Pará

Ex-motel de R$ 70 vira Hotel COP30 e causa debate com preços altos de até R$ 7 mil

Hotel Cop30
Foto: Hotel Cop30 - Foto; reprodução

Belém, 07 de agosto de 2025 – Um hotel no centro de Belém, no Pará, que antes operava como motel com diárias a partir de R$ 70, ganhou destaque ao anunciar preços entre R$ 5,6 mil e R$ 7 mil para a semana da COP30, conferência climática da ONU marcada para novembro. O caso do Hotel COP30, antigo Hotel Nota 10, viralizou nas redes sociais, tornando-se símbolo da crise de hospedagem que ameaça a participação de delegações, especialmente de países em desenvolvimento. Após críticas de diplomatas e uma reunião de emergência da ONU, o estabelecimento reduziu as diárias para R$ 2.275, mas a polêmica expôs os desafios logísticos da cidade para receber o evento global. A situação gerou debates sobre preços abusivos e levou países a pedirem a transferência da conferência para outra cidade.

A transformação do espaço, localizado no bairro da Campina, incluiu reformas para atender ao público da COP30. O hotel, que passou de motel a um empreendimento com nome inspirado no evento, recebeu novas mobílias, ar-condicionado e decoração regional. Apesar da visibilidade, o local ainda não registrou reservas confirmadas para a cúpula, segundo o gerente Alcides Moura. A estratégia inicial de precificação, chamada de “teste de mercado”, foi ajustada após a repercussão negativa.

Hotel Cop 30
Hotel Cop 30 – Foto: Divulgação
  • Mudança radical: De motel com diárias acessíveis, o local se reposicionou para um evento global.
  • Repercussão online: Um post nas redes sociais comparou a fachada antiga e os preços elevados.
  • Reação do mercado: A administração alega que os valores foram ajustados para se alinhar ao evento.

A crise de hospedagem em Belém reflete a dificuldade de uma cidade com 18 mil leitos hoteleiros para acomodar 45 mil visitantes esperados. O governo anunciou medidas como a inclusão de navios de cruzeiro para oferecer 6 mil camas extras, mas os preços continuam sendo um obstáculo para muitos.

Reformas e ambição do Hotel COP30

O Hotel COP30, antes conhecido como Hotel Nota 10, passou por uma reformulação completa em 2024, após ser adquirido por novos proprietários. O prédio de três andares, acessível apenas por escadas, agora conta com 17 quartos equipados com ar-condicionado, frigobar, chuveiro elétrico e mobília nova. A recepção foi redesenhada com elementos regionais, como madeira e artesanato local, para atrair hóspedes internacionais.

Durante uma visita recente, apenas dois quartos estavam disponíveis para exibição, enquanto os demais estavam ocupados ou em manutenção. O terraço do hotel, usado para refeições e lazer, terá café da manhã com tapioca e suco de cupuaçu, além de pratos típicos como maniçoba e pato no tucupi durante a COP30.

  • Nova estrutura: Quartos ganharam ar-condicionado e banheiros privativos.
  • Decoração regional: A recepção e o terraço destacam elementos amazônicos.
  • Sem reservas confirmadas: Apesar da visibilidade, o hotel ainda busca hóspedes para a cúpula.

A administração do hotel afirma que o nome COP30 foi escolhido para refletir o envolvimento de Belém com o evento, mas esclarece que não tem vínculo oficial com a conferência. A estratégia inicial de preços altos, segundo o gerente, visava testar a demanda, mas a repercussão forçou uma revisão.

Crise hoteleira ameaça a COP30

A polêmica envolvendo o Hotel COP30 é apenas parte de um problema maior. Em Belém, os preços das diárias em diversos hotéis dispararam, com alguns estabelecimentos cobrando até 15 vezes o valor usual. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que os custos elevados podem excluir países em desenvolvimento, comprometendo a legitimidade do evento.

Na última semana, uma reunião de emergência do bureau climático da ONU discutiu a crise de hospedagem. Países africanos, liderados pelo negociador Richard Muyungi, exigiram soluções para garantir participação equitativa. A pressão chegou ao ponto de algumas delegações solicitarem a transferência da conferência para outra cidade, o que seria um revés para o Brasil.

  • Preços multiplicados: Alguns hotéis elevaram diárias em até 15 vezes.
  • Reunião de emergência: A ONU cobrou ações do Brasil para conter a crise.
  • Risco de exclusão: Países pobres podem reduzir delegações ou não comparecer.

