A exclusão do Brasil do sistema Swift, rede global que conecta 11,5 mil instituições financeiras, é uma ameaça real do governo de Donald Trump, em meio a tensões políticas e comerciais com o Brasil. A medida, considerada uma “bomba atômica” para a economia, interromperia transações internacionais, isolando o país no comércio global. A decisão de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro em 4 de agosto de 2025, intensificou o atrito com os EUA, que criticaram a ação. Sanções como essa, já aplicadas a Rússia e Irã, poderiam congelar exportações, importações e investimentos, causando um choque imediato. A proximidade do Brasil com China e Brics também pesa na decisão.
A possibilidade de sanções extremas surge após os EUA classificarem ações judiciais brasileiras como violações aos direitos humanos. O Departamento de Estado americano condenou a ordem de Moraes, prometendo responsabilizar envolvidos. A exclusão do Swift, embora drástica, não é inédita e reflete a influência dos EUA no sistema financeiro global.
- Motivos da tensão: Decisões judiciais contra Bolsonaro e críticas à política brasileira.
- Impacto econômico: Paralisação de transações internacionais e fuga de capitais.
- Contexto global: Rússia e Irã já sofreram sanções similares, com efeitos severos.
O que é o Swift e sua importância para o Brasil
O Swift, criado em 1973, é uma rede de mensageria financeira que conecta bancos em mais de 200 países, movimentando em três dias o equivalente ao PIB global anual. Para o Brasil, é essencial para exportações, importações e remessas internacionais. Sem acesso ao sistema, bancos brasileiros perderiam a capacidade de realizar transações com o exterior, afetando setores como agronegócio, indústria e serviços. Segundo Francisco Américo Cassano, professor da Mackenzie, o sistema financeiro nacional, que movimenta entre US$ 3 e US$ 5 bilhões diariamente, sofreria um colapso imediato. A exclusão geraria um impacto em cadeia, com interrupção de cadeias de suprimento e fuga de investimentos estrangeiros.
O advogado Marcelo Godke destaca que a paralisação atingiria empresas, viajantes e investidores, já que praticamente todas as remessas internacionais dependem do Swift. A medida seria um golpe direto na economia globalizada do Brasil, que depende de exportações como soja, carne e minério de ferro.
Sanções de Trump: do tarifário à exclusão do Swift
As tensões entre Brasil e EUA escalaram após Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, classificadas por Jamieson Greer, representante comercial americano, como um “passo menor” em comparação à exclusão do Swift. Em entrevista à CBS em 3 de agosto de 2025, Greer sugeriu que sanções mais severas, como o corte do sistema financeiro internacional, estão no radar. A decisão de Moraes contra Bolsonaro, aliado de Trump, foi um catalisador, com os EUA acusando o Brasil de práticas que ameaçam a segurança nacional americana.
- Tarifas iniciais: 50% sobre bens brasileiros, como resposta a políticas judiciais.
- Ameaça maior: Exclusão do Swift paralisaria o comércio exterior.
- Histórico de sanções: Rússia e Irã enfrentaram medidas similares, com resultados devastadores.
- Pressão política: EUA criticam ações do STF como violação de direitos humanos.
A inclusão de Moraes na lista da Lei Magnitsky, em 1º de agosto, e a revogação de vistos de sete ministros do STF intensificam o conflito. Trump justificou as sanções citando uma “guerra judicial” contra opositores políticos no Brasil, além da aproximação do país com China e Brics.
Impactos imediatos de um banimento do Swift
A exclusão do Brasil do Swift causaria um choque econômico imediato, com paralisação de transações internacionais. Exportações, que representam cerca de 15% do PIB brasileiro, seriam diretamente afetadas, especialmente nos setores de commodities. Importações de insumos, como fertilizantes e tecnologia, também seriam interrompidas, encarecendo produtos e serviços. Segundo Godke, a fuga de capitais seria instantânea, com investidores retirando recursos do país por medo de instabilidade.
O sistema financeiro enfrentaria uma crise sem precedentes. Bancos brasileiros, incapazes de operar globalmente, poderiam sofrer perdas significativas, enquanto empresas multinacionais reconsiderariam sua presença no país. Cassano alerta que a interrupção de US$ 3 a US$ 5 bilhões diários em transações levaria a consequências imprevisíveis, incluindo desemprego e inflação.
- Setores mais afetados: Agronegócio, indústria e tecnologia.
- Fuga de capitais: Investidores buscariam mercados mais estáveis.
- Crise bancária: Bancos perderiam capacidade de operar internacionalmente.
- Efeito dominó: Cadeias de suprimento seriam interrompidas, elevando custos.
Alternativas ao Swift: China e Rússia como exemplos
Países como China e Rússia desenvolveram sistemas alternativos ao Swift para contornar sanções. A China criou o CIPS em 2015, que facilita transações em renminbi e reduz a dependência do dólar. O Banco Master, primeira instituição brasileira a aderir ao CIPS em junho de 2025, já opera nesse sistema, aproximando o real da moeda chinesa. A Rússia, por sua vez, utiliza o SPFS desde 2022, após ser banida do Swift por causa da guerra na Ucrânia.
Embora essas alternativas existam, sua adoção pelo Brasil seria desafiadora. O CIPS, por exemplo, é limitado a transações em renminbi, o que não substitui completamente o Swift, focado no dólar. Além disso, a transição exigiria anos de adaptação, inviável no curto prazo.
- CIPS chinês: Sistema alternativo para transações em renminbi.
- SPFS russo: Criado para contornar sanções ocidentais.
- Limitações: Sistemas alternativos não têm a mesma abrangência global.
- Adaptação lenta: Brasil precisaria de tempo para integrar novos sistemas.
Pressão dos EUA e o peso político global
A exclusão do Swift não é uma decisão unilateral, mas os EUA têm influência significativa no sistema, sediado na Bélgica e regido por bancos centrais globais, incluindo o Federal Reserve. Godke explica que a pressão americana pode convencer outros membros a apoiar sanções contra o Brasil, como ocorreu com Rússia e Irã. A proximidade do Brasil com a China, especialmente no contexto dos Brics, e as declarações de Lula sobre desdolarização, em 4 de agosto, agravam o cenário.
Trump também citou a postura brasileira em conflitos globais, como o apoio a grupos no Oriente Médio e a neutralidade na guerra da Ucrânia, como justificativas para sanções. A combinação de fatores políticos, judiciais e econômicos coloca o Brasil em uma posição vulnerável no cenário internacional.
- Influência americana: EUA podem pressionar bancos centrais no Swift.
- Brics e China: Aproximação brasileira aumenta tensões com os EUA.
- Desdolarização: Declarações de Lula reforçam atritos comerciais.
- Histórico: Sanções contra Rússia e Irã mostram viabilidade da exclusão.
Reações no Brasil e no exterior
No Brasil, a ameaça de exclusão do Swift gerou reações imediatas no mercado financeiro. O real sofreu desvalorização frente ao dólar após as declarações de Greer, e a bolsa de valores registrou quedas. Empresários e associações comerciais, como a Fiesp, manifestaram preocupação com a paralisação do comércio exterior. No exterior, aliados de Trump, como líderes de países ocidentais, apoiam a pressão contra o Brasil, enquanto nações dos Brics, como China e Índia, defendem maior autonomia financeira global.
A escalada de sanções reflete um momento crítico nas relações Brasil-EUA. A exclusão do Swift, embora extrema, permanece como uma possibilidade concreta, com impactos que podem redefinir a economia brasileira por anos.

