CBF revela áudio do VAR e expõe detalhes da expulsão de Aníbal Moreno no Dérbi
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, na madrugada desta quinta-feira, 7 de agosto de 2025, o áudio do diálogo entre o árbitro Anderson Daronco e a equipe do VAR, liderada por Caio Max Vieira, sobre a expulsão de Aníbal Moreno, jogador do Palmeiras, durante a derrota por 2 a 0 para o Corinthians, no Allianz Parque, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O lance, ocorrido aos 14 minutos do primeiro tempo, foi marcado por uma cabeçada de Moreno em José Martínez, do Corinthians, em uma cobrança de escanteio, com o placar ainda zerado. A decisão, que gerou polêmica e protestos da torcida palmeirense, resultou no cartão vermelho após revisão do VAR, impactando diretamente a eliminação do Palmeiras, que não conseguiu reverter a desvantagem de 1 a 0 do jogo de ida, culminando em um agregado de 3 a 0. A divulgação do áudio busca esclarecer a conduta violenta e reforçar a transparência na arbitragem.
A expulsão mudou o rumo do clássico, deixando o Palmeiras com um jogador a menos por mais de 75 minutos. A torcida, que lotou o Allianz Parque com 41.468 torcedores, recorde do estádio, demonstrou frustração, especialmente na reta final, com cânticos contra o técnico Abel Ferreira e a presidente Leila Pereira.
- Momento do lance: Aos 14 minutos, durante uma cobrança de escanteio.
- Decisão do VAR: Revisão sugeriu cartão vermelho por conduta violenta.
- Impacto imediato: Palmeiras ficou com dez jogadores, dificultando a reação.
- Placar final: Corinthians venceu por 2 a 0, com gols de Matheus Bidu e Gustavo Henrique.
Diálogo do VAR e a decisão de Daronco
O diálogo entre Anderson Daronco e Caio Max Vieira, responsável pelo VAR, foi rápido e direto. Caio Max identificou a cabeçada de Aníbal Moreno como uma ação fora da disputa de bola, classificada como conduta violenta. Daronco, inicialmente, não havia marcado a infração, pois aguardava a cobrança do escanteio. Após ser chamado ao monitor, ele revisou as imagens e confirmou a agressão, decidindo pela expulsão.
- Diálogo inicial: Caio Max alertou: “Segura, Daronco. Essa cabeçada aqui… Sugiro revisão por possível cartão vermelho”.
- Confirmação de Daronco: “Já vejo conduta violenta do jogador número 5. A bola estava em jogo ou fora de jogo?”.
- Esclarecimento do VAR: “Foi antes de a bola ser posta em jogo”.
- Decisão final: “Reinício com escanteio e cartão vermelho para o jogador do Palmeiras número 5”.
O árbitro ainda pediu um ângulo adicional para confirmar se a bola estava em jogo, garantindo precisão na decisão. Na súmula, Daronco justificou: “Com o jogo paralisado, por atingir seu adversário com uma cabeçada na altura do rosto”. A clareza do lance, segundo a CBF, reforça a aplicação correta da regra, que define conduta violenta como o uso de força excessiva fora da disputa, independentemente de contato físico significativo.
Reação da torcida e crise no Palmeiras
A expulsão de Aníbal Moreno intensificou a pressão sobre o Palmeiras, que viveu uma noite tensa no Allianz Parque. A torcida, que preparou um mosaico e compareceu em peso, abandonou o apoio aos 40 minutos do segundo tempo, quando o time recuava a bola para o goleiro Weverton em vez de atacar. Gritos de “Fora, Abel” e insultos à presidente Leila Pereira ecoaram, refletindo a insatisfação com a oitava eliminação do clube em casa sob o comando do técnico português.
Os protestos começaram antes mesmo do jogo, com torcedores entregando cestas de alimentos na Academia de Futebol, em crítica à gestão. Abel Ferreira, alvo de vaias, negou que suas palmas ao fim do jogo fossem irônicas, afirmando que pedia apoio. A derrota para o rival Corinthians, a segunda consecutiva em Dérbis após sete anos sem tal sequência, agravou a crise interna.
- Protestos pré-jogo: Torcedores entregaram cestas de alimentos em crítica à diretoria.
- Recorde de público: 41.468 torcedores, maior marca do Allianz Parque.
- Cânticos contra Abel: “Ei, Abel, vai tomar no cu” foi entoado por parte da torcida.
- Resposta do técnico: Abel negou ironia e disse buscar apoio dos torcedores.
