Um conflito interno abalou a Sentebale, organização fundada por Príncipe Harry e Príncipe Seeiso de Lesoto em 2006, para apoiar jovens afetados por HIV/AIDS no sul da África. Em março de 2025, Harry, Seeiso e cinco conselheiros renunciaram devido a desavenças com a presidente, Sophie Chandauka, que acusou o grupo de práticas inadequadas, como assédio e má gestão. A Charity Commission, reguladora britânica, investigou as alegações e concluiu, em agosto de 2025, que não havia evidências de bullying ou discriminação sistêmica, mas criticou todas as partes por permitirem que a disputa se tornasse pública, prejudicando a reputação da organização. A crise, centrada em divergências sobre uma nova estratégia de captação de recursos nos EUA, gerou preocupações sobre o futuro financeiro da Sentebale. Harry expressou decepção com o relatório, enquanto Chandauka defendeu sua liderança.
A renúncia de Harry, que via a Sentebale como um projeto pessoal em memória de sua mãe, Diana, Princesa de Gales, marcou o fim de sua relação com a organização. A disputa expôs fragilidades na governança, levantando questões sobre a sustentabilidade da missão de ajudar jovens em Lesoto e Botsuana.
- Principais pontos da crise:
- Renúncia de Harry, Seeiso e cinco conselheiros em março de 2025.
- Acusações de Chandauka contra ex-conselheiros por má gestão e assédio.
- Relatório da Charity Commission criticou disputa pública e falta de clareza em papéis.
- Foco da tensão: nova estratégia de arrecadação nos EUA, questionada por conselheiros.
O impacto da saída de Harry gerou debates sobre o futuro da Sentebale, que agora enfrenta o desafio de recuperar a confiança de doadores e manter sua missão.
Origem da crise e tensões internas
A Sentebale, criada para honrar as mães de seus fundadores, Diana e a Rainha ‘Mamohato de Lesoto, enfrentou problemas desde a nomeação de Sophie Chandauka como presidente em julho de 2023. A advogada zimbabuana, com experiência em empresas como Morgan Stanley e Meta, buscou modernizar a organização, transferindo decisões de Londres para a África e diversificando a captação de recursos. A estratégia, que incluiu a contratação da consultoria Lebec por £500 mil, gerou atritos com conselheiros, que questionaram os resultados financeiros.
Chandauka alegou que a saída de Harry do Reino Unido em 2020, após sua separação da família real, impactou negativamente os doadores. Segundo ela, a “toxicidade” da imagem pública do príncipe dificultou a atração de patrocinadores corporativos. Fontes próximas a Harry rebatem, destacando que sua participação em eventos como o Sentebale Polo Cup e a doação de £1,2 milhão de seu livro Spare foram cruciais para a organização.
- Fatos sobre a tensão inicial:
- Estratégia de captação nos EUA custou £500 mil, mas não trouxe resultados esperados.
- Harry doou £1,2 milhão de Spare em 2023, reforçando finanças.
- Chandauka criticou dependência de eventos ligados à imagem de Harry.
A disputa escalou quando os conselheiros pediram a renúncia de Chandauka, que respondeu com uma ação judicial na Alta Corte da Inglaterra e denúncias à Charity Commission.
Reações à investigação da Charity Commission
A investigação da Charity Commission, iniciada em abril de 2025, analisou as acusações de Chandauka, que incluíam bullying, assédio, misoginia e “misogynoir” (discriminação contra mulheres negras). O relatório final, publicado em agosto, rejeitou evidências de práticas sistêmicas, mas reconheceu a percepção de maus-tratos entre as partes. A reguladora criticou a exposição pública do conflito, que incluiu entrevistas de Chandauka na mídia britânica, como no Financial Times e Sky News.
Harry e os ex-conselheiros expressaram frustração, afirmando que o relatório “falhou” ao não responsabilizar Chandauka pelas consequências da disputa. Um porta-voz do príncipe destacou que a Sentebale era um “projeto profundamente pessoal” e que Harry agora buscará novas formas de apoiar jovens em Lesoto e Botsuana.
