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Conta de luz sobe 13,53% em SC: entenda os motivos do reajuste da Celesc

Conta de Luz
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A partir de 22 de agosto, a conta de luz em Santa Catarina ficará mais cara devido ao reajuste tarifário anual de 13,53% aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) aplicará o aumento a cerca de 3,53 milhões de unidades consumidoras em 285 municípios de Santa Catarina e do Paraná. O percentual, que impacta residências, comércios e indústrias, reflete a alta nos custos de geração, transmissão e encargos setoriais, calculados com base no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Apesar do aumento, a Celesc destaca que suas tarifas residenciais permanecem abaixo da média nacional. O reajuste, que varia conforme o perfil do consumidor, busca equilibrar as finanças da distribuidora e garantir investimentos na rede elétrica, mas pressiona o orçamento de consumidores em um momento de alta inflacionária. Entender como o cálculo é feito e adotar medidas de economia pode ajudar a mitigar os impactos.

O aumento tarifário, homologado pela Aneel, é resultado de um processo regulatório que considera custos operacionais e encargos do setor elétrico. A composição da tarifa, dividida em Parcelas A e B, revela a complexidade do cálculo, que envolve fatores como compra de energia e manutenção da rede. Consumidores residenciais, que representam mais de 90% dos clientes da Celesc, enfrentarão um reajuste de 12,3%, enquanto indústrias de alta tensão terão aumento de 15,8%.

Conta de luz
Conta de luz – Foto: Mintr/istock
  • Principais impactos do reajuste:
    • Residências: aumento de 12,3% nas tarifas.
    • Pequenos comércios e áreas rurais: reajuste de 12,41%.
    • Indústrias (alta tensão): alta de 15,8%.
    • Período de vigência: 22 de agosto de 2025 a 21 de agosto de 2026.

Composição da tarifa de energia

A tarifa de energia elétrica em Santa Catarina é dividida em duas partes principais. A Parcela A engloba custos não gerenciáveis pela Celesc, como geração, transmissão e encargos setoriais, que representam cerca de 79,6% da receita. Esses valores são repassados a outros agentes do setor elétrico, como geradoras e transmissoras, e incluem subsídios determinados por políticas públicas. Já a Parcela B, que corresponde a 20,4% da receita, cobre os custos operacionais da Celesc, como manutenção de redes, subestações e investimentos em infraestrutura. Em 2025, o principal fator de pressão no reajuste foi o aumento de 36% na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um encargo setorial que financia programas como a Tarifa Social de Energia Elétrica.

A Parcela B é ajustada anualmente pelo IGP-M, índice que reflete a inflação no setor produtivo e é tradicionalmente usado em contratos do setor elétrico. Em 2025, o IGP-M acumulou alta significativa, influenciando diretamente o cálculo tarifário. Apesar disso, a Celesc destaca que apenas 0,55% do reajuste está ligado à Parcela B, o que demonstra eficiência na gestão dos custos operacionais.

  • Componentes da Parcela A:
    • Custos de geração de energia (ex.: hidrelétricas, termelétricas).
    • Transmissão de energia até as distribuidoras.
    • Encargos setoriais, como a CDE.
    • Tributos federais (PIS e COFINS) e estaduais (ICMS).

Como o IGP-M determina o aumento

O IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é o índice utilizado para corrigir a Parcela B da tarifa da Celesc. Ele reflete a variação de preços em três setores principais: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do cálculo e mede custos no atacado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, que avalia preços no varejo; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%, que monitora o setor de construção civil. Em 2025, a alta do IGP-M foi impulsionada principalmente pelo IPA, devido a pressões nos custos de produção, como combustíveis e matérias-primas.

Esse índice é amplamente utilizado em contratos do setor elétrico por sua capacidade de acompanhar a inflação de custos ao produtor. Segundo especialistas, o IGP-M garante que a receita das distribuidoras acompanhe a inflação setorial, mantendo o equilíbrio financeiro. No caso da Celesc, o reajuste é ajustado por um “Fator X”, que reduz o impacto inflacionário ao incentivar a eficiência operacional. Mesmo assim, o aumento de 13,53% reflete a pressão de custos externos, como a compra de energia no mercado de curto prazo.

Impactos nos diferentes consumidores

O reajuste de 13,53% não é aplicado de forma uniforme. Consumidores residenciais, que formam a maioria dos clientes da Celesc, terão um aumento de 12,3%. Esse percentual é menor porque os custos fixos são diluídos entre um grande número de consumidores. Já os clientes de alta tensão, como indústrias, enfrentam um aumento de 15,8%, devido à maior exposição a encargos setoriais e custos de transporte de energia. Pequenos comércios e áreas rurais, enquadrados no Grupo B, terão um reajuste de 12,41%.

