Banco Central do Brasil altera estratégia do Drex ao priorizar reconciliação de gravames em vez de blockchain na fase inicial, anunciada durante o Blockchain Rio no início de agosto de 2025, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026 em versão mais simples e focada em eficiência para instituições financeiras, motivado por desafios de privacidade e segurança em transações programáveis, conforme revelado por especialistas como Wagner Martin, vice-presidente da Veritran e mentor do Lift Lab, e confirmado por coordenadores como Fabio Araújo e Clarissa Souza, visando resolver problemas de liquidação e velocidade no mercado de crédito sem intermediários excessivos, adiando funcionalidades avançadas como tokenização de ativos e contratos inteligentes para etapas futuras quando tecnologias de registro distribuído se mostrarem mais maduras.
A decisão surge após testes que identificaram limitações na Hyperledger Besu, plataforma escolhida em 2023 para suportar o Drex como uma moeda digital inovadora, mas que enfrentou obstáculos em escalabilidade e proteção de dados, levando o BC a optar por uma abordagem pragmática que centraliza processos de garantias financeiras, como alienação de bens em veículos ou imóveis usados como colateral em empréstimos.
Essa mudança reflete um consenso interno no BC, expresso em painéis e entrevistas recentes, de que soluções de privacidade atuais, embora promissoras, demandam mais desenvolvimento para integrar-se a um ecossistema descentralizado sem comprometer a conformidade regulatória.
Instituições participantes dos pilotos, incluindo bancos como Itaú e Bradesco, expressaram surpresa inicial, mas veem potencial na nova direção para otimizar operações de crédito colateralizado.
- Reconciliação de gravames unifica registros de garantias entre corretoras e bancos, reduzindo duplicidades.
- Adiamento de blockchain permite testes mais rápidos em ambiente controlado pelo BC.
- Foco inicial em atacado beneficia o mercado financeiro sem impacto imediato no varejo.
- Integração futura com Pix pode expandir usos para transações maiores.
Estratégia pragmática do Banco Central guia reformulação do Drex
O Banco Central optou por uma postura realista ao reformular o Drex, priorizando soluções que atendam demandas imediatas do setor financeiro enquanto posterga inovações mais complexas. Essa escolha, destacada por Wagner Martin durante discussões no Blockchain Rio, enfatiza a necessidade de transações seguras e automáticas sem os riscos associados a processos imparáveis em redes descentralizadas.
Martin argumentou que a centralização inicial de gravames permite resolver ineficiências na liquidação, como a verificação de ativos custodiados em diferentes instituições, antes de acoplar elementos de DLT para automação plena.
Clarissa Souza, coordenadora de tecnologia no BC, mencionou em painel que os testes desde janeiro de 2023 com 16 consórcios revelaram a importância de equilibrar programabilidade com privacidade, levando à decisão de adiar implementações de contratos inteligentes geridos por terceiros.
Fabio Araújo, coordenador do Drex, reforçou em entrevista que as soluções de privacidade testadas são avançadas, mas requerem adaptações para um sistema financeiro baseado em tecnologia descentralizada, justificando o foco em uma base centralizada para ganhar velocidade.
Essa abordagem divide o projeto em horizontes temporais claros, com a fase curta priorizando entregas funcionais em 2026.
O evento Blockchain Rio serviu como palco para esclarecer essas mudanças, onde o presidente Gabriel Galípolo enfatizou que a tecnologia deve ser agnóstica, resolvendo problemas concretos como a integração de pontas em operações de crédito.
Para o mercado, essa reformulação significa uma transição gradual, com o Drex atuando inicialmente como infraestrutura de bastidor para reconciliar garantias e evitar fraudes em empréstimos.
Instituições como o Banco do Brasil e a Caixa já ajustam estratégias para alinhar-se à nova visão, testando casos de uso que envolvem títulos públicos e recebíveis.
A ênfase em segurança reflete lições de painéis anteriores, como o Febraban Tech, onde o consenso apontava para desafios em ambientes programáveis.
- Plataforma centraliza registros de restrições financeiras, facilitando alienação de bens como casas.
- Testes com consórcios avaliam privacidade em cenários de crédito pessoa a pessoa.
