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Mix Vale

O dólar comercial encerrou o pregão desta segunda-feira com uma queda de 0,14%, negociado a R$ 5,1685 na venda. Esse patamar representa o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda americana foi cotada a R$ 5,1534.

A movimentação reflete diretamente as repercussões da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que invalidou o uso de uma lei de emergência para impor tarifas amplas sobre importações. Com isso, o real ganhou força em meio a um ambiente de menor tensão comercial global.

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No cenário doméstico, o boletim Focus do Banco Central trouxe reduções nas projeções de inflação e juros, contribuindo para o alívio na cotação da moeda estrangeira. Economistas consultados ajustaram a expectativa para o IPCA de 2026 de 3,95% para 3,91%, enquanto a Selic foi revista de 12,25% para 12,13% ao ano.

Decisão judicial altera panorama comercial

A Suprema Corte dos Estados Unidos, em uma votação de 6 a 3, determinou que o presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao recorrer à Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para aplicar tarifas sobre praticamente todos os parceiros comerciais. Essa medida, conhecida como tarifaço, incluía uma taxa recíproca de 10% e sobretaxas adicionais em produtos específicos. A decisão destacou a necessidade de aprovação congressional para ações tarifárias de ampla abrangência, citando precedentes judiciais que limitam poderes executivos unilaterais.

Com o revés, tarifas sobre aço e alumínio permanecem em vigor, mas o tarifaço geral foi anulado, beneficiando exportadores globais. Estudos indicam que o Brasil figura entre os países mais favorecidos, com uma redução estimada de 13,6 pontos percentuais nas tarifas médias aplicadas aos seus produtos.

Reação imediata do governo americano

Em resposta à sentença judicial, o presidente Trump anunciou uma nova tarifa global temporária, inicialmente de 10%, elevada para 15% no dia seguinte. Essa medida utiliza a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas por até 150 dias sem aprovação inicial do Congresso. A nova alíquota entrou em vigor nesta terça-feira, às 00h01 no horário de Washington, afetando importações de diversos países, exceto itens como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos.

dólares
dólares – ElenaR/Shutterstock.com

Especialistas em comércio exterior observam que, para a maioria dos produtos brasileiros, a tarifa efetiva combina as taxas pré-existentes com o adicional de 15%, mantendo custos elevados para insumos como aço. No entanto, a mudança representa uma diminuição em relação ao tarifaço anterior, aliviando pressões sobre exportadores.

Impactos no câmbio brasileiro

O dólar acumulou uma queda de 0,14% na semana, 1,51% no mês e 5,83% no ano até o momento. Essa trajetória descendente ganha impulso com o fortalecimento do real, impulsionado por fluxos de capital estrangeiro e ajustes nas expectativas econômicas internas. O boletim Focus reforça essa tendência ao indicar uma inflação mais controlada, o que abre espaço para políticas monetárias menos restritivas.

Além disso, indicadores como o IPCA-15, previsto para divulgação nesta semana, serão monitorados de perto pelos investidores. Dados preliminares sugerem uma prévia da inflação oficial em linha com as projeções revisadas, contribuindo para a estabilidade cambial.

Desempenho da bolsa paulista

O Ibovespa, principal indicador da B3, registrou uma queda de 0,88% no fechamento, aos 188.853 pontos. Apesar do recuo diário, o índice acumula alta de 4,13% no mês e 17,21% no ano, refletindo resiliência em meio a volatilidades externas. A sessão foi marcada por ajustes em ações de bancos e empresas ligadas à economia doméstica, enquanto papéis atrelados a commodities avançaram com a alta do petróleo.

No acumulado semanal, o Ibovespa caiu 0,88%, mas mantém uma trajetória positiva impulsionada por entradas de recursos estrangeiros. Em janeiro, o fluxo de capital externo na bolsa superou R$ 26 bilhões, valor superior ao total de 2025, sinalizando confiança renovada no mercado brasileiro.

Agenda econômica da semana

A semana reserva indicadores chave para o mercado financeiro, incluindo o IPCA-15, que oferece uma visão preliminar da inflação oficial do país. Economistas esperam uma variação em torno de 0,30%, alinhada às projeções do boletim Focus, o que poderia reforçar a tendência de queda nos juros futuros.

No front externo, o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos e decisões de política monetária na China ganham destaque. Esses dados influenciam diretamente o apetite por risco em emergentes, como o Brasil, onde o diferencial de juros ainda atrai investidores.

Além disso, relatórios de emprego no Brasil serão divulgados, com expectativas de criação de vagas formais acima de 150 mil em janeiro. Esses números sustentam a recuperação econômica pós-pandemia, com setores como serviços e indústria liderando o crescimento.

Benefícios para exportadores brasileiros

O Brasil emerge como um dos principais beneficiados pelas alterações tarifárias americanas, ao lado da China. Produtos como soja, minério de ferro e carnes, que representam fatias significativas das exportações para os Estados Unidos, enfrentam agora barreiras menores em comparação ao tarifaço inicial.

Essa dinâmica favorece o superávit comercial brasileiro, projetado em US$ 80 bilhões para 2026, segundo estimativas de associações setoriais. A redução nas tarifas médias impulsiona a competitividade de bens manufaturados, estimulando investimentos em logística e produção.

Perspectivas para o real

Analistas preveem que o real continue valorizado se as tensões comerciais arrefecerem. Com o dólar testando suportes abaixo de R$ 5,20, há potencial para novas mínimas se os fluxos de investimento se mantiverem robustos. No entanto, riscos como a duração da nova tarifa temporária de Trump podem gerar volatilidade.

