A tendência do “princess treatment” tem tomado as redes sociais, trazendo gestos românticos como flores, café na cama ou pagar a manicure para o centro de discussões sobre relacionamentos. Popularizada no TikTok, a prática envolve tratar a parceira com atenção especial, mas divide opiniões: para alguns, é uma forma de valorizar a mulher; para outros, reforça estereótipos de gênero tradicionais. No Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 2025, o tema ganhou destaque no programa Papo de Segunda, no GNT, com Jeniffer Nascimento e outros debatedores analisando o impacto dessa moda. Psicólogos e casais questionam se esses mimos são empoderadores ou se criam dinâmicas desequilibradas. O debate reflete tensões culturais sobre feminilidade, chivalry e igualdade. Por que gestos simples causam tanta controvérsia? A resposta está na intenção por trás deles e no equilíbrio entre os parceiros.
O movimento começou com vídeos virais no TikTok, onde mulheres mostram parceiros realizando atos de cuidado, como abrir portas ou surpreender com presentes. A ideia, à primeira vista, é celebrar o romantismo, mas posts de criadoras como Courtney Palmer, que sugerem não falar com garçons ou esperar o parceiro amarrar seus sapatos, intensificaram o debate. Críticas apontam que tais comportamentos podem infantilizar mulheres ou promover submissão.
- Origem do termo: Surgiu em redes sociais, inspirado por ideais de romantismo de época, como em séries como Bridgerton.
- Popularidade: Viralizou com vídeos de casais testando o que é “bare minimum” versus “princess treatment”.
- Controvérsia: Alguns veem como cuidado genuíno; outros, como reforço de papéis de gênero antiquados.
O que define o princess treatment?
A expressão “princess treatment” não tem uma definição fixa, mas geralmente descreve gestos de afeto que vão além do esperado em um relacionamento. Esses atos variam de pequenas gentilezas, como lembrar o pedido de café da parceira, a ações mais elaboradas, como custear tratamentos estéticos ou planejar datas surpresa. Em 2025, a tendência ganhou força com casais compartilhando vídeos bem-humorados, onde parceiros são questionados se certos gestos são “bare minimum” (mínimo esperado) ou “princess treatment”. Respostas erradas, em alguns casos, rendem até um banho de água fria, como no desafio viral do TikTok.
Para a psicóloga Michelle Sampaio, da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), o conceito pode ser positivo se baseado em reciprocidade. “O cuidado mútuo fortalece a relação, desde que não haja expectativa de submissão”, explica. Ela destaca que o problema surge quando o tratamento reforça dinâmicas em que a mulher é colocada em um papel passivo ou dependente.
- Gestos comuns: Abrir portas, oferecer flores, pagar contas em saídas.
- Gestos polêmicos: Evitar contato visual com terceiros ou depender do parceiro para tarefas simples.
- Impacto psicológico: Pode elevar a autoestima, mas também criar dependência emocional se mal interpretado.
- Visão de especialistas: Equilíbrio e comunicação são essenciais para evitar desbalanço de poder.
Raízes culturais e influências midiáticas
A popularidade do princess treatment reflete uma nostalgia por romantismo de outras eras, amplificada por séries como Bridgerton e Downton Abbey, que romantizam cortesias de alta sociedade. Essas produções influenciam expectativas modernas, segundo Daniel Post Senning, especialista em etiqueta. “Narrativas de ficção moldam como entendemos nossas emoções”, afirma. A fascinação por realeza, mesmo em países sem monarquia, como o Brasil, alimenta a ideia de tratar alguém como “princesa”.
No entanto, a tendência também ecoa movimentos como o “tradwife”, que glorifica papéis femininos tradicionais. Críticos apontam que, enquanto gestos românticos são bem-vindos, práticas que sugerem passividade, como não falar em público, podem ser problemáticas. A influenciadora Courtney Palmer, por exemplo, gerou controvérsia ao descrever que não interage com funcionários de restaurantes, deixando isso a cargo do marido.
- Inspiração histórica: Romantismo de época, como em séries de TV e filmes.
- Conexão com tradwife: Reforço de papéis tradicionais de gênero em alguns casos.
- Reação pública: Divisão entre apoio ao romantismo e crítica à submissão implícita.
