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O governo brasileiro avalia que a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes na manhã de sábado em Brasília, intensifica as dificuldades nas tratativas com os Estados Unidos para suspender o tarifaço de 40% e reverter sanções aplicadas a autoridades nacionais. A medida ocorre em meio a um pedido formal enviado a Washington no dia 4 de novembro, solicitando alívio temporário na alíquota adicional e a revogação de punições contra cidadãos brasileiros, incluindo Moraes. Interlocutores do Palácio do Planalto destacam que o episódio eleva o tom político da disputa comercial, mas não indicam sinais imediatos de retaliações extras por parte de Donald Trump.

A detenção de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, gerou críticas rápidas de autoridades americanas. O vice-secretário de Estado Christopher Landau qualificou a ação de “provocativa e desnecessária” em postagem em rede social, reiterando acusações contra Moraes como violador de direitos humanos. Apesar disso, o chanceler Marco Rubio, responsável pelas conversas com o ministro Mauro Vieira, manteve silêncio sobre o caso no fim de semana.

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Reações iniciais de Washington à detenção

Autoridades dos EUA expressaram preocupação com a prisão de Bolsonaro logo após o anúncio. Landau, em declaração pública, ligou a medida a supostas violações de liberdades fundamentais, ecoando críticas anteriores à atuação de Moraes no STF. O posicionamento visa atender à base republicana, segundo fontes governamentais brasileiras, sem alterar o curso das negociações comerciais em andamento.

O silêncio de Rubio, que se reuniu com Vieira há duas semanas, sugere cautela no alto escalão. Analistas observam que Trump prioriza questões econômicas internas, como impactos inflacionários das tarifas, o que pode limitar escaladas imediatas.

Avanços parciais nas isenções tarifárias

A ordem executiva assinada por Trump na quarta-feira ampliou exceções ao tarifaço, beneficiando 238 itens das exportações brasileiras aos EUA. Essa lista, que representa cerca de US$ 4 bilhões anuais ou 10% do total vendido ao mercado americano, inclui produtos como café, avaliado em US$ 1,9 bilhão, e carne bovina, com US$ 944 milhões.

Somadas às isenções anteriores, as medidas agora cobrem 36% das vendas brasileiras aos EUA, excluindo itens da tarifa bilateral de 10% geral. No entanto, 22% das exportações ainda enfrentam a alíquota total de 50%, enquanto 15% pagam apenas os 10% básicos, a exemplo de aviões.

  • Café: US$ 1,9 bilhão em exportações isentas.
  • Carne bovina: US$ 944 milhões sem acréscimo.
  • Suco de laranja: Inclusão recente na lista de exceções.
  • Frutas e vegetais: Benefício para itens agrícolas variados.

Esses ajustes surgem de contatos diretos entre Lula e Trump, incluindo telefonemas e encontros presenciais, mas o governo brasileiro pressiona por expansão adicional.

Tarifas EUA, consumidor
Tarifas EUA, consumidor – Foto: sasirin pamai/ Istockphoto.com

Áreas potenciais de concessões bilaterais

O Brasil prepara contrapartidas para destravar o acordo completo sobre tarifas e sanções. Interlocutores apontam discussões em regulação de big techs, com possíveis ajustes para facilitar operações de empresas americanas. Acesso a minerais críticos, como lítio e nióbio, surge como ponto de interesse para Washington, visando cadeias de suprimentos estratégicos.

Compromissos em propriedade intelectual incluem fortalecimento de proteções contra falsificações, citando exemplos como mercados informais em São Paulo. Mudanças em exigências de conteúdo local para indústrias e revisões em políticas de incentivos fiscais também entram na pauta, sem definições finais.

Essas negociações ocorrem em paralelo à investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O USTR apura barreiras digitais, tarifas assimétricas e políticas anticorrupção no Brasil.

Investigação da Seção 301 e barreiras identificadas

O Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR) examina práticas brasileiras sob a Seção 301 desde julho. A apuração foca em restrições a serviços de pagamento eletrônico, como o Pix, e barreiras ao comércio digital impostas por regulações locais.

Outros itens incluem tarifas mais altas sobre produtos americanos comparadas a parceiros como China, e dúvidas sobre a efetividade de leis anticorrupção. A proteção à propriedade intelectual enfrenta questionamentos, com menções a mercados de produtos piratas.

  • Barreiras digitais: Limitações a pagamentos instantâneos.
  • Tarifas assimétricas: Diferenças em alíquotas para importados.
  • Políticas ambientais: Aplicação contra desmatamento ilegal.
  • Etanol americano: Restrições após ajustes tarifários recentes.

O mecanismo pode levar a retaliações adicionais ou acordos corretivos, similar a casos contra China e União Europeia. O Brasil responde com dados sobre equilíbrio comercial, destacando superávits moderados.

Diálogos presidenciais e próximos passos

Lula e Trump mantêm canais abertos desde o telefonema inicial em outubro. O encontro pessoal na Malásia, há menos de um mês, reforçou o compromisso com negociações rápidas. Vieira relatou que Rubio prometeu resposta iminente ao pedido brasileiro de suspensão temporária.

Apesar da prisão de Bolsonaro, o foco permanece no comércio. O governo Lula evita retaliações, optando por diversificação de mercados para mitigar impactos do tarifaço remanescente.

A investigação da Seção 301 prossegue, com prazo para conclusões em dezembro. Especialistas preveem que concessões mútuas definam o desfecho, equilibrando interesses econômicos de ambos os lados.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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