O governo brasileiro, por meio da Casa Civil, formou um grupo de trabalho para negociar com o setor hoteleiro, mas a legislação nacional impede a imposição de limites às tarifas. A alternativa tem sido o diálogo, com promessas de acomodações acessíveis para nações menos favorecidas.

Soluções emergenciais para hospedagem

Para enfrentar a escassez de leitos, o governo anunciou a contratação de dois navios de cruzeiro, que oferecerão 6 mil camas adicionais durante a COP30. Além disso, reservas em acomodações com diárias de até US$ 220 foram abertas para países em desenvolvimento. Ainda assim, esses valores superam o auxílio-moradia da ONU, fixado em US$ 149 por noite, o que dificulta a participação de algumas delegações.

Diplomatas de nações ricas, como Holanda e Polônia, também relatam dificuldades. O governo holandês considera reduzir sua delegação pela metade, enquanto o vice-ministro do Clima da Polônia alertou que o país pode limitar sua presença ao mínimo. A situação expõe a fragilidade logística de Belém para um evento de escala global.

  • Navios de cruzeiro: Solução para adicionar 6 mil leitos à oferta hoteleira.
  • Acomodações acessíveis: Diárias de US$ 220 ainda são altas para alguns países.
  • Impacto diplomático: Países ricos e pobres enfrentam barreiras para participar.

A COP30, que será a primeira conferência climática da ONU na Amazônia, é vista como uma oportunidade para destacar a região, mas os desafios logísticos colocam em xeque a capacidade de Belém de sediar o evento.

Reações internacionais e pressão sobre o Brasil

A crise de hospedagem gerou um mal-estar diplomático, com delegações de países em desenvolvimento e ricos expressando insatisfação. O negociador africano Richard Muyungi enfatizou que os países do continente não aceitam reduzir suas delegações devido aos custos. Ele cobrou do Brasil respostas concretas até 11 de agosto, data de uma nova reunião da ONU para avaliar os avanços.

Autoridades de seis governos, incluindo nações europeias, relataram dificuldades para garantir acomodações. Alguns hotéis chegaram a oferecer tarifas de US$ 700 por pessoa por noite, valores considerados abusivos. A pressão para mudar a sede da COP30 cresce, mas o Brasil insiste em manter o evento em Belém, reforçando a importância de realizar a conferência na Amazônia.

  • Mal-estar diplomático: Preços altos geram críticas de países ricos e pobres.
  • Prazo da ONU: Brasil deve apresentar soluções até 11 de agosto.
  • Manutenção da sede: Governo defende Belém como palco ideal para a cúpula.

A administração do Hotel COP30, por sua vez, afirmou estar disposta a ajustar preços caso haja diretrizes oficiais, mas destacou a falta de orientações claras do governo. Enquanto isso, Belém se prepara para receber chefes de Estado, diplomatas e milhares de visitantes, com a promessa de reforçar a identidade amazônica.

Preparativos e expectativas para a COP30

A conferência, marcada para novembro de 2025, deve reunir representantes de mais de 190 países no Parque do Povo, a 30 minutos do centro de Belém. A cidade, com 1,3 milhão de habitantes, enfrenta o desafio de adaptar sua infraestrutura para um evento de grande porte. Além dos navios de cruzeiro, o governo planeja criar uma “vila da COP30” para receber chefes de Estado e delegações de alto nível.

O Hotel COP30, apesar da polêmica, planeja aproveitar a visibilidade para atrair hóspedes com uma experiência regional. A gerência promete ambientação amazônica, com artesanato e pratos típicos, mas a ausência de reservas efetivas reflete a incerteza do setor hoteleiro local. A crise de preços, se não resolvida, pode limitar a participação de delegações e comprometer o impacto global do evento.

  • Vila da COP30: Espaço dedicado a chefes de Estado e delegações.
  • Identidade amazônica: Hotéis planejam destacar a cultura local.
  • Desafio logístico: Belém precisa expandir capacidade para 45 mil visitantes.

A COP30 representa uma oportunidade única para o Brasil destacar a Amazônia em um debate global sobre mudanças climáticas. No entanto, a crise de hospedagem evidencia a necessidade de planejamento e diálogo para garantir que o evento seja inclusivo e bem-sucedido.