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Cerco em Extremoz: 22 horas de tensão na caçada a Pica-Pau no RN

Criminoso procurado do RN
Foto: Criminoso procurado do RN - Foto: Globo

Um cerco policial de 22 horas transformou Extremoz, na Grande Natal, em um cenário de guerra no dia 26 de julho de 2025, resultando na morte de Marcelo Johnny Viana Bastos, conhecido como Pica-Pau, o criminoso mais procurado do Rio Grande do Norte. Líder da facção Novo Cangaço, ele era acusado de assaltos a bancos, roubos de veículos de luxo e pelo menos 14 homicídios em um mês. A operação, que mobilizou mais de 100 policiais, incluindo o BOPE e a Coordenadoria de Operações Especiais, envolveu 3 mil disparos e deixou seis agentes feridos. A ação começou após a investigação de um carro roubado e terminou com a casa destruída e três mortos, incluindo Pica-Pau, sua namorada e um comparsa. A recusa do criminoso em se render intensificou o confronto, que chocou moradores do bairro Porta do Sol.

A operação marcou a história do estado como o maior confronto armado registrado pela Polícia Federal. Moradores relataram pânico, com ruas desertas e barulhos de tiros e explosões. A ação policial, iniciada por uma denúncia, revelou a complexidade do combate ao crime organizado no RN.

  • Principais alvos: Marcelo Pica-Pau, líder da facção Novo Cangaço, e dois aliados.
  • Forças envolvidas: BOPE, Polícia Civil, PRF e helicóptero Potiguar 2.
  • Impacto local: Moradores se esconderam; bairro ficou isolado por 22 horas.
  • Resultado: Três mortos, seis policiais feridos e casa destruída.
A casa ficou com marcas de mais de 3 mil tiros disparados — Foto Reprodução TV Globo
A casa ficou com marcas de mais de 3 mil tiros disparados — Foto Reprodução TV Globo

Início do cerco em Extremoz

A operação que culminou na morte de Marcelo Pica-Pau começou com uma denúncia aparentemente simples: um veículo roubado no bairro Porta do Sol, em Extremoz. Ao chegarem ao local, os policiais da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) foram recebidos com disparos de fuzil vindos de dentro da residência onde o criminoso se escondia. O confronto inicial foi intenso, com Pica-Pau utilizando armamento pesado, o que exigiu a intervenção de unidades especializadas. Equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) já monitoravam o suspeito e se dirigiam ao local para cumprir um mandado de prisão, o que transformou a ação em um cerco prolongado. A operação rapidamente escalou, mobilizando mais de 100 agentes, incluindo atiradores de elite e esquadrão antibombas, e marcou o bairro com uma presença policial massiva.

O bairro Porta do Sol, conhecido pela tranquilidade e proximidade com a praia de Genipabu, tornou-se palco de um conflito que paralisou a vida local. A ação, que começou às 11h do dia 26 de julho, se estendeu até a manhã do dia seguinte, com moradores relatando medo e insegurança. A casa onde Pica-Pau estava escondido ficou cercada, com barricadas policiais bloqueando ruas e restringindo o acesso.

Perfil de Marcelo Pica-Pau

Marcelo Johnny Viana Bastos, de 32 anos, era figura central no crime organizado do Rio Grande do Norte. Apontado como líder da facção Novo Cangaço, uma dissidência do Sindicato do Crime, ele comandava operações criminosas em várias regiões do estado e, segundo a polícia, também atuava em Pernambuco e Paraíba. Sua ficha criminal incluía crimes graves, com destaque para:

  • Assaltos a bancos e carros-fortes, como o ocorrido em agosto de 2024, em Natal, onde o vigilante Janielson Carvalho Correia foi morto.
  • Roubos de veículos de luxo, usados para financiar atividades da facção.
  • Pelo menos 14 homicídios em um único mês, segundo investigações policiais.
  • Formação de quadrilha armada, com aliciamento de novos membros para expandir o Novo Cangaço.

A periculosidade de Pica-Pau o colocou na lista do Ministério da Justiça como o criminoso mais procurado do RN desde maio de 2025. Apesar de ser monitorado há meses, ele conseguia escapar das autoridades, o que aumentava sua reputação no submundo do crime.