Contexto da expulsão e regras da arbitragem
A expulsão de Aníbal Moreno seguiu as diretrizes da International Football Association Board (IFAB), que rege as regras do futebol. A conduta violenta, conforme a Regra 12, ocorre quando um jogador usa força excessiva ou brutalidade fora da disputa de bola, especialmente em ações deliberadas, como atingir o rosto do adversário. A cabeçada de Moreno em Martínez, sem intenção de jogar a bola, se enquadrou nesse critério, justificando o cartão vermelho.
A CBF, ao divulgar o áudio, reforçou a transparência na arbitragem, prática comum em lances polêmicos de competições nacionais. A decisão de Daronco, embora rápida, foi embasada em imagens claras, segundo a entidade, que destacou a revisão como exemplo de uso correto do VAR. O diálogo curto, com menos de 10 segundos para a decisão inicial, evidencia a clareza do lance, mas não evitou críticas de torcedores palmeirenses, que questionaram a rigidez da punição.
Desempenho do Corinthians e impacto no clássico
O Corinthians, treinado por Dorival Jr., aproveitou a vantagem numérica para dominar o jogo. Matheus Bidu abriu o placar, e Gustavo Henrique ampliou, garantindo a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. A vitória por 2 a 0 no Allianz Parque, somada ao 1 a 0 da ida, consolidou um agregado de 3 a 0, marcando a eliminação do Palmeiras em um clássico que não via duas vitórias consecutivas do Corinthians desde 2018.
O desempenho corintiano foi marcado por solidez defensiva e eficiência nas chances criadas. Memphis Depay, destaque no jogo de ida, teve participação em lances ofensivos, embora uma possível lesão no jogo de volta preocupe Dorival. A equipe alvinegra mostrou controle mental, contrastando com a instabilidade emocional do Palmeiras, evidenciada pela expulsão de Moreno e pela falta evitável de Micael, que gerou o segundo gol.
- Gols do Corinthians: Matheus Bidu e Gustavo Henrique marcaram no segundo tempo.
- Vantagem numérica: Corinthians explorou o espaço com um jogador a mais.
- Invencibilidade: Segunda vitória seguida sobre o Palmeiras, algo raro desde 2018.
- Preocupação: Lesão de Memphis Depay pode impactar próximos jogos.
Histórico de polêmicas com o VAR no Dérbi
O clássico entre Palmeiras e Corinthians tem histórico de decisões controversas do VAR. No jogo de ida, em 30 de julho, na Neo Química Arena, a CBF também divulgou áudios de lances polêmicos, como o pênalti marcado a favor do Corinthians, desperdiçado por Yuri Alberto, e um gol anulado do Palmeiras por impedimento milimétrico de Gustavo Gómez. Abel Ferreira criticou a arbitragem, afirmando que o VAR “decide os jogos”, mas colunistas esportivos, como Walter Casagrande, rebateram, argumentando que decisões do VAR não favorecem apenas um lado.
A escolha de Caio Max Vieira para o VAR no jogo de volta gerou reclamações do Corinthians, que questionou a imparcialidade do árbitro devido a um suposto comentário ofensivo em 2024, desmentido pela CBF. Apesar disso, a entidade manteve a escalação, e o diálogo do VAR no lance de Moreno foi considerado técnico e objetivo, sem margem para controvérsias adicionais.
- Jogo de ida: Pênalti para o Corinthians e gol anulado do Palmeiras.
- Críticas de Abel: Técnico questionou influência do VAR em resultados.
- Resposta da CBF: Áudio reforça decisão técnica, sem favorecimentos.
- Polêmica pré-jogo: Corinthians tentou mudar escalação do VAR, sem sucesso.
Repercussão nas redes e próximos passos
A divulgação do áudio do VAR gerou debate nas redes sociais. Torcedores do Corinthians, como em posts no X, consideraram a expulsão “justa” e destacaram a “maldade” de Aníbal Moreno. Já palmeirenses questionaram a rigidez da decisão, apontando que o lance não justificava tamanha punição em um jogo decisivo. A CBF, ao manter a transparência, busca reduzir especulações, mas a eliminação intensificou a pressão sobre Abel Ferreira, cuja renovação até 2027 está em xeque.
O Corinthians agora enfrenta as quartas de final da Copa do Brasil, enquanto o Palmeiras volta as atenções para o Campeonato Brasileiro, onde busca recuperação após um início irregular. A crise no Allianz Parque, com protestos da torcida e divisões internas, sugere que mudanças táticas ou de elenco podem ser necessárias para o restante da temporada.
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