Homem enfrenta onça para salvar cães e sobrevive com ferimentos em Corumbá
Valdinei da Silva Pereira, de 57 anos, foi atacado por uma onça-pintada na noite de 6 de agosto de 2025, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, enquanto tentava proteger seus cães no quintal de sua casa, no Mirante da Capivara, às margens do rio Paraguai. O incidente, ocorrido por volta das 21h, deixou o trabalhador com ferimentos no rosto, testa, nariz e olho direito, além de dores torácicas intensas. Ele só buscou ajuda na manhã seguinte, quando o Corpo de Bombeiros o resgatou e o levou ao pronto-socorro da Santa Casa. Dois cães foram mortos pelo animal. Este é o segundo ataque de onça a humanos registrado no estado em 2025, levantando preocupações sobre a convivência com a fauna no Pantanal. A Polícia Militar Ambiental e o Ibama ainda não foram acionados oficialmente.
O ataque aconteceu quando Valdinei saiu para verificar os latidos dos cães, que alertavam sobre a presença do felino. Ele relatou que a onça o acertou com uma patada, derrubando-o ao chão. Apesar da gravidade, ele permaneceu consciente e conseguiu retornar à casa, mas não informou imediatamente à família a causa dos ferimentos, mencionando apenas um “tapa”. A demora no socorro, segundo sua irmã Clara Duarte, ocorreu porque Valdinei minimizou o incidente durante a ligação noturna.
- Local do ataque: Mirante da Capivara, às margens do rio Paraguai.
- Ferimentos: Arranhões no rosto, corte no nariz, lesão no olho direito.
- Animais afetados: Dois cães mortos, um deles arrastado pela onça.
- Resgate: Realizado pelo Corpo de Bombeiros na manhã de 7 de agosto.
A cena do ataque, descrita pelos bombeiros, revelou uma grande quantidade de sangue próximo à residência, indicando a violência do encontro. A vítima, que trabalha na região e está habituada ao ambiente pantaneiro, foi surpreendida pela onça, que provavelmente rondava a área em busca de presas fáceis, como os cães.
Detalhes do confronto com a onça
O incidente ocorreu em uma área isolada do Pantanal, conhecida pela presença constante de onças-pintadas, o maior felino das Américas. Valdinei, ao ouvir os latidos dos cães, correu para protegê-los, mas acabou enfrentando o animal diretamente. A onça, segundo relatos, atacou com uma patada rápida, causando ferimentos superficiais, mas dolorosos. A força do impacto derrubou o trabalhador, que conseguiu se levantar e retornar à casa. A irmã de Valdinei, Clara, destacou que ele não mencionou a onça na ligação inicial, o que atrasou a mobilização do resgate.
Os bombeiros encontraram Valdinei consciente, mas com sinais claros de trauma. Ele foi levado de ambulância para a Santa Casa de Corumbá, onde passou por exames para avaliar possíveis lesões internas, especialmente devido às dores no peito. A ausência de fraturas graves ou mordidas profundas sugere que o ataque foi rápido e que a onça recuou após a patada inicial.
- Lesões principais: Arranhões faciais, corte na testa, hematoma no olho.
- Estado da vítima: Consciente e orientado no momento do resgate.
- Local de atendimento: Santa Casa de Corumbá, com exames em andamento.
- Tempo de socorro: Aproximadamente 12 horas após o ataque.
Contexto da presença de onças no Pantanal
O Pantanal, com sua vasta biodiversidade, é o habitat natural de onças-pintadas, que pesam até 140 kg (machos) e 90 kg (fêmeas). A região do Mirante da Capivara, próxima ao rio Paraguai, é propícia para esses felinos, que preferem áreas úmidas com vegetação densa. A alta disponibilidade de presas, como capivaras e jacarés, mantém populações saudáveis de onças, mas a proximidade com áreas habitadas aumenta o risco de conflitos. Em 2025, este é o segundo ataque registrado no estado, após a morte do caseiro Jorge Avalo, em abril, no pesqueiro Touro Morto, em Aquidauana.
Ataques a humanos são raros, mas podem ocorrer quando há escassez de presas, quando o animal se sente ameaçado ou durante períodos reprodutivos. No caso de Valdinei, a presença dos cães pode ter atraído a onça, que viu nos animais domésticos uma presa acessível. Especialistas apontam que a prática de “ceva” – alimentar onças para atraí-las – é proibida e pode habituar os felinos à presença humana, aumentando riscos.
- Habitat: Áreas úmidas com alta densidade de presas naturais.
- Fatores de risco: Escassez de presas, proteção de filhotes, ceva proibida.
- Casos anteriores: Morte de Jorge Avalo em abril de 2025.
- Medidas legais: Ceva é proibida por leis federal, estadual e municipal.
A Polícia Militar Ambiental (PMA) informou que não foi acionada para o caso de Valdinei, e o Ibama também não recebeu notificação oficial até o momento. Isso levanta questões sobre a comunicação entre moradores e autoridades em áreas remotas, onde a presença de onças é comum, mas os protocolos de segurança nem sempre são seguidos.