- Adiamento de DLT evita riscos de transações automáticas sem freios adequados.
- Integração com sistemas existentes acelera liquidação de garantias.
Desafios técnicos impulsionam postergação da tecnologia DLT no Drex
Desafios em privacidade e escalabilidade motivaram o Banco Central a postergar o uso de blockchain no Drex, conforme análises de testes realizados desde 2023. A Hyperledger Besu, selecionada por sua compatibilidade com contratos inteligentes do Ethereum, apresentou limitações que demandam mais trabalho para atender requisitos regulatórios.
Wagner Martin observou que, enquanto a segurança em transações automáticas é essencial, a infraestrutura atual permite centralizar gravames para resolver conciliação e velocidade, adiando a interligação com DLT até que haja confiança plena.
Clarissa Souza destacou que a segunda fase de testes visava implementar casos de uso por bancos, utilizando soluções de privacidade avaliadas em grupo com 16 consórcios, mas os resultados indicaram necessidade de adaptações adicionais.
Fabio Araújo afirmou que as ferramentas atuais de privacidade são boas, mas insuficientes para um novo sistema financeiro descentralizado, necessitando de desenvolvimento contínuo.
Essa avaliação técnica, discutida no Blockchain Rio, reflete uma migração para tecnologia agnóstica, priorizando resolução de problemas como a verificação de ativos em corretoras versus bancos.
O BC contactado não forneceu detalhes adicionais, mas fontes internas confirmam que a agenda estratégica mantém o Drex como prioridade, com insistência em testes até alcançar segurança desejada.
Para executivos como Martin, essa etapa aproveita a plataforma de liquidação centralizada para ajudar no curto prazo, sem descartar DLT futuramente.
A decisão impacta consórcios participantes, que agora ajustam relatórios de tokenização para alinhar-se à reconciliação de gravames como foco principal.
Essa postergação evita sobrecarga computacional em soluções de privacidade, como as testadas na primeira fase, garantindo conformidade com leis de proteção de dados.
- Hyperledger Besu compatível com Ethereum, mas limitada em privacidade escalável.
- Testes revelam necessidade de algoritmos personalizados para monitoramento regulatório.
- Foco em gravames reduz custos de desenvolvimento inicial.
- Futura adesão a DLT depende de maturidade em segurança e adaptação.
- Consórcios de 16 grupos entregam relatórios até outubro para guiar próximas fases.
Reconciliação de gravames como prioridade inicial para eficiência no crédito
A reconciliação de gravames emerge como o cerne da próxima fase do Drex, permitindo que o Banco Central centralize registros de restrições financeiras e facilite operações de crédito com garantias variadas. Essa funcionalidade, enfatizada por Fabio Araújo, integra sistemas de corretoras e bancos para verificar ativos usados como colateral, resolvendo complicações atuais em empréstimos.
Wagner Martin explicou que a plataforma do Drex tem capacidade para unificar todos os gravames, alienando bens como veículos ou casas de forma mais veloz, optando por resolver conciliação e liquidação em uma base controlada antes de automatizar via blockchain.
Clarissa Souza assinalou que os desafios de privacidade com programabilidade foram avaliados em testes desde 2023, com a meta de implementar contratos inteligentes por terceiros, mas a prioridade agora é uma solução prática para o mercado de crédito.
Gabriel Galípolo, em palestra, reforçou que o Drex não é definido como DLT, migrando para uma ideia de tecnologia adequada ao problema, como a integração de garantias em operações de empréstimo.
Para Araújo, essa etapa de curto prazo oferece serviço à população sem rede descentralizada, amadurecendo tecnologias complexas posteriormente.
Instituições financeiras veem ganhos em eficiência, com redução de burocracias em financiamentos, especialmente para ativos custodiados em múltiplas entidades.
A estrutura permite baixar alienações rapidamente, liberando bens para novas vendas ou usos como garantia, otimizando o fluxo de crédito no país.
Essa priorização alinha o Drex a necessidades reais do setor, como a verificação integrada que evita fraudes em garantias duplicadas.
- Verificação em tempo real de ativos em corretoras e bancos para empréstimos.