Projeções para o fim de 2026 apontam o dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,50, dependendo de variáveis globais como o preço das commodities e o ritmo de corte de juros pelo Federal Reserve. O ambiente de juros altos no Brasil atrai carry trade, operação que beneficia o real em curtos prazos.

Setores impactados no Brasil

Empresas exportadoras de commodities, como Vale e Petrobras, registram ganhos com o cenário atual. A alta do petróleo Brent, acima de US$ 85 por barril, impulsiona ações do setor energético, enquanto o minério de ferro em US$ 120 por tonelada sustenta siderúrgicas.

Por outro lado, importadores de insumos tecnológicos enfrentam custos adicionais com a tarifa de 15%, embora exceções para componentes eletrônicos mitiguem parte dos impactos. Setores como automobilístico e eletrônico ajustam estratégias para minimizar perdas.

Fluxos de capital e investimentos

Entradas de capital estrangeiro na B3 superam R$ 35 bilhões em 2026 até fevereiro, impulsionadas por valuations atrativos e reformas fiscais em andamento. Fundos internacionais aumentam alocações em ações brasileiras, com foco em blue chips como bancos e utilities.

Essa influxo eleva a liquidez do mercado, reduzindo spreads e facilitando emissões de dívida corporativa. Empresas captam recursos para expansão, com emissões de debêntures crescendo 15% no ano.

Indicadores globais em foco

O Índice de Preços ao Consumidor americano, esperado em 3,1% anual, influencia expectativas para cortes de juros pelo Fed. Uma leitura abaixo do previsto pode enfraquecer ainda mais o dólar globalmente, beneficiando moedas emergentes.

Na China, decisões de juros pelo banco central afetam o preço das commodities, principal driver das exportações brasileiras. Uma política expansionista lá impulsiona demanda por soja e minério, fortalecendo o real.

Ajustes no boletim Focus

Economistas revisaram para baixo a inflação pela sétima semana consecutiva, sinalizando controle sobre pressões de preços. A projeção para o PIB de 2026 permanece em 2,5%, com upside risks se o comércio global se estabilizar.

A Selic revisada para 12,13% reflete confiança no Copom para ancorar expectativas, com cortes graduais previstos a partir do segundo semestre. Essa trajetória atrai investidores em renda fixa.

Repercussões no comércio bilateral

As relações comerciais Brasil-EUA, com saldo positivo de US$ 10 bilhões em 2025, ganham novo fôlego com as mudanças tarifárias. Acordos como o USMCA não afetam diretamente o Brasil, mas abrem oportunidades para negociações bilaterais.

Diplomacia econômica foca em exceções adicionais para produtos brasileiros, como etanol e aviões, visando ampliar market share nos Estados Unidos.

Expectativas para o IPCA-15

O IPCA-15 de fevereiro deve capturar efeitos sazonais, com alta em alimentos e educação, mas desaceleração em transportes. Uma variação mensal de 0,35% mantém o índice anualizado abaixo de 4%, alinhado ao teto da meta.

Esse dado orienta decisões do Banco Central, com implicações para o câmbio e a bolsa. Investidores posicionam-se para cenários de inflação benigna.

Movimentações setoriais na B3

Ações de bancos recuaram com ajustes em spreads de crédito, enquanto utilities avançaram com perspectivas de demanda energética. O setor de varejo mostra recuperação, impulsionado por consumo interno robusto.

Papéis de tecnologia local ganham tração com digitalização acelerada, apesar de dependência de importações afetadas por tarifas.

Cenário macroeconômico amplo

O crescimento global projetado em 3% para 2026 sustenta demanda por exportações brasileiras, mitigando impactos tarifários. No Brasil, reformas tributárias avançam, melhorando o ambiente de negócios.

Riscos fiscais persistem, mas o arcabouço aprovado em 2025 limita gastos, ancorando confiança dos mercados.

Volatilidade cambial recente

O dólar testou níveis abaixo de R$ 5,14 intradia, mas corrigiu com realizações de lucros. Volatilidade implícita em opções de câmbio caiu para 12%, sinalizando menor percepção de risco.

Operadores monitoram intervenções do Banco Central, que vendeu US$ 1 bilhão em swaps na semana passada para suavizar oscilações.

Projeções para commodities

O petróleo pode atingir US$ 90 por barril com tensões geopolíticas, beneficiando a Petrobras. Minério de ferro mantém patamares elevados com recuperação chinesa, suportando a Vale.

Soja e café enfrentam clima adverso, mas preços firmes sustentam agronegócio.

Entradas estrangeiras na bolsa

Fluxos de US$ 7 bilhões em fevereiro elevam o Ibovespa para perto de 190 mil pontos intradia. Fundos soberanos aumentam posições em emergentes, com Brasil capturando 20% dos inflows para América Latina.

Essa tendência reflete diversificação global, afastando-se de ativos americanos sobrevalorizados.

Indicadores de emprego

Dados de emprego formal em janeiro mostram criação de 180 mil vagas, superando expectativas. Taxa de desemprego cai para 7,5%, impulsionando consumo e varejo.

Setores como construção e serviços lideram contratações, com salários reais em alta de 3%.

Ajustes em juros futuros

DI para janeiro de 2027 cai para 11,80%, refletindo apostas em ciclo de afrouxamento monetário. Curva de juros achata, favorecendo empréstimos de longo prazo.

Bancos centrais globais coordenam políticas, reduzindo riscos de desalinhamento cambial.

Impactos no superávit primário

Projeções fiscais indicam superávit de 0,5% do PIB em 2026, com receitas impulsionadas por exportações. Tarifas americanas mínimas afetam, mas diversificação para Ásia mitiga perdas.

Governo prioriza investimentos em infraestrutura para sustentar crescimento.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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