Santos desiste de Sampaoli após exigências por base e reforços caros
O Santos Futebol Clube encerrou as negociações com Jorge Sampaoli para o comando técnico da equipe em 20 de agosto de 2025, após considerar as exigências do treinador argentino inviáveis. As conversas, intensas nos últimos dias, naufragaram devido a pedidos de contratações de alto custo, veto a jovens promissores da base e mudanças no departamento médico, incluindo a saída de um profissional próximo a Neymar. A decisão foi tomada em meio a uma crise no clube, que ocupa a 15ª posição no Brasileirão e enfrenta pressão da torcida após uma goleada de 6 a 0 para o Vasco. O Peixe agora foca em outros nomes, como Juan Pablo Vojvoda, para assumir o cargo. A desistência reflete a busca por um projeto sustentável, alinhado à realidade financeira do clube.
A tentativa de recontratar Sampaoli, que comandou o Santos em 2019, era vista como uma solução para recuperar o desempenho da equipe. O treinador argentino, conhecido pelo estilo intenso e ofensivo, tinha o apoio de parte da torcida e da diretoria. No entanto, as negociações expuseram divergências que inviabilizaram o acordo.
- Principais entraves nas negociações:
- Pedido por quatro reforços, incluindo um titular do Sevilla.
- Veto a jovens como Robinho Jr., Souza e Gabriel Bontempo.
- Exigência de mudanças no departamento médico, como a saída de Luiz Alberto Rosan.
- Mudança de ideia sobre reforços já negociados pelo clube.
Reação da torcida e contexto da crise
A torcida do Santos vive um momento de insatisfação. Após a goleada sofrida para o Vasco no Morumbis, torcedores invadiram o CT Rei Pelé em 19 de agosto, cobrando jogadores, como Neymar, e exigindo a definição de um novo treinador. A pressão reflete a posição delicada do clube no Brasileirão, com apenas 21 pontos e dois pontos acima da zona de rebaixamento. A saída de Cléber Xavier, demitido após o jogo contra o Vasco, intensificou a busca por um nome que traga estabilidade.
O protesto no CT foi marcado por faixas, cartazes e cânticos. Neymar, principal estrela do elenco, foi diretamente cobrado, com frases como “Se você chorar, imagina o resto”. A torcida vê no craque a responsabilidade de liderar o time em campo, mas a falta de resultados tem gerado críticas. A diretoria, liderada por Marcelo Teixeira, busca um treinador que alie competitividade a um projeto financeiro viável.
Exigências de Sampaoli e impacto financeiro
Sampaoli apresentou uma lista de condições que chocaram a diretoria. Ele exigiu a contratação de quatro jogadores para o time titular, incluindo um atacante do Sevilla, avaliado em valores fora da realidade do Santos. Uma fonte próxima à negociação afirmou que “nem o Flamengo conseguiria bancar” o jogador indicado. Além disso, o treinador pediu a saída do fisioterapeuta Luiz Alberto Rosan, profissional de confiança de Neymar, o que foi considerado inaceitável pelo clube.
- Demanda de reforços:
- Um lateral-esquerdo para substituir Souza.
- Um meio-campista no lugar de Gabriel Bontempo.
- Um atacante de velocidade, em vez de Robinho Jr.
- Um zagueiro, mesmo com Zé Ivaldo já no elenco.
A instabilidade nas negociações ficou evidente quando Sampaoli mudou de ideia sobre um reforço já alinhado, frustrando a diretoria. O clube, que enfrenta restrições financeiras, não poderia atender a um investimento estimado em 10 milhões de euros antes do fechamento da janela de transferências em 2 de setembro.
Filosofia da base em xeque
A decisão de Sampaoli de afastar jovens talentos da base, como Robinho Jr., Souza e Gabriel Bontempo, gerou forte resistência. O Santos tem uma tradição de valorizar jogadores formados em casa, como Pelé, Neymar e Rodrygo, e a diretoria considera esses atletas essenciais para o futuro. Sampaoli, no entanto, indicou que os jovens precisariam de mais tempo para amadurecer, sugerindo empréstimos ou exclusão do elenco principal.