- Redução de prazos em alienação de bens como imóveis e veículos.
- Facilitação de crédito colateralizado com títulos públicos ou CDBs.
- Integração com cartórios para atualização automática de registros.
Reações do mercado à guinada no projeto Drex e perspectivas futuras
O mercado financeiro reagiu com surpresa à guinada no Drex, mas especialistas como Marcos Sarres, CEO da GoLedger, admitem que a Hyperledger Besu não era ideal devido a limitações em privacidade e escalabilidade, sugerindo alternativas como Hyperledger Fabric para transações de alta velocidade.
Wagner Martin analisou que o BC insiste na agenda até sentir-se seguro para acoplar descentralização, vendo a centralização como ponte para automação futura.
Clarissa Souza mencionou em painel que a mudança foi confirmada após discussões, com foco em uma rede proprietária do BC adequada às necessidades.
Fabio Araújo detalhou que soluções de DLT serão debatidas em fases subsequentes, após resolver reconciliação de gravames, sem clareza sobre continuidade dos consórcios atuais.
Empresas como Parfin e Foxbit expressaram que a tokenização avança independentemente, com projetos em soja e trade finance prosseguindo.
A polarização política, influenciada por debates nos EUA sobre proibição de CBDCs, adicionou críticas no Brasil, mas o BC nega motivações políticas, atribuindo tudo a aspectos técnicos.
Para o setor, a versão inicial em 2026 promete ganhos em eficiência para bancos e corretoras, com potencial para seguros paramétricos e pagamentos automáticos.
Regina Pedroso, da Abtoken, expressou preocupação com investimentos em infraestrutura, esperando repensar para resolver privacidade e interoperabilidade.
A reformulação abre oportunidades para padrões regulatórios com CVM e ANBIMA, facilitando integração futura entre Drex e ecossistema tokenizado.
- Surpresa de consórcios com adiamento de tokenização de imóveis e veículos.
- Avanço privado em CRAs e tokens imobiliários como Reitz do BTG Pactual.
- Colaboração com Receita Federal em sistemas como b-Cadastros para compartilhamento de dados.
- Perspectiva de 100 mil transações por segundo em modelo centralizado.
- Ênfase em interoperabilidade com Pix para operações de maior porte.
Integração com ecossistema financeiro acelera benefícios do Drex reformulado
A integração do Drex com o ecossistema existente, como o Pix, acelera benefícios ao permitir que a reconciliação de gravames funcione como gatilho para transferências em transações estruturadas. Wagner Martin destacou que essa estrutura preserva o Pix para pagamentos instantâneos, enquanto o Drex lida com operações maiores, como financiamentos e investimentos.
Clarissa Souza explicou que os testes com consórcios visam casos de uso impactantes, como cessão de recebíveis e otimização de câmbio, adaptando soluções de privacidade para conformidade.
Fabio Araújo enfatizou que o foco em gravames resolve problemas de custódia de ativos em corretoras versus empréstimos em bancos, integrando pontas para maior confiança.
Gabriel Galípolo afirmou que o Drex complementa inovações como Open Finance, formando um ecossistema robusto para modernização, com o Brasil à frente de nações como EUA e UE em desenvolvimento de moeda digital oficial.
Para Martin, a combinação de Pix e Drex posiciona o país como referência global, desde que mantenha segurança e estabilidade.
Instituições como Santander testam tokenização de automóveis e debêntures, alinhando-se à nova fase para emissões e transações seguras.
A Caixa implementa pagamentos offline em Drex para Bolsa Família, desenvolvendo tokenização imobiliária com Elo e Microsoft.
O Bradesco avança em CDBs tokenizados como garantia, enquanto o Inter testa trade finance para reduzir riscos em comércio internacional.
Essa integração promete redução de custos operacionais e maior acesso a crédito, especialmente para agronegócio e carbono.
- Conexão com Pix para liquidações em financiamentos de veículos e imóveis.
- Testes de empréstimos com garantia em títulos públicos entre bancos.
- Otimização de mercado de câmbio com piscina de liquidez para títulos.
- Transações com CCBs e ativos do agronegócio em redes integradas.

