Elina Svitolina, tenista ucraniana e ex-número três do mundo, revelou ter sofrido uma série de ataques e ameaças online após sua derrota para Naomi Osaka nas quartas de final do WTA 1000 de Montreal, em 5 de agosto de 2025. Com parciais de 6/2 e 6/2, a partida marcou um desempenho dominante da japonesa, mas o que veio depois transformou o resultado esportivo em um episódio de violência digital. A tenista usou suas redes sociais para expor mensagens que incluíam ameaças de morte, insultos racistas contra seu marido, Gael Monfils, e referências à guerra entre Rússia e Ucrânia. Em um desabafo, Svitolina destacou sua condição de mãe e atleta, condenando a postura dos agressores, majoritariamente apostadores frustrados com o resultado. O caso reacende o debate sobre o impacto das apostas esportivas no bem-estar dos atletas.
A ucraniana, que já conquistou 18 títulos na carreira, enfrentou uma enxurrada de mensagens ofensivas no Instagram, onde publicou capturas de tela para denunciar o problema. O episódio não é isolado no circuito profissional, mas a gravidade das mensagens recebidas por Svitolina, incluindo desejos de violência e ataques pessoais, chocou a comunidade do tênis. A tenista, conhecida por sua resiliência dentro e fora das quadras, usou o espaço para enviar uma mensagem direta aos agressores, enfatizando a vergonha de suas ações.
- Principais pontos do caso:
- Svitolina perdeu para Naomi Osaka por 6/2 e 6/2 em Montreal.
- Apostadores enviaram ameaças de morte e insultos racistas.
- A tenista expôs as mensagens em suas redes sociais.
- O caso destaca o problema recorrente de abusos online no esporte.
A derrota em Montreal marcou o fim da campanha de Svitolina no torneio, onde ela havia mostrado consistência ao vencer adversárias como Amanda Anisimova e Anna Kalinskaya. Apesar do revés, o foco rapidamente se voltou para o impacto emocional das agressões virtuais, que também atingiram sua família.
Reação de Svitolina aos ataques
A resposta de Svitolina foi direta e emocional. Em suas redes sociais, ela publicou: “Para todos os apostadores: sou mãe antes de ser atleta. A forma como vocês falam com as mulheres, com as mães, é vergonhosa. Se suas mães vissem suas mensagens, ficariam indignadas”. A ucraniana, que é mãe da pequena Skai, fruto de seu casamento com o tenista francês Gael Monfils, destacou a gravidade dos ataques, que incluíam não apenas ameaças de morte, mas também insultos racistas direcionados a seu marido e referências à guerra em seu país natal.
O desabafo de Svitolina não foi apenas uma defesa pessoal, mas também um apelo por respeito às mulheres no esporte. A tenista, que já enfrentou desafios como a pausa na carreira devido à maternidade e à guerra na Ucrânia, usou sua plataforma para chamar a atenção para o comportamento tóxico de parte dos apostadores. Sua mensagem ressoou entre outros atletas, que também já relataram experiências semelhantes.
- Mensagens recebidas por Svitolina:
- Ameaças de morte e violência física.
- Insultos racistas contra Gael Monfils.
- Referências ofensivas à guerra Rússia-Ucrânia.
- Comentários misóginos e de cunho sexual.
Elina Svitolina exposed the abusive, hateful messages and horrific threats she received from bettors after her loss to Naomi Osaka in Montreal.
— DW Sports (@dw_sports) August 6, 2025
She called out the vile treatment of women and mothers in sport.
Disgraceful behavior from so-called "fans" 🤬 pic.twitter.com/PUw7NHJRAS
O impacto das apostas no tênis
O caso de Svitolina joga luz sobre um problema crescente no esporte: o impacto das apostas online no bem-estar dos atletas. Um estudo recente da Federação Internacional de Tênis (ITF), em parceria com a WTA, revelou que cerca de 50% dos comentários abusivos nas redes sociais direcionados a jogadores são de apostadores insatisfeitos com resultados. Esses ataques muitas vezes vão além de críticas ao desempenho, incluindo ameaças graves e conteúdo discriminatório.