Equilíbrio e reciprocidade no amor
A chave para um princess treatment saudável, segundo especialistas, está na reciprocidade. Michelle Sampaio reforça que ambos os parceiros devem se sentir valorizados. “Uma relação onde só uma pessoa oferece cuidado cria desequilíbrio”, diz. Gestos como planejar uma noite especial ou dividir tarefas domésticas mostram que o respeito mútuo é mais importante que mimos unilaterais.
Casais que praticam o cuidado recíproco relatam maior satisfação, segundo estudos de psicologia de relacionamentos. Um artigo de 2017 no Journal of Experimental Psychology apontou que casais com gestos regulares de afeto resolvem conflitos mais rápido. A comunicação clara também é essencial: definir o que cada um considera “cuidado” evita mal-entendidos.
- Dicas para casais:
- Conversar sobre expectativas e limites.
- Praticar gestos de carinho sem esperar retribuição imediata.
- Garantir que ambos se sintam valorizados no relacionamento.
- Evitar dinâmicas onde uma parte se anule para agradar a outra.
Reações e críticas nas redes
O princess treatment gerou reações mistas nas redes sociais. Enquanto alguns casais adotam a tendência com leveza, outros a veem como regressiva. Comentários em vídeos de Palmer, por exemplo, variam de apoio a críticas severas, com usuários apontando que sua abordagem pode sugerir controle, não cuidado. Uma ex-garçonete relatou em um comentário no TikTok: “Eu ficaria preocupada se visse uma cliente agindo assim, parece abuso”.
Por outro lado, criadores como Charles Raynor, de Ottawa, defendem que gestos de cuidado são apenas “regras não escritas” de uma relação saudável. Para ele, tratar a parceira como princesa é natural, desde que ambos se apoiem mutuamente. A influenciadora Llaran Turner, que também reagiu à tendência, enfatiza que o verdadeiro princess treatment é sobre se sentir valorizada, não controlada.
- Apoio à tendência: Usuários que veem os gestos como prova de amor e cuidado.
- Críticas: Preocupação com dinâmicas de poder desiguais e infantilização.
- Debate público: Comentários nas redes mostram divisão entre romantismo e regressão.
Impactos psicológicos e sociais
A psicóloga Amanda White, especialista em relacionamentos femininos, alerta que o princess treatment pode ser prejudicial se levar a mulher a reprimir suas necessidades para parecer “perfeita”. “Fazer-se pequena para ser amada cria dinâmicas tóxicas”, diz. Por outro lado, gestos de cuidado genuíno, sem expectativas de submissão, podem fortalecer a autoestima e a conexão emocional.
A tendência também levanta questões sobre igualdade de gênero. Enquanto algumas mulheres buscam um “soft life”, com menos responsabilidades, outras rejeitam a ideia por temerem perder autonomia. O debate reflete uma tensão maior entre progresso feminista e nostalgias românticas, especialmente em um momento em que movimentos como o “manosphere” e o “tradwife” ganham força online.
- Riscos psicológicos: Possível aumento de ansiedade ou dependência emocional.
- Benefícios potenciais: Fortalecimento da conexão quando há reciprocidade.
- Contexto social: Conflito entre feminismo e idealizações românticas tradicionais.
Como casais podem adotar o cuidado mútuo
Para casais que querem incorporar o princess treatment sem cair em armadilhas, a comunicação é essencial. Joshua Pompey, especialista em relacionamentos, sugere que os parceiros sejam claros sobre o que consideram carinho. “Gestos devem ser espontâneos, não uma obrigação”, diz. Mark Rosenfeld, outro coach de relacionamentos, reforça que tratar o outro bem é uma via de mão dupla.
Na prática, isso significa dividir responsabilidades e valorizar pequenos gestos. Um parceiro pode surpreender com um jantar caseiro, enquanto o outro retribui com um bilhete carinhoso. O equilíbrio evita que o cuidado se torne um peso ou uma dinâmica de poder.
- Estratégias práticas:
- Planejar momentos especiais juntos, como datas surpresa.
- Dividir tarefas para evitar sobrecarga de um lado.
- Expressar gratidão por gestos de carinho, reforçando a reciprocidade.
- Estabelecer limites claros para manter a autonomia de ambos.