Tensão no bairro Porta do Sol

O cerco transformou a rotina dos moradores de Extremoz. Ruas normalmente calmas foram tomadas por viaturas, helicópteros e atiradores posicionados em pontos estratégicos. O som de disparos e explosões ecoou por horas, forçando famílias a se esconderem em suas casas. Jackson Casemiro, instrutor de trânsito, descreveu a cena: “Tinha mais policiais do que moradores nas ruas. Vi atiradores em telhados e equipes com equipamentos pesados.” Cíntia de Souza, moradora vizinha ao local do confronto, relatou o medo: “Passamos a noite deitados no chão, entre móveis, para nos proteger.”

A operação envolveu táticas de alta complexidade, com o uso de helicóptero Potiguar 2 para monitoramento aéreo e equipes do BOPE posicionadas para conter qualquer tentativa de fuga. O bairro foi isolado, e o acesso de veículos e pedestres foi restringido, criando um clima de tensão que se estendeu por quase um dia inteiro.

Tentativas de negociação

Durante o cerco, a polícia tentou evitar um desfecho violento. Uma das estratégias foi trazer a irmã de Marcelo Pica-Pau para negociar sua rendição. Ela chegou a falar com o criminoso pelo portão da casa, pedindo que ele se entregasse, mas os esforços foram em vão. Segundo o delegado Pablo Dantas Beltrão, Pica-Pau não demonstrou intenção de se render, continuando a disparar contra os agentes com armas de grosso calibre.

A resistência do criminoso intensificou o confronto. A casa onde ele estava escondido foi alvo de milhares de disparos, resultando em sua destruição quase total. A operação também envolveu o uso de explosivos, o que aumentou o risco para os policiais e moradores próximos.

  • Estratégias policiais: Negociação com familiar, cerco com atiradores de elite, uso de helicóptero.
  • Armamento usado por Pica-Pau: Fuzis e explosivos, segundo relato policial.
  • Duração do confronto: 22 horas, com trocas de tiros intermitentes.
  • Danos colaterais: Seis policiais feridos, casa destruída e bairro em pânico.

Desfecho da operação

Após 22 horas de tensão, o cerco terminou na manhã de 27 de julho com a morte de Marcelo Pica-Pau, sua namorada, Jamile Xavier da Silva, de 19 anos, e um comparsa, Cláudio Ferreira dos Santos, conhecido como Bode-Rouco. A casa, localizada no bairro Porta do Sol, ficou marcada por mais de 3 mil disparos, segundo a Polícia Federal, que classificou o evento como o maior confronto armado da história do Rio Grande do Norte. Seis policiais sofreram ferimentos, mas nenhum em estado grave.

O delegado Joacir Lucena da Rocha destacou que, embora a operação tenha desarticulado a liderança do Novo Cangaço, a facção não foi completamente eliminada. “O crime organizado é uma estrutura complexa, mas conseguimos um golpe significativo naquele momento”, afirmou. A ação foi celebrada por policiais no local, mas também gerou debates sobre a violência empregada e o impacto na comunidade local.

Repercussão na comunidade

A operação deixou marcas profundas em Extremoz. Moradores relataram traumas causados pelo barulho constante de tiros e pela presença massiva de policiais. Muitos precisaram deixar suas casas temporariamente por segurança. A destruição da residência onde Pica-Pau estava escondido se tornou um símbolo da violência do confronto, com imagens mostrando paredes crivadas de balas e móveis destruídos.

A comunidade também questionou os riscos da operação em uma área residencial. Apesar do sucesso policial, o impacto psicológico nos moradores, especialmente crianças e idosos, foi significativo. Escolas e comércios locais interromperam suas atividades durante o cerco, e o bairro levou dias para retomar a normalidade.

Novo Cangaço e o crime organizado no RN

O Novo Cangaço, liderado por Pica-Pau, é uma dissidência do Sindicato do Crime, uma das principais organizações criminosas do Rio Grande do Norte. A facção é conhecida por sua atuação em assaltos a bancos e carros-fortes, além de homicídios encomendados. A morte de Pica-Pau foi um golpe importante, mas a polícia alerta que a estrutura criminosa continua ativa.

  • Origem: Dissidência do Sindicato do Crime, com atuação no RN, PB e PE.
  • Atividades principais: Assaltos a bancos, carros-fortes e homicídios.
  • Expansão: Pica-Pau buscava aliciar novos membros para ampliar a facção.
  • Impacto da operação: Desarticulação temporária da liderança.

A polícia segue investigando outros membros do grupo, com o objetivo de desmantelar completamente suas operações. Ações como essa evidenciam a dificuldade de combater o crime organizado em áreas urbanas, onde a presença de civis aumenta os riscos.