A variação entre os grupos reflete a alocação de custos específicos. Por exemplo, indústrias consomem grandes volumes de energia e são mais afetadas por encargos como a CDE, que custeia subsídios para programas sociais. Apesar do aumento, a Celesc destaca que suas tarifas continuam entre as mais baixas do país para distribuidoras com mais de 500 mil consumidores, com o custo do kWh residencial em R$ 0,59, 17% abaixo da média nacional de R$ 0,71.

  • Distribuição dos reajustes por grupo:
    • Residências: 12,3% (90% dos clientes).
    • Pequenos comércios e rurais: 12,41%.
    • Indústrias (alta tensão): 15,8%.
    • Média geral: 13,53%.

Estratégias para reduzir o impacto

Com o aumento nas tarifas, consumidores buscam formas de minimizar o impacto no orçamento. Pequenas mudanças nos hábitos de consumo podem fazer diferença significativa. A substituição de lâmpadas incandescentes por modelos LED, por exemplo, reduz o consumo em até 80%. Regular o uso de aparelhos como chuveiros elétricos, ferros de passar e ar-condicionado também é eficaz. O uso consciente de eletrodomésticos, como evitar lavar roupas diariamente ou deixar aparelhos em stand-by, contribui para a economia.

A Celesc recomenda que os consumidores verifiquem possíveis “fugas” de energia, que ocorrem por falhas na instalação elétrica ou no medidor. Para isso, é possível desligar todos os aparelhos e observar se o medidor continua registrando consumo. Caso haja anormalidades, a orientação é chamar um eletricista ou contatar a distribuidora.

  • Dicas para economizar energia:
    • Usar lâmpadas LED em vez de incandescentes.
    • Manter o ar-condicionado em 23°C.
    • Desligar aparelhos em stand-by.
    • Evitar uso frequente de secadoras e fornos elétricos.
    • Verificar instalações elétricas para evitar fugas.

Sistema de bandeiras tarifárias

Além do reajuste anual, as contas de luz em Santa Catarina são influenciadas pelo sistema de bandeiras tarifárias, gerenciado pela Aneel. Esse mecanismo sinaliza as condições de geração de energia, aplicando acréscimos quando os custos aumentam, como em períodos de estiagem que exigem o uso de termelétricas. As bandeiras verde, amarela e vermelha (patamares 1 e 2) indicam, respectivamente, condições favoráveis, menos favoráveis e mais custosas. Em 2025, a bandeira verde tem sido predominante, mas períodos de seca podem alterar o cenário, aumentando ainda mais as tarifas.

O sistema de bandeiras permite maior transparência, informando os consumidores sobre os custos reais da energia. Antes de 2015, esses custos eram repassados apenas nos reajustes anuais, o que dificultava o equilíbrio financeiro das distribuidoras. Agora, os consumidores podem ajustar o consumo com base nas bandeiras, reduzindo gastos em períodos mais caros.

Investimentos e modernização da rede

O reajuste de 13,53% também é destinado a custear investimentos na infraestrutura elétrica. A Celesc planeja modernizar redes, subestações e linhas de transmissão, aumentando a confiabilidade do fornecimento. Em 2025, a distribuidora anunciou projetos de automação e expansão da capacidade de distribuição, visando reduzir interrupções e melhorar a resiliência contra eventos climáticos. Esses investimentos, embora necessários, contribuem para o aumento tarifário, já que a Parcela B cobre parte desses custos.

A modernização beneficia diretamente os consumidores, especialmente em áreas rurais e regiões industriais, onde a demanda por energia é crescente. A Celesc destaca que esses investimentos garantem a qualidade do serviço e a competitividade do setor produtivo de Santa Catarina, que depende de tarifas acessíveis para atrair investimentos e gerar empregos.

  • Foco dos investimentos da Celesc:
    • Automação de redes elétricas.
    • Expansão de subestações.
    • Melhoria na resiliência contra eventos climáticos.
    • Manutenção de linhas de transmissão.

Comparação com anos anteriores

O reajuste de 2025, embora significativo, segue uma tendência de aumentos moderados em comparação com anos anteriores. Em 2023, a Celesc aplicou um aumento médio de 2,3%, com redução de 0,81% para indústrias. Em 2024, o reajuste foi de 3,02%, com 4,19% para residências e apenas 0,75% para o Grupo A. O aumento de 13,53% em 2025 é o maior dos últimos anos, impulsionado pela alta da CDE e pelos custos de compra de energia no mercado de curto prazo.

Apesar disso, a Celesc mantém tarifas competitivas, especialmente para o setor industrial, que beneficia de reajustes menores em anos anteriores. A distribuidora destaca que o equilíbrio entre aumentos controlados e investimentos contínuos é essencial para manter a qualidade do serviço e atrair novos negócios ao estado.