- Pontos do relatório da Charity Commission:
- Não houve evidências de bullying ou discriminação sistêmica.
- Disputa pública danificou a reputação da Sentebale.
- Plano de ação regulatória exige clareza em papéis e melhor gestão de conflitos.
- Finanças da organização estavam estáveis até agosto de 2023.
Chandauka, por sua vez, celebrou a decisão de permanecer na liderança, afirmando que a Sentebale emergiu “mais forte” e comprometida com sua missão.
Impacto financeiro e desafios futuros
A crise revelou fragilidades financeiras da Sentebale, que enfrentou queda de receita após a saída de Harry do Reino Unido. Em 2020, a renda caiu para £2,39 milhões, recuperando-se para £4,55 milhões em 2022, em parte devido à doação de Harry. A nova estratégia de captação nos EUA, liderada por Chandauka, visava atrair doadores de alto patrimônio, mas os resultados iniciais foram desapontadores, segundo ex-conselheiros.
Fontes próximas à organização afirmam que 60% dos doadores institucionais permanecem, garantindo operações em Lesoto e Botsuana. Contudo, a saída de Harry, cuja imagem atraía patrocinadores, pode dificultar a captação futura. Especialistas temem que a disputa pública afaste novos apoiadores, comprometendo programas que beneficiam mais de 100 mil jovens.
- Dados financeiros relevantes:
- Renda de £2,39 milhões em 2020, subindo para £4,55 milhões em 2022.
- Doação de £1,2 milhão de Harry em 2023.
- Contrato com Lebec custou £500 mil para 65 contatos com potenciais doadores.
- 60% dos doadores são institucionais, protegendo operações atuais.
A Sentebale agora enfrenta o desafio de reconstruir sua reputação e diversificar fontes de receita sem a presença de seu fundador mais conhecido.
Conflitos pessoais e acusações públicas
A relação entre Harry e Chandauka azedou após incidentes públicos, como um evento de polo em abril de 2024, onde Meghan Markle pediu que Chandauka se afastasse de Harry para uma foto. O momento, capturado em vídeo, gerou especulações de tensão. Chandauka recusou-se a comentar publicamente, alegando não querer alimentar a “máquina de relações públicas dos Sussex”.
As acusações de Chandauka, incluindo alegações de misoginia e discriminação, foram refutadas por ex-conselheiros como Kelello Lerotholi, que negou qualquer comportamento inadequado em reuniões. A presidente, por sua vez, posicionou-se como uma denunciante, afirmando que enfrentou resistência por buscar modernizar a Sentebale e transferir poder para líderes africanos.
- Momentos-chave do conflito:
- Incidente no evento de polo em 2024 gerou atritos públicos.
- Chandauka acusou Harry de tentar sabotar a organização.
- Ex-conselheiros negaram acusações, apontando falhas na gestão de Chandauka.
A disputa expôs divisões culturais, com Chandauka alegando que a equipe britânica resistia à transferência de decisões para a África.
Futuro da Sentebale sem Harry
Com a saída de Harry e Seeiso, a Sentebale enfrenta um momento crítico. A organização planeja manter sua missão, agora focada em saúde juvenil, desigualdade e resiliência climática. Chandauka destacou os 500 funcionários, majoritariamente em Lesoto, como a força da organização. No entanto, a perda da conexão real pode impactar a visibilidade e o financiamento.
Harry, que descreveu a Sentebale como “um dedo cortado”, prometeu continuar apoiando jovens africanos por outros meios. Especialistas sugerem que ele pode criar uma nova iniciativa, mas o impacto emocional de deixar a Sentebale é evidente. A Charity Commission enfatizou a importância de focar nos beneficiários, instando os atuais líderes a implementarem o plano de ação regulatória.
- Prioridades para a Sentebale:
- Recuperar confiança de doadores após disputa pública.
- Implementar plano regulatório para melhorar governança.
- Manter programas que atendem mais de 100 mil jovens.
- Diversificar captação sem depender da imagem de Harry.
A organização agora busca estabilidade, mas o caminho à frente exige esforços para superar as cicatrizes do conflito.