Reações da comunidade local
A notícia do ataque gerou comoção em Corumbá, especialmente entre moradores do Mirante da Capivara, que convivem com a fauna pantaneira. A irmã de Valdinei, Clara Duarte, expressou alívio por ele ter sobrevivido, mas lamentou a perda dos cães, que eram parte da rotina da família. Vizinhos relataram que onças são frequentemente vistas na região, especialmente à noite, o que reforça a necessidade de cuidados extras ao sair de casa.
Nas redes sociais, o caso dividiu opiniões. Alguns internautas destacaram a coragem de Valdinei ao enfrentar a onça para salvar os cães, enquanto outros criticaram a falta de barreiras de proteção nas propriedades rurais. Um morador local comentou: “Aqui no Pantanal, a onça é dona do lugar. Quem vive aqui precisa respeitar e se prevenir”. A ausência de ação imediata da PMA e do Ibama também gerou questionamentos sobre a fiscalização na área.
- Reação da família: Alívio pela sobrevida, luto pelos cães mortos.
- Comentários locais: Debate sobre convivência com a fauna selvagem.
- Críticas: Falta de barreiras e demora na notificação às autoridades.
- Presença de onças: Relatos de avistamentos frequentes à noite.
Histórico de ataques no Pantanal
O caso de Valdinei não é isolado. Em abril de 2025, Jorge Avalo, de 60 anos, morreu após ser atacado por uma onça-pintada no pesqueiro Touro Morto, em Aquidauana. O animal, um macho de 94 kg, foi capturado e levado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) em Campo Grande. A perícia confirmou que a onça foi responsável pela morte, com uma mordida fatal na cabeça. Em 2023, um peão de 40 anos sobreviveu a um ataque na fazenda São Lourenço, também em Corumbá, sofrendo fraturas graves após lutar com o felino.
Ataques anteriores mostram que onças-pintadas, embora evitem humanos, podem atacar em situações específicas. Em 2008, um vaqueiro de 22 anos foi morto em Cáceres, Mato Grosso, enquanto dormia em uma barraca. Especialistas destacam que a preservação do Pantanal, aliada à expansão de atividades humanas, como pesca e turismo, aumenta a chance de encontros. A captura de onças após ataques é comum, mas o destino dos animais varia entre reabilitação e transferência para centros especializados.
- Caso de 2025: Jorge Avalo morto em Aquidauana, onça capturada.
- Caso de 2023: Peão sobrevive com fraturas em Corumbá.
- Caso de 2008: Vaqueiro morto em Cáceres, ligado à prática de ceva.
- Destino dos animais: Reabilitação ou transferência para cativeiro.
Medidas de prevenção recomendadas
Conviver com onças no Pantanal exige cuidados específicos, especialmente em áreas isoladas como o Mirante da Capivara. Especialistas recomendam evitar sair à noite sem iluminação adequada, manter cães em locais protegidos e instalar cercas reforçadas em propriedades rurais. A prática de ceva, que atrai onças para áreas habitadas, é ilegal e deve ser denunciada. Moradores também são orientados a reportar avistamentos de onças às autoridades ambientais imediatamente.
Valdinei, que permanece internado, deve receber alta em breve, segundo médicos, mas os ferimentos no rosto podem deixar marcas permanentes. A família planeja reforçar a segurança da casa, com grades e iluminação, para evitar novos incidentes. A comunidade local, por sua vez, cobra maior presença de órgãos ambientais para orientar sobre a convivência com a fauna selvagem.
- Prevenção: Iluminação noturna, cercas reforçadas, proteção para cães.
- Denúncias: Prática de ceva deve ser reportada ao Ibama.
- Orientação: Contato imediato com PMA ou bombeiros em caso de avistamentos.
- Recuperação: Valdinei segue em observação, com alta prevista.
Veja Tambem em Brasil
Regra que exige acordo coletivo para comércio em feriados entra em vigor nesta segunda
Jovem de 19 anos é mordida por tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife
Polícia investiga morte de Hilde Ann Lynn Helphenstein em quarto do Rosewood São Paulo
Anvisa autoriza Ypê a retomar produção em Amparo a partir desta segunda-feira
Acidente na BR-116 deixa 16 mortos de uma família em Santa Terezinha na Bahia
Prefeitura de Manaus inaugura Rua da Copa da Semulsp em Compensa
Mulher de 72 anos cai de escada durante desembarque da LATAM em Congonhas e morre dois dias depois
Copa do Mundo 2026: servidores do Rio aguardam definição sobre expediente nos dias de jogos do Brasil
Anvisa autoriza retomada da produção da Ypê em fábrica de Amparo após correções
Prejuízo de R$ 3,1 bilhões: Correios divulgam balanço do 1º trimestre de 2026 com aumento significativo
Acidente fatal em Belo Horizonte: torcedor do Cruzeiro, de 20 anos, morre ao cair de ônibus após jogo
