Reduzir custos para exportadores.
  • Tecnologia: Ampliar mecanização para maior competitividade.
  • Acordos comerciais: Negociações bilaterais para estabilidade.

Essas estratégias podem consolidar a posição do Centro-Oeste como um polo agroindustrial resiliente, mesmo em cenários de tensões comerciais globais.

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