A postura do treinador contraria a estratégia atual do clube, que busca equilibrar finanças com a promoção de talentos da base. Robinho Jr., por exemplo, é visto como uma joia promissora, com potencial para se destacar no Brasileirão. A diretoria entendeu que ceder às exigências de Sampaoli comprometeria a identidade do clube e a confiança da torcida nos jovens atletas.
Novo rumo com Vojvoda e outras opções
Com a desistência de Sampaoli, o Santos voltou suas atenções para Juan Pablo Vojvoda, ex-técnico do Fortaleza, que está sem clube desde julho de 2025. Vojvoda é conhecido por implementar /*#__
System: implementar um estilo de jogo intenso e organizado, além de ter experiência em trabalhar com elencos limitados financeiramente, o que o torna um perfil atrativo para o momento do Santos. A diretoria, liderada pelo executivo Alexandre Mattos, já iniciou conversas com o argentino, oferecendo um contrato de longo prazo, até o final de 2027.
- Vantagens de Vojvoda para o Santos:
- Experiência em gerenciar orçamentos restritos.
- Histórico de valorização de jovens jogadores.
- Estilo de jogo intenso e organizado, similar ao de Sampaoli.
- Disponibilidade imediata, sem custos de rescisão.
Outra opção ventilada é Luís Zubeldía, ex-São Paulo, que também foi consultado, mas ainda não recebeu uma oferta oficial. Enquanto a decisão não é tomada, o time será comandado interinamente por Matheus Bachi, filho de Tite, no jogo contra o Bahia, no dia 24 de agosto, pela 21ª rodada do Brasileirão.
Histórico de Sampaoli no Santos e no futebol
Jorge Sampaoli deixou uma marca positiva no Santos em 2019, quando levou o time ao vice-campeonato brasileiro, com 34 vitórias, 15 empates e 15 derrotas em 64 jogos, um aproveitamento de 62,4%. SuaFlamengo, Olympique de Marselha, Sevilla e Rennes. Apesar do sucesso passado, sua recente passagem pelo Rennes, com apenas três vitórias em dez jogos, levantou questionamentos sobre sua forma de gerenciar elencos e alcançar resultados rápidos.
- Números de Sampaoli em outros clubes:
- Flamengo: 20 vitórias, 11 empates, 8 derrotas em 39 jogos (61% de aproveitamento).
- Olympique de Marselha: 36 vitórias, 17 empates, 14 derrotas em 67 jogos (62% de aproveitamento).
- Sevilla: 12 vitórias, 6 empates, 12 derrotas em 30 jogos (47% de aproveitamento).
A experiência internacional de Sampaoli, incluindo passagens pelas seleções do Chile (campeão da Copa América em 2015 e 2016) e da Argentina (Copa do Mundo de 2018), reforça seu currículo, mas não foi suficiente para convencer a diretoria santista de que ele se encaixaria no projeto atual do clube.
Pressão por resultados imediatos
O Santos enfrenta um momento crítico na temporada. Com apenas 21 pontos no Brasileirão e a ameaça de rebaixamento, a escolha do próximo treinador é vista como pivotal para a recuperação do time. A torcida, que já demonstrou insatisfação com protestos, espera um comandante capaz de motivar o elenco e explorar o potencial de jogadores como Neymar. A janela de transferências, que fecha em 2 de setembro, limita as possibilidades de reforços, aumentando a responsabilidade do novo técnico em otimizar o elenco atual.
A desistência de Sampaoli reforça a necessidade de um treinador que se alinhe à filosofia do clube, valorizando a base e trabalhando dentro das limitações financeiras. A diretoria espera anunciar o novo comandante antes do próximo jogo, mas a pressão por resultados rápidos segue como um desafio para qualquer nome escolhido.
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