Aumento de meningite em MG reacende alerta para vacinação e prevenção

Médico com exame de raio-x do crânio

Médico com exame de raio-x do crânio - Foto: Stephane Noiret/istock

Minas Gerais enfrenta um aumento preocupante nos casos de meningite, que voltaram aos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19. Entre janeiro e julho de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou 497 casos da doença, número próximo aos 1.013 registrados em 2024, superando os 983 de 2019, último ano antes das restrições pandêmicas. O crescimento reflete a retomada de interações sociais, especialmente entre crianças em ambientes escolares, e acende um alerta para a importância da vacinação e do diagnóstico precoce. A meningite, inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, com as formas bacterianas sendo as mais graves. A situação exige atenção redobrada, já que o número de óbitos também cresceu, com 153 mortes em 2024 contra 119 em 2022.

  • Aumento de casos: 497 registros em 2025 até julho, próximo aos 1.013 de 2024.
  • Óbitos em alta: 153 mortes em 2024, contra 116 em 2019 e 66 em 2020.
  • Vacinação essencial: Cobertura vacinal em MG para bebês é de 78,33% (meningo C).
  • Prevenção: Higiene, como lavar as mãos, é crucial para evitar contágio.

O avanço da doença reacende o debate sobre prevenção e vigilância epidemiológica, com especialistas reforçando a necessidade de manter o calendário vacinal atualizado e buscar atendimento médico imediato diante de sintomas.

Retomada de interações sociais impulsiona casos

A volta à normalidade após o período de isolamento social da pandemia de Covid-19 é um dos principais fatores para o aumento dos casos de meningite em Minas Gerais. Durante a pandemia, as restrições de contato reduziram significativamente a transmissão de doenças infecciosas, incluindo a meningite, que se propaga por contato próximo, como gotículas respiratórias ou secreções. Em 2020, o estado registrou apenas 66 óbitos, uma queda expressiva em relação aos 116 de 2019. Com a retomada das atividades presenciais, especialmente em escolas, o contágio voltou a crescer.

Ambientes com alta concentração de pessoas, como salas de aula, favorecem a disseminação, sobretudo entre crianças menores de cinco anos, que representam uma parcela significativa dos casos. A meningite bacteriana, mais comum no outono e inverno, exige atenção especial devido à sua gravidade. A SES-MG monitora a situação e orienta a população a buscar unidades de saúde ao menor sinal de sintomas.

Sintomas exigem atenção imediata

A meningite apresenta sintomas que podem ser confundidos com outras doenças, o que torna o diagnóstico precoce essencial para evitar complicações graves. Os sinais variam conforme o agente causador, mas alguns são comuns e requerem alerta:

  • Febre alta e persistente, muitas vezes acompanhada de calafrios.
  • Rigidez na nuca, dificultando encostar o queixo no peito.
  • Dor de cabeça intensa, diferente de dores habituais.
  • Náuseas, vômitos e sensibilidade à luz (fotofobia).
  • Manchas vermelhas na pele, típicas da meningite meningocócica.

Crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis, especialmente para formas bacterianas, que podem evoluir rapidamente e causar sequelas como surdez, danos cerebrais ou amputações. O infectologista Adelino de Melo Freire Junior destaca que a demora no atendimento pode ser fatal, especialmente em pacientes com comorbidades. A orientação é procurar assistência médica imediatamente ao identificar esses sintomas, garantindo tratamento adequado e reduzindo o risco de desfechos graves.

Vacinação como principal ferramenta de prevenção

A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir as formas mais graves de meningite, especialmente as causadas por bactérias como Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Em Minas Gerais, a cobertura vacinal para bebês menores de um ano é de 78,33% para a vacina meningo C e 80,23% para a pneumo 10, enquanto para crianças acima de um ano, os índices são de 88,25% e 88,65%, respectivamente. Apesar de altos, esses números ainda não atingem a meta ideal de 95% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Ministério da Saúde reforça que manter o calendário vacinal em dia é essencial, especialmente para crianças e adolescentes, grupos mais suscetíveis. Além disso, medidas simples de higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar compartilhar objetos pessoais, ajudam a reduzir o risco de contágio. O SUS oferece vacinas gratuitas contra os principais sorogrupos bacterianos, e um projeto de transferência de tecnologia para a vacina meningocócica ACWY está em andamento, ampliando a proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y.

Vacina contra meningite – Foto: Hailshadow/istock

Impacto da pandemia e desafios atuais

A pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo na vigilância e notificação de casos de meningite. Durante os anos de 2020 e 2021, houve uma redução de 45,7% nas notificações no Brasil, segundo estudo publicado na SciELO, devido às medidas de isolamento social e à sobrecarga do sistema de saúde. Em Minas Gerais, essa tendência foi clara, com uma queda expressiva nos casos e óbitos em 2020. No entanto, a retomada das atividades presenciais trouxe o desafio de recuperar a vigilância epidemiológica e aumentar a adesão às vacinas.

O estado enfrenta o risco de subnotificação, especialmente em regiões menos populosas, onde o acesso a serviços de saúde pode ser limitado. Além disso, a circulação de novos sorogrupos, como o Y, que tem crescido em outros países, preocupa especialistas. A SES-MG planeja intensificar campanhas de conscientização para reforçar a importância da vacinação e do diagnóstico precoce.

Medidas para conter o avanço da doença

Para enfrentar o aumento dos casos, as autoridades de saúde de Minas Gerais estão implementando estratégias para fortalecer a prevenção e o controle da meningite. Entre as ações em curso, destacam-se:

  • Ampliação de campanhas de vacinação em escolas e comunidades.
  • Treinamento de profissionais de saúde para identificação precoce de casos.
  • Reforço na vigilância epidemiológica em regiões com maior incidência.
  • Distribuição de materiais educativos sobre sintomas e prevenção.
  • Monitoramento de surtos localizados para evitar epidemias.

O Plano Nacional para Derrotar as Meningites até 2030, lançado pelo Ministério da Saúde, tem como meta reduzir os óbitos em 70% e erradicar epidemias de meningite bacteriana. Em Minas Gerais, a SES-MG trabalha para alinhar suas ações a esse objetivo, com foco em aumentar a cobertura vacinal e melhorar o acesso ao diagnóstico. A participação da população é essencial, seja mantendo a caderneta de vacinação atualizada, seja buscando atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas.

Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.