A tenista francesa Caroline Garcia, por exemplo, já havia denunciado o problema após sua derrota no US Open de 2024, apontando que as “apostas não saudáveis” são uma das principais causas desse tipo de comportamento. Outros atletas, como a britânica Katie Boulter, também relataram ameaças de morte durante o Aberto da França de 2025. Apesar dos esforços da WTA e da ITF para conter o problema, como o bloqueio de contas abusivas, a solução ainda parece distante.
Svitolina, que já foi semifinalista em Wimbledon e no US Open, não é a primeira a enfrentar esse tipo de violência digital, mas seu caso destaca a necessidade de medidas mais eficazes. A ucraniana, que tem usado sua visibilidade para apoiar causas humanitárias, como a arrecadação de fundos para a Ucrânia, agora enfrenta o desafio de lidar com o impacto psicológico desses ataques.
Histórico de Svitolina no circuito
Elina Svitolina é uma das tenistas mais consistentes do circuito, com uma carreira marcada por conquistas expressivas. Nascida em Odesa, na Ucrânia, ela alcançou o terceiro lugar no ranking mundial em 2017 e venceu torneios importantes, como o WTA Finals de 2018 e o Canadian Open de 2017. Sua trajetória, no entanto, também é marcada por desafios pessoais, como a pausa na carreira em 2022 para dar à luz sua filha e o impacto emocional da guerra em seu país.
Em 2025, Svitolina mostrou sinais de recuperação, alcançando as quartas de final no Australian Open e em Montreal, onde venceu adversárias de peso. Sua campanha no Canadá foi interrompida por Naomi Osaka, que demonstrou um desempenho impecável, cedendo apenas um game contra Anastasija Sevastova na rodada anterior. Apesar da derrota, Svitolina destacou sua satisfação com o desempenho em quadra, mas lamentou que o foco tenha sido desviado para os ataques online.
- Momentos marcantes da carreira de Svitolina:
- Campeã do WTA Finals em 2018.
- Vencedora do Canadian Open em 2017.
- Semifinalista em Wimbledon (2019, 2023) e US Open (2019).
- Primeira ucraniana com 100 vitórias em Grand Slams na Era Aberta.
O papel das entidades do tênis
A WTA e outras organizações do tênis têm tentado combater o problema do abuso online, mas os resultados ainda são limitados. A parceria entre a ITF, a WTA, a AELTC e a USTA produziu um relatório em 2024 que identificou mais de 8.000 comentários abusivos direcionados a 458 tenistas. As entidades implementaram medidas como monitoramento de redes sociais e bloqueio de contas, mas a escala do problema exige ações mais amplas, incluindo a colaboração com plataformas digitais e casas de apostas.
A falta de pronunciamento oficial da WTA sobre o caso de Svitolina gerou críticas entre fãs e jogadores, que cobram maior proteção para os atletas. A ucraniana, que já defendeu publicamente a não interação com tenistas russos e bielorrussos devido à guerra, também pediu que outras federações esportivas respeitem as decisões dos atletas ucranianos, o que reforça seu papel como uma voz ativa no esporte.
- Medidas das entidades contra abusos online:
- Monitoramento de redes sociais para identificar contas abusivas.
- Bloqueio de perfis que violem diretrizes.
- Parcerias com plataformas digitais para filtrar conteúdo.
- Relatórios anuais sobre o impacto do abuso online.
Repercussão entre atletas e fãs
O caso de Svitolina gerou solidariedade no circuito. Outras tenistas, como Caroline Wozniacki, que também é mãe e retornou ao tênis após uma pausa, elogiaram a coragem da ucraniana em expor os ataques. Nas redes sociais, fãs expressaram apoio, compartilhando mensagens de solidariedade e cobrando ações mais firmes das autoridades do esporte. A hashtag #StandWithSvitolina ganhou força, destacando a indignação contra o comportamento dos apostadores.
A tenista, que já enfrentou vaias por sua decisão de não cumprimentar adversárias russas ou bielorrussas, mostrou resiliência ao manter sua posição. Seu desabafo também trouxe à tona a pressão emocional enfrentada por atletas que são mães, especialmente em um esporte tão exigente como o tênis. A ucraniana segue como uma figura inspiradora, tanto por seu desempenho em quadra quanto por sua luta fora dela.
- Reações ao caso:
- Solidariedade de tenistas como Caroline Wozniacki.
- Apoio de fãs com a hashtag #StandWithSvitolina.
- Críticas à inação da WTA sobre o caso.
